{"id":309,"date":"2011-04-18T08:54:00","date_gmt":"2011-04-18T11:54:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=309"},"modified":"2017-11-02T14:09:15","modified_gmt":"2017-11-02T17:09:15","slug":"mais-compreensao-do-que-estudo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2011\/04\/mais-compreensao-do-que-estudo\/","title":{"rendered":"Mais Compreens\u00e3o do que Estudo\u2026"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que eu vejo esse tipo de opini\u00e3o circular pelo mundo. Mas desta, como apareceu na Internet, percebi que era preciso comentar.<\/p>\n<blockquote>\n<p>A hist\u00f3ria tem tantos lados quanto podemos imaginar. E, na boa, hist\u00f3ria exige mais compreens\u00e3o do que estudo: decorar datas \u00e9 mais f\u00e1cil que compreender os fatos nelas ocorridos. Como todo mundo se mete a entender de hist\u00f3ria s\u00f3 porque viu\u2026 document\u00e1rios, leu meia d\u00fazia de livros tendenciosos e viu o hor\u00e1rio pol\u00edtico, a nossa ci\u00eancia est\u00e1 jogada na lama.Mas, tudo nesse mundo tem salva\u00e7\u00e3o (assim espero)\u2026<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Esta \u00e9 s\u00f3 uma pequena postagem no Facebook, mas ela reflete de v\u00e1rias maneiras a ideia distorcida que os brasileiros t\u00eam da Hist\u00f3ria \u2014 e das ci\u00eancias humanas tamb\u00e9m, de certa forma. O autor disso provavelmente imaginou que estava sendo um paladino da ci\u00eancia, e \u00e9 normal que pense assim, pois esse tipo de pensamento recebe aplausos f\u00e1ceis, at\u00e9 mesmo entre os profissionais de ensino: \u00e9 praticamente uma tradi\u00e7\u00e3o de nosso pa\u00eds considerar as ci\u00eancias humanas menos importantes, concep\u00e7\u00e3o cristalizada at\u00e9 nos quadros de hor\u00e1rios de nossas escolas, nos quais Portugu\u00eas e Matem\u00e1tica t\u00eam cinco aulas semanais, enquanto Hist\u00f3ria e Geografia t\u00eam somente duas cada. Ent\u00e3o o que esse rapaz disse \u00e9 fruto de um sistema que ensina desde cedo a desconsiderar como &#8220;menos importantes&#8221; certas \u00e1reas do conhecimento humano. E as pessoas propagam isso, sem perceberem que est\u00e3o papagaiando um discurso ideol\u00f3gico alienante e obscurantista. Vamos demonstrar as fal\u00e1cias deste racioc\u00ednio:<\/p>\n<p><a name=\"more\"><\/a>A primeira afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 que <q>A hist\u00f3ria tem tantos lados quanto podemos imaginar<\/q>. Dizendo desta maneira, a Hist\u00f3ria (com ag\u00e1 min\u00fasculo) fica reduzida a um simples &#8220;causo&#8221; de pescador, ou a uma Lenda da Mulher de Branco, que cada um conta como quer, mudando os detalhes conforme sua prefer\u00eancia. Claro que existe quem pense assim ou at\u00e9 quem fa\u00e7a isso, mas Hist\u00f3ria (ag\u00e1 mai\u00fasculo) <strong>n\u00e3o \u00e9 isso!<\/strong><\/p>\n<p>Podem me acusar de positivista (o que, para os que, como eu, mamaram nas tetas do Marxismo, uma ofensa), mas acredito que a Hist\u00f3ria \u00e9 uma tentativa met\u00f3dica (portanto racional) de buscar o conhecimento de um fato realmente acontecido. O fato \u00e9 objetivo, positivo. O que pode variar \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o dos dados que conduzem ao fato. Como a Hist\u00f3ria \u00e9 met\u00f3dica (portanto racional, e nunca \u00e9 demais repetir), h\u00e1 um limite para o tipo de interpreta\u00e7\u00e3o que se pode dar aos dados, o que significa que n\u00e3o h\u00e1 infinitas vers\u00f5es poss\u00edveis de um mesmo fato. Pode haver certa controv\u00e9rsia quanto a interpreta\u00e7\u00e3o de um documento, por\u00e9m somente ser\u00e3o historicamente v\u00e1lidas as teorias que seguirem certo m\u00e9todo. Vamos dar um exemplo.