{"id":645,"date":"2013-10-11T22:50:05","date_gmt":"2013-10-12T01:50:05","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=645"},"modified":"2017-08-13T01:09:30","modified_gmt":"2017-08-13T04:09:30","slug":"os-dez-de-pablo-conejo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2013\/10\/os-dez-de-pablo-conejo\/","title":{"rendered":"Os Dez de Pablo Conejo"},"content":{"rendered":"<p>Duas not\u00edcias bomb\u00e1sticas marcaram a Feira Liter\u00e1ria Internacional de Frankfurt, esta semana. A primeira foi o \u00e9pico discurso de Luiz Ruffato (conterr\u00e2neo meu, \u00f3 que orgulho!), discorrendo sobre o ser escritor em um pa\u00eds como o Brasil. A segunda foi a revolta daquele a quem todos amamos, ou amamos odiar, o alquimista de ideias, mago pluv\u00edfero, doutor em ventriloquia card\u00edaca e etc.<\/p>\n<p>Da primeira not\u00edcia, nada declarar pois seria sup\u00e9rfluo fazer mais do que recomendar a leitura do texto registrado pelo autor daquela obra genial, mas dura de ler, &#8220;Eles Eram Muitos Cavalos&#8221;. Prefiro, claro, dedicar-me a analisar as declara\u00e7\u00f5es e atitudes do mago das letras desde que se viu na lista dos indicados pelo governo para a representa\u00e7\u00e3o p\u00e1tria na terra da salsicha.<\/p>\n<p>Paulo Come\u00e7ou expressando seu estranhamento pela lista, declarando n\u00e3o conhecer a maioria dos indicados, pondo em d\u00favida seu papel na literatura nacional:<\/p>\n<p>> Dos 70 convidados, s\u00f3 conhe\u00e7o 20, nunca ouvi falar dos outros<br \/>\n> 50. S\u00e3o, presumivelmente, amigos dos amigos dos amigos. Um<br \/>\n> nepotismo. O que mais me aborrece: existe uma nova e excitante<br \/>\n> cena liter\u00e1ria no Brasil. Muitos desses jovens autores n\u00e3o<br \/>\n> est\u00e3o na lista.<\/p>\n<p>Toda lista \u00e9 pol\u00eamica, \u00e9 claro. Toda lista ter\u00e1 &#8220;penetras&#8221;. Eu que estou acostumado a falar mal de concursos sei bem que toda sele\u00e7\u00e3o de escritores \u00e9 meio arbitr\u00e1ria, mas sempre d\u00e1 para manter a legi\u00adti\u00admidade da coisa com uma &#8220;massa cr\u00edtica&#8221; de nomes leg\u00ed\u00adti\u00admos, cada penetra ser\u00e1 contrabalan\u00e7ado por outros inquestion\u00e1veis. Por\u00adtanto, longe de mim dizer que a lista de indicados para a feira liter\u00e1ria de Frankfurt neces\u00adsariamente represente o que existe de melhor em nossa literatura. Mas a afirmativa de Paulo Coelho soou muito mal.<\/p>\n<p>Pegou mal porque \u00e9 falaciosa. Ele usa seu conhecimento como medida para a legitimidade dos nomes nela presentes, o que soa engra\u00e7ado, para dizer o m\u00ednimo. Em primeiro lugar n\u00e3o existe nenhum autor que possa reivindicar o direito de ser um &#8220;metro&#8221; do valor do trabalho liter\u00e1rio alheio de forma t\u00e3o absoluta. Em segundo, o Paulo Coelho n\u00e3o se notabiliza por ter uma cultura liter\u00e1ria digna de nota, mas por escrever livros simples e de f\u00e1cil leitura, que ven\u00addem muito. Ele \u00e9 s\u00f3 autor de &#8220;best sellers&#8221; e n\u00e3o um semi\u00f3logo p\u00f3s-doutorado. <\/p>\n<p>A opini\u00e3o de Paulo Coelho sobre o valor liter\u00e1rio de outros escri\u00adtores tem o mesmo valor da opini\u00e3o dos pro\u00addutor do vinho Sangue de Boi num evento de en\u00f3logos. Sangue de Boi, assim como a litera\u00adtura de Paulo Coelho, \u00e9 um produto de massas que se notabiliza por ven\u00adder muito, n\u00e3o por ser refer\u00eancia de qualidade:<\/p>\n<p>> Dos 70 tipos de vinho desta feira, s\u00f3 conhe\u00e7o 20, nunca ouvi<br \/>\n> falar dos outros 50. S\u00e3o, presumivelmente, feitos por amadores<br \/>\n> em caves de fundo de quintal, indicados por amigos. Um<br \/>\n> nepotismo. O que mais me aborrece: existe uma nova e excitante<br \/>\n> variedade de vinhos nacionais, e esses n\u00e3o est\u00e3o na lista.