{"id":7084,"date":"2019-12-23T19:16:15","date_gmt":"2019-12-23T22:16:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=7084"},"modified":"2019-12-23T19:16:17","modified_gmt":"2019-12-23T22:16:17","slug":"o-plano-da-terra-plana","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2019\/12\/o-plano-da-terra-plana\/","title":{"rendered":"O Plano da Terra Plana"},"content":{"rendered":"\n<p>Espanta-me que entre tantos absurdos legais e filos\u00f3ficos que seguem sendo perpetrados nesse ano da desgra\u00e7a de 2019 tenha vindo \u00e0 baila a ideia torpe da \u201cTerra Plana\u201d, defendida pela boca de um idiota elevado \u00e0 quinta pot\u00eancia e empoderado por conluios inintelig\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-twitter wp-block-embed is-type-rich is-provider-twitter\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"twitter-tweet\" data-width=\"525\" data-dnt=\"true\"><p lang=\"pt\" dir=\"ltr\">N\u00e3o estudei o assunto da terra plana. S\u00f3 assisti a uns v\u00eddeos de experimentos que mostram a planicidade das superf\u00edcies aqu\u00e1ticas, e n\u00e3o consegui encontrar, at\u00e9 agora, nada que os refute.<\/p>&mdash; Olavo de Carvalho (@opropriolavo) <a href=\"https:\/\/twitter.com\/opropriolavo\/status\/1133838337570217984?ref_src=twsrc%5Etfw\">May 29, 2019<\/a><\/blockquote><script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Voltaire escreveu em sua obra &#8220;Quest\u00f5es sobre os Milagres\u2026&#8221; uma frase muito interessante: <strong>Aqueles que podem lev\u00e1-lo a crer em absurdos podem lev\u00e1-lo a cometer atrocidades. <\/strong>\u00c9 \u00e0 luz desta frase que devemos analisar este processo hist\u00f3rico presente. Talvez ela possa nos ajudar a entender o que planejam aqueles que pagam ao Or\u00e1culo de Cavalos para escoicear e relinchar pelo mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A frase do fil\u00f3sofo franc\u00eas se refere \u00e0 crendice popular em dogmas religiosos em geral. A tradu\u00e7\u00e3o dada acima \u00e9 uma tentativa de transformar o esp\u00edrito do original em um prov\u00e9rbio e, embora seja verdadeira em si mesma, n\u00e3o \u00e9 exatamente o que Voltaire escreveu (uma tradu\u00e7\u00e3o minha abaixo, a partir de meu parco franc\u00eas, apoiada no ingl\u00eas de uma tradu\u00e7\u00e3o bem reputada):<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Houve quem dissesse: &#8220;Crede naquilo que \u00e9 incompreens\u00edvel, inconsistente ou imposs\u00edvel porque n\u00f3s vos comandamos a crer nisto; ent\u00e3o ide e fazei aquilo que \u00e9 injusto porque n\u00f3s vos comandamos.&#8221; Tais pessoas demonstram um racioc\u00ednio admir\u00e1vel. De fato, <strong>quem quer que seja capaz de tornar-vos absurdos \u00e9 capaz de vos tornar injustos<\/strong>. Se n\u00e3o opuserdes \u00e0s ordens de crer no imposs\u00edvel a intelig\u00eancia que Deus p\u00f4s em v\u00f3s; ent\u00e3o n\u00e3o resistireis \u00e0s ordens de desrespeitar aquele divino senso de justi\u00e7a em vossos cora\u00e7\u00f5es. Assim que uma faculdade de vossas mentes for dominada, as demais faculdades igualmente se seguir\u00e3o. Disto derivam todos os crimes das religi\u00f5es que grassaram pelo mundo.