{"id":332,"date":"2011-02-21T13:09:00","date_gmt":"2011-02-21T16:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=332"},"modified":"2017-11-02T14:09:17","modified_gmt":"2017-11-02T17:09:17","slug":"livros-perigosos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2011\/02\/livros-perigosos\/","title":{"rendered":"Livros Perigosos"},"content":{"rendered":"<p>Estou chegando \u00e0 conclus\u00e3o de que a literatura tornou-se a principal inimiga da educa\u00e7\u00e3o. Esses livros de s\u00e3o perigosos demais para serem manuseados por nossas crian\u00e7as, eles portam a pestil\u00eancia de um passado que n\u00e3o foi perfeito, de uma hist\u00f3ria que foi feia. E isso traumatiza as crian\u00e7as, n\u00e3o podemos contar-lhes que o mundo \u00e9 feio, elas precisam crescer sem esse confronto para n\u00e3o se transformarem em cidad\u00e3os como eu e voc\u00ea, que crescemos em contato com essa sujeira existencial. O acesso deve ser cuidadosamente controlado, sabe-se l\u00e1 que estrago um Machado de Assis, um Monteiro Lobato ou um Euclides da Cunha pode causar num jovem impression\u00e1vel!<\/p>\n<p>Nenhum literato do passado ou do presente \u00e9 um modelo desej\u00e1vel para nossa juventude. Oswald de Andrade era mulherengo e alco\u00f3latra. Machado de Assis era um negro que n\u00e3o pegava em armas contra a pol\u00edcia para combater o racismo e nem processava o governo pedindo cotas \u2014- e ainda por cima cometeu o acinte de se casar com uma branca! Euclides da Cunha era um machista empedernido que morreu num epis\u00f3dio mal esclarecido. Monteiro Lobato era racista, manipulador e adepto de v\u00e1rias outras ideias ultrapassadas. Jorge Amado traiu o comunismo e foi escrever novelas para a Globo.<\/p>\n<p>Deixar que esses homens depravados e suas obras decadentes continuem influenciando gera\u00e7\u00f5es de jovens \u00e9 um crime. A literatura burguesa e seus valores representam a perpetua\u00e7\u00e3o do atraso de nosso pa\u00eds. Somente poderemos progredir educacionalmente se abolirmos estas leituras s\u00f3rdidas e evitarmos o contato de nossos jovens com o preconceito e os valores antiquados por elas representados. Onde j\u00e1 se viu construir um romance inteiro em cima do tema da &#8220;honra&#8221; da mulher e de uma suposta trai\u00e7\u00e3o. Aquele porco chauvinista do Bentinho n\u00e3o pode inspirar nenhum jovem de hoje a achar que tem direito exclusividade sobre sua mulher. Imagine o efeito catastr\u00f3fico que &#8220;O Alienista&#8221; pode ter! Imagine uma gera\u00e7\u00e3o inteira de jovens desconfiados da autoridade e da ci\u00eancia! E &#8220;Os Sert\u00f5es&#8221;, ent\u00e3o? Com sua perigosa sugest\u00e3o de que as for\u00e7as do atraso (supersti\u00e7\u00e3o, monarquismo) estavam &#8220;certas&#8221; em sua luta contra a Rep\u00fablica e os valores modernos. Como permitir que nossas crian\u00e7as leiam as obras do c\u00ednico racista, o Monteiro Lobato? Como deixar que t\u00e3o precocemente tenham contato com o preconceito de cor? O que se quer com isso? Ser\u00e1 que nossas crian\u00e7as precisam de saber certas coisas?<\/p>\n<p>Acredito que est\u00e1 mais do que na hora de levarmos adiante o que come\u00e7ou Rui Barbosa. O ilustre jurisconsulto baiano mandou queimar os documentos sobre a escravid\u00e3o que havia no Arquivo Nacional. Acho que est\u00e1 na hora de banir \u2014 e se poss\u00edvel queimar \u2014 os livros de nossa literatura que contenham qualquer tra\u00e7o indesej\u00e1vel, inclusive racismo. Somente assim poderemos assegurar que as futuras gera\u00e7\u00f5es, limpas das sujeiras do passado, poder\u00e3o crescer puras e saud\u00e1veis. Uma nova ra\u00e7a brasileira para uma nova p\u00e1tria, livre dos males passado e mirando em um futuro grandioso.<\/p>\n<p>Claro que para o lugar desta literatura banida dever\u00e1 ser criada uma outra, pois sem obras liter\u00e1rias n\u00e3o se mant\u00e9m um sistema educacional. Mas estas novas obras n\u00e3o podem surgir deste acaso criminoso que, no passado, permitiu que homens desequilibrados e doentes com os preconceitos e supersti\u00e7\u00f5es de sua \u00e9poca produzissem excresc\u00eancias como &#8220;Ca\u00e7adas de Pedrinho&#8221; ou &#8220;Gabriela, Cravo e Canela&#8221;. Estas novas obras precisam seguir padr\u00f5es pedag\u00f3gicos progressistas e realistas. Padr\u00f5es que incluam a igualdade de g\u00eanero, a igualdade racial, toda uma s\u00e9rie de igualdades em substitui\u00e7\u00e3o ao caos de categorias e hierarquias que caracterizava os valores do passado.<\/p>\n<p>Os autores que aceitarem produzir segundo estes c\u00e2nones, evidentemente, ser\u00e3o sempre os preferidos para inclus\u00e3o nos curr\u00edculos. Os pr\u00eamios liter\u00e1rios oficiais ser\u00e3o dirigidos a eles tamb\u00e9m. Como n\u00e3o estamos em uma ditadura, obras divergentes ser\u00e3o toleradas, mas apenas para adultos e de forma nenhuma ter\u00e3o curso no sistema educacional. Como o governo n\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o de fiscalizar toda a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria nacional, seria ideal que os pr\u00f3prios autores interessados nas diretrizes liter\u00e1rias do MEC se organizassem para controlar entre si mesmos a ades\u00e3o aos referidos princ\u00edpios, recomendando as necess\u00e1rias adequa\u00e7\u00f5es, quando poss\u00edveis, antes que o livro tenha que passar pelo crivo do Minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Assim agindo, conseguiremos remover definitivamente de nossa sociedade a influ\u00eancia funesta de obras liter\u00e1rias in\u00e7adas de preconceitos e valores retr\u00f3grados, abrindo caminho para a cria\u00e7\u00e3o de uma nova safra de obras, orientada ao futuro e produzida de acordo com os valores de sociedade que almejamos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estou chegando \u00e0 conclus\u00e3o de que a literatura tornou-se a principal inimiga da educa\u00e7\u00e3o. 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