Desafio Mundos Paralelos

O per­fil “Mundos Paralelos”, da Editora Abril, atra­vés de sua conta no Wattpad.com está acei­tando ins­cri­ções até o dia 15 de maio para par­ti­ci­par de uma anto­lo­gia de fic­ção espe­cu­la­tiva. As regras con­forme o link acima. Embora eu seja nor­mal­mente avesso a con­cur­sos e con­ven­cido de que nunca ganha­rei nenhum, resolvi par­ti­ci­par pela pers­pec­tiva de tra­var conhe­ci­mento com gente que real­mente está no mer­cado edi­to­rial (e não em grá­fi­cas que se tra­ves­tem de edi­to­ras). Como não há requi­sito de ine­di­tismo, indi­quei como meu cam­peão para […]

Terceira Encruzilhada no Caminho da Esquerda

Texto apre­sen­tado ao Desafio Entre Contos “Folclore Brasileiro”. Hoje vocês me dizem que eu estou em segu­rança e tudo parece ter sido um sonho. Assim me dizem sem­pre que essas coi­sas acon­te­cem. Hoje está tran­quilo, madri­nha, mas não quero visi­tas, estou doente ainda, quero remé­dios e não quem me teste a paci­ên­cia e diga que estou corado e bonito. Para essas coi­sas tive a minha mãe, que Deus a tenha. Agora quero é a mise­ri­cór­dia de Deus e ten­tar parar com esses sumi­ços. Disseram-​me que […]

Sue Para Escrever Sua Cota, Seja Como For

Dizer que “os escri­to­res de hoje enfren­tam dile­mas dife­ren­tes dos de anti­ga­mente” é uma pla­ti­tude. Cada época tem seus desa­fios, gos­te­mos ou não, mas algu­mas coi­sas são mesmo novas, outras só pare­cem. Uma das que me espan­tam é que tan­tos auto­res de hoje se impo­nham uma cota diá­ria de pala­vras, como um infe­liz sujeito obri­gado pelo médico a pagar fle­xões e puxar fer­ros para entrar em forma. A ideia de que o autor pre­cisa escre­ver com frequên­cia e quan­ti­dade não é nova, mas a obses­são […]

Como o Lugar de Fala Pode Matar a Literatura como a Conhecemos — e Porque Isso Pode Ser Bom

Há algum tempo uma pes­qui­sa­dora da UnB fez um levan­ta­mento esta­tís­tico da lite­ra­tura naci­o­nal e con­cluiu que ela é o pro­duto do tra­ba­lho, prin­ci­pal­mente, de homens bran­cos, de classe média ori­gi­ná­rios do eixo Rio-​São Paulo. À parte algu­mas voci­fe­ra­ções nas redes soci­ais, esse resul­tado não foi pra­ti­ca­mente dis­cu­tido por nin­guém por­que é uma des­co­berta que inco­moda. Ninguém gosta de ser tachado de racista e nin­guém é racista sim­ples­mente por per­ten­cer a uma classe pri­vi­le­gi­ada da popu­la­ção. Porém o que se detec­tou nessa pes­quisa é um […]

Amor Gótico

Ouviram um ran­gido desa­gra­dá­vel. A lua gorda de maio abriu uma janela estreita entre as nuvens e a fumaça para ver Lucinda nua. Ela riu, a lua deve ter rido de volta, fazendo-​lhe cóce­gas na pele pálida. Então ele se afas­tou, cons­tran­gido e com a sen­sa­ção incô­moda de ter as náde­gas des­pro­te­gi­das con­tra o vento e o des­co­nhe­cido. — Já foi? Queria mais… — Você não sos­sega esse facho, Lucinda? — Deixe, cara. Aproveite a noite, apro­veite a lua, apro­veite a pai­sa­gem. E apro­veite que […]

