{"id":3519,"date":"2017-03-26T21:41:54","date_gmt":"2017-03-27T00:41:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=3519"},"modified":"2017-11-02T14:07:55","modified_gmt":"2017-11-02T17:07:55","slug":"os-seis-arrogantes-literarios","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2017\/03\/os-seis-arrogantes-literarios\/","title":{"rendered":"Os Seis Arrogantes Liter\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/FreeGreatPicture.com-51675-man-in-suit-local-feature.redimensionado-300x162.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"162\" class=\"alignleft size-medium wp-image-3523\" \/><\/p>\n<div class=\"epigraph\" style=\"margin: 0!important; padding: 0!important\">\n<p>Esta postagem \u00e9 baseada em um <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/groups\/479555538752179\/permalink\/1470490586325331\">t\u00f3pico<\/a> criado por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/daniel.gruber.338\">Daniel Gruber<\/a> na comunidade <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/groups\/479555538752179\">Escritores Ajudando Outros Escritores<\/a>, no Facebook. N\u00e3o \u00e9 recomend\u00e1vel a leitura se voc\u00ea for do tipo suscet\u00edvel.<\/p>\n<\/div>\n<p>Existem seis tipos de personalidades arrogantes que n\u00e3o entendem como funciona a literatura e o mercado liter\u00e1rio. Estas pessoas ajudam a difundir ideias ultrapassadas, ideologias nocivas e comportamentos est\u00fapidos. Estes s\u00e3o os seis tipos (os quatro primeiros citados pelo Daniel Gruber, o quinto por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/daniel.dutra.54\">Daniel Iturvides Dutra<\/a> e o sexto por mim):<\/p>\n<ol>\n<li>O primeiro arrogante <strong>acha que n\u00e3o se pode ensinar a escrever<\/strong>, e gasta boa parte do seu tempo criticando as oficinas liter\u00e1rias;<\/li>\n<li>O segundo arrogante est\u00e1 tentando publicar seu livro, mas <strong>declara sem pudor nenhum que n\u00e3o costumar ler literatura brasileira contempor\u00e2nea<\/strong>, ou seja, tenta enfiar goela abaixo dos outros algo em que ele simplesmente n\u00e3o acredita;<\/li>\n<li>O terceiro arrogante <strong>critica o realismo e as formas tradicionais da literatura, enquanto tenta criar conceitos est\u00e9ticos inovadores<\/strong> que, em geral, se resumem a uma literatura confessional falando sobre sua pr\u00f3pria atividade como pretenso escritor;<\/li>\n<li>O quarto arrogante <strong>n\u00e3o consome literatura<\/strong>, s\u00f3 pega livro em biblioteca, em sebo, ou de gra\u00e7a na internet, e acha um absurdo que as editoras n\u00e3o queiram investir em sua obra;<\/li>\n<li>O quinto arrogante <strong>n\u00e3o se importa com a qualidade e se associa com editoras que s\u00f3 pensam no lucro<\/strong>, em geral tornando-se v\u00edtima delas;<\/li>\n<li>O sexto arrogante <strong>acredita que a literatura \u00e9 uma f\u00f3rmula<\/strong> e est\u00e1 ansioso por aprender os &#8220;macetes&#8221; para desbloquear o pr\u00f3ximo &#8220;chef\u00e3o de fase&#8221;.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Agora analisemos os seis tipos de arrogantes:<\/p>\n<p><strong>O arrogante que acha que n\u00e3o se pode ensinar a escrever<\/strong> \u00e9 uma v\u00edtima de um sistema que desvaloriza a cultura e a literatura, ao mesmo tempo em que atribui ao autor um papel meio religioso.<\/p>\n<p>A ideia da &#8220;inspira\u00e7\u00e3o&#8221; surgiu no tempo do romantismo, e nunca sumiu de todo. Ela n\u00e3o some porque a escola n\u00e3o oferece ao aluno meios de se tornar plenamente alfabetizado. Se ele s\u00f3 consegue se expressar com muita dificuldade, \u00e9 natural que veja a capacidade de se expressar com facilidade como algo m\u00e1gico. Ent\u00e3o ele ajuda a perpetuar esse estere\u00f3tipo, que vai contaminar quem tenta escrever. Esse arrogante critica as oficinas liter\u00e1rias porque elas s\u00e3o incompat\u00edveis com sua vis\u00e3o rom\u00e2ntica do mundo.