{"id":3373,"date":"2017-03-05T20:43:25","date_gmt":"2017-03-05T23:43:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=3373"},"modified":"2017-11-02T14:07:56","modified_gmt":"2017-11-02T17:07:56","slug":"voce-nao-precisa-de-incentivo-voce-precisa-de-gostar-do-que-faz","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2017\/03\/voce-nao-precisa-de-incentivo-voce-precisa-de-gostar-do-que-faz\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea N\u00e3o Precisa de Incentivo, Precisa Gostar Mais do que Faz"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 quem diga que muitos projetos liter\u00e1rios ficam inacabados porque falta incentivo. Discordo frontalmente. Incentivo jamais existiu, pelo menos n\u00e3o no Brasil. Olhe em torno, conte quantos autores nacionais se tornaram profissionais, vivem efetivamente de literatura. Olhe para tr\u00e1s, conte-os no passado de nossa literatura, leia a biografia dos nossos medalh\u00f5es, quase todos, com raras exce\u00e7\u00f5es, eram amadores, tinham empregos formais, escreviam nas horas vagas.<\/p>\n<p>A ideia de um &#8220;mercado liter\u00e1rio&#8221; n\u00e3o nos pertence. Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 americano, voc\u00ea n\u00e3o escreve em ingl\u00eas, voc\u00ea n\u00e3o publica contos na Esquire ou na New Yorker, voc\u00ea n\u00e3o ser\u00e1 contratado por uma grande editora para escrever best-sellers. Sua realidade \u00e9 outra, e voc\u00ea tem que trabalhar com ela, ou continuar\u00e1 quixotescamente enfrentando moinhos de vento.<\/p>\n<p>A motiva\u00e7\u00e3o do escritor nacional tem que vir de dentro do peito, da for\u00e7a da ra\u00e7a e da ambi\u00e7\u00e3o de vencer. Escritor brasileiro rema correnteza acima. Ou voc\u00ea aceita isso e se adequa, ou ficar\u00e1 chorando a falta de um apoio que ningu\u00e9m jamais recebeu.<\/p>\n<div id=\"attachment_3375\" style=\"width: 970px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-3375\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/student-849825_960_720.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"640\" class=\"size-full wp-image-3375\" srcset=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/student-849825_960_720.jpg 960w, http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/student-849825_960_720-120x80.jpg 120w, http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/student-849825_960_720-250x167.jpg 250w, http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/student-849825_960_720-768x512.jpg 768w, http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/student-849825_960_720-800x533.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><p id=\"caption-attachment-3375\" class=\"wp-caption-text\">Escritor no Escrit\u00f3rio praticando a Escrita para Escrever melhor.<\/p><\/div>\n<p>Projetos inacabados s\u00e3o falta de v\u00e1rias coisas, como amor ao que faz: &#8220;ai, s\u00f3 vou escrever mais se voc\u00eas me amarem. N\u00e3o digam que t\u00e1 ruim sen\u00e3o eu paro. Ai, isso d\u00f3i, gente.&#8221;<\/p>\n<p>Se voc\u00ea se prop\u00f5e a escrever <em>somente<\/em> se for elogiado a cada passo, o meu conselho \u00e9 que pare agora, e pare de uma vez para nunca mais come\u00e7ar de novo. Saia dessa ilus\u00e3o e v\u00e1 capinar lotes.<\/p>\n<p>A primeira coisa que o escritor precisa ter \u00e9 prazer no seu <em>hobby<\/em>. Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 obrigado a escrever, n\u00e3o \u00e9 escrevendo que voc\u00ea ganha o seu pr\u00f3ximo prato de comida. Voc\u00ea n\u00e3o ir\u00e1 preso se n\u00e3o escrever. Ent\u00e3o escrever \u00e9 uma escolha sua. Sup\u00f5e-se que voc\u00ea escolheu escrever, mesmo que n\u00e3o se lembre quando, porque ao escrever voc\u00ea experimenta algum tipo de sensa\u00e7\u00e3o positiva.<\/p>\n<p>&#8220;Ah, mas eu n\u00e3o escrevo por hobby, eu sou profissional.&#8221;<\/p>\n<p>N\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o \u00e9. Antes de ter contrato com editora e ganhar regularmente o m\u00ednimo bastante para o aluguel, o mercado, a farm\u00e1cia e a gasolina voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 mais que um amador.