{"id":1812,"date":"2014-08-23T20:54:04","date_gmt":"2014-08-23T23:54:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=1812"},"modified":"2018-03-05T23:40:21","modified_gmt":"2018-03-06T02:40:21","slug":"a-perdicao-do-homem-beatrix-e-jeannelynne","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2014\/08\/a-perdicao-do-homem-beatrix-e-jeannelynne\/","title":{"rendered":"A Perdi\u00e7\u00e3o do Homem (Beatrix e Jeannelynne)"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>\u201c\u00d3 amiga e companheira da noite, \u00f3 tu que te regozijas no ladrar dos c\u00e3es e no sangue derramado, que perambulas por entre as sombras entre as tumbas e trazes terror aos mortais! Gorgo! Mormo! Lua de mil faces, contempla favoravelmente os nossos sacrif\u00edcios\u201d<br \/>\u2015 H. P. Lovecraft (em \u201cO Horror em Red Hook\u201d)<\/p><\/blockquote>\n<p>A porta se fechou e Beatrix suspirou o tempor\u00e1rio al\u00edvio da primeira noite. Mas n\u00e3o se recostou para dormir, sabia-o imposs\u00edvel. Como recostar a cabe\u00e7a em um travesseiro antecipando que o segundo dia n\u00e3o seria mais apenas a exibi\u00e7\u00e3o de instrumentos e seus efeitos? Preferiu aproximar-se da janela estreita da torre e contemplar o prado anoitecido, salpicado de fogueiras isoladas e luzes de aldeias. Assim sonhava com algum cavaleiro que chegasse de Vyones com novidades que poderiam inocent\u00e1-la da horr\u00edvel acusa\u00e7\u00e3o que os padres lhe imputavam.<\/p>\n<p>A acusa\u00e7\u00e3o. Lembrou-se outra vez das palavras enojadas do abade Pierre de la Fournaise diante do Inquisidor M\u00f3r. Cada s\u00edlaba proferida pelo asc\u00e9tico monge se gravara a ferro quente em uma lembran\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Poucas vezes o Santo Of\u00edcio se viu diante de um ato t\u00e3o deplor\u00e1vel, t\u00e3o merecedor da plena extens\u00e3o das penalidades seculares&#8221; \u2015 dissera ele.<\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/434px-goya_le_sabbat_des_sorcieres.jpg\" alt=\"O Sab\u00e1 das Feiticeiras (Goya)\" width=\"400\" class=\"size-medium wp-image-1813\" srcset=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/434px-goya_le_sabbat_des_sorcieres.jpg 434w, http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/434px-goya_le_sabbat_des_sorcieres-109x150.jpg 109w, http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/434px-goya_le_sabbat_des_sorcieres-217x300.jpg 217w\" sizes=\"(max-width: 434px) 100vw, 434px\" \/><\/p>\n<p>Eram palavras que asseveravam mais do que uma condena\u00e7\u00e3o. A senten\u00e7a de morte era sempre o m\u00ednimo que se esperava nas acusa\u00e7\u00f5es de alta bruxaria. Mas a invectiva do abade sinalizava que a Santa Madrasta Igreja n\u00e3o se satisfaria somente com o sangue, pelo menos n\u00e3o queria que fosse precoce o seu derramamento.<\/p>\n<p>Se pelo menos n\u00e3o estivesse dentro de uma cela t\u00e3o herm\u00e9tica, se conseguisse acesso aos seus livros, poderia conceber alguma esp\u00e9cie de armadilha para confundir os fan\u00e1ticos e assim escapar.