{"id":4994,"date":"2017-08-19T15:20:46","date_gmt":"2017-08-19T18:20:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=4994"},"modified":"2017-08-21T23:50:32","modified_gmt":"2017-08-22T02:50:32","slug":"os-dandis-do-congo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2017\/08\/os-dandis-do-congo\/","title":{"rendered":"Os D\u00e2ndis do Congo"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;The Congo Dandies&#8221;, do canal Russia Today, abriu meus olhos para um fato que eu at\u00e9 j\u00e1 intu\u00eda, mas que nunca racionalizara, muito menos verbalizara: o impacto que a ideologia consumista tem sobre as culturas do mundo em desenvolvimento, notadamente gerando situa\u00e7\u00f5es em que o fetiche da mercadoria *cria* subculturas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Congo Dandies (RT Documentary)\" width=\"525\" height=\"295\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mdrEtiE8P2I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Infelizmente ainda n\u00e3o legendado em portugu\u00eas, esse maravilhoso document\u00e1rio explica de maneira bem bruta como o colonialismo destruiu e recriou a cultura popular de um pa\u00eds africano, o Congo.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou com os soldados congoleses recrutados pelo ex\u00e9rcito colonial franc\u00eas, que foi desmobilizado gradualmente a partir da Segunda Guerra Mundial, devido \u00e0 descoloniza\u00e7\u00e3o. Esses soldados retornaram ao Congo com uma certa quantidade de dinheiro, ainda que seus soldos fossem menores que os das tropas francesas, e com as malas cheias de roupas e acess\u00f3rios adquiridos na Europa. Esses itens de vestu\u00e1rio foram usados por eles para se afirmarem perante os locais, apresentando-se bem-vestidos de uma maneira chocante para uma regi\u00e3o t\u00e3o pobre. Com isso adquiriram uma reputa\u00e7\u00e3o, ainda que posti\u00e7a, mantendo uma aparente dignidade depois do fim de seu per\u00edodo militar.<\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas seguintes, esses mesmos soldados, seus descendentes e seus imitadores mantiveram o h\u00e1bito de adquirir e usar roupas extraordin\u00e1rias como uma forma de elevar a autoestima. O grupo informal a que pertenciam recebeu o nome de <span style=\"font-variant: small-caps\">sape<\/span>, *Societ\u00e9 des Ambianceurs et des Personnes \u00c9legants* (Sociedade de Impressionadores e de Gente Elegante, numa tradu\u00e7\u00e3o livre). Os *sapeurs* cultivaram esses h\u00e1bitos por d\u00e9cadas, atravessando fases boas e ruins em seu pa\u00eds, expandindo sua influ\u00eancia para as regi\u00f5es vizinhas (Zaire, atual Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, e Gab\u00e3o) e usufruindo de uma certa idolatria entre os locais.<\/p>\n<p>Isto, claro, \u00e9 algo triste, porque revela a maneira como o fetichismo da mercadoria pode ir muito al\u00e9m do que Marx poderia supor, e como a ideologia consumista, filtrada pelas lentes do colonialismo, pode afetar as pessoas.<\/p>\n<p>Marx cunhou o termo &#8220;fetichismo da mercadoria&#8221; para descrever a maneira como os objetos produzidos pela economia capitalista assumem um papel subjetivo al\u00e9m de seu uso pr\u00e1tico:<\/p>\n<p>> O car\u00e1ter misterioso da forma-mercadoria consiste, portanto, simplesmente em que ela apresenta aos homens as caracter\u00edsticas sociais do seu pr\u00f3prio trabalho como se fossem caracter\u00edsticas<br \/>\nobjectivas dos pr\u00f3prios produtos do trabalho, como se fossem propriedades sociais inerentes a essas coisas; e, portanto, reflete tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o social dos produtores com o trabalho global como se fosse uma rela\u00e7\u00e3o social de coisas existentes para al\u00e9m deles. \u00c9 por este quiproqu\u00f3 que esse produtos se convertem em mercadorias, coisas a um tempo sens\u00edveis e suprassens\u00edveis (isto, \u00e9, coisas sociais).