«Amores Mortos»

Terminei agora há pouco a revisão gramatical e ortográfica de meu segundo romance. Amores Mortos é a biografia sentimental de um homem assombrado pelos fantasmas de amores perdidos. Por exigência das regras do concurso em que o inscreverei hoje, dia 30, ele está digitado em 221 páginas de A4, com fonte Times New Roman tamanho 12 e espaçamento duplo entre linhas. O processo de criação de Amores Mortos foi bem menos complicado do que o de Praia do Sossego, a minha primeira obra do gênero. […]

Escrevendo pelo «Método Quebra-Cabeças»

Há alguns dias eu escrevi sobre o método de desenvolvimento de texto que eu desenvolvi inicialmente, após alguns anos tentando tornar-me escritor. O chamado “método cebola” consistia em partir de um núcleo básico e aperfeiçoar a história através de revisões sucessivas, cada uma com um foco diferente. O método “cebola” é sintético: ele analisa a obra literária como um todo indivisível, que deve ser trabalhado de forma global, com objetivos globais. O “método quebra-cabeças” (MQC, para simplificar) é o oposto disso: uma maneira analógica de […]

Funerais Australianos Devem Ser um Barato

Há momentos na vida (ou na morte) que precisam ser encarados com relativa seriedade, ou pelo menos devem ter um mínimo de respeito. Se não pelos mortos, que não estão nem aí para o que vai ser dito ou cantado a respeito deles, pelo menos por causa dos vivos. Mas o ser humano, em sua insuperável capacidade de subir o tom da estupidez enquanto não encontrar alguma barreira, tem levado o significado dos rituais religiosos em funerais a limites além da imaginação. Sinceramente, funerais na […]

Escrevendo Pelo «Método Cebola»

Eu nunca tive a oportunidade de ler obras que ensinassem como escrever. Não que isso fosse fácil quando eu comecei, na era pré-Internet. Sem ter nenhuma orientação, acabei tendo que improvisar e desenvolver meus próprios métodos para produção de textos. Hoje vou explicar um desses métodos, que eu usei principalmente para contos e poemas. Antes de falar sobre o “método cebola”, devo explicar que ele é totalmente inadequado para textos mais longos. Ao tentar empregar este método para escrever um romance, chamado “Praia do Sossego”, […]

Comerciamante Triste das Horas Rasas

O amor de Noêmia é súbito e simples, alívio de dívidas e dúvidas que doem. Espera que açoitemos sua carne rude com nossas vontades incultas e cruas. Sua passagem aromática pela praça traz promessas e segredos aos jovens e somos expostos ao beijos que esparge, complexas gotas de trevas que escapam de seu sorriso assimétrico e rígido e escorrem por suas carnes estreitas pelas descontinuidades e curvas. O amor de Noêmia é nota de amargo e seu sorriso, incensado e insincero. Nota-se desespero no cálculo […]

Dilemas de Estudante de Literatura

Um estudante de literatura postou o seguinte no Orkut: > Gostaria de ajuda para entender as diferenças entre o realismo e o romantismo-naturalismo. Sempre disposto a dar cola para a nossa juventude que enfrenta os dilemas da graduação sem pré-requisitos, postei o seguinte: > O Romantismo-Naturalismo é uma corrente literária caracterizada por uma abordagem esquizofrênica da vida, ao mesmo tempo valorizando os sentimentos e compreendendo-os como fruto dos instintos humanos. O exemplo típico do romântico naturalista está nas letras do *funk melody* e do sertanejo […]

Sentidos

O que fizemos foi muito belo, mas foi uma loucura sem sentido. O sonho é uma peçonha aparecida apesar do que somos nas manhãs. Estávamos lá entre coqueiros e sol, bonitos e molhados de mar, e até a porca que passou na praia mereceu entrar em um poema. — Mas como foi sem sentido, se sentimos tanto não ter sido eterno? Aquela noite ganhou cores, aqueles dias ficaram sólidos na alma e ainda hoje o teu perfume purifica-me. O que eu sei de sentidos é […]

O Telefone

Meu primeiro texto de ficção fantástica, datado de 2005 ou pouco antes, incorporando elementos, então ainda bem vivos, das minhas impressões da primeira viagem aérea. Pensei no aparelho tranquilamente pousado à cabeceira da pista, reluzindo sua pintura branca sob o sol atípico daquela tarde de inverno nebulosa e morna e me acalmei. Depois o vi taxiar paquidermicamente em direção ao setor de embarque, sob os olhares tensos dos passageiros ainda indecisos se embarcariam ou não. Deteve-se ali, resfolegando como uma ave mitológica, até que todos […]

O Fascínio do Latim

Os homens de lodo e de sono aguardam o fim da última vela repetindo com vozes defuntas suas preces de cor sem sentido. O fascínio do latim está perdido e a força do fantástico apagou-se, nenhum Aquiles romperá o nada para lutar contra palavras ocas. A Torre de Marfim sofreu o golpe, os que nela vivem se espantam, mas as plantas crescem sem Platão e os pássaros não ouvem Nietzsche. De dentro do esterco nasce a rosa, de dentro dos ruídos, porém, nada. Nada nas […]

Literatura e Política: Para Todos e Para Ninguém

Nietzsche colocou em seu livro “Assim Falou Zaratustra” um subtítulo interessante: “um livro para todos e para ninguém”. Trata-se de uma declaração quase esfíngica: como um livro pode, ao mesmo tempo, ser destinado a todo mundo e a ninguém? A solução do enigma surge quando você analisa o livro em si, pelo seu conteúdo e pela sua forma. Quanto à forma, é um livro para todos devido ao estilo bíblico e linear da narrativa (sim, embora escrito por um filósofo, trata-se de uma narrativa): supôs […]

No Pomar, Entre Pés de Laranja

Nisto que chamam mudez escondi meu cemitério, é nos signos antigos que ficam velhos pecados guardados. Não há porque pecar de novo, as velhas festas se foram e os desejos não ardem mais. Não há porque tentar de novo com palavras provisórias porque não têm o peso de antes. A velocidade não me seduz, todo esse ruído é intragável, espero é que caia chuva no pomar, entre pés de laranja, para que frutifiquem as flores. Existe beleza nas gotas e seu terno ruído contado, nisto […]

O Mistério de «Juninhuuu» Prestes a Cair

Um mistério do Orkut de quase dois anos está prestes a terminar: a identidade de “Juninhuuu Ribeiro”, um fake que postava na comunidade Novos Escritores do Brasil um tópico intitulado “A Minha Saga”, no qual contava as aventuras pornográficas e escatológicas de um alter ego picaresco e inverossímil. Famoso pela “cheirada”, pelo “gol anal” e ereção no teatro; Juninhuuu era uma espécie de mascote da N.E.B., pelo menos enquanto a brincadeira teve graça (e a própria comunidade). Muito bem, até aqui eu falei muito sobre […]