<\/p>\n<p>Estava a ponto de come\u00e7ar a chorar quando o vento frio pareceu trazer um murm\u00fario suave, que vinha das profundezas de sua inf\u00e2ncia j\u00e1 esquecida. Cobriu a cabe\u00e7a grisalha com o xale de l\u00e3, mas n\u00e3o evitou tremer. O outono come\u00e7ava a decair para o inverno e, se tivesse sorte, poderia gear na madrugada e o frio a pouparia de amanhecer para as opera\u00e7\u00f5es previstas no segundo dia.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o ouviu um rascar de metal contra pedra vindo de fora e teve um sobressalto. Aproximou-se novamente da janela e confirmou a impress\u00e3o inicial. Mas as paredes do castelo eram grossas demais para que pudesse alcan\u00e7ar o exterior e ver quem subia. Minutos depois um vulto apareceu fora, ainda oculto pela sombra das nuvens que abra\u00e7avam a lua. O vulto retirou do bolso alguma coisa que luzia levemente e despejou algo l\u00edquido nas grades. Um chiado intenso e um cheiro acre penetraram a cela. Por fim as m\u00e3os do vulto empurraram as grades para dentro e Beatrix as puxou com for\u00e7a e cuidado, come\u00e7ando a ter o al\u00edvio da salva\u00e7\u00e3o. N\u00e3o teria, afinal, que se sentar na Cadeira de Judas, nem enfrentar o Funil, n\u00e3o seria girada na Roda e n\u00e3o teria os mamilos torcidos por torqueses em brasa.<\/p>\n<p>Mas, \u00f3! Seu corpo um tanto roli\u00e7o de matrona dificilmente passaria pela janela estreita. Mas esse aperto era menor problema do que ter os dentes quebrados e as unhas arrancadas.<\/p>\n<p>\u2015 Venha, Beatrix. Temos pouco tempo antes das nuvens se dissiparem. S\u00f3 posso recorrer a mais um sortil\u00e9gio nessa noite.<\/p>\n<p>Reconheceu a voz. Jeannelynne aprendera muito desde que chegara \u00e0 sua casa uma pobre \u00f3rf\u00e3 piolhenta de cabelo tosado sem capricho e roupas de menino. Talvez ainda n\u00e3o soubesse tanto de f\u00f3rmulas e encantos \u2015 posto que encantadora nunca realmente fora \u2015 mas possu\u00eda uma esperteza que Beatrix, j\u00e1 al\u00e9m da juventude, ou esquecera ou n\u00e3o tivera.<\/p>\n<p>Sabia o que fazer. Despiu-se completamente, p\u00f4s a roupa \u00e0 frente e entrou pela passagem estreita, usando o pr\u00f3prio suor e as secre\u00e7\u00f5es acumuladas na pele como lubrificante para facilitar sua sa\u00edda. Teve tamb\u00e9m a ajuda das m\u00e3os fortes e calosas de Jeannelynne, que a puxaram com um vigor quase m\u00e1sculo at\u00e9 que finalmente apontou na parte externa do muro. Ainda faltava desprender a cintura quando a lua come\u00e7ou a despeda\u00e7ar as nuvens negras de tempestade.<\/p>\n<p>\u2015 A lua sai. Ai de n\u00f3s! Seremos vistas!<\/p>\n<p>\u2015 N\u00e3o seremos se eu ainda conseguir pronunciar um sortil\u00e9gio, querida. N\u00e3o me limito mais ao aprendido consigo. Tenho muito visto e muito ouvido.<\/p>\n<p>Jeannelynne estava presa pela cintura a uma corda que se fixava em um grampo de metal inserido entre as pedras da muralha. A janela ficava a mais de cem metros do fosso, que andava seco pelo pouco uso militar que ainda se dava ao castelo. Naquela altura e situa\u00e7\u00e3o teria sido imposs\u00edvel cozer uma po\u00e7\u00e3o, decantar uma mezinha ou preparar um ritual. Mas a jovem virago desenvolvera um talento que parecia talhado para vencer exatamente aquela ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>De dentro do bolso da camisa de ca\u00e7ador sacou uma gema semitransparente e encostou-a no olho direito, pronunciando:<\/p>\n<p>\u2015 Pela clem\u00eancia da Rainha do oceano lunar, cujo olho incorrupt\u00edvel v\u00ea atrav\u00e9s dos talism\u00e3s dos s\u00e1bios e de suas esposas. Por meio da salamandra, da mandr\u00e1gora e do poder das ondinas, evoco Saturno, o anel e o c\u00e9u, para guiar-nos, os que vemos com os olhos fechados. Tu me reconhecer\u00e1s, \u00f3 Pai Terr\u00edvel, pela minha lente negra.