{"id":6343,"date":"2019-03-27T17:57:40","date_gmt":"2019-03-27T20:57:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=6343"},"modified":"2019-07-17T23:48:58","modified_gmt":"2019-07-18T02:48:58","slug":"o-relativismo-como-inimigo-da-democracia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2019\/03\/o-relativismo-como-inimigo-da-democracia\/","title":{"rendered":"O Relativismo como Inimigo da Democracia"},"content":{"rendered":"\n<p>A associa\u00e7\u00e3o entre o relativismo e o autoritarismo foi feita pela primeira vez por Allan Bloom, em <em>The Closing of the American Mind<\/em> (&#8220;O Fechamento da Mentalidade Americana&#8221;, que ganhou no Brasil o estranho t\u00edtulo de &#8220;O Decl\u00ednio da Cultura Ocidental&#8221;). Essa obra tem o estranho subt\u00edtulo &#8220;Como o Ensino Superior Traiu a Democracia e Empobreceu as Almas dos Estudantes&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Para aquele autor, a ideia de que haveria vers\u00f5es concorrentes e igualmente v\u00e1lidas <span style=\"text-decoration: underline;\"><\/span><span style=\"text-decoration: underline;\"><\/span>dos fatos hist\u00f3ricos seria uma estrat\u00e9gia dos conservadores, dos fascistas e dos herdeiros do escravismo sulista e teria por objetivo remover a condena\u00e7\u00e3o \u00f3bvia dessas ideologias ao minar a confian\u00e7a generalizada nos par\u00e2metros \u00e9ticos sobre os quais se ergue a sua condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso come\u00e7ou a partir da populariza\u00e7\u00e3o de uma vers\u00e3o pervertida da filosofia de Nietzsche &#8212; autor que fora, tamb\u00e9m, pervertido pelos fascistas alem\u00e3es com seus pr\u00f3prios objetivos. Para algu\u00e9m que se propunha como o carpidor dos valores filos\u00f3ficos, o autor talvez se sentisse incomodado com a facilidade com que a sua obra foi adotada pelos coveiros destes como uma esp\u00e9cie de celebra\u00e7\u00e3o da morte daquilo cujo \u00f3bito iminente ele lamentava.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright\"><img src=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/right-and-left-turn-only-arrow-sign-300x199.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6344\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Bloom aponta que v\u00e1rios termos do jarg\u00e3o nietzscheano se tornaram comuns no linguajar pol\u00edtico, mesmo entre aqueles que nunca leram o autor alem\u00e3o. Discursos baseados em &#8220;valores&#8221; (no plural), &#8220;carisma&#8221; (como um atributo pessoal), &#8220;comprometimento&#8221;, &#8220;identidade&#8221;, &#8220;estilo de vida&#8221; e outros foram primeiro encontrados em <em>Gaia Ci\u00eancia<\/em> e <em>Al\u00e9m do Bem e do Mal<\/em> (este \u00faltimo uma obra essencial para entender o relativismo p\u00f3s-moderno).<\/p>\n\n\n\n<p>A conex\u00e3o com certa vertente filos\u00f3fica alem\u00e3 se tornou t\u00e3o evidente que alguns termos nem foram traduzidos, como <em>gestalt<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Bloom aponta esta conex\u00e3o &#8220;alem\u00e3&#8221; ele n\u00e3o o faz por preconceito contra os alem\u00e3es em geral, ou sua filosofia, mas por reconhecer que o fascismo em geral, e o nazismo em particular, descenderam de uma determinada linha de pensamento. Esta linha de pensamento, por haver produzido um fruto t\u00e3o perigoso, contra o qual se teve de travar uma guerra mundial, deveria ser analisada sob um prisma cr\u00edtico intenso. Para Bloom, no entanto, foi justamente esta linha de pensamento que passou a imperar no sistema universit\u00e1rio americano.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas para constar, pois nem todos voc\u00eas procurar\u00e3o o livro de Bloom para ler, a linha de pensamento a que ele se refere parte de Hegel e segue por Fichte, Nietzsche, Freud, Fromm e Heidegger. Nem todos esses autores foram utilizados de maneira honesta pelos fascistas (Hegel e Nietzsche foram claramente pervertidos por eles), mas outros tiveram rela\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas demais com o fascismo e ainda assim se permitiram manter com este rela\u00e7\u00f5es prom\u00edscuas (caso de Heidegger e, talvez, de Fromm).