{"id":7186,"date":"2020-05-24T21:00:15","date_gmt":"2020-05-25T00:00:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=7186"},"modified":"2020-05-24T21:00:18","modified_gmt":"2020-05-25T00:00:18","slug":"lobato-o-espinho-que-se-recusa-a-inflamar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2020\/05\/lobato-o-espinho-que-se-recusa-a-inflamar\/","title":{"rendered":"Lobato: O Espinho Que se Recusa a Inflamar"},"content":{"rendered":"\n<p>Monteiro Lobato fez parte da inf\u00e2ncia de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de brasileiros, quer diretamente, pela leitura de seus livros, quer indiretamente pela adapta\u00e7\u00e3o de suas obras para meios audiovisuais. De tal maneira ele se inseriu na cultura nacional que a partir de certo ponto se tornou um lugar-comum pensar que ele seria indissoci\u00e1vel de nossa identidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Os \u00faltimos dez ou doze anos, no entanto, t\u00eam sido ingratos para a mem\u00f3ria e o legado do escritor paulista, desde que alguns autores resolveram corajosamente abordar a quest\u00e3o do racismo de sua obra. Que isto somente tenha ocorrido \u00e0 \u00e9poca da elei\u00e7\u00e3o de Barack Obama presidente dos Estados Unidos \u00e9 uma dessas sincronicidades a que muitos chamam de \u201ccoincid\u00eancias\u201d mas que eu creio ter sido, nesse caso, apenas o aproveitamento de uma oportunidade. Afinal, Lobato escrevera em 1927 um romance em que se predizia a elei\u00e7\u00e3o de um presidente negro nos Estados Unidos e esse seria o momento perfeito para capitalizar em cima da capacidade que o nosso her\u00f3i liter\u00e1rio nacional tivera para predizer o futuro. De oportunismos se faz o marketing, afinal.<\/p>\n\n\n\n<p>O debate que nasceu dessa \u201coportunidade\u201d, no entanto, foi bem mais amargo do que se poderia prever. O romance escrito por Lobato estivera esquecido por v\u00e1rias d\u00e9cadas exatamente porque execr\u00e1vel era seu conte\u00fado. Hoje se sabe, inclusive, que o preju\u00edzo de Lobato ao tentar obter sucesso internacional financiando sua tradu\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a, na Alemanha e nos Estados Unidos foi um fator importante na fal\u00eancia da sua editora e de uma s\u00e9ria de desventuras pol\u00edticas e financeiras por que passou at\u00e9 o fim de sua vida. <em>Sic semper detestabilis homines.<\/em><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/mapa_influencia-471x640.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-7188\" width=\"353\" height=\"480\" srcset=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/mapa_influencia-471x640.png 471w, http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/mapa_influencia-221x300.png 221w, http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/mapa_influencia-110x150.png 110w, http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/mapa_influencia-768x1043.png 768w, http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/mapa_influencia-1131x1536.png 1131w, http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/mapa_influencia.png 1224w\" sizes=\"(max-width: 353px) 100vw, 353px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>H\u00e1 certas coisas, por\u00e9m, que precisam ficar bem claras. Sinto grande desconforto em falar de Monteiro Lobato porque ele \u00e9 um autor que me influenciou muito. Atingir a integridade da obra dele \u00e9 como remover um peda\u00e7o do meu passado. Isso explica o cuidado que tive em abordar o assunto antes, mas eu n\u00e3o tenho compromisso com a defesa da honra alheia se ela n\u00e3o ficar de p\u00e9 por si mesma. Hoje come\u00e7o um empreendimento longo e complicado, ao fim do qual pretendo descobrir quanto de mim depende de Lobato e quanto de Lobato \u00e9 preciso extirpar para que ele ainda seja aceit\u00e1vel. <em>Para isso \u00e9 preciso abordar as duas grandes acusa\u00e7\u00f5es que lhe fazem.