{"id":34,"date":"2013-05-24T22:12:00","date_gmt":"2013-05-25T01:12:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=34"},"modified":"2017-08-13T01:20:38","modified_gmt":"2017-08-13T04:20:38","slug":"traducao-abandonados-em-andromeda-6","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2013\/05\/traducao-abandonados-em-andromeda-6\/","title":{"rendered":"[Tradu\u00e7\u00e3o] Abandonados em Andr\u00f4meda [6]"},"content":{"rendered":"<p>> [Original de Clark Ashton-Smith](http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/2013\/05\/traducao-abandonados-em-andromeda-clark-ashton-smith)<\/p>\n<p>A borda n\u00e3o estava tomada pelos pigmeus e o monstro lagarto tinha avan\u00e7ado at\u00e9 que os tr\u00eas homens n\u00e3o tinham mais espa\u00e7o do que o suficiente para ficarem de p\u00e9 na beira do precip\u00edcio, sobre um arco em lua crescente formado por seu corpo.<\/p>\n<p>A cerim\u00f4nia executada pelos pigmeus chegou ao fim, suas genuflex\u00f5es e cantorias cessaram e todos voltaram seus olhos para os amotinados em uma contempla\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea e atenta. Os quatro que montavam a criatura lagarto exprimiram em un\u00edssono uma simples palavra de comando:<\/p>\n<p>\u2014 Ptrahsai!<\/p>\n<p>O monstro abriu sua bocarra e avan\u00e7ou com a mand\u00edbula pendente. Seus horrendos dentes eram uma grade em movimento, seu h\u00e1lito um vento fedido. N\u00e3o havia tempo para o terror e nenhuma chance de resistir: os homens cambalearam e escorregaram na borda estreita e ca\u00edram simultaneamente no vazio. Na queda, Roverton agarrou automaticamente o mais pr\u00f3ximo dos pigmeus, segurou a criatura pela sua tromba e a trouxe consigo enquanto ca\u00eda pelo ar. Ele e os companheiros mergulharam na lagoa levantando muita \u00e1gua e afundaram at\u00e9 bem abaixo da superf\u00edcie. Com uma coordenada presen\u00e7a de esp\u00edrito eles todos se aproximaram o mais perto que puderam da parede da caverna e come\u00e7aram a procurar onde se apoiar. Roverton n\u00e3o soltara seu pigmeu. A criatura ganiu ferozmente quando sua cabe\u00e7a surgiu acima da \u00e1gua e tentou arranh\u00e1-lo com suas longas unhas dos p\u00e9s.<\/p>\n<p>O precip\u00edcio era liso e \u00edngreme a partir da beira d\u2019\u00e1gua, sem nenhuma reentr\u00e2ncia vis\u00edvel. Os homens nadaram desesperadamente em volta, buscando uma abertura ou uma beirada. A coisa com bocas e olhos come\u00e7ara a se mover em sua dire\u00e7\u00e3o e eles se sentiam nauseados de terror e repulsa ao verem-na flutuar fosforescente. Havia uma delibera\u00e7\u00e3o maldita, uma vagarosidade apavorante em seu movimento, como se soubesse que n\u00e3o havia por onde suas v\u00edtimas pudessem fugir ao arreganhamento el\u00e1stico daquelas cinco abomin\u00e1veis bocas. Ela se aproximou, at\u00e9 que a parede da caverna junto aos nadadores ficou brilhante com refulg\u00eancia vil da cabe\u00e7a pendente. Eles podiam ver abaixo e al\u00e9m da cabe\u00e7a o brilho distorcido de um longo e amorfo corpo submerso nos abismos negros da lagoa.<\/p>\n<p>Roverton era o que estava mais perto do monstro quando ele se aproximou. Seus olhos malignamente arregalados estavam totalmente voltados para ele e sua boca mais protuberante se abria mais largamente e babava uma gosma execr\u00e1vel. Logo ela estava ao seu lado e ele podia sentir a inexprim\u00edvel corrup\u00e7\u00e3o de seu h\u00e1lito. Foi empurrado para a parede da caverna e, conseguindo se estabilizar por um momento, empurrou o pigmeu em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 boca que se aproximava. O pigmeu berrou e lutou em um estado fren\u00e9tico de medo at\u00e9 que os horr\u00edveis l\u00e1bios babosos se fechassem sobre ele. O monstro pausou, como se seu apetite e sua curiosidade se tivessem aplacado por ora e os tr\u00eas homens tiraram vantagem disso para continuar sua explora\u00e7\u00e3o da parede.