{"id":422,"date":"2010-09-14T22:29:00","date_gmt":"2010-09-15T01:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=422"},"modified":"2017-11-02T14:09:23","modified_gmt":"2017-11-02T17:09:23","slug":"dadaismo-para-todos-o-apocalipse-da-literatura-vem-ai","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2010\/09\/dadaismo-para-todos-o-apocalipse-da-literatura-vem-ai\/","title":{"rendered":"Dada\u00edsmo Para Todos: O Apocalipse da Literatura Vem A\u00ed"},"content":{"rendered":"<p>Talvez voc\u00ea nunca tenha ouvido falar da M\u00e1quina Dad\u00e1 (&#8220;<a href=\"http:\/\/dev.null.org\/dadaengine\/\">The Dada Engine<\/a>&#8220;), mas este curioso software feito por um grupo de adolescentes americanos \u00e9 uma das coisas mais revolucion\u00e1rias em termos de literatura nos \u00faltimos cinquenta anos. O impacto de sua exist\u00eancia ainda n\u00e3o foi percebido porque ele ainda \u00e9 relativamente dif\u00edcil de configurar e de usar, mas no dia em que escrever uma gram\u00e1tica e um dicion\u00e1rio para um programa an\u00e1logo \u00e0 M\u00e1quina Dad\u00e1, metade da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e musical do s\u00e9culo XX deixar\u00e1 de ter valor, milh\u00f5es de livros n\u00e3o ser\u00e3o mais que bonitos cal\u00e7os de m\u00f3veis.<\/p>\n<p>Vamos recapitular as coisas para voc\u00eas acompanharem meu racioc\u00ednio, porque a inspira\u00e7\u00e3o dessa conclus\u00e3o me &#8220;eletrificou&#8221; de uma forma que eu ainda nem acabei de p\u00f4r minhas ideias em ordem.<\/p>\n<p>Em 1917 um poeta romeno chamado Tristan Tzara vivia exilado em Zurique. Um belo dia, enquanto penosamente estudava franc\u00eas com a ajuda de um dicion\u00e1rio ele teve uma &#8220;ideia&#8221; para uma nova forma de fazer literatura: recortou palavras a esmo em um exemplar do <em>Le Figaro<\/em> e as misturou em uma tigela, sorteando-as ao acaso. Aos &#8220;textos&#8221; assim obtidos ele chamou &#8220;dada\u00edstas&#8221;. H\u00e1 muitas lendas sobre a origem da palavra &#8220;dad\u00e1&#8221;, que significaria &#8220;cavalinho de pau&#8221; em franc\u00eas ou que seria uma brincadeira com o h\u00e1bito dos exilados romenos pontuarem sua conversa com a exclama\u00e7\u00e3o &#8220;Da, da!&#8221; (&#8220;Sim, claro que sim&#8221;). O fato \u00e9 que muita gente embarcou na onda da livre-associa\u00e7\u00e3o de palavras, acreditando que essa nova literatura, que buscava ter acesso a <em>insights<\/em> interessantes da psique humana a partir da contempla\u00e7\u00e3o de palavras aleat\u00f3rias. Carl Jung, o psic\u00f3logo, n\u00e3o deu-lhe muita import\u00e2ncia: &#8220;\u00c9 idiota demais para sequer ser doentio.&#8221;<\/p>\n<p>Um pouco mais tarde surgiram os surrealistas, que acreditavam no poder da imagina\u00e7\u00e3o desenfreada para criar obras livres das amarras do academicismo. Os concretistas, que negavam toda forma de inspira\u00e7\u00e3o n\u00e3o-racional e produziam obras mais para sere vistas do que lidas, etc.<\/p>\n<p>Quase todos estes estilos tiveram em comum o ataque \u00e0 coer\u00eancia do discurso da palavra, da intencionalidade. E \u00e9 justamente aqui que a M\u00e1quina Dad\u00e1 desfere seu golpe devastador na arte que se construiu sobre estas premissas, especificamente falando da arte liter\u00e1ria constru\u00edda desta forma. A M\u00e1quina Dad\u00e1 \u00e9 um software que gera textos.