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A acusa\u00e7\u00e3o inicial que se fez a Monteiro Lobato foi a de racista. Imagino, por\u00e9m, que foi somente esta porque teria sido contraproducente atirar de uma vez \u00e0 cara do Brasil toda a \u201cgl\u00f3ria\u201d da personalidade do autor. Digo isto porque, afinal, racismo n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico dos problemas encontrados em <em>O Presidente Negro<\/em> &#8212; eu at\u00e9 diria que \u00e9 o menor deles &#8212; e tampouco se limitam a esta obra os problemas ideol\u00f3gicos de Lobato. Sobre a extens\u00e3o do comprometimento \u00e9tico e ideol\u00f3gico do autor e de sua obra eu prefiro escrever futuramente, <em>depois que a tiver relido em seu essencial<\/em>, mas agora me ocupo de duas acusa\u00e7\u00f5es principais e dos argumentos usuais com que se tenta afast\u00e1-las. Nem as acusa\u00e7\u00f5es e nem esses argumentos exigem a (re)leitura da obra para que os possamos analisar.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira acusa\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que o racismo lobatiano <em>permeia <\/em>toda a sua obra, que ele \u00e9 inextirp\u00e1vel dela. A defesa usual \u00e9 de que esta acusa\u00e7\u00e3o estaria praticando a confus\u00e3o entre autor e obra, ignorando que seria perfeitamente poss\u00edvel separar uma coisa e outra.<\/p>\n\n\n\n<p>Como todos os de minha gera\u00e7\u00e3o que cresceram lendo Lobato, nunca percebi nada de racismo em sua obra. Isto n\u00e3o quer dizer, por\u00e9m, que o racismo n\u00e3o estava l\u00e1, quer dizer que eu, provavelmente, apenas li com naturalidade aquele n\u00edvel de racismo expl\u00edcito nos livros de Lobato que era naturalizado socialmente quando eu era jovem. Esta \u00e9 a principal raz\u00e3o pela qual eu me proponho a reler a obra de Lobato, especialmente a obra infantil, antes de formar um ju\u00edzo de valor sobre a possibilidade de se extirpar dela o racismo de maneira que atuais e futuras gera\u00e7\u00f5es possam usufruir de sua qualidade liter\u00e1ria. <\/p>\n\n\n\n<p>Gostaria de lembrar que, conforme j\u00e1 argumentei anteriormente, nenhum autor do passado \u00e9 santo. Se conseguirmos lan\u00e7ar um foco de luz sobre a personalidade do mais impoluto dos nomes da arte n\u00f3s encontraremos ali, em algum rec\u00f4ndito, algum motivo para tornar detest\u00e1vel aquele criador. Isto \u00e9 particularmente sens\u00edvel no caso de Lobato que, ao longo da vida, fez quest\u00e3o de preservar milhares de p\u00e1ginas de correspond\u00eancia, futuramente coletada na obra <em>A Barca de Gleyre<\/em>. A facilidade de acesso \u00e0 escrita privada de Lobato nos permite ter uma janela para a sua alma &#8212; e o que tem sido visto ali n\u00e3o \u00e9 nada bonito.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Alguns autores t\u00eam a fama excelente, o que basicamente significa que sabemos <em>muito pouco<\/em> sobre eles. Se soub\u00e9ssemos mais, alcan\u00e7ar\u00edamos os seus segredos profundos e encontrar\u00edamos algo a nos chocar.<\/p><cite><a href=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2017\/12\/o-que-fazer-com-a-arte-de-pessoas-execraveis\/\">O Que Fazer com a Arte das Pessoas Execr\u00e1veis?<\/a><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Certamente n\u00e3o ser\u00e1 todo autor que se revelar\u00e1 um monstro: n\u00e3o duvido que certos arm\u00e1rios guardam mais e piores esqueletos que outros. A pergunta v\u00e1lida a se fazer n\u00e3o \u00e9 se devemos descartar a obra por causa do do autor, mas se o car\u00e1ter da obra depende do autor. O grande desafio da cr\u00edtica aqui \u00e9 determinar se a separa\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. <em>O meu grande temor \u00e9 que isso, no caso de Lobato, n\u00e3o seja poss\u00edvel<\/em>. Tenho esse temor porque \u00e9 amplamente sabido que Lobato foi um grande panflet\u00e1rio, que ativamente usou a sua obra como ferramenta de propaganda pol\u00edtica. Eu nem preciso reler sua obra para me lembrar do quanto ele labutou na campanha <em>O Petr\u00f3leo \u00c9 Nosso<\/em>, chegando para isso a usar o livro infantil <em>O Po\u00e7o do Visconde.