Palavras que não se pode traduzir

Na qualidade de tradutor amador eu acredito que não há palavras nem expressões que sejam essencialmente intraduzíveis. Claro que há uma certa dificuldade para se traduzir certas coisas, afinal, traduzir não é fácil, mas é sempre possível conseguir, de alguma maneira. A crença na impossibilidade de se traduzir deriva de uma série de circunstâncias lamentáveis: Pressa Quando afirmamos que certo texto é intraduzível, elevamos o padrão para a sua tradução de maneira a termos uma desculpa para nem tentar. Tradutores são remunerados de maneira quantitativa […]

“A Terra da Noite”, pela Primeira Vez em Português

Ontem chegaram pelo correio os meus exemplares de “A Terra da Noite”, romance clássico da ficção fantástica que eu tive o imenso prazer de traduzir pela primeira vez para a língua portuguesa e que foi publicado pela Clock Tower. Corri a arrebentar impiedosamente a embalagem para tocar os livros, finalmente, depois de dois anos de espera. À parte a sensação de prazer quase infantil ao desempacotar livros, mais uma vez eu quase corto o meu dedo no estilete, este momento foi especial para mim por […]

Literatura de Resistência

Às vezes bate um desânimo grande, a sensação de desperdício de um tempo precioso que poderia ser usado em tantas coisas. Afinal, quem lê e lerá nossos escritos? Para quê eles servem? A sensação de desânimo é parte da psique do escritor em qualquer lugar do mundo, mas é especialmente presente se você é um autor que pratica uma literatura de resistência. Desperdício de tempo é praticamente uma definição abrangente de “arte”, mas isso é mais evidente quando você pratica a sua arte à revelia […]

Compre sua Passagem para “A Terra da Noite”

A Editora Clock Tower nos trará, em breve, a primeira edição em português do clássico romance “A Terra da Noite”, de William Hope Hodgson, originalmente publicado em 1912 e tido como uma das obras seminais da ficção científica. Admirado por Lovecraft, Ashton-Smith e Lin Carter; “A Terra da Noite” introduz uma série de elementos que posteriormente se tornaram comuns nas obras de ficção científica e fantasia: arcologias (biosferas artificiais), campos de força, armas de raios, mutantes, dimensões paralelas, portais dimensionais, mundo pós-apocalíptico! São tantos elementos […]

A Terra da Noite

Estamos no futuro. A data é desconhecida, porque a cronologia da humanidade já se perdeu… várias vezes. A humanidade já foi grande e já se destruiu, mais de uma vez. Explorou o universo durante milhares de anos, e brincou com fogo… e se queimou. Agora tudo isso passou. Os tempos de orgulho acabaram. Os últimos milhões que ainda se consideram “humanos” vivem acuados em um castelo-fortaleza, o Último Reduto da Humanidade. A Grande Pirâmide, construída do perene Metal Cinzento que nenhum Monstro rompeu. Cercada pela […]

Notas da Tradução de “A Terra da Noite”

Texto introdutório que pretendo incluir na publicação de minha tradução de “A Terra da Noite”, de William Hope Hodgson, que estou por terminar. Esta é a tradução possível para “A Terra da Noite”. Não é uma tradução literal, embora não chegue a ser uma “recontagem” como as antigas publicações de clássicos da literatura feitas pela Ediouro. Há um provérbio italiano segundo o qual os tradutores são necessariamente traidores, seja da forma seja do espírito do original com que trabalham. Traduttore, traditore e o que resta […]

Um Exemplar de Burns

Original de Clark Ashton-Smith. Traduzido a partir da versão online em Eldritch Dark. Andrew McGregor e seu sobrinho, John Malcolm, eram precisamente idênticos, salvo um particular. Ambos eram inconfundivelmente escoceses, de tal forma que chegavam à caricatura: caras longas e lábios fechados, esguios e pobres ao ponto da penúria, ambos amavam de uma forma rude o solo áspero das vizinhanças de seus ranchos em El Dorado. A diferença estava em que McGregor, nativo de Ayrshire, era fantasticamente obcecado pela poesia de Burns, que citava em […]

Tradução: A Vinda do Verme Branco, 7 (C. A. Smith)

Evagh, aturdido, interrogou Dooni e foi respondido conforme o que perguntara. E às vezes a voz de Ux Loddhan lhe respondia e às vezes havia murmúrios ininteligíveis que expressavam aqueles outros entre os fantasmas chorosos. Muito Evagh aprendeu sobre a origem e a essência do verme, e aprendeu o segredo de Yikilth e a maneira pela qual Yikilth flutuara dos abismos transárticos para viajar pelos mares da Terra. Sempre, ao ouvir, o seu horror aumentava, ainda que atos de magia negra e conjurações de demônios […]

Tradução: A Vinda do Verme Branco, 6 (C. A. Smith)

Um a um, nas noites precedentes à cerimônia de adoração, os companheiros de Evagh sumiram. O último polariano foi o seguinte, e então eis que somente Evagh, Ux Loddhan e Dooni foram à torre, depois Evagh e Ux Loddhan foram sozinhos. O terror aumentava diariamente em Evagh, pois ele sentia que a sua própria vez estava próxima e ele teria pulado de uma das rampas mais altas de Yikilth até o mar se Ux Loddhan, ao perceber sua intenção, não lhe tivesse advertido que nenhum […]

Tradução: A Vinda do Verme Branco, 5 (C. A. Smith)

O grande iceberg seguia sempre para o sul, levando seu inverno letal a terras onde o sol de verão passava alto. E Evagh mantinha-se em silêncio, seguindo de todas as formas o costume de Dooni e Ux Loddhan e dos outros. Em intervalos regulados pelo movimento das estrelas circumpolares os oito magos subiam à alta câmara em que habitava perpetuamente Rlim Shaikorth, meio enrolado em seu divã de gelo. Lá, em um ritual cujas cadências correspondiam à queda das lágrimas em forma de olhos que […]

Tradução: A Vinda do Verme Branco, 4 (C. A. Smith)

Ao ver tal entidade a pulsação de Evagh se deteve por um instante, tal o terror e logo a seguir do terror as suas entranhas se revoltaram dentro dele, tal o excesso de nojo. Em todo o mundo nada havia que pudesse ser comparado à asquerosidade de Rlim Shaikorth. De alguma forma ele tinha a semelhança de um gordo verme branco, mas seu volume era maior que o de um elefante-marinho. Sua cauda espiralada era tão grossa quanto as dobras medianas de seu corpo e […]