<\/p>\n<p>Subitamente eles perceberam uma abertura baixa no rochedo liso, de onde as \u00e1guas flu\u00edam com um borbulhar silencioso. A abertura era estreita e seu teto deveria estar bem menos de meio metro acima da superf\u00edcie. Ela poderia ou n\u00e3o oferecer uma fuga da lagoa, mas n\u00e3o fora poss\u00edvel detectar outra sa\u00edda. Sem hesita\u00e7\u00e3o Adams nadou para dentro da abertura e os outros o seguiram.<\/p>\n<p>As \u00e1guas abaixo ainda eram profundas e eles n\u00e3o tocaram o fundo em lugar algum. As paredes da caverna menor eram luminosas no come\u00e7o, mas a luminosidade logo cessou e ficaram em absoluta escurid\u00e3o. Nadando em frente, n\u00e3o podiam mais sequer avaliar a altura da bolsa de ar acima. Nunca, por\u00e9m, se sentiram compelidos a mergulhar sob a superf\u00edcie e logo descobriram que a caverna se alargara o bastante para permitir que nadassem lado a lado. Tamb\u00e9m perceberam que tinham sido tomados pelo fluxo de uma torrente que se intensificava e que os levava a uma velocidade consider\u00e1vel. Como n\u00e3o havia sinal de persegui\u00e7\u00e3o pelo monstro da lagoa, os homens come\u00e7aram a sentir um leve reavivamento da esperan\u00e7a. Claro que a corrente poderia carreg\u00e1-los para as entranhas daquele terr\u00edvel muito trans-estelar ou poderia atir\u00e1-los a qualquer momento em um abismo medonho, ou o teto poderia abaixar e amass\u00e1-los sob a for\u00e7a das f\u00e9tidas \u00e1guas. Mas mesmo assim eles sentiam que havia uma chance de emergirem ao final, e quase qualquer coisa seria melhor do que a proximidade do monstro luminoso de h\u00e1lito mef\u00edtico e numerosos olhos e bocas. Provavelmente a caverna em que nadavam ent\u00e3o era estreita demais para permitir a entrada de sua massa nojenta.<\/p>\n<p>Por quanto tempo flutuaram na acelerada corrente, era imposs\u00edvel que soubessem. Tudo que podiam saber era que n\u00e3o havia mudan\u00e7a em sua situa\u00e7\u00e3o, nem podiam estimar o quanto haviam penetrado naquele mundo subterr\u00e2neo. A escurid\u00e3o pesava sobre eles, parecendo n\u00e3o ser menos opaca e densa que a \u00e1gua e as paredes da caverna. Eles se resignaram com a progress\u00e3o no escuro da corrente, economizando suas for\u00e7as o quanto podiam, para qualquer emerg\u00eancia futura que pudesse aparecer.<\/p>\n<p>Por fim, quando parecia que estavam irreparavelmente perdidos nas s\u00f3lidas trevas abissais, quando seus olhos j\u00e1 haviam esquecido a pr\u00f3pria lembran\u00e7a da luz, a escurid\u00e3o diante deles foi penetrada por um pontinho de luz. A luz cresceu devagar, irregularmente, mas por um momento tiveram d\u00favida de sua natureza, sem saber se estavam se aproximando de outra c\u00e2mara fosforescente ou da verdadeira luz do dia. Mesmo assim eles ficaram gratos por seu ralo brilho. A corrente se tornara ainda mais veloz e agitada, com trechos de corredeiras entre rochas pelos quais a descida era impetuosa e arriscada. Mais de uma vez foram quase jogados contra as escuras e \u00e1speras massas que se erguiam em torno de si.<\/p>\n<p>De repente a corrente se acalmou e as corredeiras fervilhantes morreram em uma lagoa ampla sobre a qual a altura de um domo de caverna era discern\u00edvel. A luz se derramava em um jorro de radi\u00e2ncia p\u00e1lida atrav\u00e9s da lagoa, vinda de onde evidentemente estava a boca da caverna, e al\u00e9m desta uma larga l\u00e2mina de \u00e1gua iluminada pelo sol se estendia e se perdia na dist\u00e2ncia luminosa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A borda n\u00e3o estava tomada pelos pigmeus e o monstro lagarto tinha avan\u00e7ado at\u00e9 que os tr\u00eas homens n\u00e3o tinham mais espa\u00e7o do que o suficiente para ficarem de p\u00e9 na beira do precip\u00edcio, sobre um arco em lua crescente formado por seu corpo. A cerim\u00f4nia executada pelos pigmeus chegou ao fim, suas genuflex\u00f5es e cantorias cessaram e todos voltaram seus olhos para os amotinados em uma contempla\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea e atenta. 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