<\/p>\n<p>&#8220;Ah, eu posso n\u00e3o ser ainda, mas eu quero ser.&#8221;<\/p>\n<p>Se n\u00e3o mudar de atitude, nunca ser\u00e1. As pessoas escolhem carreiras por uma combina\u00e7\u00e3o de inclina\u00e7\u00e3o natural, prazer e perspectiva profissional. Se n\u00e3o sente nenhum prazer na escrita, por que deseja se tornar profissional nisso? Convenhamos, perspectiva profissional n\u00f3s dois estamos cansados de saber que essa carreira oferece somente para uns poucos. Considere a possibilidade de ca\u00e7ar outra carreira qualquer; capinando lotes, por exemplo; e seguir como amador. A \u00fanica coisa que tem a perder \u00e9 a emp\u00e1fia de se sentir superior por se dizer &#8220;profissional&#8221;, mas humildade constr\u00f3i o car\u00e1ter do ser humano. <em>Seje menas&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Outra coisa que leva a muitos projetos inacabados \u00e9 a ilus\u00e3o do talento. Quem se ilude achando que tem talento acha que incentivo \u00e9 algo que vem naturalmente. Ent\u00e3o espera achar uma editora que o contrate por um sal\u00e1rio de ator da Globo e com direito a entrevista na tev\u00ea. No m\u00ednimo, espera publicar livros e ganhar concursos, viajar o mundo, ter muitos amigos e amantes e dar aut\u00f3grafos. Voc\u00ea s\u00f3 pensa na literatura como meio de conseguir tais coisas, se elas n\u00e3o v\u00eam, voc\u00ea n\u00e3o se sente incentivado.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea sente prazer no que faz e n\u00e3o est\u00e1 preso a essa ilus\u00e3o de grandeza, sejamos sinceros, voc\u00ea n\u00e3o tem a quem culpar. N\u00e3o existe <strong>nenhum<\/strong> motivo pelo qual n\u00e3o conclui seus projetos liter\u00e1rios. Se fosse um escultor que dependesse de determinado tipo de m\u00e1rmore, poderia dizer que n\u00e3o esculpe por falta de mat\u00e9ria prima. Se fosse um pintor de quadros, poderia pintar menos por causa do pre\u00e7o da tela, da tina ou dos pinc\u00e9is. Se fosse um arquiteto, teria menos obras por falta de clientes dispostos a construir suas ideias.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o. Voc\u00ea \u00e9 um escritor, caramba! Qual \u00e9 a sua mat\u00e9ria prima? Ideias, ideias somente. Os escritores do passado ainda dependiam de meios f\u00edsicos que tinham um custo (pergaminho, papiro, cadernos, estilos, penas, canetas). Mas voc\u00ea n\u00e3o. Voc\u00ea vive na era da inform\u00e1tica e escreve sobre a tela virtual de um computador. Considerando que voc\u00ea est\u00e1 aqui me lendo, isto significa que voc\u00ea <em>j\u00e1 fez esse investimento<\/em>.<\/p>\n<p>O computador elimina todo custo adicional do ato de escrever. At\u00e9 mesmo servi\u00e7os virtuais para armazenar seu texto voc\u00ea pode ter, como o Google Drive e o Dropbox. Voc\u00ea sequer precisa de um software espec\u00edfico, ao contr\u00e1rio dos arquitetos e engenheiros, que t\u00eam de comprar AutoCad por um pre\u00e7o de milhares de golpinhos. Para voc\u00ea, qualquer programa de edi\u00e7\u00e3o de textos serve, at\u00e9 o Bloco de Notas.<\/p>\n<p>Com o computador e acesso \u00e0 internet para fazer as pesquisas, voc\u00ea n\u00e3o precisa de uma biblioteca de volumes arcanos em latim, b\u00falgaro, alem\u00e3o ou franc\u00eas. Voc\u00ea n\u00e3o precisa de dicion\u00e1rios de chin\u00eas-hebraico ou holand\u00eas-russo. N\u00e3o precisa do sangue de meninas virgens para sacrificar a Shub-Niggurath quando os astros estiverem corretos.<\/p>\n<p>N\u00e3o, caramba! a \u00fanica coisa de que voc\u00ea precisa \u00e9 sentar na frente do computador e escrever o que quer escrever. N\u00e3o h\u00e1 nenhum custo de mat\u00e9ria prima limitando sua produ\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 nenhum cliente cujo gosto condiciona sua cria\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 nenhum mecanismo invis\u00edvel de bloqueio. Voc\u00ea \u00e9 livre diante da tela.