{"id":2531,"date":"2015-02-04T21:29:08","date_gmt":"2015-02-05T00:29:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=2531"},"modified":"2017-11-02T14:08:07","modified_gmt":"2017-11-02T17:08:07","slug":"porque-os-autores-querem-tanto-ensinar-a-escrever","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2015\/02\/porque-os-autores-querem-tanto-ensinar-a-escrever\/","title":{"rendered":"Porque os Autores Querem Tanto Ensinar a Escrever"},"content":{"rendered":"<p>Participando no Facebook da comunidade Escritores Ajudando Outros Escritores sempre nos deparamos com os famosos \u201ct\u00f3picos-treta\u201d, como esse de hoje, com um questionamento muito interessante:<\/p>\n<blockquote>\n<p>Interessante a enorme quantidade de autores brasileiros que seguem a seguinte caracter\u00edstica:<br \/>\n1 &#8211; Publica o primeiro livro.<br \/>\n2 &#8211; Divulga dicas de como escrever bem, de como criar universos, personagens cativantes, estrutura narrativa, de trama, como fisgar leitores, como publicar, obter sucesso e vender milhares de c\u00f3pias.<br \/>\nS\u00e9rio mesmo. Essas pessoas que s\u00f3 publicaram um livro, por acaso t\u00eam alguma ideia do que est\u00e3o falando?<br \/>\nQuem aqui acha que algu\u00e9m seria plenamente capaz de \u201cdar aulas\u201d com t\u00e3o pouca experi\u00eancia?<br \/>\nTeriam algumas pessoas se aproveitado de boas dicas colhidas em outros lugares e passado adiante como se fossem baseadas em experi\u00eancias pessoais?<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Em ess\u00eancia, podemos resumir a indigna\u00e7\u00e3o em tr\u00eas grandes d\u00favidas:<\/p>\n<ol>\n<li>Qual \u00e9, objetivamente, a diferen\u00e7a entre \u201cser publicado\u201d e ser in\u00e9dito?<\/li>\n<li>Quais as credenciais que embasam a credibilidade para ensinar o que faz?<\/li>\n<li>Por que a compuls\u00e3o para sair ensinando, t\u00e3o logo come\u00e7a a despontar?<\/li>\n<\/ol>\n<p>A primeira pergunta \u00e9 a mais tretosa, mas \u00e9 f\u00e1cil de responder. Em termos pr\u00e1ticos, sou de opini\u00e3o que publicar envolve tr\u00eas fatores:<\/p>\n<ol>\n<li>conhecer as pessoas certas,<\/li>\n<li>aproveitar raras oportunidades ou<\/li>\n<li>ter dinheiro para pagar.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Acredito que a diferen\u00e7a entre publicar ou n\u00e3o, pelo menos no Brasil, <strong>jamais<\/strong> foi a qualidade. Bons livros permanecem in\u00e9ditos enquanto med\u00edocres se publicam e, \u00e0s vezes, chegam a vender bem e ser reeditados.<\/p>\n<p>Publicar livros, no Brasil, continua sendo, como sempre foi, uma coisa relacionada ao <em>poder<\/em>, n\u00e3o \u00e0 compet\u00eancia. Pessoas poderosas (pol\u00edticos, por exemplo) escrevem e publicam livros para exibirem um verniz de cultura. Analise as breves biografias dos membros e ex membros da Academia Brasileira de Letras e verificar\u00e1 uma quantidade desproporcionalmente grande de pol\u00edticos, advogados, m\u00e9dicos e funcion\u00e1rios p\u00fablicos graduados. Um jo\u00e3o-ningu\u00e9m, como Lima Barreto, jamais foi sequer cogitado, mas um pol\u00edtico influente, como Jos\u00e9 Sarney, elegeu-se facilmente mediante a publica\u00e7\u00e3o de um sofr\u00edvel volume de versos (\u201cMarimbondos de Fogo\u201d) e de um romance que n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 considerado a pior obra de fic\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da literatura nacional como tem a quantidade m\u00ednima de p\u00e1ginas para ser considerado \u201clivro\u201d (\u201cBrejal dos Guajas\u201d). E n\u00e3o voltou a escrever.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 exatamente o crit\u00e9rio que autoriza algu\u00e9m a considerar Jos\u00e9 Sarney melhor escritor do que Ronaldo Brito Roque, M\u00e1rcio Ferrari ou Emerson Teixeira Cardoso (companheiros meus de Cataguases, in\u00e9ditos e todos bons com as palavras)? H\u00e1 uma diferen\u00e7a importante, Sarney \u00e9 um pol\u00edtico poderoso, enquanto esses tr\u00eas s\u00e3o pessoas de classe m\u00e9dia-baixa ou baixa.