Sobre Plantar no Asfalto

Tomei recen­te­mente uma deci­são um tanto polê­mica, que tal­vez ten­si­one alguns rela­ci­o­na­men­tos vir­tu­ais meus. Trata-​se de algo que já penso há algum tempo, mas sobre o qual só con­ver­sei com pou­cas pes­soas. Decidi aban­do­nar a par­tir de hoje uma boa parte de minha atu­a­ção na inter­net e nas redes soci­ais. Disto resul­tará eu par­ti­ci­par menos em comu­ni­da­des lite­rá­rias e não mais entrar nos desa­fios lite­rá­rios do blog Entre Contos. Não é uma deci­são impen­sada e ela não é moti­vada por nada que tenha acon­te­cido nos […]

O Ano do Gato

Minha última par­ti­ci­pa­ção no desa­fio EntreContos (aqui repos­tado com algu­mas cor­re­ções de erros per­ce­bi­dos após a ins­cri­ção). O tema do mês era “his­tó­rias base­a­das em música” e eu o ata­quei uti­li­zando como base para um conto a letra de “Year of the Cat”, sucesso de Al Stewart em 1975. Fiz isso por­que a letra, em si, já con­ti­nha o embrião de uma his­tó­ria. Não é um texto de que eu par­ti­cu­lar­mente me orgu­lhe (e eu nunca o anto­lo­gi­za­rei por­que tenho sérias dúvi­das sobre o sta­tus […]

A Perdição do Homem (Beatrix e Jeannelynne)

A porta se fechou e Beatrix sus­pi­rou o tem­po­rá­rio alí­vio da pri­meira noite. Mas não se recos­tou para dor­mir, sabia-​o impos­sí­vel. Como recos­tar a cabeça em um tra­ves­seiro ante­ci­pando que o segundo dia não seria mais ape­nas a exi­bi­ção de ins­tru­men­tos e seus efei­tos? Preferiu aproximar-​se da janela estreita da torre e con­tem­plar o prado anoi­te­cido, sal­pi­cado de foguei­ras iso­la­das e luzes de aldeias. Assim sonhava com algum cava­leiro que che­gasse de Vyones com novi­da­des que pode­riam inocentá-​la da hor­rí­vel acu­sa­ção que os padres lhe impu­ta­vam.[…]

A Casa do Escritor

Esta pos­ta­gem é uma obra de não-​ficção, que cita e paro­dia livre­mente um texto com­par­ti­lhado na inter­net, com fina­li­dade satí­rica e sem fins lucra­ti­vos, anco­rada na liber­dade de expres­são e no con­ceito do fair use (embora este ainda não seja con­sa­grado em nossa legis­la­ção, já o é em nosso bom senso). Vem aí o mais imper­dí­vel evento lite­rá­rio de 2014. Não, não estou falando de Bienal ou Feira do Livro, estou falando de uma novi­dade: um reality-​show de escri­to­res, sem a parte do show, e […]

O Barco de Milhões de Anos

“Não vamos às estre­las, baby” — assim come­çou o dis­curso do capi­tão. “Em vez disso, vamos impe­dir que o ini­migo vá.” Os sol­da­dos, irre­qui­e­tos, nada per­gun­ta­ram. Era bom saber que os capi­tães e coro­néis sabiam o que fazer. Pena que não sou­bes­sem. “Ordinário, mar­che!” E a tropa aden­trou o deserto em busca do ini­migo impos­sí­vel, mar­chando deze­nas de léguas sob o sol cada vez mais forte, até cada um deles cair, de fome e sede ou tru­ci­dado em con­fli­tos pre­vi­sí­veis diante do deses­pero. Na ver­dade a mar­cha […]

A Pessoa Amada

Rodrigo mirou Amanda nos olhos com uma fúria que ela ainda não conhe­cia. Mas em vez de um tapa ou de um grito ele der­ra­mou uma soli­tá­ria lágrima enquanto aper­tava na mão um ini­migo ima­gi­ná­rio, com tanta força que as unhas feri­ram a palma e os mús­cu­los rete­sa­dos demais come­ça­ram a doer. — Fica assim, então, Amanda. — Você vai se arre­pen­der, Rodrigo. Não faça isso comigo. — Não me arre­pen­de­rei, Amanda. Nada me fará arre­pen­der por­que eu aca­bei de ver que não pode­ria mais ser […]