<\/p>\n<p>Talvez por isso a s\u00edndrome da p\u00e1gina em branco.<\/p>\n<p>A p\u00e1gina em branco est\u00e1 ali a acus\u00e1-lo: &#8220;nada o impede de escrever, a n\u00e3o ser voc\u00ea mesmo.&#8221; Como a esfinge ela exige: &#8220;Decifra-me ou te devoro.&#8221;<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 desculpas. N\u00e3o \u00e9 por falta de incentivo, de dinheiro ou de tempo. Voc\u00ea n\u00e3o conclui seus projetos porque n\u00e3o quer, porque n\u00e3o sabe ou porque est\u00e1 perdido.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o quer<\/strong>, porque voc\u00ea n\u00e3o liga de verdade para a literatura, \u00e9 s\u00f3 uma modinha. Daqui a dois anos voc\u00ea estar\u00e1 ligado em mang\u00e1s ou em maquiagem de defuntos. Como \u00e9 s\u00f3 uma modinha, voc\u00ea n\u00e3o se dedica realmente. Voc\u00ea chega tarde do trabalho e prefere jogar <em>on line<\/em> ou ir paquerar. Escrever fica l\u00e1 embaixo na sua lista de prioridades.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o sabe<\/strong>, porque n\u00e3o est\u00e1 seguindo os passos naturais que todo mundo recomendou, mas voc\u00ea n\u00e3o seguiu porque se acha um g\u00eanio que n\u00e3o precisa come\u00e7ar praticando os g\u00eaneros &#8220;menores&#8221;, como a cr\u00f4nica e o conto. G\u00eanios j\u00e1 come\u00e7am escrevendo um rival para o Senhor dos An\u00e9is ou desbancando o contrato de George R. R. Martin.<\/p>\n<p><strong>Est\u00e1 perdido<\/strong>, porque voc\u00ea tem uma vis\u00e3o rom\u00e2ntica da literatura, que seria um quarto bagun\u00e7ado onde voc\u00ea pode expressar sua alma e nenhuma m\u00e3e mandar\u00e1 arrumar. Ent\u00e3o voc\u00ea se recusa a admitir que para fazer alguma coisa em literatura, por mais que seja algo &#8220;nascido da alma&#8221;, \u00e9 preciso algum sistema, precisa organiza\u00e7\u00e3o, precisa de trabalho.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode continuar lamentando, mimimimimi, ou achando desculpas. Haver\u00e1 sempre muita gente para dar <em>likes<\/em> nas suas reclama\u00e7\u00f5es. Muitas dessas pessoas s\u00e3o outros perdidos, que logo abandonar\u00e3o o barco da literatura sem ter produzido nada de leg\u00edvel. Reclamar atrai simpatia, mas n\u00e3o produz resultados.<\/p>\n<p>A menos que voc\u00ea esteja conformado com o lento esvaziar de sua motiva\u00e7\u00e3o, por falta de algu\u00e9m que periodicamente venha com uma bomba de &#8220;apoio&#8221; comprimido para calibrar sua for\u00e7a de vontade, voc\u00ea tem que mudar de atitude.<\/p>\n<p>O fato de voc\u00ea n\u00e3o estar terminando seus projetos \u00e9 um sintoma. A doen\u00e7a \u00e9 a falta de m\u00e9todo. Algum m\u00e9todo. N\u00e3o precisa ser o meu e nem o daquele carinha que cagou lindas regras dia desses. Algum m\u00e9todo. N\u00e3o se monta um mecanismo atirando as pe\u00e7as aleatoriamente. Uma obra liter\u00e1ria \u00e9 um produto, e todo produto \u00e9 fruto de um processo. An\u00e1rquico que seja, mas h\u00e1 um processo.<\/p>\n<p>A cura para essa doen\u00e7a voc\u00ea aprende em um samba. &#8220;Levanta, sacode a poeira e d\u00e1 a volta por cima.&#8221; Primeiro pare o que est\u00e1 fazendo, porque est\u00e1 errado. Se estivesse certo voc\u00ea estaria terminando seus projetos. Ent\u00e3o n\u00e3o retruque. Se voc\u00ea estivesse terminando seus projetos voc\u00ea nem teria lido at\u00e9 aqui, ent\u00e3o n\u00e3o estaria retrucando.<\/p>\n<p>Parou? Agora olhe em volta, aprenda sobre seu pa\u00eds, seu lugar no mundo, sua cultura e suas limita\u00e7\u00f5es (geogr\u00e1ficas, pol\u00edticas, econ\u00f4micas e culturais). N\u00e3o \u00e9 para lamentar, \u00e9 para mapear seu caminho. Voc\u00ea n\u00e3o venda os olhos e anda em linha reta pelas ruas de uma cidade desconhecida. A menos que queira suicidar-se. Sabendo sua inser\u00e7\u00e3o no mundo, comece a pensar em achar seu nicho, seu lugar, o rego d&#8217;\u00e1gua atrav\u00e9s do qual voc\u00ea sair\u00e1 do brejo e chegar\u00e1 ao rio.