Como o Facebook Matou a Blogosfera Literária

Se você não paga pelo serviço, quem está sendo negociado é você. Quando surgiram as redes sociais, no início do milênio, elas pareceram ser a solução para um antigo problema que afetava a vida cultural brasileira: a dispersão pelo imenso território nacional do grande, mas rarefeito, universo dos interessados por formas de arte menos populares. Pareceu, por um breve momento, que esta tecnologia traria a tão sonhada conexão entre produtores e consumidores de conteúdo, facilitando a descoberta de novos talentos e sua entrada no mainstream […]

Pagando Bem, que Mal Tem?

Recentemente descobri que há um mercado de resenhas pagas, no qual se cobram valores entre R$ 500 e R$ 8.000 para que algum blogueiro ou YouTuber resenhe sua obra prima e, obviamente, fale bem dela. Eu mais ou menos sabia que o jabá é praticamente uma instituição sacra de nossa cultura, mas julgava, ingenuamente, que eram as editoras que subornavam os jornais, as revistas e as livrarias para alavancar as vendas de seus lançamentos. Mas não imaginava que existisse um “mercado” de exploração dos autores […]

Não Se Ofenda

Ninguém tem o direito de nunca ser ofendido. Mas, peraí, estarei eu defendendo o abuso verbal? Não, não é isso. Ofender-se é algo subjetivo e pessoal. Pessoas diferentes se ofendem com coisas diferentes. Eu, por exemplo, me incomodo com a simples existência do funk no mesmo universo que eu. Fico puto de ouvir aquelas letras obscenas e aquela música troncha. Mas a maioria das pessoas ouve na frente dos filhos a canção que fala de meter o piupiu na pepeca até relar e não se […]

Em Nome de Stallman e Torvalds, Salvai-me!

Devo ser o único ser vivente neste sistema solar que ainda insiste em usar nomes de arquivo padrão 8.3 (não, minha idade não é da sua conta). O arquivo se chamava roseira.odt (e isso não tem nada a ver com o título, exceto que em uma das histórias há um roseiral). Se você acha que isso é receita para algum azar, deve ter razão. Não sou, também, nenhum exemplo de organização. Há mais a fazer do que tempo para organizar o feito. Meu computador está […]

Nasceu “O Reino Esquecido”

Iniciado durante uma semana literalmente febril de junho de 2008, este romance “pseudo-histórico” e doentio é a mais nova obra de minha autoria que consigo terminar. Ainda não sei o que farei dele, que ficou pequeno e confortável para um concurso, se bem que essa simples postagem contendo seu título pode lhe remover o ineditismo segundo o critério louco de algum concurso obcecado em premiar somente quem escreve para a gaveta. O processo de criação deste romance contém todos os erros e equívocos possíveis de […]

Nando Moura e Apeles

Toda vez que assisto um vídeo do Nando Moura eu me lembro da parábola de Apeles e do sapateiro. Moura é um músico que gosta de mencionar um extenso currículo musical para embasar suas críticas ao funk, ao sertanejo e ao black metal; mas também se mete a falar de filosofia, que confessadamente aprendeu com Olavo de Carvalho, política e até padrões de tomadas. Suas críticas musicais são bastante justas — ainda que sejam mais ou menos o que qualquer bípede implume dotado de telencéfalo […]

Três Grandes Enganos Sobre Debates Literários

Com agradecimentos a Osmarco Valladão. Invariavelmente os debates sobre literatura nas redes sociais são contaminados por falácias e por atitudes infantis, que impedem que opiniões discordantes convivam amigavelmente. Este artigo analisa três destas grandes falácias, apontadas pelo escritor Osmarco Valladão, em uma postagem do grupo “Escritores Ajudando Outros Escritores” e uma quarta que eu mesmo detectei no mesmo tópico do debate. 1. Criticar a obra também significa criticar o seu autor. Quando eu era adolescente, um dos medos que me apavoravam em relação à literatura […]

A Superfície Jovem

Uma coisa que eu venho percebendo é que as letras de música escritas nas décadas passadas tinham muito mais maturidade. Artistas na casa dos vinte anos escreviam sobre temas complexos, abordavam dúvidas existenciais, tinham empatia com os mais velhos, consciência política… e faziam sucesso. Quando você compara uma letra do Gênesis, por exemplo, com uma da Shakira você sente isso perfeitamente. As letras que Peter Gabriel, Tony Banks, Mike Rutherford, Steve Hackett e Phil Collins escreveram ANTES DOS 21 revelam conhecimentos (mesmo que superficiais) de […]

Textos Apodrecem

Enquanto luto aqui para tentar terminar o romance “Amores Mortos” (terceira versão), recebo algumas opiniões interessantes de minhas leituras beta. A primeira delas, e a que tem me feito mais pensar, é que duas das leituras puderam identificar, com certa facilidade, a sequência em que as partes do texto foram escritas. Considerando que todo ele foi escrito em 2010, com algum retrabalho em 2012 e agora a reescrita do primeiro capítulo, o intervalo total entre o texto mais antigo e o mais novo é de […]

O Nascimento de Filipe C. Pinto

Tudo começou nos tempos do Orkut. Eu já havia utilizado alguns perfis falsos (“fakes”) para postar naquela plataforma algum conteúdo mais polêmico. Alguns desses perfis eram verdadeiramente lendários, como o “Sumo Sacerdote da Silva”, suposto líder da “Igreja Orkutista da Salvação”, e a depravada “Sofista Loura” (uma alusão a Sophia Loren), que publicou na “Novos Escritores do Brasil” um texto escatológico produzido a partir do [Bonsai Story Generator](http://www.critters.org/bonsai). Filipe C. Pinto foi o ponto culminante das minhas trollagens orkutianas. Percebendo que havia certa resistência à […]

Desafio Entre Contos: Bruxas

Este mês o desafio de ficção promovido pelo site EntreContos me atraiu muito, por se tratar de um tema que sempre me fascinou: bruxas. Tão excitado eu fiquei que logo parti a escrever e, quando dei por mim, construíra “A Virgem do Sabá“, baseado em uma sinopse deixada por Clark Ashton-Smith. Infelizmente esta história ficou longa demais para o desafio e tive de escrever outra! Da segunda vez, mantive a inspiração no mesmo universo ficcional (de Lovecraft, Ashton-Smith e outros) e recorri temas extraídos de […]

Queime um Livro

Deparei-me hoje com a campanha do Literatura Fantástica Brasileira contra o que consideram má literatura e me confesso meio espantado com o teor desta. Primeiro porque sou cético quanto a critérios absolutos para avaliar a qualidade de produções artísticas: como todo mundo que conhece a história da literatura, tenho uma saudável sensação de que a exclusão de algo por ser ruim soa como academicismo, que já fez muito mal à arte no passado. Segundo porque a ideia de queimar um livro ruim me agride a […]