<\/p>\n<p>Claro que existem \u201craras oportunidades\u201d para ser pescado e ter a chance de entrar na roda. O sistema precisa oferecer estas oportunidades para manter a pr\u00f3pria legitimidade. Se a \u201cdescoberta de talentos\u201d n\u00e3o existisse, a ideia do m\u00e9rito liter\u00e1rio n\u00e3o existiria e, portanto, n\u00e3o haveria nenhum galard\u00e3o em publicar livros. Ent\u00e3o os pol\u00edticos poderosos n\u00e3o poderiam mais ornar suas biografias citando obras publicadas. Entenda: concursos liter\u00e1rios e oportunidades reais de ser descoberto para o mundo liter\u00e1rio s\u00e3o <strong>concess\u00f5es<\/strong>. N\u00f3s, que somos selecionados, entramos como penetras na festa apenas porque a festa precisa parecer democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, mais do que nos permitir entrar, o sistema seleciona quem entra segundo os seus pr\u00f3prios crit\u00e9rios. Certa vez colecionava uma s\u00e9rie de discos sobre a hist\u00f3ria do blues que vinha acompanhada de fasc\u00edculos de texto. Num destes fasc\u00edculos se contava o depoimento de um dono de gravadora sobre os bluesmen negros que o procuravam para gravar:<\/p>\n<blockquote>\n<p>Eles chegam, sujos e com p\u00e9ssimos instrumentos. Damos-lhes banhos para n\u00e3o empestearem o est\u00fadio e permitimos que toquem em instrumentos novos. Eles se sentam e mostram dezenas de suas composi\u00e7\u00f5es, das quais somente quatro ou cinco prestam. N\u00f3s as gravamos e arranjamos, selecionamos duas e fazemos um compacto. N\u00e3o precisamos pagar-lhes nada, apenas lhes damos cinco ou seis exemplares e eles se v\u00e3o felizes. Esta foi a coisa mais parecida com ser presidente dos Estados Unidos a que podem aspirar.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>N\u00e3o se enganem, \u00e9 assim que muito dono de editora encara os novos autores. Hoje o que n\u00f3s conhecemos do blues foi selecionado por homens como esse dono de gravadora, temos de confiar em seus crit\u00e9rios sobre o que \u201cpresta\u201d e nem podemos supor a raz\u00e3o pela qual as outras composi\u00e7\u00f5es \u201cn\u00e3o prestam\u201d.<\/p>\n<p>A editora n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1 apenas para nos dar \u201craras oportunidades\u201d, ela tamb\u00e9m d\u00e1 um caminho, uma f\u00f4rma, um modelo e espera que correspondamos. Se somos de acordo com o que ela quer, ela nos pega. Se n\u00e3o, ficamos de fora. E isso n\u00e3o tem nada a ver com qualidade, mas com adequa\u00e7\u00e3o a um preconceito. Tal como os bluesmen descal\u00e7os que tinham de tomar banho para entrar no est\u00fadio do homem branco.<\/p>\n<p>Claro, somos mais afortunados que os bluesmen dos anos vinte, porque est\u00e1 mais f\u00e1cil pagar, sempre se pode pagar. Especialmente nos \u00faltimos anos. Antigamente a op\u00e7\u00e3o era muito cara, com o que se perderam muitas obras de qualidade. Hoje em dia est\u00e1 muito barato, da\u00ed ningu\u00e9m d\u00e1 valor. Na \u00e9poca em que a publica\u00e7\u00e3o paga era inacess\u00edvel, as pessoas n\u00e3o tinham preconceito contra os autopublicados porque eram raros. Hoje, tem editora em cada esquina praticamente, se voc\u00ea tiver cinco ou dez mil reais para gastar, ou gr\u00e1ficas por demanda que exigem menos (e oferecem tamb\u00e9m menos).<\/p>\n<p>Resumindo, nunca a diferen\u00e7a entre publicado ou n\u00e3o foi t\u00e3o irrelevante \u2013 e eu nem toquei em Wikidbook, Wattpad, Blogger, WordPress e outras formas de \u201cpublicar\u201d.<\/p>\n<p>Se a primeira resposta foi tretosa, mas simples, a segunda \u00e9 um pouco mais complexa. S\u00e3o diferentes as compet\u00eancias para fazer e ensinar. Se para ensinar fosse necess\u00e1rio fazer, ningu\u00e9m aprenderia a ser homem-bomba.