<\/p>\n<p>Esse processo envolve ler bastante. Se voc\u00ea tivesse lido o suficiente (e lido os livros certos) voc\u00ea j\u00e1 teria atingido o n\u00edvel de compreens\u00e3o necess\u00e1rio para orientar-se, voc\u00ea j\u00e1 estaria com uma atitude diferente, e estaria terminando as suas obras. N\u00e3o que haja algum mal em ter lido os livros errados. Livros errados tamb\u00e9m s\u00e3o bons. S\u00f3 que voc\u00ea tamb\u00e9m precisa ler os certos, os \u00fateis, os que te orientam. Todo bom escritor \u00e9 um leitor on\u00edvoro. Ler de tudo significa aprender muitas coisas, ter muitos lugares de onde tirar ideias.<\/p>\n<p>Resumindo tudo que est\u00e1 dito nos par\u00e1grafos anteriores: \u00e9 hora de parar um pouco de dar murro em ponta de faca e come\u00e7ar a levar a literatura a s\u00e9rio. \u00c9 hora de crescer. \u00c9 hora de parar de pensar como adolescente autor de <em>fan-fic<\/em> e come\u00e7ar a se imaginar como algu\u00e9m que provavelmente viver\u00e1 uma longa vida a escrever, <em>mesmo que n\u00e3o consiga logo o reconhecimento, mesmo que ele nunca venha<\/em>. Porque, afinal, voc\u00ea n\u00e3o escreve para ganhar pr\u00eamios, para ter amantes ou para se tornar milion\u00e1rio. Voc\u00ea escreve porque gosta, escolheu escrever porque isto o satisfaz<\/p>\n<p>Levar literatura a s\u00e9rio n\u00e3o \u00e9 &#8220;profissionalizar-se&#8221;. A maioria dos profissionais faz sua atividade sem alma alguma, s\u00f3 pelo dinheiro. \u00c9 ao dinheiro que eles levam a s\u00e9rio, n\u00e3o a atividade. Levar literatura a s\u00e9rio \u00e9 tomar p\u00e9 de seu lugar no mundo, come\u00e7ar a ler ativamente, ter boa cultura liter\u00e1ria, buscar escrever bem e escolher boas leituras (em vez daqueles artigos que ensinam os &#8220;atalhos&#8221; e as &#8220;dicas&#8221; para ir do ponto A ao ponto Y sem passar sequer pelo ponto B). Come\u00e7a por evoluir sua escrita gradualmente, pois voc\u00ea n\u00e3o nasceu g\u00eanio (ou j\u00e1 teria, a essa altura, produzido algo digno de um Byron, um Rimbaud ou um Radiguet, em vez dessas poesias toscas e desses romances inacabados que nem voc\u00ea tem paci\u00eancia para ler a fim de revisar). E termina por admitir que escrever \u00e9 uma atividade que, embora n\u00e3o se resuma a encaixar pe\u00e7as e apertar parafusos, exige m\u00e9todo e processo, assim como qualquer outra.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nenhuma quantidade de mimimimi em todo o universo que mude o fato de que voc\u00ea n\u00e3o avan\u00e7a com seus projetos simplesmente porque n\u00e3o quer, n\u00e3o sabe ou est\u00e1 perdido. Voc\u00ea s\u00f3 sai desse brejo se mudar de atitude. Voc\u00ea est\u00e1 l\u00e1 atolado e as pessoas passam e lhe atiram flores ou dizem &#8220;coitado&#8221;. Quem voc\u00ea prefere? Estes &#8220;incentivos&#8221; ou as pessoas que lhe mandam andar em determinada dire\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes atirando uma corda para ajudar? Voc\u00ea quer que se compade\u00e7am e que simpatizem com voc\u00ea, ou quer sair do brejo?<\/p>\n<p>Voc\u00ea me odeia agora, mas se seguir a escrever, e o fizer do jeito certo, quando chegar aos quarenta ou cinquenta voc\u00ea se lembrar\u00e1 deste texto, eu provavelmente j\u00e1 estarei morto, e ent\u00e3o voc\u00ea me amar\u00e1.<\/p>\n<p>Boa noite.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quem diga que muitos projetos liter\u00e1rios ficam inacabados porque falta incentivo. Discordo frontalmente. Incentivo jamais existiu, pelo menos n\u00e3o no Brasil. Olhe em torno, conte quantos autores nacionais se tornaram profissionais, vivem efetivamente de literatura. Olhe para tr\u00e1s, conte-os no passado de nossa literatura, leia a biografia dos nossos medalh\u00f5es, quase todos, com raras exce\u00e7\u00f5es, eram amadores, tinham empregos formais, escreviam nas horas vagas. A ideia de um &#8220;mercado liter\u00e1rio&#8221; n\u00e3o nos pertence. 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