{"id":2997,"date":"2016-09-10T12:55:18","date_gmt":"2016-09-10T15:55:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=2997"},"modified":"2017-11-02T14:07:59","modified_gmt":"2017-11-02T17:07:59","slug":"em-nome-de-stallman-torvalds","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2016\/09\/em-nome-de-stallman-torvalds\/","title":{"rendered":"Em Nome de Stallman e Torvalds, Salvai-me!"},"content":{"rendered":"<p>Devo ser o \u00fanico ser vivente neste sistema solar que ainda insiste em usar nomes de arquivo padr\u00e3o 8.3 (n\u00e3o, minha idade n\u00e3o \u00e9 da sua conta). O arquivo se chamava <code>roseira.odt<\/code> (e isso n\u00e3o tem nada a ver com o t\u00edtulo, exceto que em uma das hist\u00f3rias h\u00e1 um roseiral). Se voc\u00ea acha que isso \u00e9 receita para algum azar, deve ter raz\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o sou, tamb\u00e9m, nenhum exemplo de organiza\u00e7\u00e3o. H\u00e1 mais a fazer do que tempo para organizar o feito. Meu computador est\u00e1 cheio de arquivos chamados Untitled, por exemplo (Untitled1.odt, Untitled2.odt), e quase tudo fica atirado em pastas aleat\u00f3rias. Os \u00edcones da minha \u00e1rea de trabalho s\u00e3o de arquivos antigos de um romance que eu estou tentando terminar h\u00e1 seis anos.<\/p>\n<p>Basicamente eu me organizava pelo start-center do LibreOffice, onde aparecem as miniaturas de capas. Eu estava acostumado a ver os dez \u00faltimos arquivos em que estava trabalhando, e era isso.<\/p>\n<p>Mas um dia, num acesso qualquer de bobeira, movi por acidente o arquivo &#8220;roseira.odt&#8221; para dentro de uma pasta chamada <code>~\/.backup\/blogpost\/old\/<\/code> e n\u00e3o  me dei conta disso. No dia em que fiz a merda, n\u00e3o percebi nada.<\/p>\n<p>Vida que segue, muita coisa a fazer, projetos diferentes. N\u00e3o percebi que o \u00edcone referente ao livro tinha desaparecido da tela inicial do LibreOffice. Oito meses se passaram, enfim lembrei do livro.<\/p>\n<p>Procurei por ele nos lugares onde deveria estar. Necas. Gradualmente se instalou a preocupa\u00e7\u00e3o. Repetidas buscas em v\u00e3o trouxeram receio, medo, horror, terror, p\u00e2nico, pa\u00fara, desespero. Roer de unhas, impreca\u00e7\u00f5es, velas acesas a todos os exus e anjos, riscar de pentagramas no ch\u00e3o, sacrif\u00edcio de bodes, propostas de pacto. Nada funciona.<\/p>\n<p>Por fim me lembro de pesquisar pelo arquivo usando a linha de comando do Linux, o \u00faltimo recurso do guerreiro perdido. Evoco os arcanos usando uma necromancia finlandesa: <code>ls -type -f -name '*.odt' | grep \"2016\"<\/code>. Mas em v\u00e3o, nada encontrado, segue o espanto, o suor frio, o regurgitar de \u00e1cido, o mover das tripas, o cthulhu ftaghn.<\/p>\n<p>Mas me lembro que o tempo \u00e9 relativo. Quer dizer, parece que foi h\u00e1 pouco, mas pode ter sido em qualquer ano desde que nasci. Ent\u00e3o tento de novo, procurando em datas mais antigas: <code>ls -type -f -name '*.odt' | grep \"2015\"<\/code>.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o vejo um arquivo chamado <code>roseira.odt<\/code> perdido em uma pasta que eu jamais teria suposto. Ent\u00e3o um filme passa pela minha cabe\u00e7a: h\u00e1 quanto tempo, afinal, eu n\u00e3o mexo nesse arquivo?<\/p>\n<p>Abro o arquivo, <strong>\u00e9 ele<\/strong>!<\/p>\n<p>Celebra\u00e7\u00e3o, grito de gol, r\u00e1pido apagar dos pentagramas antes que as entidades se manifestassem, rasgar dos contratos, tr\u00eas pulinhos para S\u00e3o Longuinho.<\/p>\n<p>Fiquei quarenta minutos apavorado achando que tinha deletado por acidente o livro mais legal que eu escrevi na vida, e que ainda estava in\u00e9dito.<\/p>\n<p>Chegou mesmo a hora de reorganizar os meus arquivos. Valei-me santo Dropbox!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Devo ser o \u00fanico ser vivente neste sistema solar que ainda insiste em usar nomes de arquivo padr\u00e3o 8.3 (n\u00e3o, minha idade n\u00e3o \u00e9 da sua conta). O arquivo se chamava roseira.odt (e isso n\u00e3o tem nada a ver com o t\u00edtulo, exceto que em uma das hist\u00f3rias h\u00e1 um roseiral). Se voc\u00ea acha que isso \u00e9 receita para algum azar, deve ter raz\u00e3o. N\u00e3o sou, tamb\u00e9m, nenhum exemplo de organiza\u00e7\u00e3o. H\u00e1 mais a fazer do que tempo para organizar o feito. 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