<\/p>\n<p>Sim, textos. O nome n\u00e3o \u00e9 casual. Os autor Andrew C. Bulhak (o site &#8220;Null Device&#8221; n\u00e3o indica o autor, mas seu nome \u00e9 conhecido) quis intencionalmente referir-se a Tristan Tzara recortando palavras de jornal e sorteando-as de forma a produzir &#8220;textos&#8221;. S\u00f3 que a M\u00e1quina Dad\u00e1 faz melhor do que ele: ela produz textos sempre leg\u00edveis em a necessidade de adi\u00e7\u00e3o de quaisquer artif\u00edcios, embora normalmente tais textos sejam absurdos.<\/p>\n<p>Existem poucas aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas da M\u00e1quina Dad\u00e1 porque program\u00e1-la para obter bons resultados \u00e9 algo bem dif\u00edcil. Requer um arquivo de &#8220;dicion\u00e1rio&#8221; no qual as palavras estejam devidamente identificadas com sua fun\u00e7\u00e3o e um arquivo &#8220;gram\u00e1tica&#8221; no qual as regras de forma\u00e7\u00e3o e pontua\u00e7\u00e3o de frases est\u00e3o fixadas. Tendo os dois, a M\u00e1quina Dad\u00e1 sortear\u00e1 palavras a partir de um conjunto de textos, segundo as regras dadas, e cuspir\u00e1 de volta novos textos que refletir\u00e3o de alguma forma a &#8220;inspira\u00e7\u00e3o&#8221; do original.<\/p>\n<p>Voc\u00eas est\u00e3o entendendo as implica\u00e7\u00f5es disso? Se um software \u00e9 capaz de produzir textos leg\u00edveis a partir de um conjunto de arquivos de refer\u00eancia, ent\u00e3o <span>QUAL O VALOR ART\u00cdSTICO DE UMA OBRA QUE<\/span>, no fim das contas, <span>NADA MAIS \u00c9 DO QUE UM TEXTO PRODUZIDO ALEATORIAMENTE?<\/span> Qual \u00e9 o car\u00e1ter art\u00edstico de um texto que n\u00e3o se diferencie de outro produzido por uma m\u00e1quina? Vejamos alguns exemplos de aplica\u00e7\u00f5es da M\u00e1quina Dad\u00e1 para deixar as coisas mais claras.<\/p>\n<p>O primeiro exemplo de M\u00e1quina Dad\u00e1 \u00e9 o &#8220;Gerador de Ensaios P\u00f3s-Modernos&#8221; do blog <a href=\"http:\/\/www.elsewhere.org\/pomo\">Communications from Elsewhere<\/a>. Esta m\u00e1quina dad\u00e1 gera artigos de &#8220;Ci\u00eancias Sociais&#8221; sobre temas como metalingu\u00edstica, sociologia, semiologia, etc. Os autores tiveram o cuidado de usar refer\u00eancias fict\u00edcias para evitar processos dos autores satirizados (Husserl, Rossett, Eco, Foucault, Jakobsen, etc.) ou de suas fam\u00edlias, mas aos olhos do leigo, os textos do gerador de p\u00f3s-modernismo n\u00e3o s\u00e3o distingu\u00edveis dos leg\u00edtimos ensaios produzidos pelos mais famosos autores destas \u00e1reas.<\/p>\n<p>O f\u00edsico americano Alan Sokal foi bem-sucedido em submeter um ensaio absurdamente idiota produzido pelo gerador de p\u00f3s-modernismo, com algumas modifica\u00e7\u00f5es nas refer\u00eancias e na introdu\u00e7\u00e3o e na conclus\u00e3o, \u00e0 revista americana &#8220;Social Text&#8221;, no que ficou conhecido como o &#8220;<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sokal_affair\">Caso Sokal<\/a>&#8220;, que gerou graves discuss\u00f5es no meio acad\u00eamico.<\/p>\n<p>Americanos satirizam algumas universidades que consideram &#8220;de terceira linha&#8221; obtendo p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es nelas usando textos gerados eletronicamente por uma vers\u00e3o da &#8220;M\u00e1quina Dad\u00e1&#8221; que circula entre a comunidade <em>hacker<\/em> americana como um quase segredo de estado. Estima-se que at\u00e9 30% das p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es em algumas universidades americanas s\u00e3o obtidas de forma fraudulenta. Se os estudantes brasileiros aprenderem a programar uma m\u00e1quina dad\u00e1 s\u00f3 Deus sabe aonde isso vai parar.