<\/p>\n<p>Se acharmos um documento datado de abril de 1500 no qual um arquivista portugu\u00eas comunique ao rei de Portugal o epis\u00f3dio do &#8220;descobrimento&#8221; do Brasil, n\u00e3o podemos usar tal documento como &#8220;prova&#8221; de que, no s\u00e9culo XV, os portugueses conseguiam navegar entre a Bahia e Lisboa, em suas caravelas, no prazo de nove dias, no m\u00e1ximo. As \u00fanicas hip\u00f3teses racionais ser\u00e3o aquelas que considerarem como erro a data do documento novo (ou do antigo, a Carta de Caminha), ou ainda as que considerarem que o Brasil j\u00e1 era conhecido e a viagem de Pedro \u00c1lvares Cabral foi s\u00f3 formalidade diplom\u00e1tica. Imaginar as caravelas singrando o Oceano Atl\u00e2ntico \u00e0 velocidade de um petroleiro moderno n\u00e3o \u00e9 algo aceit\u00e1vel. Tudo, claro, considerando que o documento encontrado n\u00e3o seja forjado.<\/p>\n<p>Logo em seguida, vem a afirma\u00e7\u00e3o de que <q>hist\u00f3ria exige mais compreens\u00e3o do que estudo<\/q>. \u00c0 primeira vista \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o quase tautol\u00f3gica, mas n\u00e3o \u00e9 nada inocente o que ela implica: que Hist\u00f3ria n\u00e3o precisa ser estudada. Esta \u00e9 uma opini\u00e3o que encontra eco profundo no nosso sistema educacional, n\u00e3o s\u00f3 entre os alunos mas tamb\u00e9m \u2014 lamentavelmente \u2014 entre certos <strong>maus professores<\/strong> que veem a escola como uma rinha, na qual devem digladiar-se por espa\u00e7o no hor\u00e1rio e onde as mat\u00e9rias que s\u00e3o &#8220;mais importantes&#8221; precisam sempre ter a &#8220;prioridade&#8221;. Voc\u00ea n\u00e3o precisa &#8220;estudar hist\u00f3ria&#8221; se tiver algo abstrato como &#8220;compreens\u00e3o&#8221; (que \u00e9 um privil\u00e9gio talvez inato, visto que n\u00e3o precisa ser adquirido pelo estudo). Os que tiverem &#8220;compreens\u00e3o&#8221; n\u00e3o precisam estudar datas e nomes &#8220;chatos&#8221;. <a href=\"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/2010\/06\/o-sabio-louco-e-o-ignorante-vigoroso\/\">Eu j\u00e1 tinha falado disso anteriormente,<\/a> num artigo sobre a cultura de aplauso da ignor\u00e2ncia que existe no Brasil e nos &#8220;atalhos&#8221; que desenvolvemos para n\u00e3o termos que aprender. Claro que uma afirma\u00e7\u00e3o dessas \u00e9 chocante, por isso deve ser atenuada com uma frase bacana: <q>decorar datas \u00e9 mais f\u00e1cil que compreender os fatos nelas ocorridos<\/q>. Curioso \u00e9 que quem diz que \u00e9 &#8220;mais f\u00e1cil&#8221; decorar datas est\u00e1 justamente dando uma justificativa para n\u00e3o ter que fazer isso. E se compreender os fatos \u00e9 mais dif\u00edcil, a l\u00f3gica seria ent\u00e3o que a Hist\u00f3ria fosse mais estudada, pois ningu\u00e9m pode compreender o que n\u00e3o conhece (n\u00e3o existe sabedoria na ignor\u00e2ncia). V\u00ea-se, por\u00e9m, pelo contexto, que n\u00e3o existe a preocupa\u00e7\u00e3o em estudar mais, mas em &#8220;compreender mais&#8221;.<\/p>\n<p>A frase a seguir chega mais longe na incongru\u00eancia: <q>Como todo mundo se mete a entender de hist\u00f3ria s\u00f3 porque viu document\u00e1rios, leu meia d\u00fazia de livros tendenciosos e viu o hor\u00e1rio pol\u00edtico, a nossa ci\u00eancia est\u00e1 jogada na lama.