{"id":103,"date":"2012-11-23T20:46:00","date_gmt":"2012-11-23T23:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=103"},"modified":"2017-11-02T14:08:23","modified_gmt":"2017-11-02T17:08:23","slug":"impressoes-deixadas-por-stalker-de-andrei-tarkovsky","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2012\/11\/impressoes-deixadas-por-stalker-de-andrei-tarkovsky\/","title":{"rendered":"Impress\u00f5es Deixadas por \u201cStalker\u201d, de Andrei Tarkovsky"},"content":{"rendered":"<p>Ontem, j\u00e1 no comecinho da madrugada, terminei de assistir, via YouTube, o filme &#8220;Stalker&#8221;, dirigido Andrei Tarkovsky, filmado em 1979, a partir de roteiro escrito pelo pr\u00f3prio diretor, baseado no romance &#8220;Piquenique na Estrada&#8221;, dos irm\u00e3os B\u00f3ris e Arc\u00e1dio Strugatsky, g\u00eanios da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sovi\u00e9tica. Romance este que eu j\u00e1 havia comentado elogiosamente <a href=\"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/2011\/07\/impressoes-da-leitura-de-piquenique-na-estrada-dos-irmaos-strugatsky\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>, n\u00e3o faz muito tempo.<br \/><a name=\"more\"><\/a><\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-8wGey06y8PA\/TagbwCK_XJI\/AAAAAAAACR0\/64stVjSwSmU\/s1600\/Stalker.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" border=\"0\" height=\"241\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/-8wGey06y8PA\/TagbwCK_XJI\/AAAAAAAACR0\/64stVjSwSmU\/s320\/Stalker.jpg\" width=\"320\"\/><\/a><\/div>\n<p>Desde que lera o romance e ouvira falar do filme, minha obsess\u00e3o foi encontrar uma forma de assisti-lo. Fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sovi\u00e9tica \u00e9 algo que me interessa muit\u00edssimo (ali\u00e1s, toda a cultura sovi\u00e9tica me interessa demais). Tanto a escrita quanto a que for filmada, cantada ou declamada em versos. Gosto de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, e mais ainda da que se fazia por detr\u00e1s da cortina de ferro. Acontece que filmes de arte n\u00e3o passam na televis\u00e3o brasileira, essa aut\u00eantica m\u00e1quina de fazer doido, o que n\u00e3o dizer, ent\u00e3o, de um filme de arte sovi\u00e9tico de 1979! Felizmente a produtora estatal sovi\u00e9tica Mosfilm, que ainda existe, fez um favor \u00e0 humanidade e est\u00e1 digitalizando e remasterizando todo o seu cat\u00e1logo e colocando no YouTube. Eu j\u00e1 tivera a oportunidade de assistir um filme de terror sovi\u00e9tico chamado &#8220;Viy&#8221;, de 1967 (futuramente falarei sobre ele) e a experi\u00eancia da est\u00e9tica da Mosfilm me impressionara muito.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o estava preparado, por\u00e9m, para encontrar o que Tarkovsky entrega neste filme. Duvido que algu\u00e9m esteja \u2014 e \u00e9 dif\u00edcil explicar exatamente que tipos de impactos o filme causa em quem leu o livro, sem estragar o prazer de quem se proponha a assistir o primeiro ou ler o segundo. N\u00e3o quero estragar este prazer, por isso tentarei ser econ\u00f4mico em minhas descri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Come\u00e7o falando da trilha sonora, que \u00e9 uma atra\u00e7\u00e3o \u00e0 parte.\u00a0\u00a0Eduard Artemiev comp\u00f4s a m\u00fasica, tocada em sintetizadores e instrumentos \u00e9tnicos, e tamb\u00e9m comp\u00f4s os ru\u00eddos ambientes do filme.\u00a0\u00a0Sim, todo o som do filme, exceto as vozes dos atores, foi &#8220;composto&#8221; e &#8220;tocado&#8221; por Artemiev em estranhos sintetizadores artesanais ou usando m\u00e9todos primitivos mesmo, como tambores, metais, pedras e canos. E muita \u00e1gua. N\u00e3o tem uma cena seca no filme inteiro. Todo mundo molhado, \u00famido ou mofado, o tempo todo.