<\/p>\n<p>N\u00e3o queria ofender os honrados produtores do Sangue de Boi, que j\u00e1 regou muitas noites de minha juventude alco\u00f3latra, mas \u00e9 obvio que ele n\u00e3o \u00e9 o mesmo tipo de produto que um Casillero del Diablo, por exemplo, e nem vou falar de marcas mais arcanas, porque n\u00e3o sou um en\u00f3logo. Produtores desses vinhos populares sabem que competem num nicho diferente e n\u00e3o fazem presepadas. Dife\u00adrente do Paulo Coelho.<\/p>\n<p>Voc\u00eas podem me achar rid\u00edculo por dizer estas coisas a respeito de uma pessoa t\u00e3o bem-sucedida quanto Paulo Coelho, mas se tive\u00adrem um pouco de boa vontade e acompanhar o meu racioc\u00ednio, entender\u00e3o que foi o pr\u00f3prio que se colocou em um papel digno de riso. Ainda mais porque o fez por pura &#8220;inveja&#8221;.<\/p>\n<p>Inveja? \u2014 voc\u00eas devem estar perguntando \u2014 como um autor que conse\u00adgue vender milh\u00f5es de exemplares por ano pode ter inveja de quem s\u00f3 vende alguns milhares, ou nem isso? Gente que ele nem conhece?<\/p>\n<p>Inveja, sim. E eu explico o porqu\u00ea.<\/p>\n<p>Quando Paulo Coelho se contemplou na lista de Frankfurt, sentiu-se ofendido pelo fato de nela estar em posi\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria. \u00danico dela que escrevia &#8220;best sellers&#8221;, percebeu que sua presen\u00e7a era indese\u00adjada pelos organizadores do evento e que s\u00f3 estava l\u00e1 porque deve\u00adria haver algum tipo de exig\u00eancia de p\u00fablico ou a ideia de que seu nome atrai\u00adria visitantes\u2026 para conhecer as obras dos outros.<\/p>\n<p>Constatou ent\u00e3o que o seu nome ainda n\u00e3o foi engolido pelo &#8220;esta\u00adblish\u00adment&#8221; liter\u00e1rio, e possivelmente nunca ser\u00e1. Mesmo vendendo livros aos milh\u00f5es, continua sendo visto como um personagem secund\u00e1rio no universo liter\u00e1rio, ignorado pela cr\u00edtica, posto \u00e0 margem dos cur\u00adr\u00edculos de estudos, tolerado apenas como um personagem curioso que  atrai novos leitores.<\/p>\n<p>Este entendimento lhe deu a dimens\u00e3o exata de sua insignific\u00e2ncia, mas esta constata\u00e7\u00e3o foi percebida por ele como um desprezo injus\u00adtificado. As vendagens alimentam um ego que n\u00e3o aceita ser coadju\u00advante. Deve ter do\u00eddo pensar isso, mas como dizia Buda, toda a dor vem do desejo. Paulo Coelho sofreu com esta ofensa porque pretende ser o que n\u00e3o \u00e9: um &#8220;literato&#8221;.<\/p>\n<p>H\u00e1 autores que s\u00e3o valorizados pela qualidade, pela inventividade, pela novidade, pela beleza, pela imprevisibilidade, pelo realismo, por qualquer qualidade que aos poucos se torna conhecida. H\u00e1 auto\u00adres vendem muito, e outros menos. A maioria vende bem pouco. Mesmo os que pouco vendem podem ser muito valorizados pela qualidade que se atribui aos seus textos e podem encontrar, desta forma, um meio de vida liter\u00e1rio que as vendagens n\u00e3o sustentariam. O universo da literatura \u00e9 bastante grande para caber v\u00e1rios tipos de carreira.