{"id":371,"date":"2010-12-19T16:04:00","date_gmt":"2010-12-19T19:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=371"},"modified":"2017-11-02T14:09:20","modified_gmt":"2017-11-02T17:09:20","slug":"ficcao-cientifica-e-fantasia-terreno-de-alienados","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2010\/12\/ficcao-cientifica-e-fantasia-terreno-de-alienados\/","title":{"rendered":"Fic\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e Fantasia: Terreno de Alienados?"},"content":{"rendered":"<p>A literatura de fic\u00e7\u00e3o e fantasia que conhecemos descende do exotismo escapista da Europa entre o final do s\u00e9culo XVIII e o in\u00edcio do s\u00e9culo XX. A grande repress\u00e3o dos costumes, o car\u00e1ter ainda muito embrion\u00e1rio da democracia e a difus\u00e3o de m\u00faltiplas e contradit\u00f3rias teorias pseudocient\u00edficas geraram um terreno prop\u00edcio para que alguns autores vissem na ambienta\u00e7\u00e3o em lugares ex\u00f3ticos uma maneira de criticar a pr\u00f3pria sociedade em que viviam ou ent\u00e3o refestelar-se em pornografia ou ideais vanguardistas sem o risco de censura. A for\u00e7a da tradi\u00e7\u00e3o, a idolatria recorrente do passado (cl\u00e1ssico ou medieval), a import\u00e2ncia de institui\u00e7\u00f5es como a Igreja e o Estado\u2026 tudo isso atuava em favor do estabelecimento de um subg\u00eanero que abrigava a subvers\u00e3o de uma forma socialmente toler\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse sentido que Richard Burton consegue transferir para a \u00cdndia as pervers\u00f5es sexuais dos fidalgos, que Bram Stoker (talvez inconscientemente) sublima o car\u00e1ter predat\u00f3rio da nobreza brit\u00e2nica na figura de um nobre vampiro estrangeiro etc. Os mais otimistas, por\u00e9m, sonham com um mundo no qual as nuvens negras de fuma\u00e7a industrial, os bols\u00f5es de pobreza e uma &#8220;degenera\u00e7\u00e3o dos costumes&#8221; s\u00e3o superados por descobertas cient\u00edficas: a ci\u00eancia salvaria o mundo que a religi\u00e3o mal conseguia ajudar. Eram tempos ing\u00eanuos aqueles.<\/p>\n<p>\u00c0 medida em que o mundo evolu\u00eda atrav\u00e9s de guerras mundiais, epidemias, surgimento de crime organizado, conspira\u00e7\u00f5es de estado, crises econ\u00f4micas e uma total hipocrisia pol\u00edtica, a idealiza\u00e7\u00e3o do mundo perfeito se torna mais forte. Mas o pessimismo avan\u00e7a, fazendo com que a perfei\u00e7\u00e3o fosse muitas vezes localizada no passado. Em J. R. R. Tolkien, por exemplo, o que predomina como tem\u00e1tica \u00e9 a decad\u00eancia dos povos, o fim iminente do mundo, o risco permanente do triunfo do mal absoluto etc. A salva\u00e7\u00e3o da humanidade, representada pela destrui\u00e7\u00e3o do anel, ocorre por puro ato de gra\u00e7a do Destino, um leg\u00edtimo <em>deus ex machina.<\/em><\/p>\n<p>Muita gente no Brasil adquiriu esse pacote fechado de venenos ideol\u00f3gicos sem olhar o que tinha dentro. Sem entender o mecanismo (e principalmente sem entender os arqu\u00e9tipos em uso), essas pessoas acabaram adotando fim em si aquilo que ficava apenas na superf\u00edcie: gente que se veste de elfo da Terra M\u00e9dia sem entender que os elfos s\u00e3o o arqu\u00e9tipo da pureza ang\u00e9lica (cong\u00eanita, indiferente e fria) da humanidade. Trata-se de uma compreens\u00e3o infantilizada porque n\u00e3o evolui, n\u00e3o acrescenta; limita-se a repetir f\u00f3rmulas e repassar receitas. Assim s\u00e3o os imitadores: em vez de verem no vampiro a inspira\u00e7\u00e3o para outras hist\u00f3rias de outros monstros, que refletem os nossos medos, eles apenas transcrevem o medo estrangeiro, muitas vezes sem sequer tentar uma tropicaliza\u00e7\u00e3o. O resultado, me desculpem os que me leem, n\u00e3o \u00e9 literatura de verdade, \u00e9 literatura de brinquedo, \u00e9 <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fanfic\"><em>fanfic.