\u00a0Na sequ\u00eancia de abertura ouve-se m\u00fasica, no resto do filme a &#8220;trilha&#8221; sonora, totalmente atonal e sem seguir nenhum ritmo musical espec\u00edfico, se dedica a acompanhar a a\u00e7\u00e3o, fazendo-se presente nos ru\u00eddos incidentais (nem uma pedra cai no ch\u00e3o com um som natural), na respira\u00e7\u00e3o dos personagens e em interfer\u00eancias sonoras distorcidas que lembram os momentos mais experimentais do Pink Floyd em &#8220;Ummagumma&#8221;.\u00a0O fato de Artemiev tamb\u00e9m ter feito os ru\u00eddos (em vez de o sonoplasta captur\u00e1-los no ambiente, ou coisa assim) faz o filme ter uma atmosfera surreal, irreal.\u00a0Um filme no qual os \u00fanicos sons naturais s\u00e3o as vozes dos atores \u00e9 algo que soa &#8220;de outro mundo&#8221; \u2014 e esta foi exatamente a impress\u00e3o que Tarkovsky quis causar: dentro da &#8220;Zona&#8221; os sons s\u00e3o surreais porque ali as leis naturais est\u00e3o afetadas por algo que o homem n\u00e3o entende.\u00a0\u00c9 preciso falar, ent\u00e3o, deste fen\u00f4meno.<\/p>\n<p>No filme de Tarkovsky se fala muito menos da natureza da &#8220;Zona&#8221; do que no romance dos irm\u00e3os Strugatsky, que j\u00e1 n\u00e3o fala quase nada dela. Apenas um di\u00e1logo entre os protagonistas, no qual o &#8220;professor&#8221; explica ao &#8220;escritor&#8221; que a &#8220;Zona&#8221; \u00e9 resultado de um fen\u00f4meno inexplicado, que originalmente se pensara ter sido a queda de um meteorito. N\u00e3o tendo sido encontrado nenhum meteorito, e com as mortes de centenas de pessoas curiosas que a exploravam, o governo tentou destrui-la, mas n\u00e3o conseguiu, pois seus tanques e avi\u00f5es n\u00e3o funcionaram bem, e foram abandonados por soldados apavorados. Desde ent\u00e3o o governo cercou toda a &#8220;Zona&#8221; com arame farpado eletrificado e muros de cimento e a protegeu com uma patrulha de soldados com ordens de atirar para matar em todos que tentem entrar. Neste sentido, a &#8220;Zona&#8221; do filme se parece muito com Berlim Ocidental durante a Guerra Fria (um pensamento que n\u00e3o me ocorreu em momento algum durante a leitura do livro). Tarkovsky realmente tinha &#8220;cojones&#8221; se isso procede, e ainda os teria de qualquer forma, pois a semelhan\u00e7a, mesmo que involunt\u00e1ria, \u00e9 evidente. Mesmo porque, no filme parece haver a sugest\u00e3o de que a &#8220;Zona&#8221; \u00e9 \u00fanica<\/p>\n<p>No romance a &#8220;Zona&#8221; n\u00e3o \u00e9 \u00fanica: existem v\u00e1rias, todas elas alinhadas de maneira curiosa, no sentido da rota\u00e7\u00e3o da terra, segundo um padr\u00e3o que \u00e9 chamado de &#8220;Radiante de Pilman&#8221; (leia o livro e caia na gargalhada com a explica\u00e7\u00e3o desta express\u00e3o e com a hist\u00f3ria de sua descoberta). Al\u00e9m do mais, o seu car\u00e1ter \u00e9 bem menos amb\u00edguo que o do filme: as &#8220;Zonas&#8221; <b>s\u00e3o mesmo<\/b> o produto de uma visita\u00e7\u00e3o alien\u00edgena (da\u00ed o t\u00edtulo &#8220;Piquenique na Estrada&#8221;, que \u00e9 outra \u00f3tima piada de humor ultra-negro que voc\u00ea entende l\u00e1 pela vig\u00e9sima p\u00e1gina). N\u00e3o existe qualquer sentido de que a &#8220;Zona&#8221; seja um lugar desej\u00e1vel para se entrar e quase ningu\u00e9m quer ir l\u00e1: somente os &#8220;stalkers&#8221;, que s\u00e3o pessoas que adentram l\u00e1 de forma semi profissional.<\/p>\n<p>Muda tamb\u00e9m a motiva\u00e7\u00e3o dos &#8220;stalkers&#8221;: no livro eles fazem por dinheiro, visto que em cada &#8220;Zona&#8221; podem ser encontrados objetos os mais diversos que alcan\u00e7am alto pre\u00e7o porque s\u00e3o completamente inexplic\u00e1veis, como as garrafas que nunca enchem e as que nunca esvaziam (ambas chamadas de &#8220;\u00e2nforas&#8221;), entre outros. No filme eles levam pessoas desesperadas at\u00e9 o &#8220;Quarto&#8221;, um local dentro da &#8220;Zona&#8221; no qual os mais \u00edntimos desejos de cada pessoa s\u00e3o realizados. O &#8220;Quarto&#8221; tamb\u00e9m existe no livro, mas n\u00e3o domina a a\u00e7\u00e3o da forma como ocorre no filme.