{"id":7023,"date":"2019-09-11T21:47:29","date_gmt":"2019-09-12T00:47:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=7023"},"modified":"2019-09-11T23:04:50","modified_gmt":"2019-09-12T02:04:50","slug":"quem-e-o-pobre-de-direita","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2019\/09\/quem-e-o-pobre-de-direita\/","title":{"rendered":"Quem \u00e9 o \u201cpobre de direita\u201d?"},"content":{"rendered":"\n<p>Os \u00faltimos anos de nossa complicada evolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica trouxeram ao centro do debate uma s\u00e9rie de novas categorias, algumas das quais existem meramente como \u201cmemes\u201d, isto \u00e9, unidades m\u00ednimas de informa\u00e7\u00e3o, desprovidas de explica\u00e7\u00e3o profunda. Uma dessas categorias \u00e9 o tal \u201cpobre de direita\u201d, de que comentaristas de esquerda falam t\u00e3o mal. Esta postagem \u00e9 uma tentativa de explicar quem seria esse cidad\u00e3o e as raz\u00f5es pelas quais tanta gente acha que tal posicionamento n\u00e3o deveria existir.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem duas classes de \u201cpobre de direita\u201d, e uma explica\u00e7\u00e3o diferente para cada caso. Ambas as classes se caracterizam por seguir uma ideologia alheia.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-medium is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/coxinha...-250x209.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7024\" width=\"250\" height=\"209\" srcset=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/coxinha...-250x209.jpg 250w, http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/coxinha...-120x100.jpg 120w, http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/coxinha...-768x641.jpg 768w, http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/coxinha...-767x640.jpg 767w, http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/coxinha....jpg 1017w\" sizes=\"(max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>A\n primeira classe corresponde aos pobres propriamente ditos, \u00e0s pessoas \nque n\u00e3o t\u00eam o m\u00ednimo necess\u00e1rio para uma sobreviv\u00eancia digna. Gente que \nse veste mal, se alimenta mal, tem pouca instru\u00e7\u00e3o e depende de empregos\n miser\u00e1veis, quando n\u00e3o de programas sociais ou da caridade alheia.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa  classe foi chamada por Marx de \u201cl\u00fampen proletariado\u201d ou \u201clumpesinato\u201d,  por oposi\u00e7\u00e3o ao proletariado propriamente dito e ao campesinato.  Modernamente h\u00e1 quem a chame de \u201csubproletariado\u201d ou pessoas socialmente  vulner\u00e1veis ou, uma palavra que eu simplesmente adoro pela sua  expressividade, <em>precariado.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Se o proletariado se caracteriza por vender a sua for\u00e7a de trabalho em troca de sua subsist\u00eancia, o subprolet\u00e1rio sequer tem uma for\u00e7a de trabalho que o patr\u00e3o esteja disposto a comprar, ou que ele possa vender por um valor razo\u00e1vel. Por isto ele est\u00e1 relegado \u00e0s atividades que ningu\u00e9m mais quer executar e vive \u00e0 margem da sociedade, com um p\u00e9 na ilegalidade ou na informalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Modernamente, com a mudan\u00e7a das rela\u00e7\u00f5es de trabalho que ocorreu desde os tempos de Marx, podemos dizer que o proletariado tal como explicado por Marx se dividiu entre uma classe oper\u00e1ria de baixa remunera\u00e7\u00e3o e uma classe oper\u00e1ria de m\u00e9dia remunera\u00e7\u00e3o. O lumpesinato fica abaixo de ambas, por n\u00e3o ter emprego formal e n\u00e3o conseguir renda est\u00e1vel. S\u00e3o as pessoas \u201cabaixo da linha de pobreza\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os  membros do lumpesinato se caracterizam pela ignor\u00e2ncia, ou seja, eles  n\u00e3o t\u00eam acesso a uma boa educa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o t\u00eam a oportunidade de viajar \u2014  porque n\u00e3o ganham bons sal\u00e1rios, n\u00e3o podem gozar de f\u00e9rias e\/ou est\u00e3o  excessivamente vinculados ao seu local de resid\u00eancia, o que compromete sua  liberdade. Eles tamb\u00e9m n\u00e3o consomem informa\u00e7\u00e3o aprofundada pela  imprensa, porque n\u00e3o sabem ler ou somente sabem muito porcamente, isso quando conseguem ter algum dinheiro sobrando.