{"id":247,"date":"2011-08-17T18:00:00","date_gmt":"2011-08-17T21:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=247"},"modified":"2017-08-13T21:19:37","modified_gmt":"2017-08-14T00:19:37","slug":"o-melhor-o-medio-e-o-pior","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2011\/08\/o-melhor-o-medio-e-o-pior\/","title":{"rendered":"O Melhor, o M\u00e9dio e o Pior"},"content":{"rendered":"<p>Ontem meu amigo <a href=\"http:\/\/www.blogger.com\/profile\/06190960099699856433\">Ronaldo Brito Roque<\/a>, uma dessas inexplic\u00e1veis criaturas de Cataguases, brindou aos seus seletos leitores com <a href=\"http:\/\/estoriaspacatas.blogspot.com\/2011\/08\/o-melhor-o-pior-e-o-medio\">um texto<\/a> que realmente \u00e9 destes que me d\u00e1 vontade de ter escrito. Tenho isso, \u00e0s vezes: leio alguma coisa e penso comigo que eu precisava ter sido o autor daquilo. O texto em quest\u00e3o \u00e9 um delicioso conto sobre um restaurante que s\u00f3 serve tr\u00eas pratos; intitulados &#8220;o melhor&#8221;, &#8220;o m\u00e9dio&#8221; e &#8220;o pior&#8221;; e as rea\u00e7\u00f5es dos fregueses a tal estranho card\u00e1pio.<\/p>\n<p>Nas m\u00e3os de um reles autor de auto-ajuda isto provavelmente redundaria num texto de estilo parecido ao das &#8220;correntes de e-mail&#8221; que pululam na Internet, com uma moral bem tosca e \u00f3bvia ao final, para nos fazer ter algum tipo pasteurizado de &#8220;ilumina\u00e7\u00e3o&#8221;. Mas Ronaldo Brito Roque n\u00e3o \u00e9 um autor de tal naipe, mas um ironista h\u00e1bil, que reduz a p\u00f3 qualquer inten\u00e7\u00e3o moralista, e o texto termina mais fazendo tro\u00e7a do que ensinando.<\/p>\n<p>Existem, claro, algumas falhas no texto. Especialmente o final, que poderia ter sido o melhor,[^1] mas foi apenas o m\u00e9dio. Mas a habilidade do autor em evitar a pieguice faz com que o andamento geral da hist\u00f3ria recaia na s\u00e1tira, e n\u00e3o na par\u00e1bola filos\u00f3fica religiosa *self-service* que agrada \u00e0s massas.<\/p>\n<p>N\u00e3o vou falar muito mais sobre o texto, vou deixar que voc\u00eas o saboreiem com cuidado, e que se perguntem quantas vezes na vida n\u00e3o se contentaram em p\u00f4r umas alcaparras por cima de algo med\u00edocre, torcendo para o cliente n\u00e3o saber reconhecer o melhor que voc\u00ea pode fazer.<\/p>\n<p>[^1]: Pergunta-me o autor deste texto: &#8220;mas, afinal, de que forma **voc\u00ea** teria escrito o final?&#8221; \u00c9 uma pergunta justa, tanto quanto \u00e9 dif\u00edcil de responder. \u00c9 sempre muito mais f\u00e1cil detectar algo &#8220;errado&#8221; do que sugerir o melhor conserto. S\u00e9culos antes da inven\u00e7\u00e3o do rem\u00e9dio a medicina j\u00e1 tinha o diagn\u00f3stico. Acredito que eu teria feito um final mais c\u00e9tico, no qual o cozinheiro n\u00e3o desse nenhuma li\u00e7\u00e3o de moral do tipo autoconfian\u00e7a, valoriza\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prio, etc. Faltou ao cozinheiro um pouco mais de desprezo pelos fregueses. N\u00e3o que uma dose extra de desprezo tornasse o texto mais cr\u00edvel. Literatura n\u00e3o tem que ser cr\u00edvel. Tem, ali\u00e1s, que ser incr\u00edvel.  Coisas cr\u00edveis eu leio nos jornais. Refiro-me apenas que tal atitude tornaria o todo mais harm\u00f4nico. Pelo menos em minha modesta opini\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ontem meu amigo Ronaldo Brito Roque, uma dessas inexplic\u00e1veis criaturas de Cataguases, brindou aos seus seletos leitores com um texto que realmente \u00e9 destes que me d\u00e1 vontade de ter escrito. Tenho isso, \u00e0s vezes: leio alguma coisa e penso comigo que eu precisava ter sido o autor daquilo. 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