<\/p>\n<p>Esse arrogante, no fundo, quer ser reconhecido como um ser especial pelo mero fato de escrever, porque n\u00e3o pode conceber que isso seja comum ou normal &#8212; ele foi ensinado a ver a escrita como algo excepcional.<\/p>\n<p><strong>O arrogante que n\u00e3o l\u00ea literatura brasileira<\/strong> \u00e9 menos v\u00edtima, mas tamb\u00e9m o \u00e9, um pouquinho.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 v\u00edtima porque vivemos sob uma cultura massificada brutalmente, na qual nos socam pela boca abaixo a cada cinco minutos algum produto enlatado da cultura americana. Mais do que nos enfiarem enlatados a for\u00e7a, em um verdadeiro estupro cultural, a sociedade contribui para refor\u00e7ar isso, porque somos cobrados o tempo todo para estarmos em dia com a \u00faltima s\u00e9rie, com o \u00faltimo best-seller ou com o \u00faltimo filme. Nesse sentido, a triunfante cultura dominante parece ser o \u00fanico modelo a seguir (tanto assim que voc\u00ea mesmo come\u00e7a sua postagem usando a literatura dos EUA, a metr\u00f3pole colonial do mundo de hoje, como modelo, veja que ir\u00f4nico).<\/p>\n<p>Mas ele \u00e9 menos v\u00edtima porque ao longo de sua vida ele ter\u00e1 muitas oportunidades de refletir sobre esse processo de amestragem cultural ao qual somos submetidos e reagir. A maioria das pessoas jamais em toda a sua vida gastou um minuto para ter qualquer d\u00favida sobre sua inser\u00e7\u00e3o no mundo. Em geral o ser humano \u00e9 um robozinho social e culturalmente constru\u00eddo, que segue ritmos di\u00e1rios e pensa conforme a m\u00eddia manda. Aqui no Brasil, por exemplo, a m\u00eddia conseguiu construir um consenso de que fazer o que \u00e9 bom para a maioria \u00e9 ruim para todos; e em nome disso o povo foi \u00e0 rua pedir a queda de um regime popular, para permitir a instala\u00e7\u00e3o de um governo que est\u00e1 acabando com direitos do povo. \u00c9 preciso uma carga cavalar de ideologia para levar algu\u00e9m do povo a defender o fim de seus direitos. Funciona porque as pessoas s\u00e3o acomodadas com as formas acess\u00edveis de \u201ccultura\u201d (televis\u00e3o, cinema, m\u00fasica, redes sociais) e n\u00e3o tentam desconstruir-se.<\/p>\n<p>Ainda falando do segundo arrogante, ele n\u00e3o est\u00e1 tentando impingir ao mundo algo em que ele n\u00e3o cr\u00ea, ele realmente n\u00e3o cr\u00ea que seja brasileiro. Por que motivo um jovem tupiniquim <strong>sempre<\/strong> ambientar\u00e1 suas hist\u00f3rias em Londres, Nova York ou Los Angeles? Por que ele se v\u00ea como um expatriado da metr\u00f3pole anglo-sax\u00f4nica! Ele n\u00e3o quer fazer literatura brasileira, ele quer dar um jeito de ser aceito pela nave-m\u00e3e. S\u00f3 escreve em portugu\u00eas porque n\u00e3o \u00e9 fluente em ingl\u00eas, mas os que s\u00e3o frequentemente migram para o outro idioma. A literatura brasileira \u00e9, para essa gente, pouco mais do que um estorvo e um azar.<\/p>\n<p><strong>O arrogante que critica as formas tradicionais enquanto tenta descobrir uma nova f\u00f3rmula<\/strong> \u00e9, tamb\u00e9m, uma v\u00edtima. V\u00edtima de um sistema educacional que, nas palavras de Darcy Ribeiro, n\u00e3o \u00e9 uma falha, \u00e9 um des\u00edgnio.