Zumbis e Vampiros Mordendo-​se

Ao con­trá­rio do que possa pare­cer, esta pos­ta­gem não foi, de nenhuma maneira, ins­pi­rada pelo conto “O Ataque dos Zumpiros”, de Alec Silva, mas escrita em 29 de março de 2016 como res­posta a uma per­gunta do Quora.com Se um vam­piro é mor­dido por um zumbi, nada de real­mente bom pode acon­te­cer. Mas o que real­mente acon­tece vai depen­der de que tipo de vam­piro fala­mos, e de que tipo de zumbi. Comecemos, então, por defi­nir ambos. A) O Vampiro Vampiro da mito­lo­gia bal­câ­nica e eslava […]

A Invasão

Esta nove­leta cheia de ação, aven­tura e cães famin­tos é um dos nove tex­tos que com­põem a cole­tâ­nea “Mythos Mineiros” e é o mais ori­gi­nal, em minha opi­nião, embora tal­vez não o melhor. Certamente será o que mais agra­dará ao público jovem, ligado em aven­tu­ras, por causa do grande número de ele­men­tos de aven­tura e do ritmo nar­ra­tivo ágil. Nela temos iso­la­dos no mais impro­vá­vel dos luga­res, um bor­del de alta classe em uma cidade do inte­rior, um grupo de sobre­vi­ven­tes de um evento apo­ca­líp­tico. […]

Zumbis Merecem Sua Compreensão, Não Suas Balas

Livremente base­ado nesta genial res­posta do Quora.com Existe um imenso pre­con­ceito con­tra a comu­ni­dade morta-​viva nesse mundo, algo tão injusto que é ina­cre­di­tá­vel que nada tenha sido feito até agora para criar uma ponte entre os mortos-​vivos e a popu­la­ção em geral. Mas acre­dito que já é o momento de dei­xar­mos de lado velhas ati­tu­des e come­çar­mos a cons­truir um novo para­digma para o caso. Depende um pouco dos zum­bis tam­bém. Digamos que eles têm um pro­blema de ima­gem que pre­cisa ser abor­dado. Eles ten­dem a […]

Tratamento de Recuperação

Despertou-​me o silên­cio. A noite pare­cia cor­tada ao meio, san­grando ainda, quando meus olhos se arre­ga­nha­ram para as tre­vas. Havia um silên­cio espesso empo­çado no quarto, o suor secava e me cau­sava frio, na calma intensa da madru­gada eu ouvi meu cora­ção bater tão leve­mente que me senti ainda fale­cido, como se a minha alma mesma ainda revo­asse por altu­ras pos­sí­veis. Mas não, eu estava anco­rado à cama e à carne. Tentei me virar, mas a dor do movi­mento foi demais para minha pouca von­tade. […]

A Perdição do Homem (Beatrix e Jeannelynne)

A porta se fechou e Beatrix sus­pi­rou o tem­po­rá­rio alí­vio da pri­meira noite. Mas não se recos­tou para dor­mir, sabia-​o impos­sí­vel. Como recos­tar a cabeça em um tra­ves­seiro ante­ci­pando que o segundo dia não seria mais ape­nas a exi­bi­ção de ins­tru­men­tos e seus efei­tos? Preferiu aproximar-​se da janela estreita da torre e con­tem­plar o prado anoi­te­cido, sal­pi­cado de foguei­ras iso­la­das e luzes de aldeias. Assim sonhava com algum cava­leiro que che­gasse de Vyones com novi­da­des que pode­riam inocentá-​la da hor­rí­vel acu­sa­ção que os padres lhe impu­ta­vam.[…]

A Dama Pé de Cabra

Conforme pro­messa antiga, eis minha pri­meira ten­ta­tiva de trans­for­mar a antiga lenda por­tu­guesa da Dama Pé de Cabra em um conto de ter­ror ao gosto moderno. Preservei o tra­ta­mento em segunda pes­soa para dar um ar medi­e­val ao texto (que é, de fato, ambi­en­tado na Idade Média), e pro­cu­rei evi­tar, ao máximo, toda moder­ni­za­ção que vio­lasse o espí­rito do ori­gi­nal. Sendo assim, as per­so­na­gens do sexo femi­nino são dei­xa­das em segundo plano a ponto de nem terem nome. Esta ver­são, porém, expande a his­tó­ria ori­gi­nal […]