<\/em><\/a><\/p>\n<p>Que isso venda livros e d\u00ea lucro a quem faz \u00e9 algo que n\u00e3o importa: esse artigo n\u00e3o \u00e9 sobre meios f\u00e1ceis de ganhar dinheiro, fazer amigos e influenciar pessoas. Mesmo porque, se eu soubesse como fazer essas tr\u00eas coisas eu n\u00e3o tinha um blog, eu escrevia num jornal de grande circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando digo &#8220;fanfic&#8221; eu estou me referindo a imita\u00e7\u00f5es superficiais, alienadas e anacr\u00f4nicas de obras cujo contexto e cujo subtexto n\u00e3o foram foram compreendidos pelo imitador. Superficial porque n\u00e3o vai al\u00e9m do uso emblem\u00e1tico, caricatural, esquem\u00e1tico dos arqu\u00e9tipos contidos nos textos em que se baseia. Alienado porque imita servilmente um modelo estrangeiro e n\u00e3o usa quase nada da rica cultura de nosso pa\u00eds. Anacr\u00f4nico porque reflete o estado de esp\u00edrito de uma outra \u00e9poca, que tinha outras preocupa\u00e7\u00f5es e desafios.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao car\u00e1ter anacr\u00f4nico, realmente n\u00e3o h\u00e1 desculpa, mas h\u00e1 um <em>modus operandi:<\/em> os imitadores sem talento gostam de pin\u00e7ar justamente o mais datado, o mais superficial, o mais esquem\u00e1tico. A imita\u00e7\u00e3o procura ser fiel no acess\u00f3rio porque ele \u00e9 mais port\u00e1til, ele n\u00e3o requer aprofundamento cr\u00edtico.<\/p>\n<p>Como a literatura \u00e9 algo pouco valorizado, \u00e0s vezes at\u00e9 ridicularizado, o brasileiro m\u00e9dio n\u00e3o consegue acessar toda a profundidade do que l\u00ea e essa superficialidade passa para o que tenta escrever. S\u00e3o bem poucos os novos autores que eu estou conhecendo que parecem possuir alguma cultura liter\u00e1ria. Em vez disso, as crias da internet parecem ostentar sua ignor\u00e2ncia como uma medalha.<\/p>\n<p>Embora a literatura tenha j\u00e1 uma boa tradi\u00e7\u00e3o entre n\u00f3s, os novos autores a desconhecem ou rejeitam-na (&#8220;Odeio Machado de Assis&#8221;). E porque l\u00ea pouco, muito ignora e mal sabe o quanto isso lhe faz falta. Esse ran\u00e7o anticultural passa de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o, desde os tempos dos coron\u00e9is. &#8220;Ler \u00e9 um exerc\u00edcio&#8221;, afirmou certo pol\u00edtico suado de lutar contra as palavras, como diria Drummond. Isso vem desde os tempos em que o coronel analfabeto detinha o poder e o homens da cidade, devidamente diplomados, eram seus empregados.<\/p>\n<p>A falta de cultura geral, trazida por leitura frequente e variada, faz com que o leitor brasileiro m\u00e9dio tenha dificuldades para destrinchar os significados dos textos mais provocativos. Isto resulta em pastiches mal-feitos do Senhor dos An\u00e9is, reescrituras desnecess\u00e1rias das Cr\u00f4nicas de N\u00e1rnia, platitudes sobre as Mil e Uma Noites vendidas como p\u00e9rolas de sabedoria por magos midi\u00e1ticos, imita\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de Stephen King ou grotescos esfor\u00e7os para tentar ser J. K. Rowling.<\/p>\n<p>Os livros e os personagens s\u00e3o reduzidos a estere\u00f3tipos, e s\u00e3o esses estere\u00f3tipos que s\u00e3o imitados. Os vampiros sobre os quais se escreve s\u00e3o baseados nos de Anne Rice, os magos s\u00e3o como Dumbledore ou como Gandalf, os elfos s\u00e3o como os Sindarin, etc. Alguns &#8220;ousados&#8221; misturam refer\u00eancias de mais de uma obra, mas ainda assim \u00e9 &#8220;fanfic&#8221;, do tipo &#8220;crossover&#8221;.<\/p>\n<p>Como as pessoas geralmente s\u00f3 leem do que gostam (outra caracter\u00edstica da estrat\u00e9gia de &#8220;redu\u00e7\u00e3o da dor&#8221; empregada por pessoas para quem ler \u00e9 realmente muito penoso), o g\u00eanero favorito serve como cercadinho intelectual que retarda seu crescimento mental. Elas leem, leem, e nunca aprendem porque sempre leem mais do mesmo. Chegam \u00e0 idade adulta lendo livros sobre anjos da guarda, magos do Oriente, Deuses Astronautas\u2026<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m tem que saber tudo, mas tudo que se sabe \u00e9 um tijolo a mais na constru\u00e7\u00e3o de uma personalidade vers\u00e1til. Cada livro tem algo a nos ensinar, e \u00e9 importante sabermos um pouco de v\u00e1rias coisas para n\u00e3o sermos &#8220;bitolados&#8221;. O trem s\u00f3 \u00e9 capaz de seguir os caminhos que foram preparados para ele no passado, mas os p\u00e1ssaros voam livres para onde querem. Ler livros de um g\u00eanero s\u00f3 \u00e9 ser como um trem, &#8220;bitolado&#8221;.