{"id":36,"date":"2013-05-20T18:36:00","date_gmt":"2013-05-20T21:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=36"},"modified":"2017-08-13T01:21:15","modified_gmt":"2017-08-13T04:21:15","slug":"traducao-abandonados-em-andromeda-5","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2013\/05\/traducao-abandonados-em-andromeda-5\/","title":{"rendered":"[Tradu\u00e7\u00e3o] Abandonados em Andr\u00f4meda [5]"},"content":{"rendered":"<p>> [Original de Clark Ashton-Smith](http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/2013\/05\/traducao-abandonados-em-andromeda-clark-ashton-smith)<\/p>\n<p>Aparentemente, a uma voz de comando, os guardas se aproximaram da boca da caverna e sinalizaram aos homens que sa\u00edssem. Eles obedeceram. Bandejas cheias da pasta branca e copos de uma bebida negra e doce foram postos diante deles e enquanto comiam e bebiam toda a assembleia os olhava em sil\u00eancio. Parecia ter havido algum tipo de mudan\u00e7a na atitude dos pigmeus, mas a natureza desta, ou o que poderia implicar, estava al\u00e9m do entendimento. Todo o procedimento era extremamente misterioso e tinha quase o ar de algum sacramento sinistro. A bebida negra deveria ser um pouco narc\u00f3tica, pois os homens come\u00e7aram a se sentir como se tivessem sido dopados. Houve um ligeiro amortecimento de seus sentidos, embora seus centros cerebrais permanecessem alertas.<\/p>\n<p>\u2014\u00a0N\u00e3o gosto disso \u2014 murmurou Roverton.<\/p>\n<p>Ele e os demais sentiam uma crescente inquieta\u00e7\u00e3o, para a qual n\u00e3o podiam indicar nenhuma raz\u00e3o determinada. E eles n\u00e3o se sentiram nada tranquilizados quando os tr\u00eas monstros-lagartos, seguidos de mais dois parecidos, reapareceram junto \u00e0 margem da c\u00f3rrego. Todos eram montados por pigmeus armados que, quando chegaram perto, sinalizaram que os homens deveriam preced\u00ea-los em sua marcha. Os amotinados come\u00e7aram a andar vale abaixo, com os guardas montados e toda a assembleia os seguindo.<\/p>\n<p>Logo a margem ficou mais estreita e os pared\u00f5es mais \u00edngremes. O ch\u00e3o se limitou a uma trilha de menos de metro de largura, ao lado da qual as \u00e1guas flu\u00edam com sombria veem\u00eancia em uma s\u00e9rie de corredeiras mordidas por espuma amarela. Passando por uma curva na parede, os homens viram que a margem terminava em uma grande boca de caverna. Adiante os rochedos se erguiam perpendicularmente da torrente.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas hesitaram ao aproximar-se da caverna. Qual seria seu destino eles nem podiam conjeturar, mas a sensa\u00e7\u00e3o de alarme e inquieta\u00e7\u00e3o aumentou. Olharam para tr\u00e1s e viram que a coisa lagarto mais adiantada estava bem perto deles, arreganhando a boca mais horrivelmente que a caverna escura. Pensaram em pular na torrente, mas a correnteza estava cheia de rochas afiadas e um troar al\u00e9m dos rochedos sugeria a proximidade de uma catarata. As paredes acima do caminho eram imposs\u00edveis de escalar, ent\u00e3o eles entraram na caverna.<\/p>\n<p>O lugar era bastante espa\u00e7oso em compara\u00e7\u00e3o com as cavernas habitadas pelos pigmeus e os homens n\u00e3o foram for\u00e7ados a curvar-se em momento algum. Mas, cegos pela luz do dia que haviam deixado, trope\u00e7aram em pedras e bateram contra as paredes tortuosas enquanto tateavam na escurid\u00e3o completa. Um jato de ar frio e f\u00e9tido surgiu como um vento subterr\u00e2neo do cora\u00e7\u00e3o da caverna e um dos monstros estava respirando nos seus calcanhares. N\u00e3o podiam ver nada, ter certeza de coisa alguma, mas eram for\u00e7ados a continuar, sem saber se o passo seguinte os atiraria em algum buraco terr\u00edvel ou abismo sem fundo. Uma sensa\u00e7\u00e3o de grave amea\u00e7a e de horror sobre-humano logo cresceu neles.<\/p>\n<p>\u2014\u00a0Este lugar \u00e9 escuro como a carvoaria do Hades \u2014 brincou Roverton. Os outros riram bravamente, mas seus nervos estavam no limite devido \u00e0 sinistra expectativa e \u00e0 incerteza.<\/p>\n<p>A corrente de ar empestado e mef\u00edtico ficou mais forte. O cheiro de \u00e1guas estagnadas e sem sol que ficavam em alguma profundeza imperscrut\u00e1vel, mesclado pelas narinas dos homens a um fedor nauseante como o de catacumbas infestadas de morcegos ou tocas de animais imundos.<\/p>\n<p>\u2014\u00a0Eca! \u2014 resmungou Deming \u2014 Isso \u00e9 pior que gorgonzola e tripas de raposa juntos.