<\/p>\n<p>A escurid\u00e3o das nuvens come\u00e7ou a se fechar de novo em torno da lua, como se a Rainha reca\u00edsse em sua modorra, permitindo ao mundo continuar banhado em trevas densas.<\/p>\n<p>\u2015 Evoco a ti, Saturno, \u00e1rvore de onde todas as coisas presentes derivam, para empoderar a minha lente de quartzo e faz\u00ea-la dobrar a luz, para que eu possa empregar a corda contra quem enforca, o fogo contra quem queima, o metal contra quem fere. Para dobrar a vontade dos S\u00e1bios e suas esposas.<\/p>\n<p>A lente brilhou no olho de Jeannelynne e a escurid\u00e3o do mundo se apaziguou como se nunca tivesse havido lua. Mas nenhum raio se via no horizonte, nem o ribombo de nenhum trov\u00e3o.<\/p>\n<p>Beatrix ficou impressionada e assustada, mas n\u00e3o perdeu tempo com d\u00favidas. Nada seria melhor do que pender da gaiola at\u00e9 os p\u00e1ssaros virem devorar seu corpo.<\/p>\n<p>\u2015 Para onde vamos?<\/p>\n<p>\u2015 No momento, para baixo. Depois pensamos.<\/p>\n<p>Beatrix sempre gostara do esp\u00edrito pr\u00e1tico e gradual da jovem. O primeiro ato seria a descida, \u00e9 claro. Nenhum plano tinha sentido se n\u00e3o chegassem ao ch\u00e3o em seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>A jovem desceu primeiro e ficou segurando a corda para que Beatrix descesse com mais calma. Beatrix enrolou as m\u00e3os nas roupas e permitiu-se deslizar pela corda para chegar mais r\u00e1pido.<\/p>\n<p>Depois de se vestir, mas ainda em camisola, que era tudo o que lhe haviam permitido conservar de suas roupas, Beatrix acompanhou Jeannelynne em uma fuga desconcertada pelas vielas da aldeia pr\u00f3xima ao castelo, tomando o m\u00e1ximo cuidado para n\u00e3o produzirem ru\u00eddo que despertasse algu\u00e9m. Mas \u00e0quela hora, duas ou tr\u00eas da manh\u00e3, at\u00e9 mesmo os ladr\u00f5es deviam dormir.<\/p>\n<p>Quase meia l\u00e9gua al\u00e9m da cidade, na dire\u00e7\u00e3o de Vyonnes, uma carruagem negra as aguardava, puxada por dois cavalos que escoiceavam, impacientes de esperar, mas obedientes.<\/p>\n<p>Jeannelynne subiu \u00e0 boleia e tocou os cavalos ainda enquanto Beatrix se acomodava como podia num dos bancos de tr\u00e1s. Foi ent\u00e3o que percebeu o pacote fl\u00e1cido envolto em lona escura.<\/p>\n<p>Os cavalos trotavam loucamente, fazendo a carruagem sacudir nos desn\u00edveis e buracos da estrada. E o pacote rolava de um lado para outro, como um saco de cebolas. Mas n\u00e3o eram cebolas.<\/p>\n<p>\u2015 Jeannelynne, voc\u00ea pode me explicar o que\u2026.?<\/p>\n<p>\u2015 Eia! \u2015 os cavalos diminu\u00edram o ritmo ao comando e a carruagem entrou \u00e0 esquerda na terceira encruzilhada, bem antes da metade do caminho.<\/p>\n<p>\u2015 O que \u00e9 aquilo?<\/p>\n<p>\u2015 Ainda temos tempo, Beatrix. Ainda temos tempo.<\/p>\n<p>A carruagem parou em uma plan\u00edcie erma, em cujo centro restava um bosque onde parecia arder uma fogueira, mas que se notava somente pela pluma de fuma\u00e7a que formava um pilar entre as \u00e1rvores.