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 autores que apenas vendem muito. S\u00e3o os autores especia\u00adlis\u00adtas em &#8220;best sellers&#8221;: eles que se contentam em produ\u00adzir obras que divertem muita gente. N\u00e3o recebem nenhum reconhe\u00adci\u00admento da cr\u00edtica liter\u00e1ria, mas em troca vendem muito. S\u00e3o os que mais t\u00eam as obras adaptadas para o cinema e o teatro, e podem at\u00e9 chegar a ter reco\u00adnheci\u00admento, tardia ou postumamente. N\u00e3o lhes importa que n\u00e3o sejam assunto de monografias: contentam-se com o caviar e os iates que a sua obra lhes proporciona atrav\u00e9s dos direitos autorais. Para esse tipo de autor, o &#8220;profissionalismo&#8221; liter\u00e1rio, com todas as coisas gostosas e caras que proporciona, serve-lhes de consolo pelo Nobel que nunca ganhar\u00e3o. A troca \u00e9 justa e, como diz o ditado brit\u00e2nico que vi num filme: &#8220;you can\u2019t eat the cake and have it&#8221;.<\/p>\n<p>Paulo Coelho poderia ser feliz como um autor desses e contentar-se com o apar\u00adtamento de cobertura na orla do Rio de Janeiro, a mans\u00e3o \u00e0s margens do lago em Genebra e com o que mais tenha adquirido com os seus direitos autorais. Mas n\u00e3o, n\u00e3o lhe basta ser um dos maio\u00adres vendedores de livros do planeta: pretende ser reconhe\u00adcido pelo que n\u00e3o \u00e9, um autor de &#8220;grande litera\u00adtura&#8221; (aqui definida n\u00e3o como algo determinado mas como o que, por exemplo, costuma ser premia\u00addo com o Nobel e escolhido para representar o Brasil em Frankfurt). A m\u00e1goa de Paulo Coelho por n\u00e3o ser aceito no &#8220;Clube do Bolinha&#8221; n\u00e3o deixa de ser equivalente \u00e0 do sapo que queria ir \u00e0 festa no C\u00e9u.<\/p>\n<p>Verdade seja dita, a pretens\u00e3o coelhiana fica mais rid\u00edcula quando consideramos que ele praticamente n\u00e3o fez nenhum esfor\u00e7o em toda a sua carreira para atingir um patamar de qualidade que fosse aceito pela academia. Seus livros t\u00eam hoje mais ou menos os mesmos defei\u00adtos que os de vinte anos atr\u00e1s. N\u00e3o apenas o autor n\u00e3o evoluiu com a reg\u00ean\u00adcia verbal e a pontua\u00e7\u00e3o, como tampouco passou a con\u00adtar com melhor revis\u00e3o de sua gram\u00e1tica. Sim, ele foi eleito para a caqu\u00e9\u00adtica Academia Brasileira de Letras, mas muito antes dele esta ins\u00adtitui\u00e7\u00e3o j\u00e1 havia destru\u00eddo sua reputa\u00e7\u00e3o, ao se curvar diante dos &#8220;talentos&#8221; de &#8220;autores&#8221; como Roberto Marinho, Jos\u00e9 Sarney, Aur\u00e9lio Lira Tavares, Austreg\u00e9silo de Athayde, Fernando Henrique Cardoso e Ivo Pitanguy; ao mesmo tem\u00adpo em que desprezou nomes como os poetas Carlos Drummond de Andrade e M\u00e1rio Quintana. A ABL j\u00e1 est\u00e1 marcada para sempre como a institui\u00e7\u00e3o que elege Jos\u00e9 Sarney mas pretere o Drummond por raz\u00f5es ideol\u00f3gicas. E em termos de atentados \u00e0 l\u00edngua p\u00e1tria, Jos\u00e9 Sarney os cometeu mais graves, embora, possivelmente, menos numerosos (pela mesma raz\u00e3o de errar menos passes o time que tem 20% da posse de bola).