{"id":2560,"date":"2015-03-09T21:50:08","date_gmt":"2015-03-10T00:50:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=2560"},"modified":"2018-09-10T00:47:49","modified_gmt":"2018-09-10T03:47:49","slug":"os-jovens-nao-estao-indo-alem","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2015\/03\/os-jovens-nao-estao-indo-alem\/","title":{"rendered":"Os Jovens N\u00e3o Est\u00e3o Indo Al\u00e9m"},"content":{"rendered":"<div class=\"epigraph\">\n<quote>Baseado em um debate sobre o <a href=\"http:\/\/www.revistabula.com\/4031-o-mal-de-se-sentir-inteligente-lendo-harry-potter-e-guerra-dos-tronos\">artigo de Ademir Luiz<\/a> para a Revista Bula.<\/quote><br \/>\n<quote>&#8220;N\u00e3o \u00e9 nenhuma prova de sanidade estar perfeitamente ajustado a um mundo doente.&#8221; &mdash; Krishnamurti.<\/quote><\/div>\n<p>Bem, li o texto. Nem tanto ao mar nem tanto \u00e0 terra. Ele n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o ofensivo quanto disseram (quem se ofendeu \u00e9 porque tem a pele fina ou ent\u00e3o quis vestir a carapu\u00e7a) e nem t\u00e3o brilhante. Diz uma obviedades que pouca gente tem coragem de dizer porque quase todos se escravizaram \u00e0 opini\u00e3o da maioria e t\u00eam medo de serem ostracizados. Se o p\u00fablico for tomar banho de bosta, muito autor que posta aqui na comunidade vai se chafurdar tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, a INTOLER\u00c2NCIA. Os jovens de hoje s\u00e3o cheios de verdades e de intoler\u00e2ncia, muito mais do que os de minha \u00e9poca (n\u00e3o, eu n\u00e3o acredito que a natureza dos jovens mudou, eles s\u00f3 ficaram mais corajosos nas suas certezas). Pouca gente realmente quer saber de opini\u00f5es diferentes. Pouca gente quer ler livros diferentes do que l\u00ea normalmente. Quase ningu\u00e9m quer pensar fora da caixa. Um chamado \u00e0 reflex\u00e3o n\u00e3o atrai muita gente.<\/p>\n<p>Digo intoler\u00e2ncia porque \u00e9 a coisa mais f\u00e1cil do mundo voc\u00ea ser atacado por pensar diferente. Critique o autor da moda e as pessoas faltam pouco te esfaquear (fazer vudu eu tenho certeza que fazem, porque ando com uma dorzinha estranha nas costas&#8230;). Raramente algu\u00e9m pergunta: &#8220;mas por que voc\u00ea pena assim?&#8221; Geralmente j\u00e1 t\u00eam a resposta: &#8220;voc\u00ea est\u00e1 com inveja&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o de que uma obra nociva por criar a ilus\u00e3o de que estar lendo j\u00e1 nos torna inteligentes deveria ser uma obviedade. Bastos Tigre j\u00e1 compusera este versinho em 1924:<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 por andar com livros<br \/>\n  &#8220;Que a gente vira doutor.<br \/>\n  &#8220;As tra\u00e7as vivem com eles,<br \/>\n  &#8220;Devem sab\u00ea-los de cor.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Ocorre que o h\u00e1bito da leitura \u00e9 t\u00e3o raro no Brasil que o simples ato de ler um objeto em formato de livro j\u00e1 \u00e9 visto como uma distin\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que o objeto tenha conte\u00fado de livro, basta o formato. &#8220;Livro&#8221; \u00e9 uma palavra que virou fetiche: os jovens n\u00e3o sabem se est\u00e3o lendo uma novela, um romance, uma noveleta, uma colet\u00e2nea de fic\u00e7\u00e3o ou um romance \u00e9pico. Pensam em termos do objeto, o &#8220;livro&#8221;, n\u00e3o a obra (o que o livro cont\u00e9m).<\/p>\n<p>Discutir o conte\u00fado deste &#8220;livro&#8221; vira tabu por causa da cren\u00e7a generalizada no poder civilizador do livro (olha o fetiche a\u00ed, gente). Melhor estar lendo do que &#8230;. (insira aqui alguma coisa negativa). N\u00e3o importa se est\u00e1 lendo o Mein Kampf ou o &#8220;Methods File&#8221; (alt.suicide.holiday para os que quiserem procurar no google).<\/p>\n<p>A ideia de que a leitura civiliza est\u00e1 intimamente ligada ao relativismo: o conceito de que n\u00e3o existem crit\u00e9rios objetivos para determinar a qualidade de uma obra liter\u00e1ria. A ideia de que tudo \u00e9 arte \u00e9 a semente da decad\u00eancia cultural. Se tudo \u00e9 arte, ent\u00e3o nada deixa de ser arte, ent\u00e3o a arte se torna uma ostenta\u00e7\u00e3o, uma impostura, que s\u00f3 se diferencia do quotidiano por ser chamada de arte por quem detem o poder.<\/p>\n<p>Lembremos que os quadros abstratos pintados por um macaco j\u00e1 enganaram cr\u00edticos de arte.<\/p>\n<p>Mas acima de tudo, \u00e9 um perigo &#8220;sentir-se inteligente&#8221;. O homem inteligente n\u00e3o se sente inteligente, se sente, isso sim, desafiado a compreender um mundo. Arist\u00f3teles disse que quanto menos inteligente \u00e9 o indiv\u00edduo, mais simples lhe parece o mundo.<\/p>\n<p>&#8220;Sentir-se inteligente&#8221; \u00e9, portanto, coisa de gente puoco inteligente. Gente que j\u00e1 est\u00e1 perto de atingir a tampa de sua capacidade de adquirir e manipular conhecimentos. Gente que \u00e9 balde, e n\u00e3o po\u00e7o sem fundo.<\/p>\n<p>Outro problema \u00e9 a quest\u00e3o do prolongamento da adolesc\u00eancia, que reflete, de fato, uma infantiliza\u00e7\u00e3o intelectual dos adultos de hoje. &#8220;A Gera\u00e7\u00e3o Z cresceu lendo sobre drag\u00f5es, castelos e magia. E n\u00e3o quer parar.&#8221; Esse \u00e9 um problema.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nada de errado em ler sobre isso, mesmo na idade adulta, mas o grande predom\u00ednio de tal literatura entre os best-sellers \u00e9 sintoma de que nossos adultos ainda est\u00e3o muito obcecados por coisas de adolescente. &#8220;muitos jovens inteligentes n\u00e3o est\u00e3o dando os passos seguintes.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Baseado em um debate sobre o artigo de Ademir Luiz para a Revista Bula. &#8220;N\u00e3o \u00e9 nenhuma prova de sanidade estar perfeitamente ajustado a um mundo doente.&#8221; &mdash; Krishnamurti. Bem, li o texto. 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