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles  tamb\u00e9m se caracterizam pela constante amea\u00e7a de perda de seu meio de subsist\u00eancia. Para o membro do lumpesinato, ter ou n\u00e3o ter um emprego (prec\u00e1rio que seja) significa ter ou n\u00e3o ter comida na mesa a partir dos dias seguintes,  porque dependem de seu sal\u00e1rio para suas necessidades imediatas e  nunca lhes sobra nenhum recurso ao fim do m\u00eas para poupar pensando no  futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, o lumpesinato se caracteriza pela fragilidade das rela\u00e7\u00f5es sociais que o amparam, limitadas \u00e0 fam\u00edlia nuclear (quando muito) e a um grupo muito restrito de relacionamentos. O membro desta classe est\u00e1 frequentemente sujeito a subempregos ou a atividades humilhantes, na pr\u00f3pria base da escala social, ficando sempre perto de se ver \u201cfora\u201d da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas caracter\u00edsticas criam uma condi\u00e7\u00e3o segundo a qual o membro do  lumpesinato tende a aderir, pelo menos ostensivamente, quando n\u00e3o de  maneira sincera, \u00e0s mesmas ideias prevalentes na sociedade \u2014 mais especificamente as ideias difundidas pelas pessoas de quem dependem diretamente para receber seu pr\u00f3ximo pagamento ou de quem recebem ajuda. O subprolet\u00e1rio tende a vender o seu voto (quando vota) e inclusive o faz a um pre\u00e7o bem baixo.<\/p>\n\n\n\n<p>O  trabalhador prec\u00e1rio \u00e9 parte da massa  de manobra de quem controla seus meios de subsist\u00eancia. Ele faz parte de  um metaf\u00f3rico \u201ccurral eleitoral\u201d porque seus votos e sua a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica  s\u00e3o guiados por pessoas socialmente superiores. Marx dizia que o l\u00fampen  proletariado n\u00e3o possuiria nenhuma ag\u00eancia pol\u00edtica porque suas  necessidades imediatas impediam essa gente de pensar a longo prazo. <\/p>\n\n\n\n<p>No  entanto, o l\u00fampen proletariado tem uma forte propens\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia, que  \u00e9 muito aproveitada pelos seus \u201ccoron\u00e9is\u201d, mas que, quando surge a  perspectiva de uma agita\u00e7\u00e3o social revolucion\u00e1ria, pode facilmente  pender para a revolu\u00e7\u00e3o. Para Marx, uma revolu\u00e7\u00e3o iniciada pelo proletariado poderia facilmente obter a ades\u00e3o do l\u00fampen-proletariado \u2014 e essa seria uma condi\u00e7\u00e3o para o seu sucesso.<\/p>\n\n\n\n<p>Para  impedir que isso ocorra, os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massas produzem e  divulgam exclusivamente conte\u00fados alienantes ou idiotizantes. \u00c9 preciso  desacostumar essas pessoas do h\u00e1bito de pensar, para que n\u00e3o interpretem  corretamente os fatos pol\u00edticos e nunca detectem a <em>possibilidade<\/em> de uma mudan\u00e7a social profunda. Quando muito, devem ler essa possibilidade como uma amea\u00e7a, n\u00e3o como uma oportunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, os meios de propaganda da sociedade civil procuram alimentar uma cis\u00e3o entre o l\u00fampen-proletariado e as classes prolet\u00e1rias (de baixa e de m\u00e9dia renda), criando conceitos como o de \u201cprivil\u00e9gios\u201d, que nem sempre s\u00e3o aplicados aos mais ricos, mas o s\u00e3o, frequentemente, em rela\u00e7\u00e3o a profissionais de carreira est\u00e1vel \u2014 como professores, funcion\u00e1rios p\u00fablicos, policiais etc.<\/p>\n\n\n\n<p>A  segunda categoria \u00e9 a classe m\u00e9dia baixa, aquelas pessoas que tiveram  acesso a uma boa educa\u00e7\u00e3o, em geral voltada para treinamentos com vistas  \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0 elite ou ao Estado, e que, por isso, t\u00eam  condi\u00e7\u00f5es de se manter razoavelmente bem informadas, embora ainda n\u00e3o  tenham uma leitura ampla do mundo, por n\u00e3o terem condi\u00e7\u00f5es de viajar e  experimentar em primeira m\u00e3o a realidade distante.