<\/p>\n<p>\u2015 Vamos? \u2015 convidou Jeannelynne.<\/p>\n<p>Um sorriso se abriu no rosto de Beatrix. N\u00e3o supunha as inten\u00e7\u00f5es da amiga. N\u00e3o teria adivinhado.<\/p>\n<p>\u2015 Terei a grande sorte de completar a minha miss\u00e3o?<\/p>\n<p>\u2015 Certamente. Traga-o.<\/p>\n<p>Soltos os cavalos para que pastassem em paz, as duas pegaram o pacote escuro e foram ao bosque. Aproximando-se das \u00e1rvores sentiram a repulsa do c\u00edrculo. Beatrix conjurou a f\u00f3rmula de abertura e a n\u00e1usea desapareceu. As duas caminharam para dentro e se dirigiram \u00e0 fogueira. L\u00e1 estavam onze irm\u00e3s, j\u00e1 despidas como se adivinhassem a hora exata em que chegariam as fugitivas.<\/p>\n<p>\u2015 I\u00e4! I\u00e4! I\u00e4! \u2015 saudaram-se reciprocamente.<\/p>\n<p>O embrulho foi aberto sobre o altar improvisado em uma pedra. Era o abade de la Fournaise, em trajes de Ad\u00e3o. Amarraram-no de costas sobre a pedra nua e levaram um frasco de cristal \u00e0s suas narinas, fazendo-o despertar, com frio e assustado, cercado por treze mulheres nuas, de todas as idades.<\/p>\n<p>\u2015 Libera me Domine de manu malefactorum!<\/p>\n<p>As irm\u00e3s riram e o cercaram enquanto ele imprecava inutilmente as potestades dos c\u00e9us, silenciosas atr\u00e1s da cortina de nuvens. Come\u00e7aram a manipular indecentemente seu corpo, demolindo a coura\u00e7a de contin\u00eancia e celibato que restava naquele pobre corpo alquebrado pelas penit\u00eancias.<\/p>\n<p>\u2015 De profundis clamavi ad te, Domine; Domine, exaudi vocem meam. Fiant aures tu\u00e6 intendentes in vocem deprecationis me\u00e6.<\/p>\n<p>Vendo-o perder-se as irm\u00e3s ainda o provocaram mais um pouco, com as m\u00e3os, as bocas e outras partes, at\u00e9 que o frade s\u00f3 conseguia chorar e repetir vers\u00edculos de salmos misturados, que eram interrompidos blasfemamente pela sauda\u00e7\u00e3o angelical:<\/p>\n<p>\u2015 Benedicta tu in mulieribus.<\/p>\n<p>Vendo-o finalmente vencido, elas se afastaram, puseram as m\u00e3os no ch\u00e3o e Beatrix, com as suas estendidas sobre o corpo exausto do frade, sentenciou:<\/p>\n<p>\u2015 Infern\u0101lis terr\u0113naque et caelestis, ven\u012b, Bomb\u014d. Compit\u0101lis, trivia, l\u016bcifera, noctivaga, inim\u012bca l\u016bcis, noctis autem am\u012bca et socia, laeta canum l\u0101tr\u0101t\u016b atque sanguine fl\u0101v\u014d, per cad\u0101vera vad\u0113ns per sepulcr\u0113tum d\u0113funct\u014drum, sanguinis d\u0113sider\u0101ns, terr\u014drem mort\u0101libus fer\u0113ns, Gorg\u014d et Morm\u014d et L\u016bna et multiformis, veni\u0101s propitia ad nostr\u0101 l\u012bb\u0101ti\u014dn\u0113.<\/p>\n<p>A espada de Jeannelynne abriu o peito de Pierre de la Fournaise e seu sangue jorrou para dentro das bacias e ta\u00e7as. Ent\u00e3o a Lua, finalmente, abriu um sorriso entre as brumas e as nuvens, iluminando o festim infernal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c\u00d3 amiga e companheira da noite, \u00f3 tu que te regozijas no ladrar dos c\u00e3es e no sangue derramado, que perambulas por entre as sombras entre as tumbas e trazes terror aos mortais! Gorgo! Mormo! 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