{"id":446,"date":"2010-08-29T12:33:00","date_gmt":"2010-08-29T15:33:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=446"},"modified":"2017-11-02T14:09:25","modified_gmt":"2017-11-02T17:09:25","slug":"o-jardim-secreto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2010\/08\/o-jardim-secreto\/","title":{"rendered":"O Jardim Secreto"},"content":{"rendered":"<p>Na minha cidade havia uma casa enorme, mans\u00e3o dos tempos dos bar\u00f5es do caf\u00e9, que estava abandonada e tinha um jardim tamb\u00e9m impressionante. O jardim ficava detr\u00e1s de altos muros e estava tomado j\u00e1 de ervas, depois de d\u00e9cadas de esquecimento. Mas quando olh\u00e1vamos pelas gretas do port\u00e3o, v\u00edamos l\u00e1 dentro aquelas \u00e1rvores ex\u00f3ticas, aquelas fontes onde j\u00e1 n\u00e3o jorrava \u00e1gua, cobertas de mato. Havia uma dignidade, uma disposi\u00e7\u00e3o art\u00edstica ali. Algo que o descuido n\u00e3o apagava.<\/p>\n<p>Era um desafio comum em minha inf\u00e2ncia saltar o muro, \u00e0 noite, e passar algum tempo dentro daquela casa, que dizia-se assombrada. Assombrada n\u00e3o sei, mas era assombrosa. Com suas paredes enfeitadas de estuque, seu alpendre aristocr\u00e1tico, seu jardim com fonte e est\u00e1tua de cupido.<\/p>\n<p>Com o tempo foi ficando perigoso entrar l\u00e1, mesmo de dia. O crime ocupando os espa\u00e7os da poesia. Mundo estranho esse, no qual os lugares esquecidos passam a servir para a morte, e n\u00e3o para o sonho.<\/p>\n<p>Um dia, finalmente, demoliram a constru\u00e7\u00e3o e ergueram no lugar outra pilha de &#8220;engradados de guardar gente&#8221;. Agora, sim, creio eu, aquele terreno in\u00f3spito vive assombrado pela lembran\u00e7a da beleza que l\u00e1 existiu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na minha cidade havia uma casa enorme, mans\u00e3o dos tempos dos bar\u00f5es do caf\u00e9, que estava abandonada e tinha um jardim tamb\u00e9m impressionante. O jardim ficava detr\u00e1s de altos muros e estava tomado j\u00e1 de ervas, depois de d\u00e9cadas de esquecimento. Mas quando olh\u00e1vamos pelas gretas do port\u00e3o, v\u00edamos l\u00e1 dentro aquelas \u00e1rvores ex\u00f3ticas, aquelas fontes onde j\u00e1 n\u00e3o jorrava \u00e1gua, cobertas de mato. Havia uma dignidade, uma disposi\u00e7\u00e3o art\u00edstica ali. Algo que o descuido n\u00e3o apagava. Era um desafio comum em minha inf\u00e2ncia saltar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[46],"tags":[30,41,71],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/446"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=446"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/446\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4514,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/446\/revisions\/4514"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=446"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=446"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=446"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}