<\/p>\n<p>Nossas escolas, na maioria, s\u00e3o creches melhoradas. A ideia \u00e9 deixar o aluno ali durante o dia, enquanto as m\u00e3es trabalham. As aulas s\u00e3o um passatempo e o aprendizado, um acidente que se tenta evitar. N\u00fameros oficiais do MEC d\u00e3o conta de que mais de 60% da popula\u00e7\u00e3o brasileira adulta possui dom\u00ednio insuficiente da l\u00edngua escrita. Se considerarmos que somente 18% da popula\u00e7\u00e3o brasileira adulta j\u00e1 leu NA VIDA outro livro que n\u00e3o a B\u00edblia, chegamos \u00e0 conclus\u00e3o de que outros 22% provavelmente perderam ou est\u00e3o perdendo o dom\u00ednio que um dia tiveram. Se ainda considerarmos que esses 18% que j\u00e1 leram outro livro al\u00e9m da B\u00edblia n\u00e3o s\u00e3o formados por pessoas que leram dezenas ou centenas, podemos concluir, com folga, que a percentagem de brasileiros que tem algum h\u00e1bito de leitura deve ficar abaixo de 10%. Natural, portanto, que esses jovens ignorem muita coisa. Al\u00e9m do que a escola mal lhes ensinou, eles n\u00e3o aprenderam muita coisa porque a leitura n\u00e3o faz parte de sua realidade.<\/p>\n<p>Ainda falando do terceiro arrogante, a cultura de massas do Brasil se caracteriza por ser extremamente ignorante e por ter um absurdo preconceito contra a cultura. Pessoas de \u00f3culos s\u00e3o hostilizadas, o termo &#8220;professor&#8221; \u00e9 usado como xingamento para quem aparenta saber algo que pouca gente sabe, a leitura de livros \u00e9 vista como uma atividade &#8220;esquisita&#8221; e muitos de n\u00f3s ouvimos os mais velhos nos dizerem que dev\u00edamos moderar a leitura e os estudos porque &#8220;isso n\u00e3o \u00e9 bom para a cabe\u00e7a&#8221;. Somemos a isso o culto do <em>self-made man<\/em>, que \u00e9 ainda mais forte entre n\u00f3s do que entre os ianques, e temos o que eu certa vez chamei de &#8220;<a href=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2010\/06\/o-sabio-louco-e-o-ignorante-vigoroso\">mito do s\u00e1bio louco e do ignorante vigoroso<\/a>&#8220;, que \u00e9 uma das funda\u00e7\u00f5es da identidade nacional.<\/p>\n<p>Ainda falando do terceiro arrogante. Imerso nesse caldo de cultura, \u00e9 muito natural que ele despreze o conhecimento existente, ao mesmo tempo em que sonha descobrir algo novo. Ele se sente empoderado para isso porque, na vis\u00e3o da cultura de massas do Brasil, a ignor\u00e2ncia \u00e9 uma forma de pureza, que nos aproxima de Deus, e, portanto, \u00e9 um &#8220;superpoder&#8221; que os letrados perderam.<\/p>\n<p>Isso, claro, vai muito em sintonia com o narcisismo, que \u00e9 um defeito de nossa cultura, que vem se tornando cada vez mais individualista e irracional nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Narciso n\u00e3o ama nada al\u00e9m do espelho, como lembrou o Caetano Veloso em uma de suas geniais letras. A literatura confessional afaga o narciso. Mais do que inventar uma nova literatura (meta narcisista) ele deseja que a sua literatura, que fala sobre si, seja aceita pelo mercado, porque, no fundo, o que ele quer \u00e9 que ele mesmo seja aceito como \u00e9, sem necessidade de aprimorar-se. Nada \u00e9 mais confort\u00e1vel \u00e0 mente do ignorante do que a ideia de que o conhecimento \u00e9 absurdo, portanto n\u00e3o vale a pena ser buscado. Talvez somente uma coisa supere esse conforto: a ideia de que, enquanto ignorante, ele possui j\u00e1 o conhecimento de que precisa.<\/p>\n<p>Lembre disso ao ler essas mat\u00e9rias sensacionalistas dizendo que um inventor do interior construiu um motor movido a \u00e1gua ou que uma cabeleireira de favela est\u00e1 rejuvenescendo clientes usando uma receita caseira. Essa mat\u00e9rias apelam ao narciso interior do brasileiro. Assim como o mito do &#8220;empreendedorismo&#8221; (voc\u00ea pode se tornar um empres\u00e1rio bem-sucedido), o &#8220;televangelismo&#8221; (compre Deus em suaves presta\u00e7\u00f5es mensais ou fazemos com desconto, \u00e0 vista, se voc\u00ea doar tudo o que tem) e outras ideologias narcisistas.