<\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/www.bushwah.net\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Tarkovsky-Stalker-TheHeart-440x350.jpg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" border=\"0\" height=\"254\" src=\"http:\/\/www.bushwah.net\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Tarkovsky-Stalker-TheHeart-440x350.jpg\" width=\"320\"\/><\/a><\/div>\n<p>A a\u00e7\u00e3o do filme, ali\u00e1s, \u00e9 totalmente diferente do livro. A come\u00e7ar pelas visitas \u00e0 &#8220;Zona&#8221;. No livro ocorrem duas: na primeira o &#8220;stalker&#8221; conduz o &#8220;professor&#8221; em uma busca por artefatos que ser\u00e3o estudados pelo Instituto Internacional para Pesquisas Extraterrestres (note que a afirma\u00e7\u00e3o de que as &#8220;Zonas&#8221; s\u00e3o o produto de uma visita\u00e7\u00e3o alien\u00edgena \u00e9 expl\u00edcita) e na segunda ele conduz o &#8220;escritor&#8221; (que \u00e9 um personagem bem diferente) at\u00e9 o &#8220;Quarto&#8221;. A primeira visita ocorre quando o &#8220;stalker&#8221; ainda \u00e9 jovem (aos 23 anos) e a segunda, quando ele j\u00e1 est\u00e1 envelhecido precocemente (aos 31 anos). O filme parece mesclar as duas visitas em uma s\u00f3, transferindo o &#8220;professor&#8221; para a segunda e mudando o seu objetivo.<\/p>\n<p>O tipo de a\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 diferente. O livro tem um ritmo de aventura, apesar da narrativa lenta \u2014 cheia de paradas para trocadilhos, piadas de humor negro sutilmente disfar\u00e7adas no subtexto ou meramente para descri\u00e7\u00f5es precisas dos arredores. O filme n\u00e3o tem nada disso. No livro h\u00e1 muitos personagens, ocorrem mortes tr\u00e1gicas, persegui\u00e7\u00f5es, pris\u00f5es, brigas. No filme s\u00f3 vemos seis personagens e a\u00e7\u00e3o \u00e9 toda concentrada em torno deles. Um filme fiel ao livro teria que ser cheio de efeitos especiais, para conseguir representar os in\u00fameros fen\u00f4menos e objetos existentes nas &#8220;Zonas&#8221;, como o &#8220;moedor de carne&#8221;, o &#8220;leito dos mosquitos&#8221; ou o &#8220;v\u00e9u das fadas&#8221; (todos nomes que evocam a apar\u00eancia, n\u00e3o a ess\u00eancia desses fen\u00f4menos). No filme nenhum destes fen\u00f4menos sensacionais ocorre: n\u00e3o h\u00e1 efeitos especiais quase, mas h\u00e1 sim, certos fen\u00f4menos claramente sobrenaturais, embora os personagens, \u00e0s vezes, se recusem a admitir isso. Entre estes fen\u00f4menos est\u00e1 a voz sob a \u00e1rvore, que amedronta o &#8220;escritor&#8221;, os morcegos na sala de sal e a brincadeira da filha do &#8220;stalker&#8221;. A grande diferen\u00e7a est\u00e1 no foco. O livro, apesar de ser feito com palavras, foca na evoca\u00e7\u00e3o de imagens sensacionais, de outro mundo. O filme, apesar de feito com imagens, prefere evocar palavras. Os personagens do livro andam, pensam, agem, reagem. Os personagens do livro dialogam sobre seus dilemas existenciais, sobre a &#8220;Zona&#8221;, sobre suas expectativas, sobre seus medos.<\/p>\n<p>Para algu\u00e9m que busca um filme de a\u00e7\u00e3o, &#8220;Stalker&#8221; \u00e9 uma decep\u00e7\u00e3o total. Mas para algu\u00e9m que busca um filme realmente intrigante, que fa\u00e7a pensar e que mude seu modo de pensar, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 filme melhor. As met\u00e1foras pol\u00edticas e art\u00edsticas s\u00e3o constantes. Os personagens dialogam sobre temas universais. O di\u00e1logo entre o &#8220;professor&#8221; e o &#8220;escritor&#8221;, \u00e0 beira do &#8220;t\u00fanel seco&#8221; (uma ironia) \u00e9 de um impacto profundo, especialmente se voc\u00ea tamb\u00e9m escreve.