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A cren\u00e7a no absurdo \u00e9 uma poderosa ferramenta pol\u00edtica, porque as pessoas est\u00e3o mais disposta a matar e a morrer para esconderem seus erros do que para fazerem o que \u00e9 justo. N\u00e3o \u00e0 toa sabemos frequentemente de pessoas de suposta boa \u00edndole que se meteram com bandidos cedendo \u00e0 chantagem. A chantagem funciona porque n\u00e3o queremos destruir a imagem p\u00fablica de perfei\u00e7\u00e3o infal\u00edvel que constru\u00edmos para n\u00f3s mesmos. Ent\u00e3o, se uma pessoa certa vez foi convencida a crer em algo patentemente absurdo, essa pessoa nunca poder\u00e1 admitir publicamente que se enganou, porque ver\u00e1 nisso uma humilha\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o ela acha mais certo manter a farsa, <em>mesmo depois que j\u00e1 notou o pr\u00f3prio engano<\/em>, do que dar dois passos para tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>O efeito desmobilizador da chantagem \u00e9 ainda mais forte na nossa era digital porque, protegidos pelo relativo anonimato que <em>imaginam<\/em> ter, h\u00e1 milh\u00f5es de pessoas dispostas a apontar seus dedos para os v\u00edcios, pecados e deslizes alheios. A tal cultura do &#8220;cancelamento&#8221; e a tal pr\u00e1tica de &#8220;arqueologia de redes sociais&#8221;. Ent\u00e3o, aquele que um dia acreditou no absurdo se sente ainda mais vulner\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 um ant\u00eddoto ilus\u00f3rio contra essa vulnerabilidade e ele se chama &#8220;valida\u00e7\u00e3o&#8221;. Ser validado por outras pessoas de seu mesmo c\u00edrculo de amizades faz com que voc\u00ea n\u00e3o considere idiota e absurdo algo que, em circunst\u00e2ncias normais o faria ter ataques de riso. Se voc\u00ea \u00e9 parte de um grupo, os valores e pr\u00e1ticas desse grupo se tornam normais para voc\u00ea. Sem querer fazer uma compara\u00e7\u00e3o excessivamente pol\u00eamica, falemos de algo mais corriqueiro: tatuagens.<\/p>\n\n\n\n<p>A tatuagem era originalmente um rito de passagem praticado por muitas culturas do mundo. A tatuagem policrom\u00e1tica foi inspirada na cultura japonesa, principalmente. A tatuagem monocrom\u00e1tica (ou &#8220;tribal&#8221;) existiu em diversas culturas do mundo: polin\u00e9sios, indianos, \u00e1rabes, certos povos amer\u00edndios, germ\u00e2nicos etc.<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria das pessoas nunca procuraria a dor de maneira espont\u00e2nea. Como diz a c\u00e9lebre considera\u00e7\u00e3o de C\u00edcero, em <em>Extremos do Bem e do Mal:<\/em><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Ningu\u00e9m rejeita, sofre ou evita o prazer por si mesmo, porque \u00e9 prazer, mas porque aqueles que n\u00e3o sabem usufruir racionalmente do prazer encontram consequ\u00eancias muito dolorosas. Tampouco h\u00e1 quem ame, persiga ou deseje obter a dor propriamente, porque \u00e9 dor, mas porque ocasionalmente haver\u00e1 circunst\u00e2ncias em que o padecimento e a dor podem resultar em grande prazer. Para tomar um exemplo trivial, quem de n\u00f3s alguma vez se esfor\u00e7ou laboriosamente sen\u00e3o para obter vantagens disso? Mas quem de n\u00f3s censuraria \u00e0quele que optasse por experimentar um prazer que n\u00e3o tivesse consequ\u00eancias, ou que evitasses uma dor que n\u00e3o trouxesse nenhum ganho resultante?<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, obviamente, as pessoas n\u00e3o se tatuam <em>porque d\u00f3i<\/em>, e, como n\u00e3o h\u00e1 prazer direto em submeter-se \u00e0 agulha do artista, resulta que as pessoas se tatuam em busca de prazeres indiretos e\/ou ulteriores. Como, por exemplo: a aceita\u00e7\u00e3o do grupo social a que pertencem. Hoje em dia, como a tatuagem se tornou aceit\u00e1vel na cultura mainstream, como as pessoas n\u00e3o enfrentam mais as san\u00e7\u00f5es profissionais e pessoas que costumavam acompanhar aos tatuados de outrora, ent\u00e3o pessoas que normalmente n\u00e3o se tatuariam se tatuar\u00e3o, n\u00e3o porque anteriormente o desejassem, mas porque