Há uma Gota de Lágrima em Certas Piadas

Esta semana o humorista Sérgio Mallandro foi ao programa “The Noite”, de Danilo Gentilli, e deu uma das mais desconcertantes entrevistas da história da televisão brasileira. Antes de comentar, gostaria que você assistisse, para que eu não estrague a sua experiência com spoilers: O poeta é um fingidor Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. — Fernando Pessoa. Ao assistir a entrevista, especialmente após o seu surpreendente final, fui tomado por uma melancolia inesperada, em vez de […]

A Beleza do Coronelismo a Gente Vê por Aí

A julgar pelo que ando ouvindo de comentários, na próxima segunda feira (depois de amanhã) estreará na televisão mais uma novela de época em que o canal [ainda] hegemônico tentará nos convencer que o latifúndio, o coronelismo e a pistolagem são coisas maneiras. Não é nenhuma novidade que a televisão — um meio dominado por umas poucas e poderosas famílias, aparentadas a tudo quanto há de mais retrógrado nesse país — tente fazer a hagiografia da estrutura de classes herdada do período colonial, o que […]

Os Oportunistas Atacam Novamente

Após a morte do ator e produtor mexicano Roberto Gómez Bolaños; criador dos personagens Chaves, Chespirito, Chapolin e outros menos conhecidos; a imprensa nacional ecoou uma série de elogios disparatados, que não condizem com a importância limitada do homenageado — que, malgrado seu apelido, não é nenhum Shakespeare moreno. Da mesma forma, surgiram artigos pretensiosos; que não vou linkar e nem citar, para não dar holofotes a quem não os merece; com críticas maliciosas ao trabalho de Bolaños, cobrando-lhe uma coerência e uma qualidade que […]

Visita a uma Livraria do Presente do Indicativo

Ontem me dei conta da falta que faz visitar ocasionalmente uma livraria. Estive brevemente na Leitura “Megastore” em Juiz de Fora e pude compreender muito daquilo que tenho visto e lido na internet. Algumas conclusões foram animadoras, outras terríveis, a maioria apenas remete a uma neutra mudança de padrões, oscilações de modas que não mudam nada. Mudam-se as palavras, mudam-se os estilos, permanece uma falta de sentido que denuncia os tempos perigosos que vivemos.[^1]