A Virgem do Sabá

Jovita emba­lava a menina nos bra­ços e Jerônimo as con­tem­plava, entre embe­ve­cido e des­con­fi­ado. Lembrou da noite em que a conhe­cera, não teve receios nem remor­sos — sen­tiu-​se, na ver­dade, cheio de orgu­lho de ter sido tão homem e recos­tou na cama, arfando o peito como se os pul­mões inflas­sem den­tro de uma estreita gai­ola enfer­ru­jada e deze­nas de nava­lhas subis­sem com a res­pi­ra­ção. Fechou os olhos, igno­rou o cheiro dos remé­dios e dos chás, e sentiu-​se de novo na noite da Serra dos Caramonos.[…]

Tradução: A Vinda do Verme Branco, 7 (C. A. Smith)

Evagh, atur­dido, inter­ro­gou Dooni e foi res­pon­dido con­forme o que per­gun­tara. E às vezes a voz de Ux Loddhan lhe res­pon­dia e às vezes havia mur­mú­rios inin­te­li­gí­veis que expres­sa­vam aque­les outros entre os fan­tas­mas cho­ro­sos. Muito Evagh apren­deu sobre a ori­gem e a essên­cia do verme, e apren­deu o segredo de Yikilth e a maneira pela qual Yikilth flu­tu­ara dos abis­mos tran­sár­ti­cos para via­jar pelos mares da Terra. Sempre, ao ouvir, o seu hor­ror aumen­tava, ainda que atos de magia negra e con­ju­ra­ções de demô­nios […]

Tradução: A Vinda do Verme Branco, 6 (C. A. Smith)

Um a um, nas noi­tes pre­ce­den­tes à cerimô­nia de ado­ra­ção, os com­pa­nhei­ros de Evagh sumi­ram. O último pola­ri­ano foi o seguinte, e então eis que somente Evagh, Ux Loddhan e Dooni foram à torre, depois Evagh e Ux Loddhan foram sozi­nhos. O ter­ror aumen­tava dia­ri­a­mente em Evagh, pois ele sen­tia que a sua pró­pria vez estava pró­xima e ele teria pulado de uma das ram­pas mais altas de Yikilth até o mar se Ux Loddhan, ao per­ce­ber sua inten­ção, não lhe tivesse adver­tido que nenhum […]

Tradução: A Vinda do Verme Branco, 5 (C. A. Smith)

O grande ice­berg seguia sem­pre para o sul, levando seu inverno letal a ter­ras onde o sol de verão pas­sava alto. E Evagh mantinha-​se em silên­cio, seguindo de todas as for­mas o cos­tume de Dooni e Ux Loddhan e dos outros. Em inter­va­los regu­la­dos pelo movi­mento das estre­las cir­cum­po­la­res os oito magos subiam à alta câmara em que habi­tava per­pe­tu­a­mente Rlim Shaikorth, meio enro­lado em seu divã de gelo. Lá, em um ritual cujas cadên­cias cor­res­pon­diam à queda das lágri­mas em forma de olhos que […]

Tradução: A Vinda do Verme Branco, 4 (C. A. Smith)

Ao ver tal enti­dade a pul­sa­ção de Evagh se deteve por um ins­tante, tal o ter­ror e logo a seguir do ter­ror as suas entra­nhas se revol­ta­ram den­tro dele, tal o excesso de nojo. Em todo o mundo nada havia que pudesse ser com­pa­rado à asque­ro­si­dade de Rlim Shaikorth. De alguma forma ele tinha a seme­lhança de um gordo verme branco, mas seu volume era maior que o de um elefante-​marinho. Sua cauda espi­ra­lada era tão grossa quanto as dobras medi­a­nas de seu corpo e […]