<\/p>\n<p>Finalmente, o terceiro arrogante, por estar imerso no fasc\u00ednio pelo pr\u00f3prio umbigo, n\u00e3o deseja contemplar o outro. Principalmente n\u00e3o deseja contemplar um outro que se pare\u00e7a consigo. Ele olha em volta e v\u00ea dezenas de jovens como ele, morenos. Ent\u00e3o idealiza um personagem elfo louro e uma hero\u00edna platinada como uma islandesa, ou se refugia num m\u00edtico Jap\u00e3o medieval. Ele n\u00e3o faz isso porque odeia a literatura brasileira (ele a ignora), ele faz isso porque enquanto escreve ele se imagina e se sente como algu\u00e9m diferente de todos os outros com quem convive. N\u00e3o \u00e9 arrog\u00e2ncia, \u00e9 car\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>O arrogante que n\u00e3o consome literatura<\/strong> \u00e9 consequ\u00eancia dos outros tr\u00eas, e n\u00e3o h\u00e1 muito o que comentar. Ele n\u00e3o l\u00ea literatura nacional porque encontrar\u00e1 nela personagens que s\u00e3o como ele \u00e9 fisicamente, mas ele rejeita o corpo e a cultura em que nasceu. N\u00e3o l\u00ea literatura nacional imitadora da estrangeira porque prefere o produto leg\u00edtimo, n\u00e3o a imita\u00e7\u00e3o barata.<\/p>\n<p>Faz parte do status que o narcisista busca: ele quer produtos de marca e de grife para se envolver neles e se valorizar, porque ele considera que ele mesmo, corpo, alma e identidade cultural, n\u00e3o tem valor intr\u00ednseco. Por n\u00e3o se ver no espelho como algu\u00e9m valioso, ele almeja um bon\u00e9, um camiseta, um t\u00eanis&#8212;e um livro. N\u00e3o \u00e9 por acaso que o brasileiro exija livros &#8220;de primeira qualidade&#8221; (essa \u00e9 a frase que todas as editoras picaretas usam, e tamb\u00e9m algumas que n\u00e3o s\u00e3o). O Brasil \u00e9 o pa\u00eds onde o arroz \u00e9 sempre Tipo 1, a dona de casa pede para moer carne de primeira para p\u00f4r no molho do macarr\u00e3o e todo livro tem acabamento &#8220;de primeira qualidade&#8221;.<\/p>\n<p><strong>O arrogante que se associa a editoras do tipo paga-e-publica<\/strong> \u00e9 algu\u00e9m que, estando sob o dom\u00ednio de todas as for\u00e7as que moldam essas arrog\u00e2ncias anteriores, n\u00e3o consegue conformar-se com a indiferen\u00e7a do mundo face ao seu talento. O problema \u00e9 que o Brasil, por ser um pa\u00eds de cultura capitalista (ainda que embrion\u00e1ria) focada em privil\u00e9gios de classe, n\u00e3o ser aceito n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o. Especialmente se voc\u00ea pode pagar. H\u00e1 d\u00e9cadas que gente poderosa escreve livros para ornar seus curr\u00edculos (Jos\u00e9 Sarney e Michel Temer, por exemplo) e os publica por editoras que aceitem publicar essas obras, mesmo elas n\u00e3o tendo mercado. O poder e o dinheiro, quando n\u00e3o abrem portas, arrombam-nas. Ent\u00e3o, se algu\u00e9m tem dinheiro e uma ambi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, \u00e9 praticamente certo que pagar\u00e1 para publicar. N\u00e3o tendo dinheiro suficiente para pagar pelo produto de primeira qualidade (bem revisado, bem diagramado e bem editado, feito por uma editora de nome tradicional), aceitar\u00e1 o produto de terceira desde que travestido de primeira.<\/p>\n<p>Este talvez seja, de fato, o primeiro tipo entre os seis que mere\u00e7a ser chamado de arrogante.