{"id":273,"date":"2011-06-29T17:00:00","date_gmt":"2011-06-29T20:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=273"},"modified":"2017-11-02T14:09:11","modified_gmt":"2017-11-02T17:09:11","slug":"medida-aurea-e-paginas-confortaveis","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2011\/06\/medida-aurea-e-paginas-confortaveis\/","title":{"rendered":"Medida \u00c1urea e P\u00e1ginas Confort\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p>Algumas pessoas que andaram lendo meu j\u00e1 antigo post sobre constru\u00e7\u00e3o de p\u00e1gina usando a medida \u00e1urea (que sempre est\u00e1 entre os favoritos do blob, mesmo n\u00e3o sendo uma obra liter\u00e1ria) me perguntaram qual a finalidade de tal trabalho. Como toda pergunta inocente, merece uma boa resposta.<\/p>\n<p>Eu j\u00e1 tinha sinalizado no artigo que em nosso pa\u00eds as pessoas est\u00e3o mais acostumadas a tentar economizar papel do que a pensar na p\u00e1gina de texto como algo que ser\u00e1 lido. Mas tem algo ainda pior, as famigeradas &#8220;normas da ABNT&#8221; descendem das arcaicas &#8220;laudas&#8221; em papel of\u00edcio, do tempo em que os documentos penosamente datilografados eram encadernados em arame ou perfurados para arquivamento em pasta-fich\u00e1rio. Por isso temos essa obsess\u00e3o com margens esquerdas mais largas (para deixar lugar para a perfura\u00e7\u00e3o!) e estranhamos uma p\u00e1gina tipograficamente constru\u00edda.<\/p>\n<p>Mas este post n\u00e3o \u00e9 sobre o que se faz, mas sobre como se fazia, e como se deveria voltar a fazer.<\/p>\n<p>Um livro organizado segundo os c\u00e2nones da constru\u00e7\u00e3o de p\u00e1gina tem margens mais largas nas bordas externa (em vez da interna) e inferior (em vez da superior). Isto \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio da pr\u00e1tica usual no Brasil. Isto \u00e9 assim porque livros s\u00e3o feitos para serem lidos.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea pega um livro para ler, por onde o segura? Certamente n\u00e3o \u00e9 pela borda interna da folha (isso \u00e9 rid\u00edculo), mas pela externa. A margem externa \u00e9 mais larga porque \u00e9 geralmente sobre ela que repousar\u00e1 o seu polegar enquanto voc\u00ea l\u00ea. \u00c9 em nome do conforto de poder pegar o livro na m\u00e3o para ler que as p\u00e1ginas de formato tradicional possuem essas medidas. Imagino que voc\u00ea muitas vezes, ao ler, j\u00e1 se praguejou pela dificuldade de faz\u00ea-lo sem ter uma mesa para apoio. Livros s\u00e3o feitos para leitura em qualquer lugar, n\u00e3o precisa esperar onde tenha uma mesa. Livros baseados nos c\u00e2nones de constru\u00e7\u00e3o de p\u00e1gina (medidas \u00e1ureas) s\u00e3o feitos para leitura confort\u00e1vel mesmo ao ar livre ou fora da biblioteca. S\u00e3o livros feitos para quem gosta de ler. S\u00e3o livros para leitura sem ritual.<\/p>\n<p>A margem inferior \u00e9 um pouco mais dif\u00edcil de explicar, mas faz tanto sentido quanto a externa. Os livros s\u00e3o geralmente postos de p\u00e9 na estante. Se a estante n\u00e3o for suficientemente seca, \u00e9 poss\u00edvel que a umidade corroa a parte inferior da p\u00e1gina. A raz\u00e3o da margeminferior mais larga \u00e9 preservar a integridade da mancha de texto caso a estante seja afetada por mofo ou umidade. Antigamente havia ainda duas raz\u00f5es adicionais para a margem inferior: o h\u00e1bito de tomar notas no rodap\u00e9 e a presen\u00e7a de ilustra\u00e7\u00f5es. Em obras de texto denso, n\u00e3o ilustradas, era comum que os leitores tomassem suas notas no rodap\u00e9 (parte inferior da p\u00e1gina). Esta tradi\u00e7\u00e3o est\u00e1 meio perdida, visto que hoje associamos &#8220;notas de rodap\u00e9&#8221; com trechos de texto presentes dentro da pr\u00f3pria mancha de texto da p\u00e1gina, e n\u00e3o como coment\u00e1rios feitos pelo dono do livro. Nos antigos volumes era comum que as ilustra\u00e7\u00f5es ficassem fora da mancha de texto porque elas precisavam ser feitas em um processo separado. Em geral se imprimia a figura primeiro (geralmente usando xilogravura) e somente depois a p\u00e1gina era impressa por cima em tipografia. As iluminuras medievais tamb\u00e9m tinham ilustra\u00e7\u00f5es \u00e0 margem, especialmente os textos religiosos, como uma forma de desestimular a anota\u00e7\u00e3o pelo leitor (entre outras raz\u00f5es mil).<\/p>\n<p>Espero que esta informa\u00e7\u00e3o lhe fa\u00e7a refletir sobre a possibilidade de utilizar medidas &#8220;\u00e1ureas&#8221; em seus pr\u00f3ximos livros ou manuscritos. Certamente gastar\u00e1 mais papel, mas produzir\u00e1 livros muito bonitos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algumas pessoas que andaram lendo meu j\u00e1 antigo post sobre constru\u00e7\u00e3o de p\u00e1gina usando a medida \u00e1urea (que sempre est\u00e1 entre os favoritos do blob, mesmo n\u00e3o sendo uma obra liter\u00e1ria) me perguntaram qual a finalidade de tal trabalho. Como toda pergunta inocente, merece uma boa resposta. 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