<\/p>\n<p>Esse desejo passivo de ser resgatado pela literatura, e ser aceito tal como \u00e9, sem precisar mudar, reflete o mesmo egocentrismo que o boicote \u00e0 Feira de Frankfurt evidenciou de forma mais clara. Paulo Coelho imagina-se uma esp\u00e9cie de g\u00eanio incompreendido, reclama que ainda n\u00e3o tenham vindo busc\u00e1-lo, e tange a lira diante do inc\u00eandio da literatura universal declamando &#8220;que grande artista o mundo vai perder&#8221;. Quem se senta \u00e0 espera das homenagens que merece n\u00e3o pode reclamar de nada. E Paulo Coelho at\u00e9 que recebe homenagens demais! E ainda assim consegue estar insatisfeito com o que consegue. <\/p>\n<p>E ressente-se da falta das homenagens que lhe negam, porque n\u00e3o se basta com todas as que j\u00e1 tem. Paulo Coelho, um dos literatos mais invejados do mundo, parece invejar que existam homenagens a quali\u00addades diferentes das que tem (sim, ele tem qualidades). Se ele \u00e9 o mais bem-sucedido autor brasileiro de &#8220;best-sellers&#8221;, fica magoado porque h\u00e1 homenagens a outras qualidades al\u00e9m das de vender. Ent\u00e3o pega a si mesmo como exemplo, e vai medir o valor dos outros tendo por base o valor (\u00fanico) que tem. Donde conclui que n\u00e3o s\u00e3o dignos de reconhecimento os autores que n\u00e3o vendem muito, que suas vendas escassas os tornam menos autores.<\/p>\n<p>Mais do que desejar um reconhecimento que a sua categoria enquanto autor n\u00e3o merece, Paulo Coelho quer que tal reconhecimento se fa\u00e7a \u00e0s expensas de escritores diferentes dele. Paulo Coelho deseja que se apaguem as estrelas de autores como Marina Colasanti, Luiz Ruffato, Miltom Hatoum, Patr\u00edcia Melo, Crist\u00f3v\u00e3o Tezza para que se possa p\u00f4r no centro do palco os autores como ele, autores que vendem.<\/p>\n<p>Tudo isto porque, com a agudeza de percep\u00e7\u00e3o que a idade nos traz, o velho mago percebeu que sua presen\u00e7a no meio dos autores n\u00e3o era sen\u00e3o uma concess\u00e3o ao volume de leitores que tem. Concess\u00e3o feita de m\u00e1 vontade porque n\u00e3o existe di\u00e1logo poss\u00edvel entre a obra rasa do mago que faz chover e a pretens\u00e3o de profundidade que acomete a maioria de nossos estudiosos de literatura.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s a bomb\u00e1stica recusa em participar da Feira de Frankfurt, iniciou um movimento para boicote o evento do ano que vem. Prop\u00f5e-se a reunir 10 autores de sua escolha para participar de uma esp\u00e9\u00adcie de &#8220;comitiva pirata&#8221; em 2014:<\/p>\n<p>> Ano que vem, me comprometo a levar 10 autores para Frankfurt.<br \/>\n> N\u00e3o vai ser a lista do Brasil, vai ser a minha lista! E digo<br \/>\n> isso como futuro chefe de panelinha!<\/p>\n<p>Os crit\u00e9rios para a inclus\u00e3o na &#8220;panelinha&#8221; s\u00e3o simples, segundo o blogue Brainstorm9, que entrevistou o mago: <\/p>\n<p>> Ele pretende estipular uma cota m\u00ednima de livros vendidos e<br \/>\n> selecionar os 10 mais relevantes. O conceito n\u00e3o \u00e9 dele, a<br \/>\n> ideia foi dada por Eduardo Sphor (\u00fanico dos citados que est\u00e1<br \/>\n> na feira, por conta pr\u00f3pria) e j\u00e1 foi tentada nesse ano,<br \/>\n> sem sucesso. <\/p>\n<p>Em substitui\u00e7\u00e3o a uma lista que inclui ganhadores de pr\u00eamios lite\u00adr\u00e1rios diversos, novas revela\u00e7\u00f5es, nomes consagrados e at\u00e9 mesmo a presen\u00e7a de autores de &#8220;best-sellers&#8221;, sem valor para a literatura tradicional; Paulo Coelho pretende escolher os &#8220;mais relevantes&#8221; (crit\u00e9rio subjetivo) entre os que atingirem uma cota m\u00ednima de livros vendidos. Para um autor que criticou o &#8220;nepotismo&#8221; dos crit\u00e9rios de indica\u00e7\u00e3o para a Feira deste ano, o crit\u00e9rio chega a ser c\u00f4mico de t\u00e3o incoerente.