<\/q> Eu n\u00e3o consigo alcan\u00e7ar o que o autor desta frase quis dizer, mas fica parecendo (e devemos julgar as pessoas de acordo com o que elas dizem \u2014 e n\u00e3o com o que pensaram em dizer) que assistira a document\u00e1rios, ler &#8220;meia d\u00fazia de livros&#8221; e assistir o hor\u00e1rio pol\u00edtico (todas ferramentas que est\u00e3o ao alcance dos interessados, gra\u00e7as \u00e0 televis\u00e3o por assinatura, \u00e0s bibliotecas e a outras ferramentas de acesso p\u00fablico) n\u00e3o s\u00e3o meios eficientes para algu\u00e9m chegar a &#8220;entender de hist\u00f3ria&#8221;. H\u00e1 dois problemas com esta afirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O primeiro problema \u00e9 o elitismo, que j\u00e1 ficava evidente na afirma\u00e7\u00e3o anterior, sobre a &#8220;compreens\u00e3o&#8221; em vez do &#8220;estudo&#8221;. N\u00e3o adianta voc\u00ea recorrer aos meios populares de difus\u00e3o de conhecimento, pois voc\u00ea n\u00e3o chegar\u00e1 a &#8220;entender de hist\u00f3ria&#8221; atrav\u00e9s deles. Para &#8220;entender de hist\u00f3ria&#8221; voc\u00ea precisa de outra coisa (que pode ser uma &#8220;sabedoria&#8221; inata ou algum conhecimento arcano, a que somente privilegiados podem ter acesso). A Hist\u00f3ria se reveste, ent\u00e3o, de uma aura m\u00edstica, sagrada, alheia-se da &#8220;necessidade&#8221; do povo. E n\u00e3o custa nunca lembrar que o &#8220;povo&#8221; precisa aprender muita gram\u00e1tica e muita matem\u00e1tica e muita ci\u00eancia.<\/p>\n<p>O segundo problema est\u00e1 na parte final. Por que a nossa ci\u00eancia est\u00e1 &#8220;jogada na lama&#8221; como <strong>consequ\u00eancia<\/strong> de &#8220;todo mundo&#8221; se meter a &#8220;entender de hist\u00f3ria&#8221; vendo document\u00e1rios e lendo livros tendenciosos? Ora, bolas, porque estas pessoas que se metem a entender de Hist\u00f3ria, evidentemente, n\u00e3o est\u00e3o estudando matem\u00e1tica, portugu\u00eas e &#8220;ci\u00eancia&#8221; (\u00e0s Ci\u00eancias Humanas \u00e9 muito comum que seja contestado o status). Veja s\u00f3 que coisa, esta gente que fica tentando &#8220;entender de hist\u00f3ria&#8221; \u00e9 que est\u00e1 jogando a ci\u00eancia na lama. N\u00e3o, a culpa n\u00e3o do governo, que mant\u00e9m um sistema educacional t\u00e3o inepto que s\u00f3 pode ser de prop\u00f3sito, a culpa n\u00e3o \u00e9 de nossa sociedade e seus valores, a culpa \u00e9, claro, de quem tenta ter acesso a um conhecimento que n\u00e3o \u00e9 para o bico do povo. A culpa, \u00e9 claro, \u00e9 da v\u00edtima!<\/p>\n<p>Mas ainda tem caro\u00e7o nesse angu. Esta gente que &#8220;se mete&#8221; a &#8220;entender de hist\u00f3ria&#8221; costuma ficar de crista alta, reclamando da vida, apontando para certas coisas que n\u00e3o se deveria discutir. Teria sido bem melhor s\u00f3 estudarem portugu\u00eas, matem\u00e1tica e &#8220;ci\u00eancia&#8221;. Ent\u00e3o, quando essa gente surge, discutindo temas dif\u00edceis, pondo pimenta no olho de quem n\u00e3o quer enxergar as ra\u00edzes antigas de nossos problemas de hoje, \u00e9 preciso desqualificar, \u00e9 preciso rebaixar, \u00e9 preciso viralatizar.