<\/p>\n<p>Tal como o livro deve ser julgado pelo seu valor liter\u00e1rio intr\u00ednseco \u2013 e n\u00e3o porque voc\u00ea gastou muito tempo escrevendo, n\u00e3o porque voc\u00ea \u00e9 simp\u00e1tico, n\u00e3o porque ele ganhou esse e aquele pr\u00eamio, n\u00e3o porque ele fala de Deus, n\u00e3o porque ele ensina uma li\u00e7\u00e3o, n\u00e3o porque ele virou filme, n\u00e3o porque o autor \u00e9 da ABL, n\u00e3o porque vendeu muito etc. \u2013 o ensino deve ser julgado pela sua validade. \u00c9 poss\u00edvel que um autor de p\u00e9ssimos livros seja um bom professor de literatura, tanto quanto um bom autor pode ser um p\u00e9ssimo.<\/p>\n<p>Tanto est\u00e1 errada a suposi\u00e7\u00e3o de que os autores de um livro s\u00f3 n\u00e3o t\u00eam compet\u00eancia para ensinar a escrever quanto est\u00e1 errada a suposi\u00e7\u00e3o de que publicar mais livros lhe d\u00e1 mais credibilidade como professor. Walt Whitman publicou um, \u00fanico, livro em vida \u2013 \u201cFolhas de Relva\u201d e \u00e9 considerado um dos maiores poetas da l\u00edngua inglesa. Ao mesmo tempo, um dos maiores poetastros da nossa literatura, Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es, publicou dezenas de obras, todas horr\u00edveis. Whitman se correspondeu com metade do mundo e influenciou gera\u00e7\u00f5es de autores, n\u00e3o s\u00f3 poetas. Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es, mesmo ridicularizado em vida por sua torpeza liter\u00e1ria, \u00e9 um nome importante de nossa cultura porque escreveu e produziu teatro (foi o pioneiro desta arte), traduziu obras do ingl\u00eas e do franc\u00eas (tradu\u00e7\u00f5es mancas, mas as primeiras que tivemos) e, mais importante, foi um bom editor e preceptor de outros poetas e autores, tendo apoiado (at\u00e9 financeiramente) gente melhor que ele, como \u00c1lvares de Azevedo e Gon\u00e7alves Dias. A quantidade de obras publicadas n\u00e3o significou nada, nesse caso. Lembremos, tamb\u00e9m, que Fernando Pessoa e H. P. Lovecraft s\u00e3o not\u00e1veis escritores do s\u00e9culo XX que s\u00f3 publicaram um livro em vida (mas seus casos s\u00e3o menos impressionantes, porque morreram com a metade da idade de Whitman).<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o \u00e9 o publicador de um livro s\u00f3 aparecer ensinando, \u00e9 ele aparecer com a ideia de que descobriu algo novo e revolucion\u00e1rio. Ensinar conservadoramente \u00e9 bastante f\u00e1cil. Voc\u00ea nem precisa ter publicado livro algum para compartilhar os ensinamentos que outros deixaram no passado. Ent\u00e3o, se voc\u00ea \u00e9 orador de discursos alheios, \u00e9 tolo quem atacar o discurso por sua causa. Temos que ver de onde v\u00eam as ideias que voc\u00ea propaga. Se as est\u00e1 tirando de tr\u00e1s da orelha, ent\u00e3o elas provavelmente fedem, mas se as est\u00e1 trazendo de li\u00e7\u00f5es melhores, deixadas por autores que t\u00eam ou tiveram credibilidade, ent\u00e3o voc\u00ea est\u00e1 numa posi\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel.<\/p>\n<p>E isto nos leva ao terceiro eixo: por que a compuls\u00e3o de ensinar?<\/p>\n<p>Acredito que isto seja principalmente para <strong>defender<\/strong> o que se faz. Quando um autor jovem escreve alguma coisa, ele se exp\u00f5e muito. Ainda mais hoje em dia, em que todo mundo tem pressa de defecar uma obra cedo. A inseguran\u00e7a vem da falta de maturidade, aliada a editoras do tipo \u201cpagou-publicou\u201d e ao generalizado mau gosto do p\u00fablico (constitu\u00eddo, no Brasil, predominantemente por analfabetos funcionais, conforme recente pesquisa do IBGE, que revelou que menos de 20% dos brasileiros adultos leem e escrevem sem esfor\u00e7o).<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, quando voc\u00ea publica, instintivamente <strong>sabe<\/strong> que a sua obra tem p\u00e9s de barro ou um calcanhar de Aquiles. O fato de n\u00e3o o apontarem, voc\u00ea desconfia, \u00e9 s\u00f3 por educa\u00e7\u00e3o, amizade ou irrelev\u00e2ncia. As pessoas n\u00e3o te desancam porque n\u00e3o querem te ofender, porque s\u00e3o suas amigas, ou porque n\u00e3o tomaram conhecimento da sua exist\u00eancia. O que pode ser pior que essa sensa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Para combat\u00ea-la, voc\u00ea precisa se credenciar. Isso voc\u00ea j\u00e1 fez quando se filiou previamente a um movimento liter\u00e1rio, incorporou \u201crefer\u00eancias\u201d transparentes ao que \u201ctodo mundo gosta\u201d, adotou o formato de maior prest\u00edgio (romance e novela se confundiram no conceito de \u201clivro\u201d) e gastou os tubos para imprimir sua obra em papel de primeira qualidade, com capa laminada, fonte bonita, ilustra\u00e7\u00f5es, orelha, foto sua em pose de modelo na contracapa e o escambau. Afinal, um livro t\u00e3o bonito n\u00e3o pode ser ruim, n\u00e3o \u00e9 mesmo?