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas pessoas n\u00e3o deixam de ser prolet\u00e1rios s\u00f3 porque ganham um pouco mais. Podem deixar de ser <em>oper\u00e1rios<\/em>, porque n\u00e3o trabalham com as suas m\u00e3os, mas ainda s\u00e3o prolet\u00e1rios porque n\u00e3o controlam nenhuma propriedade expressiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas\n pessoas costumam estar em empregos um pouco melhor remunerados, o que \nlhes permite vestir-se melhor, ter um padr\u00e3o razo\u00e1vel de consumo (mas \nnada exagerado) e, no passado, costumavam orgulhar-se de consumir alguns\n dos mesmos produtos culturais acess\u00edveis \u00e0 elite (m\u00fasica erudita, \nvisitas a museus, aprecia\u00e7\u00e3o da literatura, etc.).<\/p>\n\n\n\n<p>Eles\n tamb\u00e9m se caracterizam pela vulnerabilidade de seu padr\u00e3o de vida, \nporque dependem de maneira muito imediata de seus sal\u00e1rios. O padr\u00e3o de \nvida relativamente melhor a que t\u00eam acesso compromete integralmente os \nseus rendimentos, mantendo-os sempre endividados. Sua casa pr\u00f3pria est\u00e1 \nhipotecada em centenas de presta\u00e7\u00f5es, seu carro foi comprado atrav\u00e9s de \ncons\u00f3rcio ou de um financiamento banc\u00e1rio. Eles tamb\u00e9m costumam \nendividar-se pagando escolas particulares para os filhos (para que eles \nn\u00e3o tenham que se \u201cmisturar\u201d com a ral\u00e9 ou porque creem que essas \nescolas oferecem um ensino melhor) e planos de sa\u00fade para toda a \nfam\u00edlia. Alguns ainda gastam seu dinheiro comprando produtos de \nprest\u00edgio (roupas de grife, computadores ou telefones Apple, carros \nbonitos) para manterem uma apar\u00eancia de superioridade. A perda de seu \nemprego significa uma queda vertiginosa de seu padr\u00e3o de vida, o que \npode ser incrivelmente doloroso porque antes estavam acostumados a viver\n melhor e a imaginar-se superiores ao povo em geral.<\/p>\n\n\n\n<p>A  essas condi\u00e7\u00f5es se soma uma terceira: a classe m\u00e9dia baixa se  caracteriza pelo que almeja ser. Sabe uma frase sempre presente nas  reuni\u00f5es de <em>team building <\/em>nas empresas? \u201cComporte-se, vista-se e  fale como o cargo que voc\u00ea quer ter.\u201d Quando eu era assistente de  neg\u00f3cios me estimulavam a imitar o comportamento, o linguajar, a postura  e a vestimenta dos gerentes. Assim eu andava sempre de cal\u00e7a social,  sapato impec\u00e1vel, gravata pendurada no pesco\u00e7o, camisa com abotoaduras,  cabelo com gel e barba feita todo dia (apesar disso ferrar com a minha  pele).<\/p>\n\n\n\n<p>Quando fui a\n uma entrevista para gerente, me aconselharam a comprar um terno melhor e\n eu gastei o equivalente a 40% de meu sal\u00e1rio do m\u00eas comprando um terno \nde primeira. Passei todo o processo me policiando para n\u00e3o pronunciar as\n palavras de um jeito caipira e para empregar todos os anglicismos que \ns\u00e3o obrigat\u00f3rios no ambiente corporativo \u2014 pronunciando-os errado, \nclaro, porque as pessoas que gostam de usar esse tipo de linguagem n\u00e3o \nsabem ingl\u00eas direito, apenas gostam de fingir que sabem, ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o \npode pronunciar corretamente, ou criar\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o em que v\u00e3o achar \nque voc\u00ea est\u00e1 pronunciando errado ou voc\u00ea vai se indispor com o superior\n dizendo que voc\u00ea est\u00e1 certo e ele errado\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Existe\n toda uma press\u00e3o social para que voc\u00ea viva cada dia olhando para cima, \npara aqueles que voc\u00ea quer emular, e n\u00e3o para baixo, para o lugar de \nonde voc\u00ea veio. H\u00e1 uma press\u00e3o n\u00e3o t\u00e3o sutil para que voc\u00ea deixe para \ntr\u00e1s \u201camigos que o puxam para tr\u00e1s\u201d e \u201cmodos de pensar derrotados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua\n capacidade de ascender profissionalmente depende de voc\u00ea assimilar \nesses valores ou de ser convincente ao fingir que os assimilou. Se voc\u00ea \nmantiver sua autenticidade, rir\u00e3o de voc\u00ea em cada lugar, achar\u00e3o gra\u00e7a \nde seus modos \u201cpobres\u201d e o acusar\u00e3o de \u201cpensar pequeno\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas\n circunst\u00e2ncias colocam a classe m\u00e9dia baixa, especialmente os que t\u00eam \nempregos em vez de empreenderem por conta pr\u00f3pria, em uma situa\u00e7\u00e3o de \nverdadeira lavagem cerebral. Diferente do l\u00fampen proletariado, que adere\n aos valores da elite por pragmatismo e ignor\u00e2ncia, a classe m\u00e9dia baixa\n \u00e9 doutrinada nesses valores o tempo todo e adere a eles por uma quest\u00e3o\n de cren\u00e7a mesmo. Tamb\u00e9m \u00e9 muito frequente que o membro da classe m\u00e9dia \nbaixa tenha uma rejei\u00e7\u00e3o muito grande pelos pobres, n\u00e3o s\u00f3 porque forma \nsua identidade ao negar que seja membro das classes inferiores mas, \ntamb\u00e9m, por temer retornar \u00e0 pobreza diante de algum imprevisto.