<\/p>\n<p>E aqui chegamos ao <strong>terceiro<\/strong> dos problemas impl\u00edcitos nessa frase t\u00e3o curta: a fal\u00e1cia de que, na impossibilidade de se ter o conhecimento perfeito, o conhecimento imperfeito n\u00e3o tem valor. Leia de novo e observe bem: <q>Como todo mundo se mete a entender de hist\u00f3ria s\u00f3 porque viu document\u00e1rios, leu meia d\u00fazia de livros tendenciosos e viu o hor\u00e1rio pol\u00edtico\u2026<\/q><\/p>\n<p>Est\u00e1 bem claro a\u00ed que o conhecimento que se obtem assistindo document\u00e1rios, lendo alguns livros e assistindo hor\u00e1rio pol\u00edtico \u00e9 um conhecimento in\u00fatil por ser parcial. Empregando a <em>reductio ad absurdum<\/em>, pode-se dizer que \u00e9 melhor ser analfabeto do que ler mal. Como o autor da frase certamente n\u00e3o cometeria a insanidade de estar de acordo com esta reformula\u00e7\u00e3o, imagino que negar\u00e1 ter querido dizer que o conhecimento incompleto obtido atrav\u00e9s de document\u00e1rios, livros e &#8220;hor\u00e1rio pol\u00edtico&#8221; seria in\u00fatil. Mas, como dizia Nietzsche, <em>o importante n\u00e3o \u00e9 como voc\u00ea pensa, mas como voc\u00ea o diz<\/em>.<\/p>\n<p>Gostaria de dizer ao autor destas frases que eu n\u00e3o acredito que ele seja pessoa m\u00e1, que defenda o obscurantismo ou algo assim. Estas coisas que ele disse n\u00e3o s\u00e3o, de fato, pensamentos seus, mas chav\u00f5es populares em nosso pa\u00eds. Ele apenas papagaiou o que se diz por a\u00ed, possivelmente sem nem refletir sobre os nuances do que disse. Uma caracter\u00edstica destes chav\u00f5es \u00e9 que eles simplificam os problemas e oferecem, ent\u00e3o, explica\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis para quest\u00f5es dif\u00edceis. Existe uma ilus\u00e3o entre os ignorantes de que existe um atalho para o conhecimento sem passar pelo estudo. O sonho das pessoas que ignoram uma mat\u00e9ria \u00e9 conseguirem a esperteza de chegarem \u00e0 outra margem do rio sem passar pela ponte. Assim, toda explica\u00e7\u00e3o simples fica rapidamente popular e aqueles que assimilam tais &#8220;verdades&#8221; se arraigam a elas porque ali acham o que antes lhes fazia falta. Atrav\u00e9s das explica\u00e7\u00f5es simples, o ignorante supera a sensa\u00e7\u00e3o de <strong>inseguran\u00e7a<\/strong>. Ele ent\u00e3o passa a encarar esta explica\u00e7\u00e3o simples como um verdadeiro artigo de f\u00e9.<\/p>\n<p>N\u00e3o pretendo me aprofundar sobre este mecanismo de cren\u00e7a, porque reconhe\u00e7o minha limita\u00e7\u00e3o nesse campo. O que digo \u00e9 o que ouvi dizerem pessoas que sabiam mais do que eu. Quero apenas concluir dizendo que \u00e9 preciso <strong>denunciar<\/strong> esta ideologia segundo a qual a Hist\u00f3ria \u00e9 uma esp\u00e9cie de &#8220;vale tudo&#8221;. N\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a para a educa\u00e7\u00e3o no Brasil, nem mesmo para o ensino das mat\u00e9rias &#8220;importantes&#8221; enquanto n\u00f3s encararmos o conhecimento pela \u00f3tica desta estrat\u00e9gia de &#8220;redu\u00e7\u00e3o de danos&#8221;, que nos impele a evitar ao m\u00e1ximo a necessidade de aprender. \u00c9 por isso que se &#8220;prioriza&#8221; mat\u00e9rias que s\u00e3o importantes, \u00e9 por isso que existem os &#8220;macetes&#8221; de vestibular e concurso, \u00e9 por isso que os livros de auto-ajuda fazem sucesso. Estudar e aprender s\u00e3o coisas t\u00e3o horr\u00edveis na mentalidade do brasileiro, que \u00e9 preciso evitar ao m\u00e1ximo. Vamos aprender o que \u00e9 &#8220;importante&#8221; e n\u00e3o \u00e9 preciso saber a mat\u00e9ria se voc\u00ea tiver os &#8220;macetes&#8221; da prova de m\u00faltipla escolha.