{"id":7154,"date":"2020-04-29T21:38:34","date_gmt":"2020-04-30T00:38:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=7154"},"modified":"2020-04-29T21:38:36","modified_gmt":"2020-04-30T00:38:36","slug":"o-anti-intelectualismo-brasileiro-reflexoes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2020\/04\/o-anti-intelectualismo-brasileiro-reflexoes\/","title":{"rendered":"O Anti-intelectualismo Brasileiro: Reflex\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p>Anti-intelectualismo \u00e9 um fen\u00f4meno existente em todas as culturas do mundo desde que a hist\u00f3ria \u00e9 registrada. Em cada per\u00edodo da trajet\u00f3ria humana encontramos aqueles que depreciam os s\u00e1bios. Talvez hoje n\u00e3o matemos mais aos cientistas, como nos tempos antigos e medievais, por\u00e9m a lembran\u00e7a desses fatos deveria dissipar toda d\u00favida quanto \u00e0 perenidade do problema.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato \u00e9 verdade que o Brasil sempre se caracterizou por uma medida adicional de anti-intelectualismo \u2014 talvez origin\u00e1ria das medidas de conten\u00e7\u00e3o tomadas pela Coroa portuguesa durante os primeiros s\u00e9culos de nossa evolu\u00e7\u00e3o \u2014 por\u00e9m eu n\u00e3o diria nem mesmo que o nosso seja o pa\u00eds mais obscurantista do mundo. Essas coisas s\u00e3o sempre dif\u00edceis de medir e h\u00e1 sempre uma quest\u00e3o que turva mais o entendimento: quem est\u00e1 na escurid\u00e3o v\u00ea melhor a luz alheia do que consegue enxergar as trevas maiores que dominam outros lugares. Por isso aqueles que vivem em culturas tenebrosas tendem a ver-se em inferioridade diante dos que gozam da luz, em vez de se sentirem superiores aos que padecem sob uma noite pior. No nosso caso ainda mais, dado a esse pensamento de que o  segundo colocado \u00e9 o primeiro dos perdedores. Parte do viralatismo nacional, este pensamento reflete uma necessidade de se provar acima da m\u00e9dia para compensar a inferioridade da maioria.<\/p>\n\n\n\n<p>O anti-intelectualismo tem duas vertentes: a espont\u00e2nea e a estimulada. A primeira surge naturalmente da inveja e da incompreens\u00e3o, quando uma minoria atinge conhecimentos superiores, especialmente se deles usufrui de modo a ter mais conforto que o resto. A segunda \u00e9 estimulada pelos donos do poder como uma ferramenta de controle social. A primeira vertente inclui os casos mais emblem\u00e1ticos de obscurantismo, como o assassinato de Arquimedes pelo soldado romano que n\u00e3o tinha ideia do que o velho estava fazendo. A segunda \u00e9 mais sutil, porque \u00e9 necess\u00e1rio que as mais deliberadas conspira\u00e7\u00f5es pare\u00e7am naturais.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa segunda forma \u00e9 a que nos interessa mais, porque ocorre atualmente um fen\u00f4meno curioso. Desde o Iluminismo v\u00ednhamos sob a l\u00f3gica de que a coletividade deve proteger e prover para seus membros excepcionalmente dotados, a fim de que sejam produtivos para os interesses da sociedade. Isso criou condi\u00e7\u00f5es para a expans\u00e3o do ensino, o desenvolvimento das ci\u00eancias e a populariza\u00e7\u00e3o das artes. Mas h\u00e1 alguns anos vemos um fen\u00f4meno oposto, em que a intelectualidade passou a ser descrita como advers\u00e1rio do povo. Isso nasceu claramente com o fascismo italiano e dali se expandiu e se encastelou.<\/p>\n\n\n\n<p>Para essa vis\u00e3o de mundo, \u00e9 preciso manter os ignorantes tranquilos e os mesquinhos, confort\u00e1veis em suas posi\u00e7\u00f5es. A paz se constr\u00f3i quando os ignorantes n\u00e3o insistem em aprender e quando os mesquinhos n\u00e3o temem ter retirados seus privil\u00e9gios. A eventualidade de que algumas pessoas brilhantes se perdem por falta de oportunidade \u00e9 um pre\u00e7o pequeno a se pagar pela &#8220;estabilidade&#8221;, essa virtude c\u00edvica vazia.