[&#8230;] Ao inv\u00e9s, a forma mercadoria e a rela\u00e7\u00e3o de valor dos produtos do trabalho na qual aquela se representa n\u00e3o tem a ver absolutamente nada com a sua natureza f\u00edsica nem com as rela\u00e7\u00f5es materiais dela resultantes. \u00c9 somente uma rela\u00e7\u00e3o social determinada entre os pr\u00f3prios homens que adquire aos olhos deles a forma fantasmag\u00f3rica de uma rela\u00e7\u00e3o entre coisas. Para encontrar algo de an\u00e1logo a este fen\u00f4meno, \u00e9 necess\u00e1rio procur\u00e1-lo na regi\u00e3o nebulosa do mundo religioso. A\u00ed os produtos do c\u00e9rebro humano parecem dotados de vida pr\u00f3pria, entidades aut\u00f4nomas que mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es entre si e com os homens. O mesmo se passa no mundo mercantil com os produtos da m\u00e3o do homem. \u00c9 o que se pode chamar o fetichismo que se aferra aos produtos do trabalho logo que se apresentam como mercadorias, sendo, portanto, insepar\u00e1vel deste modo-de-produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que Marx escreveu h\u00e1 muito tempo e tinha refer\u00eancias limitadas para trabalhar. Isso o impediu de desenvolver plenamente alguns conceitos que intuiu. O fetichismo da mercadoria \u00e9 um desses casos. A ideia de que as pessoas atribuem valores imateriais e subjetivos a objetos materiais foi bastante expandida desde ent\u00e3o, inclusive fora do terreno marxista \u2014 o que serve para lhe emprestar ainda mais valor. A ideia mais espec\u00edfica de que as mercadorias adquiririam um valor al\u00e9m das suas propriedades f\u00edsicas e de sua utilidade, embora *profetizada* por esse trecho de Marx, s\u00f3 encontrou plena frui\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XX, gra\u00e7as a te\u00f3ricos como Marshall McLuhan, que cunhou a c\u00e9lebre frase &#8220;o meio \u00e9 a mensagem&#8221;, com a qual Marx certamente concordaria. Portanto, voc\u00ea nem precisa concordar com Marx para aceitar a validade do conceito, apenas aprender a ler o mundo com os seus pr\u00f3prios olhos.<\/p>\n<p>Voc\u00ea come\u00e7a a entender porque quando chega ao trecho entre os 3min 40s e os 4min. &#8220;Pela minha dignidade, pela minha autoestima, eu precisava ter um par de Westons&#8221;. Nota alguma semelhan\u00e7a entre o discurso desse rapaz de Brazzaville e as letras de alguma m\u00fasica pop que ouviu recentemente?<\/p>\n<p>Ser um membro da <span style=\"font-variant: small-caps\">sape<\/span> \u00e9 uma maneira de buscar um status pessoal al\u00e9m das limita\u00e7\u00f5es da pobreza e do isolamento em que vivem as cidades africanas, invis\u00edveis ao mundo. Em anos recentes, com a descoberta dos *sapeurs* pela m\u00eddia europeia, aderir ao movimento passou a ser uma nova maneira de obter visibilidade. Os membros, afinal, s\u00e3o procurados para entrevistas a canais estrangeiros de televis\u00e3o, posam para fotos que sair\u00e3o em portais de not\u00edcias, entram no imagin\u00e1rio coletivo da humanidade. A <span style=\"font-variant: small-caps\">sape<\/span>, ent\u00e3o *cumpre o seu papel*, o que \u00e9 suficiente para que os seus membros a vejam como um sucesso.<\/p>\n<div id=\"attachment_4995\" style=\"width: 460px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-4995\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/sapeur.png\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"570\" class=\"size-full wp-image-4995\" srcset=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/sapeur.png 450w, http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/sapeur-118x150.png 118w, http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/sapeur-237x300.png 237w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><p id=\"caption-attachment-4995\" class=\"wp-caption-text\">By <a rel=\"nofollow\" class=\"external text\" href=\"http:\/\/www.flickr.com\/people\/70805295@N00\">Enric Bach<\/a> &#8211; <a href=\"\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/Flickr\" class=\"mw-redirect\" title=\"Flickr\">Flickr<\/a>: <a rel=\"nofollow\" class=\"external text\" href=\"http:\/\/flickr.com\/photos\/70805295@N00\/5880802609\">Entrevista a Mangrokoto Bayaya<\/a>, <a href=\"http:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by\/2.0\" title=\"Creative Commons Attribution 2.0\">CC BY 2.0<\/a>, <a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/w\/index.php?curid=25455733\">Link<\/a><\/p><\/div>\n<p>Buscar dignidade e autoestima naquilo que compra e possui, como, no caso, as roupas que veste, \u00e9 uma mentalidade capitalista t\u00edpica. *You are what you wear, wear well*, cantava Peter Gabriel em 1974, quando ainda era vocalista do Genesis. Nas sociedades capitalistas a posse de bens \u00e9 uma medida de status social considerada v\u00e1lida. Afinal, a burguesia n\u00e3o se originou de guerras (como a antiga nobreza de espada), mas do ac\u00famulo de bens materiais, que em seguida se traduziu no acesso ao poder pol\u00edtico. A propriedade demarca a linha invis\u00edvel entre a elite capaz de consumir e de usufruir do sistema plenamente e uma massa de indiv\u00edduos que n\u00e3o tem acesso aos bens de consumo, ou que os consome parcial e indiretamente.<\/p>\n<p>Talvez voc\u00ea tenha assistido esse document\u00e1rio com um riso no rosto, talvez tenha zombado desses caras &#8220;babacas&#8221; com seus ternos coloridos, seus rel\u00f3gios de ouro, suas bengalas, seus \u00f3culos de grife e suas gravatas espalhafatosas. Talvez. Mas ser\u00e1 que o fato de terem escolhido consumir em roupas os torna essencialmente diferentes de pessoas de outros lugares, que escolhem consumir outros objetos?<\/p>\n<p>> Agora eu fiquei doce, doce, doce, doce<br \/>\n> Agora eu fiquei doce igual caramelo<br \/>\n> &#8216;T\u00f4 tirando onda de Camaro amarelo<br \/>\n> Agora voc\u00ea diz &#8220;vem c\u00e1 que eu te quero&#8221;<br \/>\n> Quando eu passo no Camaro amarelo<br \/>\n> &#8212; &#8220;Camaro Amarelo&#8221;, de Munhoz e Mariano<\/p>\n<p><\/p>\n<p>> You mad cause I&#8217;m stacked up, and you underachiever<br \/>\n> You see the plat&#8217; Amex, you still fuck with Visas<br \/>\n> &#8212; &#8220;Bling Bling&#8221;, de Gucci Mane<\/p>\n<p><\/p>\n<p>> Agora assista a\u00ed de camarote<br \/>\n> Eu bebendo gela, tomando Ciroc<br \/>\n> Curtindo na balada, s\u00f3 dando virote<br \/>\n> E voc\u00ea de bobeira sem ningu\u00e9m na geladeira<br \/>\n> &#8212; &#8220;Camarote&#8221;, de Wesley Safad\u00e3o.<\/p>\n<p>Qual a diferen\u00e7a entre esbanjar com roupas, com carros, com cart\u00f5es de cr\u00e9dito ou com bebidas importadas caras? Talvez a diferen\u00e7a seja que as roupas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o caras quanto carros e telefones celulares de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, nem t\u00e3o ef\u00eameras quanto uma garrafa de bebida. Por isso s\u00e3o atraentes para os congoleses, s\u00e3o acess\u00edveis e seu efeito de status \u00e9 mais duradouro.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um dos aspectos cru\u00e9is do capitalismo, no qual as pessoas s\u00e3o frequentemente julgadas pelo que possuem e pelo que consomem, e s\u00e3o, \u00e0s vezes, for\u00e7adas a comprar coisas caras para que possam aparecer socialmente aceit\u00e1veis, tudo pela dignidade, pela autoestima ou, quando \u00e9 ainda pior, para manter uma imagem aceit\u00e1vel e garantir &#8220;empregabilidade&#8221;, que se traduz na pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>> Compramos coisas de que n\u00e3o precisamos com dinheiro que n\u00e3o temos para impressionar gente de quem n\u00e3o gostamos.