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o mais popular da M\u00e1quina Dad\u00e1 \u00e9 conhecida como &#8220;Gerador de Nomes de Grupos de Rock&#8221;. \u00c9 uma dos muitos &#8220;Geradores&#8221; hospedados no site <a href=\"http:\/\/www.generatorland.com\/\">Generator Land<\/a>. Trata-se de uma aplica\u00e7\u00e3o bastante simples, de gram\u00e1tica f\u00e1cil de programar: baseia-se na sele\u00e7\u00e3o de uma determinada quantidade de termos (um, dois ou tr\u00eas; fora os artigos e preposi\u00e7\u00f5es) que s\u00e3o pescados de uma lista de nomes de grupos musicais que realmente existem ou existiram. Brincando com essa m\u00e1quina em alguns minutos eu produzi nomes hil\u00e1rios e interessantes, como &#8220;the Small Mice&#8221; (os Ratinhos), &#8220;the Plague of Fingers&#8221; (A Peste dos Dedos), &#8220;Invisible Clowns&#8221; (Palha\u00e7os Invis\u00edveis), &#8220;The Kamikaze Peace Makers&#8221; (Os Pacificadores Kamikazes), &#8220;Bag of Hogs&#8221; (Saco de Porcos), &#8220;Unholy Bone&#8221; (Osso Sacr\u00edlego), &#8220;Ganja Market&#8221; (Mercado de Maconha), &#8220;A Pool of Devils&#8221; (Uma Piscina de Diabos), etc.<\/p>\n<p>Outras aplica\u00e7\u00f5es mais complexas da &#8220;M\u00e1quina Dad\u00e1&#8221; que podem ser interessantes s\u00e3o o <span class=\"removed_link\" title=\"http:\/\/herbert.the-little-red-haired-girl.org\/cgi-bin\/dada.cgi\/manifesto.pb\">Gerador de manifestos pol\u00edticos,<\/span> o <span class=\"removed_link\" title=\"http:\/\/herbert.the-little-red-haired-girl.org\/cgi-bin\/dada.cgi\/crackpot.pb\">Gerador de textos criacionistas<\/span>, o <span class=\"removed_link\" title=\"http:\/\/herbert.the-little-red-haired-girl.org\/cgi-bin\/dada.cgi\/legal.pb\">Gerador de papo de advogado<\/span> e o <span class=\"removed_link\" title=\"http:\/\/herbert.the-little-red-haired-girl.org\/cgi-bin\/dada.cgi\/brag.pb\">Gerador de xingamentos<\/span> e Todas estas est\u00e3o hospedadas no site <span class=\"removed_link\" title=\"http:\/\/herbert.the-little-red-haired-girl.org\/\">Herbert, The Little Red Haired Girl<\/span> (atualmente parece haver um problema de configura\u00e7\u00e3o com estes scripts, que n\u00e3o est\u00e3o funcionando).<\/p>\n<p>As aplica\u00e7\u00f5es a seguir n\u00e3o s\u00e3o m\u00e1quinas Dad\u00e1, mas se inspiram nela ou seguem os mesmos princ\u00edpios:<\/p>\n<ul>\n<li>O gerador de ensaios em ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/pdos.csail.mit.edu\/scigen\/\">SciGen<\/a><\/li>\n<li>O gerador de mensagens suicidas <span class=\"removed_link\" title=\"http:\/\/www.orkutcidio.org\/\">Orkutic\u00eddio<\/span><\/li>\n<li>O gerador de novelas rom\u00e2nticas <span class=\"removed_link\" title=\"http:\/\/mail.python.org\/pipermail\/python-announce-list\/2003-April\/002171\">NovelWriting<\/span> (atualmente fora do ar)<\/li>\n<li>O gerador de poemas rom\u00e2nticos e letras de m\u00fasica pop <a href=\"http:\/\/www.links2love.com\/poem_generator.htm\">Poem Generator<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Este \u00faltimo produz textos romantiquinhos melosos e convencionais do tipo que &#8220;poetas&#8221; adolescentes escrevem, a partir de uma s\u00e9rie de palavras informadas em um formul\u00e1rio: fruta preferida, adjetivo em que voc\u00ea est\u00e1 pensando, flor mais bonita, instrumento musical, nome de mam\u00edfero, nome de ave, pe\u00e7a de roupa, um nome, uma parte do corpo, um tipo de barulho, uma outra pe\u00e7a de roupa, outro substantivo, uma bebida, etc.<\/p>\n<p>Utilizei o Poem Generator e obtive o seguinte texto:<\/p>\n<pre>Your skin glows like the Orange,\nblossoms Purple as the Rose in the purest hope of spring.\nMy heart follows your Guitar voice\nand leaps like a Jaguar at the whisper of your name.\nThe evening floats in on a great Hawk wing.