{"id":239,"date":"2011-08-24T20:39:00","date_gmt":"2011-08-24T23:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=239"},"modified":"2017-11-02T14:09:09","modified_gmt":"2017-11-02T17:09:09","slug":"tem-dias-que-da-vontade-de-esquecer-o-ingles","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2011\/08\/tem-dias-que-da-vontade-de-esquecer-o-ingles\/","title":{"rendered":"Tem dias que d\u00e1 vontade de esquecer o ingl\u00eas\u2026"},"content":{"rendered":"<p>Caro leitor, tenho de confessar, tem dias que me d\u00e1 uma vontade estranha de esquecer o ingl\u00eas! Lembro-me das palavras da velha Dolly Pentreath \u2014 que eu nunca conheci e cuja voz jamais ouvi \u2014 em seu leito de morte, gemendo para as paredes <em>Me ne vidn kewsel Sowsnek! Me ne vidn kewsel Sowsnek!<\/em> Como ela eu tamb\u00e9m gemo para as minhas paredes, com s\u00e9culos de antecipa\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o quero ser obrigado a falar o ingl\u00eas! Temo que meu brado seja em v\u00e3o, mas eu vou ainda assim dar os meus resmungos, na esperan\u00e7a de alguns que me ou\u00e7am transformem este inc\u00f4modo em um murm\u00fario aud\u00edvel.<\/p>\n<p>As pessoas d\u00e3o um valor excessivo ao ingl\u00eas. Tem gente demais exibindo &#8220;tinturas&#8221; de ingl\u00eas, tal feiticeiros murmurando abracadabras em l\u00ednguas mortas. As pessoas esperam dar &#8220;cor cosmopolita&#8221; aos seus blogues, com a ajuda de alguns <em>bye-bye<\/em> e de alguns t\u00edtulos traduzidos com o dicion\u00e1rio. Muitas dessas pessoas nem sabem que dentro de algumas d\u00e9cadas poder\u00e3o estar sendo obrigadas a estudar chin\u00eas, \u00e1rabe ou, se as coisas derem certo para n\u00f3s, portugu\u00eas!<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/en\/d\/d8\/Tianasquare.jpg\"><img src=\"http:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/en\/d\/d8\/Tianasquare.jpg\" border=\"0\" alt=\"\"\/><\/a><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o gosto das pessoas que v\u00e3o na onda. Surfe nunca foi meu prot\u00f3tipo de esporte favorito. Se \u00e9 verdade que os que ficam no caminho da hist\u00f3ria s\u00e3o pisoteados por ela, nada \u00e9 t\u00e3o belo quanto um &#8220;tank man&#8221; em sua Pra\u00e7a da Paz Celestial. A trag\u00e9dia c\u00f4mica dos quixotes possui maior grandeza do que o sucesso obsceno dos vendidos. S\u00e3o os vil\u00f5es que se vendem, e her\u00f3is sempre morrem no fim. Mesmo assim voc\u00ea n\u00e3o l\u00ea o ciclo arturiano torcendo por Mordred e nem assiste uma encena\u00e7\u00e3o de Hamlet torcendo pelo rei Cl\u00e1udio.<\/p>\n<\/p>\n<p>Por isso, car\u00edssimo leitor, que me sinto incomodado com a invas\u00e3o inglesa que vai por este pa\u00eds. Incomoda-me que eu tenha tido que escrever este texto com a ajuda de pelo menos um anglicismo porque ningu\u00e9m sabe dizer &#8220;tank man&#8221; em portugu\u00eas, n\u00e3o de uma forma evocativa. Penso que no futuro haver\u00e1 cada vez mais termos que n\u00e3o poder\u00e3o ser perfeitamente expressos em nossa l\u00edngua, tal como, num distante passado, nossos caipiras achavam que certos conceitos n\u00e3o poderiam ser expressos em tupi. Amigos, temo que o portugu\u00eas brasileiro seja o tupi do futuro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caro leitor, tenho de confessar, tem dias que me d\u00e1 uma vontade estranha de esquecer o ingl\u00eas! 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