<\/p>\n\n\n\n<p>Essas ideias, claro, ao mesmo tempo em que cortejavam o &#8220;umbiguismo&#8221; dos intelectuais (sua obsess\u00e3o com a &#8220;autodescoberta&#8221; atrav\u00e9s do exame das camadas &#8220;subconscientes&#8221; da mente, propostas por Freud), trabalhavam contra a democracia. Isso acontece, para Bloom, quando os perdedores da Guerra de Secess\u00e3o, que ainda tinham certa dose de poder econ\u00f4mico regionalmente limitado e estavam dispostos a lutar pela sua legitima\u00e7\u00e3o, perceberam a utilidade do relativismo para reivindicar uma &#8220;identidade&#8221; sulista e seus &#8220;valores&#8221;. A ideia de valores minorit\u00e1rios, e da pr\u00f3pria exist\u00eancia de &#8220;minorias&#8221;, foi a solu\u00e7\u00e3o que encontraram (todos os grifos em it\u00e1lico acrescentados por mim):<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>O apelo \u00e0 f\u00f3rmula da minoria era enorme para todo tipo de gente, reacion\u00e1rios e progressistas, todos aqueles que nos anos vinte e trinta ainda n\u00e3o aceitavam a solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica imposta pela Constitui\u00e7\u00e3o. Os reacion\u00e1rios n\u00e3o gostavam da supress\u00e3o dos privil\u00e9gios de classe e do secularismo. Por diversas raz\u00f5es eles simplesmente n\u00e3o podiam aceitar a igualdade. Os sulistas sabiam muito bem que o cora\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o continha um compromisso moral com a igualdade e que, por isso, condenava a segrega\u00e7\u00e3o dos negros. A Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o era apenas um conjunto de regras de governo, mas implicava em uma ordem moral que devia ser implementada por toda a Uni\u00e3o. Mesmo assim, o que ainda n\u00e3o foi suficientemente percebido, a influ\u00eancia de autores e historiadores sulistas na escrita de sua hist\u00f3ria foi muito forte. Foram particularmente bem-sucedidos em caracterizar a sua &#8220;institui\u00e7\u00e3o peculiar&#8221; como parte de uma diversidade charmosa e de uma individualidade cultura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qual a Constitui\u00e7\u00e3o fora pior do que indiferente. O ideal de uma mente aberta, sem etnocentrismo, era tudo de que precisavam para uma defesa moderna de seu modo de vida contra a invas\u00e3o de forasteiros que exigiam direitos iguais aos dos cidad\u00e3os dom\u00e9sticos. A rom\u00e2ntica caracteriza\u00e7\u00e3o que os sulistas fizeram das supostas falhas da Constitui\u00e7\u00e3o e a sua hostilidade \u00e0 &#8220;sociedade de massas&#8221; com a sua tecnologia e seu modo de vida avarento, com indiv\u00edduos ego\u00edstas e concomitante destrui\u00e7\u00e3o do que era comunit\u00e1rio, org\u00e2nico e enraizado apelou aos descontentes de todas as cores pol\u00edticas. <em>A Nova Esquerda dos anos sessenta expressou exatamente a mesma ideologia que fora desenvolvida no Sul para proteger suas pr\u00e1ticas das amea\u00e7as representadas pelos direitos Constitucionais e pelos poderes do Governo Federal para implement\u00e1-los. Eis a velha alian\u00e7a entre a Esquerda e a Direita contra a democracia liberal, batizada de &#8220;sociedade burguesa&#8221;.<\/em><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 de espantar que a direita seja inimiga da democracia liberal, porque n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel manter os privil\u00e9gios de uma sociedade de classes em um regime democr\u00e1tico. Que uma parte da esquerda se preste a esse papel \u00e9 menos previs\u00edvel, mas, afinal, desde Marx, a democracia liberal sempre foi vista com desconfian\u00e7a, como um mero empecilho \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o final do capitalismo rumo ao socialismo. O que mais causa espanto aqui \u00e9 que a democracia tenha t\u00e3o poucos aliados &#8212; especialmente entre os intelectuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao fim e ao cabo deste processo que Allan Bloom analisou em 1987, de maneira t\u00e3o prof\u00e9tica, chegamos a uma situa\u00e7\u00e3o na qual o debate racional est\u00e1 se tornando imposs\u00edvel porque o valor de uma interven\u00e7\u00e3o passou a ser vinculado a quem a expressa &#8212; o conceito de &#8220;lugar de fala&#8221;. Certamente a democracia depende de vozes plurais e isso merece ser estimulado para combater a tend\u00eancia centralizadora, que \u00e9 a pr\u00f3pria ess\u00eancia do fascismo, mas negar a validade de uma opini\u00e3o com base em quem a expressa \u00e9 t\u00e3o perigoso quanto isso, n\u00e3o porque favore\u00e7a ao autoritarismo fascista, mas porque debilita o debate racional, abrindo campo para abordagens irracionais. Se n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel discutir civilizadamente e chegar a acordos racionais, em algum momento algu\u00e9m meter\u00e1 o p\u00e9 na porta, dissolver\u00e1 a bala as reuni\u00f5es improdutivas e impor\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o. \u00c9 parte da ideologia do fascismo o apelo \u00e0 a\u00e7\u00e3o, como solu\u00e7\u00e3o para a esterilidade dos debates intelectuais. Promover a esterilidade de tais debates n\u00e3o \u00e9 nenhuma maneira de prevenir o fascismo. O fato de esta abordagem bizantina ter falhado <em>duas vezes<\/em> em um mesmo s\u00e9culo (no entre-guerras e agora mais recentemente) talvez ainda n\u00e3o seja suficiente para que seus adeptos mais fan\u00e1ticos entendam o que est\u00e3o a fazer.<\/p>\n\n\n\n<p>Para finalizar este humilde texto, em que praticamente rendo homenagem a um pensador genial, gostaria de dar um exemplo de como o identitarismo (de que Bloom fala, mas que ainda n\u00e3o nomeia) envenenou o debate sobre direitos civis no mundo todo e no Brasil em particular.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o raro lideran\u00e7as identit\u00e1rias lan\u00e7am uma acusa\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica contra o grupo demogr\u00e1fico predominante (as feministas, contra os homens, o movimento negro, contra os &#8220;brancos&#8221;) como se fosse um diagn\u00f3stico da realidade social. Por exemplo: &#8220;os homens n\u00e3o gostaram da ideia de ver um filme bem sucedido com uma hero\u00edna&#8221; ou &#8220;os brancos piram quando veem um filme com um super her\u00f3i preto&#8221;. A partir do momento em que esta afirmativa \u00e9 feita por algu\u00e9m que tem seu &#8220;lugar de fala&#8221; (uma mulher e um negro, respectivamente), ela se torna verdade (ou melhor, uma p\u00f3s-verdade) e toda tentativa de demonstrar sua evidente falsidade passa a ser vista como uma &#8220;confirma\u00e7\u00e3o&#8221; de sua veracidade e como um teste atrav\u00e9s do qual aqueles que tentam criticar a afirmativa s\u00e3o identificados como part\u00edcipes (ou pelo menos c\u00famplices) da atitude que se pretende condenar. Se um homem diz que gostou do filme, isto n\u00e3o \u00e9 compreendido como uma evid\u00eancia de que a generaliza\u00e7\u00e3o &#8220;os homens&#8221; \u00e9 falha. Ele \u00e9 repreendido por haver se intrometido, em geral com frases do tipo &#8220;n\u00e3o estamos falando de voc\u00ea&#8221;, seguidas de algum tipo de xingamento, logo secundado por uma claque. Se um branco diz que n\u00e3o se incomodou com o Pantera Negra e que, inclusive, j\u00e1 era f\u00e3 do personagem de quadrinhos, algum tipo de rea\u00e7\u00e3o do mesmo n\u00edvel se suceder\u00e1, em geral negando a legitimidade da simpatia do branco pelo personagem. Em ambos os casos, as vozes que tentaram negar a generaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o identificadas como agentes de uma esp\u00e9cie de compl\u00f4 para <em>disfar\u00e7ar<\/em> essa realidade imagin\u00e1ria na qual n\u00e3o existem justos. Essas vozes recebem o que, modernamente, equivale a piche e penas: o opr\u00f3brio das redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Por causa da ideia de que a vis\u00e3o das minorias sobre a sua