Carta Aberta ao Senhor Motorista do Tanque — Parte 5

8 novembro há 6 anos

Voltar ao Índice A era ele­trô­nica, o paraíso do edi­tor. Ou melhor, do cen­sor. Antigamente se pode­ria bem dizer que “livro é como pas­sa­ri­nho”, depois que saiu da pra­te­leira da livra­ria nin­guém mais con­trola. Hoje em dia é pos­sí­vel revo­gar a publi­ca­ção do livro, apa­gar do dis­po­si­tivo chi­que o arquivo ofen­sivo que não deve­ria ter saído. Mas, acima de tudo, hoje em dia é pos­sí­vel fazer as “cor­re­ções” na reda­ção do escritor-​aluno até que seja acei­tá­vel no con­texto da edição-​escola. Onde foi que esque­ce­ram pelo […]

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Carta Aberta ao Senhor Motorista do Tanque — Parte 4

6 novembro há 6 anos

Voltar ao Índice Vocês devem estar ima­gi­nando, então, que eu sou mais um que cele­bra o futuro esfu­zi­ante que vem aí. Que sou con­tra as fer­ra­men­tas de con­trole do con­teúdo, mas que abraço entu­si­as­ti­ca­mente o mundo ele­trô­nico. Nem tão depressa assim, moto­rista, pare o ôni­bus do futuro, pois quero des­cer. Quero vol­tar para minha casa, achar meu pró­prio armá­rio debaixo da escada, ali me escon­der, com minha velha máquina de escre­ver, e então, de den­tro da escu­ri­dão desse meu canto, oferecer-​lhes meu vis­lum­bre desse futuro. […]

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O Verdadeiro Autor Marginal

5 novembro há 6 anos

Você pro­va­vel­mente nunca ouviu falar de Charles Kembo. Acontece que ele se tor­nou hoje o pivô de uma das notí­cias lite­rá­rias mais inte­res­san­tes do ano, ao tornar-​se o autor do livro “A Trindade dos Super-​Garotos, Livro I: A Busca pela Água”. Aparentemente não há razão alguma para que o caso seja “inte­res­sante”, mas o caso merece aten­ção. Antes de tudo, é pre­ciso dizer que a obra citada é bem jus­ta­mente o que parece: uma tri­lo­gia de fic­ção cien­tí­fica pro­ta­go­ni­zada por jovens que sal­va­rão o mundo […]

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Carta Aberta ao Senhor Motorista do Tanque — Parte 3

4 novembro há 6 anos

Voltar ao Índice Na pos­ta­gem pas­sada eu argu­men­tei que o “livro ele­trô­nico” entre aspas (mar­ke­te­ado como “e-​book”) não é um pro­duto novo, mas uma ten­ta­tiva de mer­can­ti­li­zar algo que já existe. E que o obje­tivo do “e-​book” não é ofe­re­cer con­teúdo, mas controlá-​lo. O livro é uma fer­ra­menta muito pode­rosa. Tão pode­rosa que ele, pra­ti­ca­mente sozi­nho, aca­bou com a Idade Média e pro­du­ziu esta soci­e­dade em que você vive, este Admirável Mundo Novo, cheio de tan­tas pes­soas ado­rá­veis. Não acre­dite nos his­to­ri­a­do­res tra­di­ci­o­nais: o mundo […]

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Carta Aberta ao Senhor Motorista do Tanque — Parte 2

2 novembro há 6 anos

Voltar ao Índice Comecei a pos­ta­gem pas­sada dizendo que o “e-​book” é uma “buzzword” pode­rosa, que adqui­riu um cará­ter de dogma, e cuja crí­tica é retru­cada com o aná­tema. Esta é uma carac­te­rís­tica pre­do­mi­nante de nosso tempo: após déca­das de moder­nismo, carac­te­ri­zado pelo pen­sa­mento mul­ti­fa­ce­tado, vive­mos uma era de aspi­ra­ção ao pen­sa­mento único, sob o signo do infame “fim da História” apre­go­ado por Francis Fukuyama, nome que será eter­na­mente lem­brado pela igno­mí­nia. Algumas “buzzwords” nomeiam coi­sas que efe­ti­va­mente exis­tem, são novas e se con­so­li­dam, como […]

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Carta Aberta ao Senhor Motorista do Tanque — Parte 1