<\/p>\n<p>O ch\u00e3o da caverna come\u00e7ou a se inclinar para baixo. Passo a passo o declive aumentou como um al\u00e7ap\u00e3o infernal, at\u00e9 que os amotinados mal podiam ficar de p\u00e9 no escuro.<\/p>\n<p>Remoto e discreto, como uma pequena mancha fosforescente, uma luz amanheceu nas profundezas. As paredes da caverna, dolorosamente caneladas e arqueadas, ficaram ent\u00e3o discern\u00edveis. A luz ficou mais forte \u00e0 medida que os homens continuaram, e logo estava ao redor deles, derramando raios azuis-claros de uma fonte subterr\u00e2nea indistinta.<\/p>\n<p> declive terminou abruptamente e chegaram a uma vasta c\u00e2mara cheia da estranha radi\u00e2ncia, que parecia emanar do teto e das paredes, como um tipo de radioatividade. Estavam em uma eleva\u00e7\u00e3o semicircular e perceberam, ap\u00f3s cruz\u00e1-la, que ela terminava num corte e havia uma queda livre de mais ou menos quinze metros at\u00e9 uma grande lagoa no centro da c\u00e2mara. Havia sali\u00eancias no lado oposto da caverna que ficavam \u00e0 mesma altura daquela em que estavam, e havia cavernas menores que partiam destas. Mas parecia que nenhuma das cavernas poderia ser atingida a partir da sali\u00eancia em que terminara a descida. Separando-as, havia paredes perpendiculares que n\u00e3o permitiam nem por um momento que se apoiasse um p\u00e9 em lugar algum.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas homens ficaram de p\u00e9 \u00e0 beira da lagoa e olharam em torno. Podiam ouvir o barulho do primeiro monstro-lagarto ainda na descida e podiam ver o brilho maligno de seu \u00fanico olho enquanto ele avan\u00e7ava.<\/p>\n<p>\u2014\u00a0Isto parece a \u00faltima folha do \u00faltimo cap\u00edtulo.<\/p>\n<p>Roverton estava ent\u00e3o olhando para baixo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 lagoa. Os outros seguiam seu olhar. As \u00e1guas eram foscas, im\u00f3veis, escuras e n\u00e3o reluziam com o brilho azulado das paredes da caverna. Eram como algo que ficara dormindo ou morto por milhares de anos e o fedor que subia delas sugeria eras de lenta putrefa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014\u00a0Bom Deus! O que \u00e9 aquilo?<\/p>\n<p>Roverton notara uma mudan\u00e7a nas \u00e1guas, um brilho curioso que vinha debaixo da superf\u00edcie, como se uma lua afogada estivesse nascendo delas. Ent\u00e3o a calma morta da lagoa foi rompida por um milh\u00e3o de ondula\u00e7\u00f5es e uma vasta cabe\u00e7a, gotejando com uma luminosidade nojenta, emergiu das \u00e1guas. A coisa teria dois metros ou mais de largura, era horrivelmente arredondada e amorfa e parecia consistir principalmente de bocas arreganhadas e olhos arregalados, tudo costurado em um louco caos de malignidade e horror. Havia pelo menos cinco bocas, cada uma delas bastante grande para devorar um homem em uma bocada s\u00f3. Eram desdentadas e el\u00e1sticas. Distribu\u00eddos entre elas, os olhos ardiam como brasas sat\u00e2nicas.<\/p>\n<p>Um dos monstros-lagarto tinha rastejado at\u00e9 a beira. D\u00fazias de pigmeus estavam reunidos ao lado e al\u00e9m, e alguns deles avan\u00e7aram at\u00e9 onde estavam os homens. Eles olharam para a coisa medonha na lagoa e fizeram gestos desajeitados e genuflex\u00f5es com suas cabe\u00e7as, m\u00e3os e trombas, como se a estivessem invocando ou adorando. Suas vozes agudas se ergueram em um cantoch\u00e3o ondulante.<\/p>\n<p>Os homens ficaram quase estupefatos de horror. A criatura no abismo era al\u00e9m de qualquer coisa das lendas e pesadelos terrestres. E os ritos do culto oferecido pelos pigmeus eram incrivelmente revoltantes.<\/p>\n<p>\u2014 A Coisa \u00e9 seu deus! \u2014 gritou Roverton \u2014 E eles v\u00e3o nos oferecer em sacrif\u00edcio!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aparentemente, a uma voz de comando, os guardas se aproximaram da boca da caverna e sinalizaram aos homens que sa\u00edssem. Eles obedeceram. Bandejas cheias da pasta branca e copos de uma bebida negra e doce foram postos diante deles e enquanto comiam e bebiam toda a assembleia os olhava em sil\u00eancio. Parecia ter havido algum tipo de mudan\u00e7a na atitude dos pigmeus, mas a natureza desta, ou o que poderia implicar, estava al\u00e9m do entendimento. Todo o procedimento era extremamente misterioso e tinha quase o ar de algum sacramento sinistro. A bebida negra deveria ser um pouco narc\u00f3tica, pois os homens come\u00e7aram a se sentir como se tivessem sido dopados. 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