situa\u00e7\u00e3o na sociedade tem preced\u00eancia sobre qualquer tentativa de realmente entender esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 que chegamos a um ponto em que a percep\u00e7\u00e3o subjetiva de um membro da minoria se torna inquestion\u00e1vel e a verdade, uma quimera. Isto \u00e9 bastante \u00fatil quando se quer negar a realidade de injusti\u00e7as hist\u00f3ricas, como a escravid\u00e3o e a opress\u00e3o da mulher, mas tamb\u00e9m \u00e9 muito \u00fatil quando se quer construir lideran\u00e7as falsas, mais interessadas em ganhos imediatos do que em uma luta <em>efetiva<\/em>, baseada em um entendimento racional dos desafios \u00e0 frente.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema com as lideran\u00e7as verdadeiras e com as lutas efetivas \u00e9 que isso demanda tempo &#8212; coisa que \u00e9 cada vez mais rara nesse mundo veloz em que vivemos. Por isso a verdade se tornou fluida e a l\u00f3gica argumentativa virou um <em>empecilho<\/em> para o atingimento de conclus\u00f5es necess\u00e1rias. Diante de tantos dados confusos, chegar a conclus\u00f5es \u00e9 um conforto intelectual, que nos salva do assustador abismo do niilismo. Se a conclus\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil, porque n\u00e3o temos tempo ou porque n\u00e3o temos compet\u00eancia, n\u00e3o raros s\u00e3o aqueles que culpam as ferramentas e os procedimentos e atacam os princ\u00edpios atrav\u00e9s dos quais os dados s\u00e3o analisados. A abordagem &#8220;hol\u00edstica&#8221;, que se baseia em uma vis\u00e3o que vai &#8220;al\u00e9m da l\u00f3gica fria&#8221; serve a esse prop\u00f3sito de atalhar o caminho entre o choque da realidade e a necessidade de acreditar em uma compreens\u00e3o da realidade. Mesmo que o pre\u00e7o disso seja impossibilitar o entendimento do que de fato ocorre.<\/p>\n\n\n\n<p>Na eventualidade da derrota de uma luta baseada em no\u00e7\u00f5es falhas da realidade, por sua vez criadas pelo isolamento do intelectual em rela\u00e7\u00e3o a procedimentos racionais de an\u00e1lise, sempre se pode culpar algum compl\u00f4 e atacar os cr\u00edticos como se a sua oposi\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 irracionalidade tivesse sido o fator de enfraquecimento do muro de palha com que se pretendia cercar o mal l\u00e1 fora.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m um bom momento para se fazer expurgos, porque \u00e9 muito mais f\u00e1cil atirar nos aliados do que nos inimigos: eles est\u00e3o mais perto e sabemos quais s\u00e3o perigosos e quais n\u00e3o ter\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de reagir. Os aliados voc\u00ea conhece bem, sabe onde d\u00f3i ou onde \u00e9 fatal, os inimigos s\u00e3o menos \u00f3bvios. Os aliados est\u00e3o mais perto, ent\u00e3o o alvo \u00e9 claro. Inimigos s\u00e3o difusos, distantes, dif\u00edceis de acertar. Al\u00e9m disso, os inimigos s\u00e3o muitos e os aliados s\u00e3o poucos, ent\u00e3o \u00e9 mais f\u00e1cil se tornar protagonista eliminando quem divide a luta ao seu lado do que eliminando o advers\u00e1rio. Se o advers\u00e1rio for derrotado por uma grande coaliz\u00e3o, voc\u00ea dividir\u00e1 a fama com muita gente. Mas mesmo que voc\u00ea perca a luta, se estiver sozinho ter\u00e1 o reconhecimento p\u00f3stumo. Atacar os aliados \u00e9 uma atitude, ent\u00e3o, \u201cmais produtiva\u201d se o que voc\u00ea quer \u00e9 ter aten\u00e7\u00e3o em vez de resultados, se quer \u00e9 &#8220;protagonismo&#8221; em vez de efic\u00e1cia. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A associa\u00e7\u00e3o entre o relativismo e o autoritarismo foi feita pela primeira vez por Allan Bloom, em The Closing of the American Mind (&#8220;O Fechamento da Mentalidade Americana&#8221;, que ganhou no Brasil o estranho t\u00edtulo de &#8220;O Decl\u00ednio da Cultura Ocidental&#8221;). Essa obra tem o estranho subt\u00edtulo &#8220;Como o Ensino Superior Traiu a Democracia e Empobreceu as Almas dos Estudantes&#8221;. 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