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A segunda acusa\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que Lobato n\u00e3o seria somente um racista, mas um eugenista e um simpatizante do nazismo. Aqui a minha opini\u00e3o se divide. Creio que j\u00e1 encontrei elementos suficientes para admitir que Lobato realmente era adepto da doutrina eugenista e do higienismo social, mas os argumentos em favor de suas simpatias nazistas s\u00e3o acidentais.<\/p>\n\n\n\n<p>Claramente Lobato era american\u00f3filo &#8212; apesar de ter se tornado amargo em rela\u00e7\u00e3o aos EUA a partir de certo ponto, ao verificar que a pol\u00edtica externa ianque prejudicava ao Brasil. Inclusive as suas simpatias eugenistas derivam justamente da leitura de autores americanos. Se acidentalmente o seu discurso coincidia com o dos nazistas, isto era somente porque os nazistas tamb\u00e9m se inspiravam nos americanos. Essa \u00e9 uma verdade dura de engolir &#8212; e pouco popular de se defender &#8212; mas o regime de Hitler n\u00e3o somente se inspirou nos EUA como tentou executar na Alemanha, de maneira met\u00f3dica como soem fazer os alem\u00e3es, as ideias defendidas por americanos, mas raramente implementadas. H\u00e1 elementos na obra de Hitler que sugerem fortemente que ele esperava a ades\u00e3o americana e havia muitos pol\u00edticos americanos que eram simp\u00e1ticos ao III Reich. Empresas americanas &#8212; como a IBM, a General Motors e a Du Pont &#8212; deram grande apoio \u00e0 Alemanha nazista &#8212; mesmo depois que o nazismo j\u00e1 era internacionalmente denunciado. Ali\u00e1s, os EUA t\u00eam uma tend\u00eancia a continuar apoiando regimes detest\u00e1veis mesmo depois que eles j\u00e1 t\u00eam ampla condena\u00e7\u00e3o internacional, repetiram isso com a \u00c1frica do Sul, por exemplo. Ent\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o de Lobato com o nazismo n\u00e3o era como se sugere: Lobato e Hitler olhavam para o mesmo lado e seguiam ideais parecidos, n\u00e3o porque o primeiro imitava o segundo, mas porque ambos se inspiravam nos extremismos americanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso, claro, n\u00e3o vai dito aqui como desculpa. Uma ideia n\u00e3o \u00e9 mais aceit\u00e1vel s\u00f3 por ser americana em vez de alem\u00e3. Dito isto, as origens do eugenismo s\u00e3o brit\u00e2nicas e francesas. Os americanos apenas as adotaram, adaptaram e expandiram &#8212; como, ali\u00e1s, s\u00e3o especialistas em fazer.<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo abordado essas duas importantes acusa\u00e7\u00f5es, chego \u00e0 quest\u00e3o primordial que encampa as duas e que dita a verdadeira natureza da pol\u00eamica, ao menos para mim. Que Lobato tenha sido racista ou adepto do eugenismo isto \u00e9 pouco relevante porque estas ideias eram normais e circulavam sem restri\u00e7\u00f5es na \u00e9poca. N\u00e3o eram ideias alternativas que se difundiam atrav\u00e9s de sociedades secretas, nem pecados inconfess\u00e1veis.  Havia partidos pol\u00edticos que as inclu\u00edam em seus programas &#8212; e n\u00e3o estamos aqui falando somente dos nazistas &#8212; e havia organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais consideradas de \u201cutilidade p\u00fablica\u201d que as difundiam abertamente. O racismo era comum e a eugenia era quase como se fosse um ramo da medicina.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 Lobato viveu a parte central de sua vida liter\u00e1ria no per\u00edodo do entre-guerras, que foi justamente quando essas ideias come\u00e7aram a ser questionadas. Antes de 1920 n\u00e3o se falava em igualdade racial e os linchamentos de negros nos EUA eram um evento social de que as pessoas tiravam fotos para enviar aos amigos. Antes de 1920 havia pessoas que planejavam o casamento de seus filhos pensando em ind\u00edcios de boa ancestralidade gen\u00e9tica, empregando princ\u00edpios da frenologia. Termos como \u201cdegenerado\u201d haviam entrado no uso comum.