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem\n consegue se libertar dessa espiral de doutrina\u00e7\u00e3o s\u00e3o somente os que j\u00e1\n nascem com mais conforto material, filhos ou netos daqueles que \nascenderam da classe m\u00e9dia baixa, ou que conseguem ter um pouco mais de \ndiscernimento da realidade porque tiveram acesso a mais cultura e \neduca\u00e7\u00e3o. Isso cria um conflito de gera\u00e7\u00f5es, entre os pais que seguem \nembebidos das doutrinas que lhes foram incutidas durante a vida inteira,\n e os filhos que n\u00e3o passaram pelas mesmas press\u00f5es, ou um conflito de \nideias, entre pessoas que tiveram acesso a ambientes plurais de \ndiscuss\u00e3o intelectual (como uma faculdade na \u00e1rea de Humanas) e pessoas \nque somente tiveram acesso a uma educa\u00e7\u00e3o instrumental (de que o grande \nparadigma no Brasil s\u00e3o os cursos da \u00e1rea de sa\u00fade).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m\n disso, a classe m\u00e9dia alta, por j\u00e1 possuir patrim\u00f4nio e n\u00e3o viver mais \nde contracheque a contracheque, tende a se sentir mais livre para n\u00e3o \nseguir automaticamente essa doutrina social. Alguns membros da classe \nm\u00e9dia alta se tornam, portanto, cr\u00edticos do sistema e s\u00e3o, por isso, \nridicularizados como \u201cesquerda festiva\u201d ou \u201csocialistas de iPhone\u201d \nporque supostamente seu padr\u00e3o de vida melhor lhes retira a legitimidade\n para pensar coletivamente (na verdade, \u00e9 justamente o melhor padr\u00e3o de \nvida que lhes habilita a pensar livremente). Outros membros da classe \nm\u00e9dia alta difundem as ideias de controle social, mas o fazem \npropositalmente, nem sempre por uma quest\u00e3o de serem doutrinados. Eles o\n fazem porque se beneficiam dessa ideologia, ainda que n\u00e3o sejam \nrealmente membros da elite social e cultural do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Os\n pobres de direita s\u00e3o essas pessoas que repercutem os valores de \ndireita e seguem suas conven\u00e7\u00f5es de comportamento. Seja por ignor\u00e2ncia e\n vulnerabilidade (l\u00fampen proletariado), seja por doutrina\u00e7\u00e3o e por \nreceio de perda do status conquistado (classe m\u00e9dia baixa).<\/p>\n\n\n\n<p>Quando voc\u00ea entende <em>como<\/em> os pobres s\u00e3o de direita e <em>por qu\u00ea, <\/em>percebe\n que ser um \u201cpobre de direita\u201d \u00e9 estar ajustado a uma situa\u00e7\u00e3o de \nopress\u00e3o. Aceitar a opress\u00e3o como algo proveitoso, ou mesmo inevit\u00e1vel, \u00e9\n negar-se a buscar um mundo melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>A\n ideologia do pobre de direita \u00e9 ego\u00edsta: ele quer, primeiro, afastar-se\n da pobreza, mesmo que muitas outras pessoas fiquem l\u00e1. Por isso a \ndireita o seduz, porque a manuten\u00e7\u00e3o do status quo, cerne do pensamento \nconservador, lhe permite atingir uma situa\u00e7\u00e3o ideal de separa\u00e7\u00e3o \ndaqueles a quem rejeita.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma mudan\u00e7a profunda, que provoque a melhoria do padr\u00e3o de vida das classes inferiores, pode <em>trazer para perto<\/em> essa gente de quem o pobre de direita tanto se esfor\u00e7ou para afastar-se.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os \u00faltimos anos de nossa complicada evolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica trouxeram ao centro do debate uma s\u00e9rie de novas categorias, algumas das quais existem meramente como \u201cmemes\u201d, isto \u00e9, unidades m\u00ednimas de informa\u00e7\u00e3o, desprovidas de explica\u00e7\u00e3o profunda. Uma dessas categorias \u00e9 o tal \u201cpobre de direita\u201d, de que comentaristas de esquerda falam t\u00e3o mal. 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