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o anti-intelectualismo \u00e9 uma ferramenta de poder usada para controle social, devemos esperar que o sentimento anti-intelectual seja mais forte onde mais grasse a ignor\u00e2ncia e mais comum onde o conhecimento se expandiu. Parece contradit\u00f3rio, mas n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>O sentimento anti-intelectual \u00e9 mais forte onde haja mais ignor\u00e2ncia porque os excepcionais n\u00e3o encontram interlocutores, da\u00ed ser f\u00e1cil espalhar-se a crendice em bruxarias, heresias e comunismos os mais diversos.<\/p>\n\n\n\n<p>O sentimento \u00e9 mais comum onde o conhecimento \u00e9 mais difundido porque quanto mais pessoas t\u00eam acesso ao conhecimento, mais dolorosa \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o daqueles que n\u00e3o o podem ter, ou que, tendo acesso ao estudo, n\u00e3o conseguem colher bem os seus frutos.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro caso temos um mal-entendido. No segundo, ressentimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal correla\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 inexata, n\u00e3o \u00e9 de 1:1. Certamente voc\u00ea espera encontrar mais obscurantistas no interior do Brasil do que nas ruas de Han\u00f4ver. N\u00e3o se engane, por\u00e9m, ao pensar que n\u00e3o os encontrar\u00e1 por l\u00e1 tamb\u00e9m. Talvez apenas n\u00e3o haja tantos, talvez n\u00e3o sejam t\u00e3o ousados, talvez n\u00e3o sintam a necessidade de fazer notar, talvez eles n\u00e3o estejam no poder.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o anti-intelectualismo \u00e9 uma ferramenta de poder, devemos esperar que esteja sempre pr\u00f3ximo de outras ideologias de poder, como, por exemplo, a religi\u00e3o. Isto \u00e9 muito f\u00e1cil de provar, porque \u00e9, inclusive, ensinamento b\u00edblico, pedra de toque do cristianismo:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Porque a palavra da cruz \u00e9 loucura para os que perecem; mas para n\u00f3s, que somos salvos, \u00e9 o poder de Deus.<\/p><p><em>Porque est\u00e1 escrito: Destruirei a sabedoria dos s\u00e1bios, e aniquilarei a intelig\u00eancia dos inteligentes.<\/em><\/p><p>Onde est\u00e1 o s\u00e1bio? Onde est\u00e1 o escriba? Onde est\u00e1 o inquiridor deste s\u00e9culo? Porventura n\u00e3o tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?<\/p><p>Visto como na sabedoria de Deus o mundo n\u00e3o conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da prega\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria;<\/p><p>Mas n\u00f3s pregamos a Cristo crucificado, que \u00e9 esc\u00e2ndalo para os judeus, e loucura para os gregos.<\/p><p>Mas para os que s\u00e3o chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus.<\/p><p>Porque a loucura de Deus \u00e9 mais s\u00e1bia do que os homens; e a fraqueza de Deus \u00e9 mais forte do que os homens.<\/p><cite>1 Cor\u00edntios 1: 18&#8211;25<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ainda que haja denomina\u00e7\u00f5es crist\u00e3s que n\u00e3o levem isso ao p\u00e9 da letra, h\u00e1 um tipo de cristianismo fundamentalista que o leva \u2014 curiosamente esse \u00e9 exatamente o tipo de cristianismo que tem se difundido no Brasil. As formas-pensamento dessa curiosa egr\u00e9gora parecem construir um ambiente perfeito para guerrear contra a intelectualidade:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"602\" height=\"505\" src=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/main-qimg-02982bae2b55b095b2e2e05375a47b29.