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, aquilo que voc\u00ea l\u00ea precisa resultar em alguma coisa. N\u00e3o pode entrar por uma orelha e sair pela outra. Quando voc\u00ea realmente aprende algo, este algo passa a ser parte de voc\u00ea e recebe a sua contribui\u00e7\u00e3o. &#8220;Quem conta um conto aumenta um ponto&#8221; quer dizer que voc\u00ea sempre tem vontade de contar de outra forma, mesmo a melhor hist\u00f3ria que leu. Essa vontade \u00e9 o germe da literatura na alma da pessoa que l\u00ea. Ningu\u00e9m se torna escritor antes de ter sido um bom leitor.<\/p>\n<p>\u00c9 isso que prejudica muitos autores nacionais: ao n\u00e3o reciclar suas fontes, eles n\u00e3o v\u00e3o al\u00e9m da superf\u00edcie das hist\u00f3rias que leem, ambientadas em para\u00edsos estrangeiros ou pa\u00edses alien\u00edgenas (ou seria o contr\u00e1rio?), sem notarem que os cen\u00e1rios s\u00e3o deliberados, que estas obras possuem uma mensagem conectada com o mundo real, que n\u00e3o s\u00e3o mero escapismo.<\/p>\n<p>Apegar-se \u00e0 letra, n\u00e3o ousar discordar de como as hist\u00f3rias foram contadas, n\u00e3o ter sonhos pr\u00f3prios para transformar em ideias\u2026 Males de um povo que tem preconceito contra si mesmo, que acha que as suas hist\u00f3rias n\u00e3o merecem ser contadas. Sim, vivemos sonhando em contar as hist\u00f3rias dos outros povos e desprezamos as nossas. Nossos jovens n\u00e3o querem ler autores regionais, detestam sotaques sulistas, nordestinos, mineiros\u2026 Enquanto isso uma recente m\u00fasica de sucesso falava, como se fosse algo desej\u00e1vel, de um vaqueiro do interior de S\u00e3o Paulo com sotaque &#8220;meio americanizado&#8221;.<\/p>\n<p>Aqui em Minas Gerais temos um verbo suficientemente ofensivo para esses casos: &#8220;macaquear&#8221;. Macaquear \u00e9 imitar grotescamente. Tal como um chimpanz\u00e9 que tenta agir como humano, mas claudica e faz caretas sem sentido. Dev\u00edamos parar de &#8220;macaquear&#8221; a cultura estrangeira e come\u00e7ar a contar a nossa hist\u00f3ria. &#8220;Nossa&#8221; n\u00e3o no sentido de nacionalismo f\u00fatil, mas no sentido de experi\u00eancia pr\u00f3pria \u2014 que at\u00e9 pode incluir refer\u00eancias aprendidas com outras culturas. O mundo de um autor \u00e9 o mundo que ele v\u00ea e vive.<\/p>\n<p>Pode parecer persegui\u00e7\u00e3o ou preconceito, mas \u00e9 fato: nenhuma imita\u00e7\u00e3o barata de <em>best-seller<\/em> estrangeiro far\u00e1 sucesso l\u00e1 fora e tornar\u00e1 seu autor uma personalidade famosa, porque nenhuma imita\u00e7\u00e3o pode ter qualidade t\u00e9cnica, art\u00edstica ou cultural para fazer frente ao mais simpl\u00f3rio dos <em>best-sellers<\/em> prefabricados que v\u00eam dos Estados Unidos. Isso decorre, primeiro, do fato de que os livros mais comerciais publicados nos EUA e Inglaterra passam por um processo de edi\u00e7\u00e3o e preprodu\u00e7\u00e3o que nossas editoras n\u00e3o t\u00eam como financiar, e segundo, da impossibilidade de obter acesso rec\u00edproco ao mercado &#8220;deles&#8221;, pelo menos n\u00e3o fazendo aquilo que eles fazem de melhor. Se eles n\u00e3o conseguem fazer samba melhores do que n\u00f3s, certamente n\u00f3s n\u00e3o conseguiremos fazer livros rasos t\u00e3o bem quanto eles (e nesse contexto &#8220;fazer bem&#8221; n\u00e3o envolve qualidade, mas agradar ao p\u00fablico). A \u00fanica chance de carreira internacional que um autor fora do circuito anglo-americano-australiano pode ter est\u00e1 na sua originalidade, em oferecer um assunto novo.