<\/p>\n<p>S\u00f3 que tem uma coisa engra\u00e7ada: quando voc\u00ea come\u00e7a a &#8220;priorizar&#8221; conhecimentos, criando uma hierarquia de import\u00e2ncia (na qual muita gente acha que Hist\u00f3ria fica abaixo at\u00e9 do Ensino Religioso), voc\u00ea cria um efeito progressivo de <em>downsizing<\/em> que termina com o desmonte de todo o sistema. A escola que hoje n\u00e3o acha importante ensinar Hist\u00f3ria, facilmente chegar\u00e1 ao ponto em que &#8220;ensinar&#8221; em si deixar\u00e1 de ser importante, desde que se consiga &#8220;socializar o aluno&#8221; e &#8220;instrumentaliz\u00e1-lo&#8221; para o conv\u00edvio enquanto cidad\u00e3o de uma sociedade democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Para terminar, um caso curioso, que muita gente deve lembrar. H\u00e1 alguns anos, ainda no tempo em que fazia o &#8220;Caco Antibes&#8221; no programa humor\u00edstico &#8220;Sai de Baixo&#8221;, Miguel Fallabela protagonizou o an\u00fancio de uma colet\u00e2nea da Som Livre (hoje exorcizada da Web) que usava o <em>slogan<\/em> &#8220;O Melhor do Melhor, dos Melhores&#8221;. Acontece que era uma antologia de m\u00fasica cl\u00e1ssica, em <strong>um \u00e1lbum duplo<\/strong>. Se considerarmos que a m\u00fasica &#8220;cl\u00e1ssica&#8221; abarca mais de cinco s\u00e9culos de tradi\u00e7\u00e3o e que algumas de suas obras possuem <strong>horas<\/strong> de dura\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar que o resultado foi uma colet\u00e2nea de vinhetas das grandes obras. Quem a comprasse ouviria apenas trechos soltos, e n\u00e3o as obras propriamente. Da mesma forma como voc\u00ea n\u00e3o fica conhecendo Beethoven s\u00f3 porque botou <em>F\u00fcr Elise<\/em> como toque de seu telefone celular. Um sistema educacional que t\u00e3o arbitrariamente discrimina entre as \u00e1reas de conhecimento pode acabar, como a Som Livre, produzindo uma colet\u00e2nea de vinhetas, de peda\u00e7os amputados das obras originais. Vinhetas de conhecimento n\u00e3o ajudam ningu\u00e9m a se tornar realmente competente e nem s\u00e1bio. No m\u00e1ximo servem como toque de celular.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que eu vejo esse tipo de opini\u00e3o circular pelo mundo. Mas desta, como apareceu na Internet, percebi que era preciso comentar. A hist\u00f3ria tem tantos lados quanto podemos imaginar. E, na boa, hist\u00f3ria exige mais compreens\u00e3o do que estudo: decorar datas \u00e9 mais f\u00e1cil que compreender os fatos nelas ocorridos. Como todo mundo se mete a entender de hist\u00f3ria s\u00f3 porque viu\u2026 document\u00e1rios, leu meia d\u00fazia de livros tendenciosos e viu o hor\u00e1rio pol\u00edtico, a nossa ci\u00eancia est\u00e1 jogada na [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[183],"tags":[72,17,57],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/309"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=309"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/309\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4945,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/309\/revisions\/4945"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=309"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=309"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=309"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}