agora esse \u00e9 o novo normal e h\u00e1 muitas circunst\u00e2ncias em que a tatuagem, uma vez feita, ter\u00e1 consequ\u00eancias positivas. Seja um elogio \u00e0 beleza do desenho, seja a possibilidade de identificar pessoas (para amizade ou rela\u00e7\u00e3o sexual) com interesses afins, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>A valida\u00e7\u00e3o social da tatuagem contribui para exacerbar ainda mais a sua popularidade. Prevejo que chegar\u00e1 um momento \u2014 e ele nem est\u00e1 t\u00e3o longe \u2014 em que as pessoas considerar\u00e3o antiquado, ou no m\u00ednimo esquisito e antissocial, quem n\u00e3o fa\u00e7a uma reles tatuagem. Ent\u00e3o, em vez de ser uma marca de &#8220;personalidade&#8221; (como eram as tatuagens roqueiras de antigamente), a pr\u00e1tica se tornar\u00e1 um imperativo cultural. Isso quer dizer que muitas pessoas j\u00e1 n\u00e3o se tatuar\u00e3o pelas oportunidades de prazer advindas da valida\u00e7\u00e3o, mas para fugir aos sofrimentos resultantes de n\u00e3o estar inserido na cultura mainstream.<\/p>\n\n\n\n<p>Espero que tenha conseguido abordar o tema sem ser agressivo nem preconceituoso. Mas, mesmo que tenha sido, espero que tenha, pelo menos, conseguido construir uma analogia v\u00e1lida e reutiliz\u00e1vel. Agora transponha essa analogia para os fen\u00f4menos citados.<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m busca crer em coisas absurdas, afinal, s\u00e3o absurdas. As pessoas creem porque s\u00e3o ignorantes (ent\u00e3o n\u00e3o conseguem perceber o absurdo inicialmente) ou por press\u00e3o social (est\u00e3o em um ambiente em que s\u00e3o for\u00e7adas a acatar o absurdo). Uma vez que voc\u00ea aceitou o absurdo inicial, tal como explicou o Voltaire, a sua racionalidade come\u00e7a a cair como um castelo de cartas. A \u00fanica coisa que poderia salvar sua funcionalidade seria a humildade, mas, como explicou Nietzsche, o ser humano n\u00e3o deseja ser humilde, ele deseja triunfar. Todos temos em n\u00f3s uma &#8220;vontade de pot\u00eancia&#8221; que nos leva a acatar mais facilmente o que nos valida do que aquilo que nos questiona. N\u00e3o queremos descobrir que somos fracos, mas ouvir que somos mais fortes do que pens\u00e1vamos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>&#8220;Fiz isso,&#8221; diz minha mem\u00f3ria racional. &#8220;N\u00e3o posso ter feito isso,&#8221; diz o meu orgulho. Eventualmente a mem\u00f3ria cede.<\/p><p>\u2014 Aforismo de Nietzsche em &#8220;Al\u00e9m do Bem e do Mal&#8221;.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A dor da descoberta da pr\u00f3pria limita\u00e7\u00e3o e falibilidade \u00e9 um obst\u00e1culo que somente os mais estoicos conseguem superar. A maioria morrer\u00e1 em nega\u00e7\u00e3o. Por isso as religi\u00f5es, notadamente as mais absurdas, dependem tanto do proselitismo junto \u00e0s crian\u00e7as. S\u00e3o os pequenos os ignorantes naturais, porque nasceram h\u00e1 pouco e ainda n\u00e3o aprenderam quase nada. Se forem obrigados a aceitar desde cedo cren\u00e7as absurdas, passar\u00e3o por toda a vida buscando maneiras de revalidar os absurdos, em vez de admitirem o dolorosos: que ouviram mentiras de gente que amavam, que perderam longos anos de sua vida em ritos e rela\u00e7\u00f5es sem sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>O confronto com essa situa\u00e7\u00e3o causa dor. Para evitar essa dor; que \u00e9 permanente porque se refere a tempo perdido, dinheiro pago em d\u00edzimos e rid\u00edculos passados em p\u00fablico; as pessoas se tornam capazes at\u00e9 de suportar dores objetivamente maiores, mas percebidas como de curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente h\u00e1 que se dizer que nem todas essas cren\u00e7as s\u00e3o iguais.