Desafio Mundos Paralelos

O perfil "Mundos Paralelos", da Editora Abril, através de sua conta no Wattpad.com está aceitando inscrições até o dia 15 de maio para participar de uma antologia de ficção especulativa. As regras conforme o link acima. Embora eu seja normalmente avesso a concursos e convencido de que nunca ganharei nenhum, resolvi participar pela perspectiva de travar conhecimento com gente que realmente está no mercado editorial (e não em gráficas que se travestem de editoras). Como não há requisito de ineditismo, indiquei como meu campeão para […]

A Terra da Noite

Estamos no futuro. A data é desconhecida, porque a cronologia da humanidade já se perdeu... várias vezes. A humanidade já foi grande e já se destruiu, mais de uma vez. Explorou o universo durante milhares de anos, e brincou com fogo... e se queimou. Agora tudo isso passou. Os tempos de orgulho acabaram. Os últimos milhões que ainda se consideram "humanos" vivem acuados em um castelo-fortaleza, o Último Reduto da Humanidade. A Grande Pirâmide, construída do perene Metal Cinzento que nenhum Monstro rompeu. Cercada pela […]

Notas da Tradução de “A Terra da Noite”

Texto introdutório que pretendo incluir na publicação de minha tradução de "A Terra da Noite", de William Hope Hodgson, que estou por terminar. Esta é a tradução possível para "A Terra da Noite". Não é uma tradução literal, embora não chegue a ser uma "recontagem" como as antigas publicações de clássicos da literatura feitas pela Ediouro. Há um provérbio italiano segundo o qual os tradutores são necessariamente traidores, seja da forma seja do espírito do original com que trabalham. Traduttore, traditore e o que resta […]

O Método Asimov

O amigo João Gerônimo dos Santos se mostra espantado com um texto em que Isaac Asimov descreve o processo de criação do épico “Fundação”. Não pela sua dificuldade, mas pela forma como o autor o apresenta: sem glamour e sem divina centelha (também conhecida como “inspiração”). Para Asimov, o processo foi algo assim: Eu tinha um encontro com o Sr Campbell para conversar sobre o enredo de um novo livro, mas o problema é que, até a reunião começar, eu não tinha enredo nenhum preparado. […]

Impressões da Leitura de Contos de Philip K. Dick

Há muito tempo Philip K. Dick figura na minha lista de autores favoritos, por causa da mirabolante confusão que são os seus contos. Aproveitando o tempo livre das férias, resolvi pôr em dia a leitura de vários livros adquiridos nos últimos dois anos e que estavam em minha estante criando poeira. Entre estas leituras, a de duas coletâneas de contos de PKD, um de meus autores favoritos: "O Vingador do Futuro" -- coletânea oportunista lançada pela Editora Paulicéia na época do filme de mesmo nome […]

Mais Coisas Para Não Fazer se Você se Tornar um Vilão Malvado

Além das Cem Coisas Para Não Fazer Se Você Se Tornar um Vilão Malvado, Peter Anspach recolheu mais de 150 outras sugestões, um pouco menos brilhantes, mas também interessantes. Esta postagem continua de onde a outra parou, acrescentando mais 86 lembretes para você que pretende dominar o mundo, ou pelo menos um reino. Não ordenarei ao meu oficial de confiança que mate o menino que está predestinado a me derrubar -- eu mesmo o matarei. Não perderei tempo tentando fazer a morte de meu inimigo […]

Diversos Fins de Mundo

O mundo pós-apocalíptico é um tema recorrente na literatura de ficção científica e fantasia. Não discorrerei sobre os motivos disso, posto que não sou psicanalista e nem crítico literário, mas quando eu mesmo escrevi sobre o tema, foi pelo atrativo de praticar uma abordagem "tabula rasa" sobre o mundo e começar a fazer as coisas funcionarem como eu desejava. Minhas leituras das obras do gênero, porém, me levaram a crer que muitos autores cometem erros impressionantes ao criarem suas histórias, simplificando excessivamente os processos e as realidades derivadas do "apocalipse" escolhido. Este artigo pretende ser uma análise destas limitações, ressaltando que não são todas as obras que cometem estes erros, mas a frequência deles torna útil sua discussão. [...]

O Barco de Milhões de Anos

"Não vamos às estrelas, baby" — assim começou o discurso do capitão. "Em vez disso, vamos impedir que o inimigo vá." Os soldados, irrequietos, nada perguntaram. Era bom saber que os capitães e coronéis sabiam o que fazer. Pena que não soubessem. "Ordinário, marche!" E a tropa adentrou o deserto em busca do inimigo impossível, marchando deze­nas de léguas sob o sol cada vez mais forte, até cada um deles cair, de fome e sede ou trucidado em conflitos previsíveis diante do desespero. Na verdade […]

Tradução: Vulthoom (C.A. Smith)

“Vulthoom” é uma noveleta de Clark Ashton-Smith escrita e publicada em 1935 e pertencente ao breve ciclo de histórias marcianas do autor, nas quais geralmente temos o [desastroso] encontro de terráqueos com os perigos e enigmas do planeta Marte, aqui chamado de Aihai. Além de “Vulthoom” este ciclo é composto pelos contos “O Habitante do Abismo” (The Dweller in the Gulf) e “As Criptas de Yoh-Vombis” (The Vaults of Yoh-Vombis), além de um conto chamado “A Muda Marciana” (The Seedling of Mars), no qual não […]

Resenha: Vulthoom e o Ciclo Marciano de Clark Ashton-Smith (Sem Spoilers)

Clark Ashton-Smith foi um poeta e autor de ficção fantástica americano, amigo e correspondente de H. P. Lovecraft e de uma penca de outros autores famosos. Apesar de seu inegável talento, passou a maior parte de sua vida na pequena cidade de Auburn, fazendo trabalhos braçais para sobreviver. Morreu em 1961, sem filhos. Sobre sua obra, já escrevi um artigo que seria bom ler antes deste. Vulthoom pertence ao curto ciclo das histórias que Ashton-Smith ambientou em um Marte fantástico que deve muito à concepção […]

Branca de Neve no Século XLIV

Meu nome será "Leon". Não lhe darei outro. Mais detalhes não importam. O que já vou lhe contar será suficiente para me causar problemas demais na vida. De qualquer forma, não é muito importante saber quem eu sou. Saiba apenas que eu sou um estudioso de línguas antigas. Esta especialidade me levou a trabalhar no Projeto. Precisavam de alguém que fosse capaz de interagir com os reanimados. Formei-me em Línguas Mortas na Universidade #2, no Continente Ocidental. É uma profissão sem prestígio. Línguas mortas não […]

Sobre a Possibilidade de Colonização de Vênus

Recebi um comentário do Antônio Luiz Monteiro C. da Costa sobre o conto "Resi­dente em Vênus", no qual ele dizia que meu conto não poderia nem de longe ser con­siderado ficção científica "hard" por várias razões. Algumas das razões que ele apontou realmente são inquestionáveis, como o fato de que tal tipo de ficção se con­centra mais em tecnologias do que em interações entre indivíduos ou sociedades. Mas existe uma razão que ele apon­tou que me pareceu defensável: que a minha des­crição de Vênus não […]