<\/p>\n<p>Mas como se isso n\u00e3o bastasse, resta uma verdade dolorida: uma boa parte do que se publica hoje no Brasil, no g\u00eanero fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e fantasia, \u00e9 bem pior que &#8220;Crep\u00fasculo&#8221;. Tem muito autor por a\u00ed falando mal de Stephanie Mayer que deveria, sinceramente, lavar sua boca antes de vomitar acusa\u00e7\u00f5es contra ela. No m\u00ednimo, mesmo o pior dos romances comerciais americanos tem um enredo estruturado, passa por v\u00e1rias e boas revis\u00f5es e s\u00f3 chega ao mercado depois algumas sondagens com leitores qualificados, que apontam fraquezas a serem sanadas. Aqui tem muito autor se acha um deus e reage ofendido a todo e qualquer coment\u00e1rio que n\u00e3o se baseie em entusi\u00e1sticos aplausos.<\/p>\n<p>\u00c9 uma postura inculcada neles por um sistema educacional falido, que n\u00e3o exige aprendizado, que n\u00e3o prop\u00f5e desafios, mas aplaude o &#8220;esfor\u00e7o&#8221; mesmo que ele redunde em nada. Por isso tanto autor por a\u00ed se acha especial, se acha g\u00eanio, acha que tem &#8220;inspira\u00e7\u00e3o&#8221; e chama de &#8220;censura&#8221; a toda e qualquer interfer\u00eancia que um editor queira fazer. Para essa gente, gram\u00e1tica \u00e9 coisa de sujeito afetadinho, a estrutura \u00e9 a pris\u00e3o da id\u00e9ia e apontar erros \u00e9 faltar com o respeito ao autor. Mal sabem eles que a precariedade do texto \u00e9 que \u00e9 a pris\u00e3o da id\u00e9ia, tal como a falta de horizonte cultural agrilhoa o racioc\u00ednio.<\/p>\n<p>As editoras n\u00e3o abrem mais espa\u00e7o para nossos autores porque eles s\u00e3o amadores mesmo, porque h\u00e1 gente demais fazendo c\u00f3pia mal-feita de autor americano. Os bons ficam perdidos nesse mar de inutilidades. \u00c9 mais seguro para elas buscar obras j\u00e1 testadas e aprovadas do que tentar testar e aprovar aqui outras obras cujo alcance ficaria, de qualquer forma, limitado \u00e0s nossas fronteiras.<\/p>\n<p>Para piorar tudo, os autores orkutianos s\u00e3o desorganizados, sem foco e muito narcisistas. Desejam fazer sucesso escrevendo, mas n\u00e3o gostam de ler o que outros escrevem. Desejam ser famosos, mas n\u00e3o querem comprar livros de outros autores. Querem ser bem-sucedidos, mas n\u00e3o querem dar-se ao trabalho de buscar pessoalmente a qualidade de seu texto (&#8220;algu\u00e9m vai revisar para mim&#8221;). No fundo esperam que algu\u00e9m magicamente transforme seu sonho de fama em realidade. E pelo simples fato de estarem escrevendo, j\u00e1 incorporam o personagem &#8220;artista&#8221; \u2014 chegando ao ponto de colocar em seus apelidos virtuais termos como &#8220;poeta&#8221; ou &#8220;escritor&#8221;, como aqueles rid\u00edculos m\u00e9dicos do interior de antigamente que exigiam ser chamados de doutor at\u00e9 quando estavam de sunga no clube e pediam que os bancos imprimissem nos seus tal\u00f5es de cheque &#8220;Fulano de Tal, Dr.&#8221;.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea acha que isso \u00e9 mentira, v\u00e1 at\u00e9 a sua estante e me diga quantos livros de jovens autores voc\u00ea possui, quantos leu. Negue sinceramente que voc\u00ea se ofendeu quando algu\u00e9m lhe disse que precisava melhorar. Ou ent\u00e3o me explique de que forma voc\u00ea entende o mito do monstro de Frankenstein no contexto da cultura de sua regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O sucesso continuar\u00e1 sendo imposs\u00edvel enquanto continuarmos cometendo os mesmos erros. Persist\u00eancia \u00e9 s\u00f3 um nome bonito para a teimosia, a menos que voc\u00ea saiba o que est\u00e1 fazendo. Enquanto o &#8220;autor&#8221; n\u00e3o conhecer diversos g\u00eaneros, n\u00e3o possuir um posicionamento face \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o acompanhar a m\u00eddia especializada, n\u00e3o estiver antenado com as not\u00edcias e com as novidades culturais, n\u00e3o h\u00e1 op\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser continuar dando dinheiro para editoras que publicariam qualquer coisa em troca de tr\u00eas meses de seu sal\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A literatura de fic\u00e7\u00e3o e fantasia que conhecemos descende do exotismo escapista da Europa entre o final do s\u00e9culo XVIII e o in\u00edcio do s\u00e9culo XX. 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