<\/p>\n<p>Paulo Coelho tem todo o direito de gastar seu dinheiro, investir a sua fama como quiser, n\u00e3o podemos impedi-lo de fazer nada, somente se for ilegal. Mas quem goste de literatura tem quase obriga\u00e7\u00e3o de torcer para que este seu projeto d\u00ea com os burros n\u2019\u00e1gua. Porque o projeto de Paulo Coelho \u00e9 nocivo para a literatura brasileira, e \u00e9 movido por dois baixos sentimentos: orgu\u00adlho e inveja.<\/p>\n<p>Orgulho porque, tendo lhe sido indicado um picadeiro lateral, pen\u00adsou que isso era uma &#8220;falta de respeito&#8221; e resolveu partir para um boicote, denegrindo a imagem dos indicados e at\u00e9 mesmo a do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Inveja porque, vendo outras pessoas receberem homenagens que dese\u00adjava, mesmo homenagens devidas a qualidades diferentes das suas, o mago simplesmente questionou o direito de tais qualidades serem as homenageadas.<\/p>\n<p>Sua rea\u00e7\u00e3o foi sect\u00e1ria, unilateral, antidemocr\u00e1tica. Manifestou o desejo da gl\u00f3ria pessoal em detrimento da alheia. N\u00e3o ficou incon\u00adformado pela fal\u00adta de reconhecimento ao seu trabalho, mas porque o trabalho alheio foi reconhecido. A revolta n\u00e3o \u00e9 contra a poss\u00edvel injusti\u00e7a de n\u00e3o lhe homenagearem mais, mas contra terem homenage\u00adado outro. Se isto n\u00e3o \u00e9 inveja\u2026 <\/p>\n<p>Em sua mente egoc\u00eantrica, sua qualidade mais forte, a de vender os milh\u00f5es de livros que vende, se sobrep\u00f5e \u00e0s que outros possam ter. Algu\u00e9m que vende milh\u00f5es de livros n\u00e3o pode ficar fora da ribalta. Esta \u00e9 uma mentalidade de senhor de engenho, que exigia a primeira fila da igreja na hora da missa, e se sentia ofendido quando algum incauto se sentava l\u00e1. Assim Paulo Coelho surtou, quando achou que o tamanho do palco n\u00e3o bastava para a grandeza de seu  per\u00adso\u00adna\u00adgem. Foi assim que saiu de perto e disse que n\u00e3o brincava mais. E assim que decidiu organizar uma brincadeira sua, com as suas regras, com os meninos de quem gosta mais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duas not\u00edcias bomb\u00e1sticas marcaram a Feira Liter\u00e1ria Internacional de Frankfurt, esta semana. A primeira foi o \u00e9pico discurso de Luiz Ruffato (conterr\u00e2neo meu, \u00f3 que orgulho!), discorrendo sobre o ser escritor em um pa\u00eds como o Brasil. A segunda foi a revolta daquele a quem todos amamos, ou amamos odiar, o alquimista de ideias, mago pluv\u00edfero, doutor em ventriloquia card\u00edaca e etc. Da primeira not\u00edcia, nada declarar pois seria sup\u00e9rfluo fazer mais do que recomendar a leitura do texto registrado pelo autor daquela obra genial, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[183],"tags":[49,20,132,93,148,87,57],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/645"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=645"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/645\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4747,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/645\/revisions\/4747"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}