<\/p>\n\n\n\n<p>O monarquismo n\u00e3o \u00e9 necessariamente uma cren\u00e7a absurda, apenas ligeiramente ing\u00eanua e obsoleta. Pessoas muito respeit\u00e1veis e racionais podem desenvolver teses aceit\u00e1veis explicando que, mesmo que n\u00e3o seja aconselh\u00e1vel hoje voltar \u00e0 monarquia, teria sido melhor nunca t\u00ea-la abolido.<\/p>\n\n\n\n<p>A rejei\u00e7\u00e3o a vacinas decorreu de um p\u00e2nico moral criado por um m\u00e9dico inescrupuloso pago por um laborat\u00f3rio (cujo nome \u00e9 proibido mencionar em not\u00edcias sobre o assunto, porque o processo judicial que vem em seguida \u00e9 impiedoso e tonitruante) para desacreditar a vacina gratuita contra o sarampo a fim de justificar que o governo gastasse milh\u00f5es comprando uma nova vacina, patenteada. As pessoas acreditaram porque, com o apoio desse laborat\u00f3rio poderoso, o m\u00e9dico (cujo nome tamb\u00e9m \u00e9 bom n\u00e3o mencionar) conseguiu publicar estudos at\u00e9 em revistas renomadas (revis\u00e3o por pares falha de vez em quando, especialmente quando empresas milion\u00e1rias presenteiam os revisores com lentes muito especiais\u2026). Depois a cren\u00e7a persiste porque existe uma tend\u00eancia at\u00e1vica de desconfian\u00e7a da ci\u00eancia (a Revolta da Vacina, por exemplo).<\/p>\n\n\n\n<p>O anarco-capitalismo \u00e9 uma ferramenta de guerra h\u00edbrida desenvolvida pelos EUA a partir dos escritos de Ludwig von Mises e de autores, como Rothbard e Rockwell, autores de textos delirantes que defendiam o direito de deixar os filhos morrer \u00e0 m\u00edngua ou de dirigir embriagado. O objetivo ainda me parece obscuro, ou pelo menos n\u00e3o cabe nessa resposta. Mas, diferente dos outros, foi uma constru\u00e7\u00e3o gradual, que tardou d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente o terraplanismo \u00e9 agora introduzido como &#8220;shibboleth&#8221; do conjunto de cren\u00e7as do neofascismo. Aqueles que j\u00e1 aceitaram o pacote de crendices iniciais precisam provar sua fidelidade dando o passo final, aceitar a terra plana, ou oca, ou em formato de biscoito. A ess\u00eancia aqui n\u00e3o \u00e9 a justifica\u00e7\u00e3o da cren\u00e7a, mas a obedi\u00eancia do fiel. Crer na terra plana \u00e9 &#8220;subir um grau&#8221; na confian\u00e7a do sistema. Haver\u00e1 um dia em que aqueles que n\u00e3o forem capazes de afirmar que a terra \u00e9 plana ser\u00e3o vistos como um tipo de esquisitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Como George Orwell previu, o regime exigir\u00e1 que os cidad\u00e3os creiam simultaneamente na validade de duas ideias mutuamente excludentes. Devem crer, por exemplo, no Google Mapas, que usa dados de sat\u00e9lites, mas acreditar na terra plana.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo, claro, adestrar essas pessoas para cometerem absurdos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Espanta-me que entre tantos absurdos legais e filos\u00f3ficos que seguem sendo perpetrados nesse ano da desgra\u00e7a de 2019 tenha vindo \u00e0 baila a ideia torpe da \u201cTerra Plana\u201d, defendida pela boca de um idiota elevado \u00e0 quinta pot\u00eancia e empoderado por conluios inintelig\u00edveis. Voltaire escreveu em sua obra &#8220;Quest\u00f5es sobre os Milagres\u2026&#8221; uma frase muito interessante: Aqueles que podem lev\u00e1-lo a crer em absurdos podem lev\u00e1-lo a cometer atrocidades. \u00c9 \u00e0 luz desta frase que devemos analisar este processo hist\u00f3rico presente. 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