\nI am comforted by your Socks\nthat I carry into the twilight of Moonbeams \nand hold next to my Leg.\nI am filled with hope\nthat I may dry your tears of Wine.\nAs my Eye falls from my Face,\nit reminds me of your Strangeness.\nIn the quiet, I listen for the last Rap of the day.\nMy heated Ear frets my Jacket.\nI wait your coming in the moonlight through your secret Stairway\nso that we may Share as one, Ear to Ear,\nin search of the magnificent Red and mystical Madness of love.<\/pre>\n<p>Uma tradu\u00e7\u00e3o, para benef\u00edcio de quem n\u00e3o fala ingl\u00eas:<\/p>\n<pre>Sua pele reluz como a laranja,\nfloresce roxa como uma rosa na mais pura esperan\u00e7a de primavera.\nMeu cora\u00e7\u00e3o segue sua voz de guitarra\ne salta como uma on\u00e7a ao ouvir o seu nome.\nA noite flutua at\u00e9 mim nas grandes asas de um falc\u00e3o.\nEstou confort\u00e1vel entre suas meias\nque me levam ao crep\u00fasculo banhado em luar \nque tenho junto \u00e0s pernas.\nEstou preenchido com a esperan\u00e7a \nde que secarei o vinho de suas l\u00e1grimas.\nEnquanto meu olho cai de minha face,\nele me lembra sua estranheza.\nNa quietude, eu ou\u00e7o a \u00faltima batida do dia.\nMinha orelha quente se esfrega em meu palet\u00f3.\nEu espero voc\u00ea vir \u00e0 luz da lua, por sua escadaria secreta\npara que compartilhemos, como um s\u00f3, orelha a orelha,\na busca da magn\u00edfica loucura do amor, vermelha e m\u00edstica.<\/pre>\n<p>N\u00e3o ficou grande coisa, mas desconfio que se algu\u00e9m postasse isso em um blogue acharia quem gostasse. Por fim, n\u00e3o custa lembrar um produto nacional semi-equivalente, o &#8220;<a href=\"http:\/\/www.dicas-l.com.br\/lerolero\">Fabuloso Gerador de Lero-Lero<\/a>&#8220;, que produz ensaios de administra\u00e7\u00e3o de empresas melhores do que a maioria das apostilas da mat\u00e9ria\u2026<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o de tudo isso, que se formou em minha mente, \u00e9 a de que n\u00e3o haver\u00e1 mais como enxergar valor em obras de arte liter\u00e1ria, a menos que elas contenham &#8220;algo&#8221; que n\u00e3o pode ser produzido por um programa de computador. Debatamos em que consiste esse algo, mas vamos deixar de lado a ilus\u00e3o de que podemos fazer algo de valor sem colocar nossa humanidade, nossa sofistica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Talvez voc\u00ea nunca tenha ouvido falar da M\u00e1quina Dad\u00e1 (&#8220;The Dada Engine&#8220;), mas este curioso software feito por um grupo de adolescentes americanos \u00e9 uma das coisas mais revolucion\u00e1rias em termos de literatura nos \u00faltimos cinquenta anos. O impacto de sua exist\u00eancia ainda n\u00e3o foi percebido porque ele ainda \u00e9 relativamente dif\u00edcil de configurar e de usar, mas no dia em que escrever uma gram\u00e1tica e um dicion\u00e1rio para um programa an\u00e1logo \u00e0 M\u00e1quina Dad\u00e1, metade da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e musical do s\u00e9culo XX deixar\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[183],"tags":[55,32,27],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/422"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=422"}],"version-history":[{"count":9,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/422\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4544,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/422\/revisions\/4544"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=422"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=422"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=422"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}