<\/p>\n\n\n\n<p>Os anos 1920, por\u00e9m, foram o per\u00edodo em que os linchamentos deixaram de ser um motivo de orgulho, mas algo que se fazia \u00e0 noite, \u00e0 luz de cruzes queimadas e vestindo um capuz. O supremacismo branco fora questionado pelas derrotas diante de orientais (guerra Russo-Japonesa) e africanos negros (primeira guerra da Abiss\u00ednia), a luta de Gandhi contra o imperialismo brit\u00e2nico criou a primeira ideologia pol\u00edtica n\u00e3o-euroc\u00eantrica e a redescoberta do trabalho de Gregor Mendel fez com que gradualmente o \u201cdarwinismo\u201d (a sele\u00e7\u00e3o natural do mais forte) fosse questionado. A ascens\u00e3o do nazismo, com seus aspectos eugenistas e racistas, foi um espasmo diante da decomposi\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o de mundo simplista e euroc\u00eantrica, baseada no darwinismo, no racismo e na ideia de uma abordagem cient\u00edfica da humanidade. N\u00e3o \u00e0 toa o nazismo evoca uma est\u00e9tica neocl\u00e1ssica em sua arte, pois foi uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 modernidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Pe\u00e7o que me permitam deixar em suspenso o julgamento sobre a extens\u00e3o do comprometimento de Lobato com essas ideologias, pelo menos at\u00e9 eu ter relido uma parte significativa de sua obra, mas atentem para um fato importante: Lobato n\u00e3o era um racista porque todo mundo era e nem era um adepto da eugenia porque isto era o padr\u00e3o. O problema de Lobato aqui \u00e9 mais profundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Lobato era um racista em um momento crucial da hist\u00f3ria em que a narrativa racista perdia for\u00e7a. Ele estava claramente no caminho da virada da hist\u00f3ria das ideias.<\/p>\n\n\n\n<p>Lobato era um eugenista porque o Brasil, sempre notoriamente atrasado na reciclagem de suas ideias pol\u00edticas, ainda estava muito impregnado de entulhos que j\u00e1 estavam perdendo lugar no resto do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>O racismo e o eugenismo de Lobato s\u00e3o, portanto, uma express\u00e3o de seu pertencimento \u00e0 elite intelectual e pol\u00edtica de um pa\u00eds perif\u00e9rico. Lobato \u00e9 racista e eugenista porque a elite intelectual da periferia se coloca em subordina\u00e7\u00e3o ao centro e absorve as ideias sempre tardiamente. O fato de somente termos reformado nossa orthographia em 1946, 36 anos depois que Portugal o fizera, d\u00e1 uma pista de nossa dificuldade para acertar o passo com a modernidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Qualquer que seja a profundidade do comprometimento do trabalho de Lobato com as suas ideias, a sua simples rela\u00e7\u00e3o com elas j\u00e1 lhe coloca claramente no campo ideol\u00f3gico do reacionarismo. Que Lobato tenha ativamente trabalhado por reformas econ\u00f4micas e pol\u00edticas apenas lhe empresta o papel de defensor da \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o conservadora\u201d, que \u00e9 caracter\u00edstica de nossa evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3ria e \u00e9, a seu modo, tamb\u00e9m uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 modernidade. A moderniza\u00e7\u00e3o conservadora aspira a reconstruir no futuro aquele passado-modelo, extirpado das fraquezas que o fizeram se tornar passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 uma segunda camada da an\u00e1lise de Lobato que ainda n\u00e3o est\u00e1 sendo feita, porque o racismo parece estar incomodando como uma unha encravada do ded\u00e3o do p\u00e9. Quando extirparem essa unha, no entanto, ser\u00e1 preciso avan\u00e7ar com o debate. Eu estou apenas pondo o carro na frente dos bois.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Monteiro Lobato fez parte da inf\u00e2ncia de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de brasileiros, quer diretamente, pela leitura de seus livros, quer indiretamente pela adapta\u00e7\u00e3o de suas obras para meios audiovisuais. De tal maneira ele se inseriu na cultura nacional que a partir de certo ponto se tornou um lugar-comum pensar que ele seria indissoci\u00e1vel de nossa identidade. 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