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7155\" srcset=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/main-qimg-02982bae2b55b095b2e2e05375a47b29.jpg 602w, http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/main-qimg-02982bae2b55b095b2e2e05375a47b29-250x210.jpg 250w, http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/main-qimg-02982bae2b55b095b2e2e05375a47b29-120x101.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 602px) 100vw, 602px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A ideia de que Deus rejeita os &#8220;capacitados&#8221; enquanto &#8220;capacita&#8221; aos escolhidos indica que Deus rejeita o esfor\u00e7o humano pelo conhecimento (&#8220;capacita\u00e7\u00e3o&#8221;) enquanto habilita certas pessoas a executarem sua vontade, mesmo sem terem conhecimento formal.<\/p>\n\n\n\n<p>Engana-se, por\u00e9m, quem culpa o pentecostalismo por isso. O anti-intelectualismo, em nossa cultura, est\u00e1 profundamente ligado \u00e0 religi\u00e3o, isto \u00e9 verdade, mas ele <em>sempre esteve<\/em>, mesmo antes da populariza\u00e7\u00e3o do cristianismo fundamentalista. O Catolicismo de hoje, domesticado e tolerante ao pensamento racional, \u00e9 muito diferente do de outras \u00e9pocas. No fundo, toda religi\u00e3o reflete os valores da sociedade. Na verdade, o abandono crescente do Catolicismo pelos brasileiros apenas reflete o div\u00f3rcio intelectual e cognitivo entre a Am\u00e9rica Latina, onde a cultura e o conhecimento ainda n\u00e3o penetraram at\u00e9 o \u00e2mago da sociedade, e uma It\u00e1lia onde, apesar de todos as quest\u00f5es do fascismo, triunfou o pensamento moderno.<\/p>\n\n\n\n<p>Os brasileiros abandonam o Catolicismo porque rejeitam a racionalidade iluminista, que reformou e domesticou o Catolicismo. Nossa grande quest\u00e3o nacional \u00e9 que n\u00f3s n\u00e3o passamos pela descoloniza\u00e7\u00e3o: n\u00f3s ainda somos col\u00f4nia, ainda que n\u00e3o tenhamos mais metr\u00f3pole formal.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea certamente j\u00e1 ouviu a frase &#8220;astr\u00f4nomo incr\u00e9u \u00e9 louco&#8221;, que era dita por nossos antepassados, j\u00e1 deve ter ouvido algu\u00e9m na fam\u00edlia comentar sobre um conhecido que &#8220;enlouqueceu de tanto estudar&#8221;, j\u00e1 foi aconselhado a &#8220;dar um tempo nos estudos&#8221; ou alertado que &#8220;ler demais cansa a vista&#8221;. Tamb\u00e9m deve ter ouvido algum parente idoso mencionar um conhecido que ficou rico por\u00e9m mal sabia ler e escrever (eles sempre mencionavam tal conhecido quando queriam nos desestimular dos estudos, querendo dizer que para ser um sucesso na vida n\u00e3o \u00e9 preciso forma\u00e7\u00e3o). Nos tempos da col\u00f4nia, estudar era imposs\u00edvel ou in\u00fatil. No m\u00e1ximo o levava a ser padre. O que realmente marcava o sucesso era encontrar um bom veio de ouro ou ganhar os favores de El-Rei.<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso imagin\u00e1rio popular est\u00e1 repleto de frases ditas para desmotivar a busca do conhecimento e a nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria est\u00e1 cheia desses exemplos. At\u00e9 meados do s\u00e9culo XX os verdadeiros ricos e detentores do poder eram latifundi\u00e1rios ou descendentes de latifundi\u00e1rios ou pessoas que haviam se casado em fam\u00edlias de latifundi\u00e1rios. A ordem normal das coisas era os profissionais estudados (bachar\u00e9is, m\u00e9dicos, engenheiros, agr\u00f4nomos, contadores etc.) trabalharem para tais figuras, consolidando uma hierarquia na qual o ignorante, detentor tradicional do poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico era provedor, protetor e empregador do letrado. O magist\u00e9rio? Esse era o destino das filhas dos ricos. Pagava-se pouco porque elas n\u00e3o dependiam do sal\u00e1rio para viver, era o seu &#8220;sacerd\u00f3cio&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A posi\u00e7\u00e3o de poder do latifundi\u00e1rio ignorante lhe dava a prerrogativa de escolher quais conhecimentos aceitava e quais rejeitava. Em minha fam\u00edlia h\u00e1 in\u00fameras hist\u00f3rias saborosas do quanto nossos antepassados e amigos rejeitaram os conselhos dos agr\u00f4nomos da EMATER. Na cabe\u00e7a dos fazendeiros carrancudos um jovem rec\u00e9m formado nunca poderia saber mais sobre a terra que um agricultor experiente. Aqui temos uma clara rela\u00e7\u00e3o de poder: o rec\u00e9m-formado, apesar de detentor do conhecimento cient\u00edfico, por estar em uma posi\u00e7\u00e3o social subalterna, tem seu conselho rejeitado como ineficiente ou ilus\u00f3rio. E continua-se a derrubar o mato, queimar a terra, plantar em leiras verticais e outras obscenidades que destroem o solo e inviabilizam a agropecu\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, o estudo podia ser tamb\u00e9m visto como elemento desagregador das tradi\u00e7\u00f5es. Toda fam\u00edlia mineira tem pelo menos um caso em que se recitou a m\u00e1xima &#8220;pai fazendeiro, filho doutor, neto pescador&#8221;. Por essa l\u00f3gica eu seria o pescador, ali\u00e1s. Nela se sugere que o custo da (in\u00fatil) educa\u00e7\u00e3o destruiu a riqueza da fam\u00edlia e provocou a pen\u00faria dos descendentes. Nunca se pensou que a queda se deve justamente \u00e0 imobilidade. Um modo de ganhar dinheiro que funcionou em 1920 j\u00e1 n\u00e3o funcionava nos anos 1970. Sem estudos e sem inova\u00e7\u00e3o, os ricos de outras gera\u00e7\u00f5es definham diante do crescimento de quem agora ganha dinheiro do jeito novo.<\/p>\n\n\n\n<p>Era natural, portanto, que as pessoas dotadas de boa forma\u00e7\u00e3o fossem at\u00e9 <em>evitadas<\/em>, que n\u00e3o fossem consideradas os l\u00edderes \u00f3bvios, mas tipos exc\u00eantricos, que fossem preteridas nas promo\u00e7\u00f5es porque n\u00e3o tinham &#8220;carisma&#8221; (algo que sempre sobra em quem n\u00e3o tem conhecimento real, mas usa todo o seu tempo para construir rela\u00e7\u00f5es e dar ordens). <\/p>\n\n\n\n<p>A instru\u00e7\u00e3o n\u00e3o era vista como formadora de qualidades, mas meramente capacitadora para trabalhos a servi\u00e7o do Estado ou de pessoas detentoras de poder pol\u00edtico \u2014 da\u00ed a institui\u00e7\u00e3o do concurso para selecionar para o servi\u00e7o p\u00fablico os mais competentes entre os formados. O lugar concebido para o diplomado n\u00e3o era na vida civil, utilizando ativamente seus conhecimentos, mas em uma sinecura. Isso quando os pr\u00f3prios diplomas n\u00e3o eram vistos como uma mera senha para obter um reconhecimento vazio. Se voc\u00ea acha que isso \u00e9 de hoje, veja o que Lima Barreto tinha a dizer sobre isso em 1926:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Passando assim pelo que n\u00f3s chamamos preparat\u00f3rios, os futuros diretores da Rep\u00fablica dos Estados Unidos da Bruzundanga acabam os cursos mais ignorantes e presun\u00e7osos do que quando para l\u00e1 entraram. S\u00e3o esses tais que berram: &#8220;Sou formado! Est\u00e1 falando com um homem formado!&#8221; Ou sen\u00e3o quando algu\u00e9m lhes diz:<\/p><p>\u2014 &#8220;Fulano \u00e9 inteligente, ilustrado&#8230;&#8221;, acode o homenzinho logo:<\/p><p>\u2014 \u00c9 formado?<\/p><p>\u2014 N\u00e3o.<\/p><p>\u2014 Ahn!<\/p><p>Raciocina ele muito bem. Em tal terra, quem n\u00e3o arranja um t\u00edtulo como ele obteve o seu, deve ser muito burro, naturalmente.