31 outubro há 6 anos

Voltar ao Índice Discutir o tema “livro ele­trô­nico” é cla­mar por encrenca. Como toda “buzzword” da era da inter­net, “e-​book” é um con­ceito que adqui­riu uma aura de dogma e qual­quer ten­ta­tiva de dis­sen­são resulta em aná­tema. Aliás, qual­quer pes­soa que se pre­o­cupe com “firu­las” como “pri­va­ci­dade” e “direi­tos” acaba sendo tachada de coi­sas hor­rí­veis, tal como fazem com o Richard Stallman — um sujeito bri­lhante, embora pouco hábil para cati­var as pes­soas pela sim­pa­tia, inge­nu­a­mente ima­gi­nando que as pes­soas são raci­o­nais e com­pre­en­dem argu­men­tos lógi­cos. Richard […]

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Carta Aberta ao Senhor Motorista do Tanque — Índice

30 outubro há 6 anos

Inicio hoje à noite a publi­ca­ção, atra­vés de uma série de pos­ta­gens, a inter­va­los de dois dias, de um texto longo e ela­bo­rado a res­peito de minhas visões e opi­niões sobre e-​books, direi­tos auto­rais e polí­tica quanto a soft­ware. Esta página ficará, ao final, para arma­ze­nar o índice das publi­ca­ções.

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Isto é tudo, p-​p-​pessoal

19 outubro há 6 anos

Não, não foi o blog que aca­bou. Foi a publi­ca­ção em capí­tu­los do romance do William Hope Hodgson, que vinha man­tendo reli­gi­o­sa­mente desde maio. Na última terça-​feira, dia 18 de outu­bro saiu o epí­logo (inti­tu­lado «Luto») e agora, como diria Mário de Andrade, «tem mais não». Conforme pro­me­tido, revi­sa­rei o texto todo. Também o for­ma­ta­rei bem bacana e dis­po­ni­bi­li­za­rei para quem o queira em seu lei­tor digi­tal ou na estante. Será um tan­ti­nho tra­ba­lhoso, por­que terei que fazer várias con­ver­sões de for­mato no cami­nho, mas sai. […]

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A Casa no Fim do Mundo — Luto

18 outubro há 6 anos

Este texto é parte do romance “A Casa no Fim do Mundo”, de William Hope Hodgson (1907), que estou tra­du­zindo em capí­tu­los sema­nais. Visite o Índice para lê-​los em sequên­cia. Uma fome feroz reina em meu peito,17 Eu não sonhara que todo esse mundo, Esmagado nas mãos de Deus, ainda tra­ria Tão amarga essên­cia de inqui­e­tude, Tanta dor quanto a Tristeza arran­cou De seu ter­rí­vel cora­ção, des­tran­cado! Cada soluço que res­piro mal é um choro, O pul­sar de meu peito repica de ago­nia E minha […]

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Novos Céus, Nova Terra

17 outubro há 6 anos

Jesus des­ceu de seu trono na cidade de Jerusalém, a Nova Jerusalém, noiva de Deus, cal­çou as suas anti­gas san­dá­lias de pes­ca­dor gali­leu e saiu pelas ruas pavi­men­ta­das de jaspe e ônix, ocul­tando sua gló­ria em um manto de humil­dade. Por toda a cidade rei­nava um estra­nho clima de eterna festa, e todos os seus cida­dãos iam ves­ti­dos à mesma maneira, com idên­ti­cos cor­tes de cabelo. Todos leva­vam nos seus ros­tos uni­for­mi­za­dos sor­ri­sos muito lim­pos, de den­tes muito alvos. Não havia nenhuma imun­dí­cie no chão […]

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Não Vamos às Estrelas, Baby…

11 outubro há 6 anos

Há anos um pará­grafo escrito por Howard Phillips Lovecraft não me sai da cabeça. Já o devo ter tra­du­zido uma dezena de vezes, para pos­tar em duas ou três deze­nas de luga­res. Aqui vai a décima pri­meira tra­du­ção, como introito deste artigo que, mais uma vez, me ali­jará de alguns ami­gos e lei­to­res: A coisa mais mise­ri­cor­di­osa no mundo, creio, é a inca­pa­ci­dade da mente humana para inter­li­gar todos os seus conhe­ci­men­tos. Vivemos em uma plá­cida ilha de igno­rân­cia em meio aos mares negros do […]

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A Casa no Fim do Mundo — Capítulo XXVII

11 outubro há 6 anos

Este texto é parte do romance “A Casa no Fim do Mundo”, de William Hope Hodgson (1907), que estou tra­du­zindo em capí­tu­los sema­nais. Visite o Índice para lê-​los em sequên­cia. Pus de lado o manus­crito e olhei para o Tonnison: ele estava sen­tado, con­tem­plando a escu­ri­dão. Esperei um minuto e então falei. — Então? Ele olhou para mim len­ta­mente. Seus olhos pare­ciam vol­tar de uma imensa dis­tân­cia. — Ele estava louco? — per­gun­tei, indi­cando o manus­crito com o queixo. Tonnison me enca­rou, dis­traído, por um momento e então sua […]

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