<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o basta isso, \u00e9 preciso assumir uma posi\u00e7\u00e3o de superioridade. A posi\u00e7\u00e3o de superioridade n\u00e3o est\u00e1 mais em \u201cter publicado\u201d o livro, porque voc\u00ea instintivamente sabe que est\u00e1 f\u00e1cil para quem tem as amizades certas, cabe na f\u00f4rma esperada pelas editoras ou tem grana para pagar. A superioridade est\u00e1, ent\u00e3o, em aparentar cultura, e nada melhor para isso do que ensinar o que aprendeu, mesmo que seja pouco. Um pouco de conhecimento, bem trabalhado, pode ser esticado numa aula de cinquenta minutos. S\u00f3 que voc\u00ea n\u00e3o tem a obriga\u00e7\u00e3o de dar sessenta e quatro destas ao longo do ano, durante anos, voc\u00ea s\u00f3 precisa de uma ou duas dessas li\u00e7\u00f5es bem constru\u00eddas e j\u00e1 se constr\u00f3i como aparente autoridade. Se voc\u00ea insiste, publica, \u00e9 bem comentado, \u00e9 bem seguido, voc\u00ea logo estar\u00e1 se sentindo uma refer\u00eancia, e muita gente vai achar tamb\u00e9m. N\u00e3o se esque\u00e7a que, se voc\u00ea tem curso superior, \u201cobras publicadas\u201d valem como t\u00edtulos na hora de se candidatar a uma posi\u00e7\u00e3o docente em faculdade. Conhe\u00e7o gente que lecionou literatura brasileira em faculdade porque publicou tr\u00eas ou quatro livros.<\/p>\n<p>Portanto, as pessoas querem ensinar porque:<\/p>\n<ol>\n<li>n\u00e3o perdem nada com isso,<\/li>\n<li>n\u00e3o s\u00e3o cobradas pelas merdas que falem,<\/li>\n<li>n\u00e3o precisam sustentar o que dizem e<\/li>\n<li>podem ganhar alguma coisa.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Ocorre que, da mesma forma como se desenvolveu uma estrutura para escrever o que as editoras esperam (\u201creceita de bolo\u201d \u00e9 algo muito confort\u00e1vel para quem tem pa\u00fara de errar, e os editores n\u00e3o querem porque n\u00e3o t\u00eam margem para isso), h\u00e1 tamb\u00e9m uma f\u00f3rmula para se ensinar a escrever. Porque <strong>os editores terceirizaram a doutrina\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Eles n\u00e3o querem se desgastar, n\u00e3o querem ser questionados quanto \u00e0s suas credenciais. Melhor que os autores contratados por eles fa\u00e7am as honras aos que podem vir a ser. Os autores assimilaram o discurso quando se \u201cadequaram\u201d para entrar na editora, ent\u00e3o o repetem para outros que pretendem entrar. \u201cEu estou aqui porque fiz assim, fa\u00e7a tamb\u00e9m.\u201d<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, essas dicas s\u00e3o parte das estrat\u00e9gias de marketing e rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas das editoras, e \u00e9 poss\u00edvel que os autores fazendo isso nem sempre o fa\u00e7am porque querem, mas porque lhes foi pedido, ou porque acharam que deviam fazer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Participando no Facebook da comunidade Escritores Ajudando Outros Escritores sempre nos deparamos com os famosos \u201ct\u00f3picos-treta\u201d, como esse de hoje, com um questionamento muito interessante: Interessante a enorme quantidade de autores brasileiros que seguem a seguinte caracter\u00edstica: 1 &#8211; Publica o primeiro livro. 2 &#8211; Divulga dicas de como escrever bem, de como criar universos, personagens cativantes, estrutura narrativa, de trama, como fisgar leitores, como publicar, obter sucesso e vender milhares de c\u00f3pias. 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