<\/p><p>\u2026<\/p><p>Mas s\u00f3 s\u00e3o tr\u00eas esp\u00e9cies que suscitam esse entusiasmo: o de m\u00e9dico, o de advogado e o de engenheiro.<\/p><p>Houve quem pensasse em torn\u00e1-los mais caros, a fim de evitar a pletora de doutores. Seria um erro, pois daria o monop\u00f3lio aos ricos e afastaria as verdadeiras voca\u00e7\u00f5es. De resto, \u00e9 sabido que os lentes das escolas daquele pa\u00eds s\u00e3o todos relacionados, t\u00eam neg\u00f3cios com os potentados financeiros e industriais do pa\u00eds e quase nunca lhes reprovam os filhos.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Observe que, desde os tempos da Rep\u00fablica Velha existe essa obsess\u00e3o pelas profiss\u00f5es &#8220;\u00fateis&#8221;: m\u00e9dico (porque curar sempre foi importante em um pa\u00eds caracterizado pela sa\u00fade p\u00fablica prec\u00e1ria), engenheiro (porque havia muito que se construir em um pa\u00eds t\u00e3o grande e pouco populoso) e advogado (porque aqui se trata exatamente do poder pol\u00edtico). E nessa \u00e9poca ainda nem havia fundamentalistas crist\u00e3os, quem capacitava os escolhidos ainda n\u00e3o era deus, eram as amizades rec\u00edprocas dos membros da elite.<\/p>\n\n\n\n<p>O anti-intelectualismo at\u00e1vico do brasileiro encontrou a sua ep\u00edtome em Olavo de Carvalho, que foi definido como &#8220;a imagem que a pessoa ignorante faz de uma pessoa instru\u00edda&#8221;. Olavo \u00e9 um fugitivo da escola, que se envolveu com pseudoci\u00eancias, ganhou dinheiro explorando os outros, construiu uma carreira em cima de curr\u00edculo inventado e com o apoio de pol\u00edticos poderosos e agora predica sobre a montanha de estrume que produziu em vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ele n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 no alto de tal montanha, l\u00e1 est\u00e3o tamb\u00e9m os pregadores superficiais de igrejas profundamente obscurantistas (esses n\u00e3o nomeio, mas cada um que me processar vestiu a sua carapu\u00e7a) e est\u00e3o, acima de todos e principalmente, os pol\u00edticos manipuladores.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles potencializaram os preconceitos tradicionais do Brasil e usaram a internet para transformar isso numa quase religi\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anti-intelectualismo \u00e9 um fen\u00f4meno existente em todas as culturas do mundo desde que a hist\u00f3ria \u00e9 registrada. Em cada per\u00edodo da trajet\u00f3ria humana encontramos aqueles que depreciam os s\u00e1bios. Talvez hoje n\u00e3o matemos mais aos cientistas, como nos tempos antigos e medievais, por\u00e9m a lembran\u00e7a desses fatos deveria dissipar toda d\u00favida quanto \u00e0 perenidade do problema. De fato \u00e9 verdade que o Brasil sempre se caracterizou por uma medida adicional de anti-intelectualismo \u2014 talvez origin\u00e1ria das medidas de conten\u00e7\u00e3o tomadas pela Coroa portuguesa durante os [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7155,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[181],"tags":[213,279,278,231],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7154"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7154"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7154\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7156,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7154\/revisions\/7156"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7155"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7154"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7154"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7154"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}