<br \/>\n> Dave Ramsay<\/p>\n<p>Os *sapeurs* congoleses sabem que lhes \u00e9 concedida parca dignidade, que vivem em abjeta pobreza em um pa\u00eds que ainda \u00e9, de muitas formas, uma col\u00f4nia da Fran\u00e7a. Os fundadores da <span style=\"font-variant: small-caps\">sape<\/span> lutaram em uma terra estrangeira uma guerra que n\u00e3o era sua e usaram o dinheiro que ganharam para comprar coisas igualmente estrangeiras, com as quais se apresentaram como superiores (essa \u00e9 a palavra que se evita ao falar sobre a <span style=\"font-variant: small-caps\">sape<\/span>) aos seus compatriotas que n\u00e3o haviam estado em Paris. Eles, que haviam sentido na pele o tratamento indigno recebido dos franceses, quiseram elevar-se pelo consumo, adquirindo roupas francesas e fingindo-se cavalheiros parisienses.<\/p>\n<p>> Quando a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 libertadora, o sonho do oprimido \u00e9 tornar-se um opressor.<br \/>\n> Paulo Freire.<\/p>\n<p>A gente pobre das ruas de Brazzaville, a capital do Congo, que ainda leva em seu nome a homenagem a um explorador colonial, celebra e idolatra os *sapeurs*, que se apresentam como os &#8220;melhores&#8221; entre os seus pares, embora sejam pessoas comuns, que apenas compram e usam roupas bonitas &#8212; e caras.<\/p>\n<div style=\"width: 1610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-KySd2pFNWIA\/Uoph8WfojSI\/AAAAAAAACic\/FWxa9VFXLzs\/s1600\/100_3565.JPG\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-KySd2pFNWIA\/Uoph8WfojSI\/AAAAAAAACic\/FWxa9VFXLzs\/s1600\/100_3565.JPG\" width=\"1600\" height=\"1200\" alt=\"Tirando onda com o Camaro amarelo\" class=\"size-full\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Brasileiros tirando fotos com um Camaro amarelo<\/p><\/div>\n<p>Aqui vemos algo parecido: brasileiros comuns tirando fotos ao lado de um Camaro amarelo (obviamente alheio). A mera proximidade de um autom\u00f3vel transformada em um motivo para se fotografar e lembrar, visto que este \u00e9 objeto de desejo de muita gente, por ter entrado no imagin\u00e1rio popular atrav\u00e9s de uma can\u00e7\u00e3o pop de grande sucesso e pela sua associa\u00e7\u00e3o com os filmes dos *Transformers*.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o todos exemplos do fetiche da mercadoria desenvolvido al\u00e9m do que Marx poderia sequer sonhar. Carros de luxo n\u00e3o s\u00e3o essencialmente necess\u00e1rios, tal como roupas de grife. Estritamente falando, tudo o que um carro precisa para ser \u00fatil \u00e9 possuir um chassis, um motor, um teto, assentos para os ocupantes e os itens m\u00ednimos de seguran\u00e7a. Todos poderiam at\u00e9 ser da mesma cor, como Henry Ford os queria, poderiam ter o mesmo desenho ao longo das d\u00e9cadas \u2014 isso n\u00e3o importa para a sua utilidade. N\u00e3o dirigimos *design*, n\u00e3o transportamos mercadorias usando *design*.<\/p>\n<p>As pessoas querem um carro novo, que pare\u00e7a novo. Querem carros que se diferenciem dos carros que s\u00e3o acess\u00edveis ao p\u00fablico em geral. O carro deixou de ser um meio de transporte para ser um meio de marca\u00e7\u00e3o de status, assim como as roupas dos *sapeurs* deixaram de ser itens de vestu\u00e1rio para serem simb\u00f3licas de sua personalidade e de sua autoestima.<\/p>\n<p>Em todos os aspectos fundamentais, os congoleses da <span style=\"font-variant: small-caps\">sape<\/span> n\u00e3o s\u00e3o diferentes de pessoas como eu e voc\u00ea. Talvez seja mais agressivo o contraste entre suas roupas e a mis\u00e9ria dos lugares por onde andam, mas isto s\u00f3 muda alguma coisa quanto \u00e0 facilidade de perceber o absurdo do fetiche da mercadoria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;The Congo Dandies&#8221;, do canal Russia Today, abriu meus olhos para um fato que eu at\u00e9 j\u00e1 intu\u00eda, mas que nunca racionalizara, muito menos verbalizara: o impacto que a ideologia consumista tem sobre as culturas do mundo em desenvolvimento, notadamente gerando situa\u00e7\u00f5es em que o fetiche da mercadoria *cria* subculturas. Infelizmente ainda n\u00e3o legendado em portugu\u00eas, esse maravilhoso document\u00e1rio explica de maneira bem bruta como o colonialismo destruiu e recriou a cultura popular de um pa\u00eds africano, o Congo. 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