<\/p>\n<p><strong>O arrogante que cr\u00ea na literatura como uma f\u00f3rmula<\/strong> \u00e9 ao mesmo tempo uma v\u00edtima e um algoz. Ele \u00e9 v\u00edtima porque esta preso a uma concep\u00e7\u00e3o de literatura como servid\u00e3o, como maquinismo. Ele n\u00e3o o percebe, mas sua postura de que &#8220;tudo j\u00e1 foi escrito&#8221; ou de que &#8220;n\u00e3o me critiquem por ser pouco original porque a originalidade n\u00e3o existe&#8221; acaba por servir \u00e0 deprecia\u00e7\u00e3o do papel do autor (quem leu &#8220;1984&#8221; sabe do que eu estou falando, e quem n\u00e3o leu deveria ter a dec\u00eancia de ler antes de defender ardorosamente esse posicionamento). \u00c9 um arrogante que est\u00e1 atirando nos pr\u00f3prios p\u00e9s e zombando dos que tentam atirar em alvos.<\/p>\n<p>Mas ele \u00e9 tamb\u00e9m algoz porque, tendo se tornado maioria, ele ajuda a disseminar essa ideia cancer\u00edgena de que os autores devem abandonar toda ambi\u00e7\u00e3o e refestelar-se na f\u00f3rmula e na imita\u00e7\u00e3o. Aqui, sim, ele se torna arrogante, porque coloca a pr\u00f3pria falta de ambi\u00e7\u00e3o como uma r\u00e9gua pela qual medir os outros. Como o lend\u00e1rio Procusto, ele se prop\u00f5e a cortar dos outros aquilo que eles t\u00eam (ou acham ter) maior do que ele. Esse \u00e9 o pior dos arrogantes, porque ele est\u00e1 no poder. Ele \u00e9 o editor a quem voc\u00ea vai submeter o seu livro e que vai lhe pedir para adaptar segundo a &#8220;Jornada do Her\u00f3i&#8221; ou o &#8220;Show Don&#8217;t Tell&#8221; ou outro conceito recentemente difundido por algum guru.<\/p>\n<p><strong>Mas h\u00e1 uma conclus\u00e3o mais importante a se fazer<\/strong>, todos esses arrogantes existem devido \u00e0 crise de identidade do Brasil e de sua literatura. Os autores brasileiros jovens n\u00e3o se deram ainda conta, mas a literatura brasileira est\u00e1 em estado de s\u00edtio e eles ainda est\u00e3o pensando em salvar-se individualmente. No &#8220;salve-se quem puder&#8221; o normal \u00e9 morrerem quase todos, sobrevivem aqueles que o inimigo escolhe n\u00e3o matar.<\/p>\n<p>N\u00e3o adianta pensar a literatura como algo alienado da sociedade em que nascem e crescem aqueles que a devem ler e que eventualmente a escrevem. A literatura brasileira \u00e9 uma literatura sob ataque porque a nossa cultura est\u00e1 sob ataque, precisamos praticar uma literatura de guerra, e n\u00e3o sonhar com um modelo comercial importado, que n\u00e3o serve para n\u00f3s, pelo menos n\u00e3o nessa fase em que estamos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta postagem \u00e9 baseada em um t\u00f3pico criado por Daniel Gruber na comunidade Escritores Ajudando Outros Escritores, no Facebook. N\u00e3o \u00e9 recomend\u00e1vel a leitura se voc\u00ea for do tipo suscet\u00edvel. Existem seis tipos de personalidades arrogantes que n\u00e3o entendem como funciona a literatura e o mercado liter\u00e1rio. Estas pessoas ajudam a difundir ideias ultrapassadas, ideologias nocivas e comportamentos est\u00fapidos. Estes s\u00e3o os seis tipos (os quatro primeiros citados pelo Daniel Gruber, o quinto por Daniel Iturvides Dutra e o sexto por mim): O primeiro arrogante [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3523,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[183],"tags":[20,57,7],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3519"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3519"}],"version-history":[{"count":6,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3519\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5191,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3519\/revisions\/5191"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3523"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3519"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3519"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3519"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}