<\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/originalhunger.files.wordpress.com\/2012\/05\/stalker74.jpeg\" imageanchor=\"1\"><img loading=\"lazy\" border=\"0\" height=\"240\" src=\"http:\/\/originalhunger.files.wordpress.com\/2012\/05\/stalker74.jpeg\" width=\"320\"\/><\/a><\/div>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 preciso mencionar a pequena &#8220;Macaca&#8221;, a filha do Stalker. No livro ela \u00e9 uma mutante de olhos negros (no sentido de &#8220;totalmente negros&#8221;) e corpo coberto de pelos dourados, exceto pelas m\u00e3os, p\u00e9s e rosto. Por isso, e tamb\u00e9m porque ela \u00e9 extremamente \u00e1gil e muito lac\u00f4nica, foi que a chamaram de &#8220;Macaca&#8221;. No filme, paradoxalmente, ela \u00e9 paral\u00edtica, tem olhos normais e n\u00e3o fala \u2014 embora ande o tempo todo coberta por v\u00e9us, luvas e cal\u00e7ados, que s\u00f3 deixam de fora o seu rosto. Acho que a diferen\u00e7a entre as duas resume as diferen\u00e7as entre o livro e o filme. O primeiro descreve muito, para trazer o leitor para dentro da hist\u00f3ria. Os personagens s\u00e3o expl\u00edcitos, abertos. No filme, por\u00e9m, que j\u00e1 tem o leitor no cen\u00e1rio e na hist\u00f3ria, os personagens se fecham, se protegem, revelam o m\u00ednimo. O livro procura convencer sobre a exist\u00eancia de coisas que n\u00e3o existem. O filme, partindo do pressuposto de que voc\u00ea acredita na exist\u00eancia de tudo, controla (ou melhor, sonega) as informa\u00e7\u00f5es e ataca suas certezas, at\u00e9 que voc\u00ea comece a pensar uma coisa, e depois outra, e depois uma terceira. E quando termina, voc\u00ea n\u00e3o sabe se est\u00e1 realmente decepcionado ou se jamais esquecer\u00e1 as imagens que viu e os di\u00e1logos que ouviu. \u00a0E se voc\u00ea acha que foi M. Night Shyamalan que inventou o final surpreendente, com &#8220;O Sexto Sentido&#8221;, espere at\u00e9 ver a cena final de &#8220;Stalker&#8221;, que contraria e decomp\u00f5e boa parte do que foi dito pelos personagens e das conclus\u00f5es que voc\u00ea foi tirando ao longo da narrativa!<\/p>\n<p>Um \u00faltimo e macabro detalhe a respeito do filme \u00e9 que ele foi todo rodado dentro das instala\u00e7\u00f5es abandonadas de uma ind\u00fastria qu\u00edmica estoniana, \u00e0 beira do Mar B\u00e1ltico. Uma regi\u00e3o incrivelmente \u00famida, verdejante e bela. Ali, f\u00e1bricas poluidoras e usinas nucleares em p\u00e9ssimo estado criavam uma paisagem de natureza semidestru\u00edda. Os lugares haviam sido abandonados porque eram imprest\u00e1veis para a vida humana \u2014 tal como a &#8220;Zona&#8221;. Foi l\u00e1 que Tarkovsky escolheu filmar. Entre rios cobertos de grossas capas de espuma marrom, p\u00e2ntanos p\u00fatridos, fuma\u00e7as densas e chuvas \u00e1cidas. Uma &#8220;Zona&#8221; criada pelo desastre do homem, n\u00e3o pela interfer\u00eancia dos c\u00e9us. E Tarkovsky submeteu seus atores, sem o uso de dubl\u00eas, ao clima intrat\u00e1vel \u00a0e \u00e0 insalubridade do lugar, fazendo-os vadear por rios sujos, tatear por t\u00faneis por onde sabe Deus o que fora bombeado. Anos depois Tarkovsky, os tr\u00eas atores que interpretaram os personagens perambuladores pela &#8220;Zona&#8221; e v\u00e1rios t\u00e9cnicos de filmagem morreram de tumores os mais diversos. Posteriormente o governo russo divulgou documentos que evidenciavam que o lugar estava contaminado por plut\u00f4nio de uma usina nuclar desativada e por produtos qu\u00edmicos altamente cancer\u00edgenos de uma f\u00e1brica de pesticidas que ainda estava em funcionamento parcial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ontem, j\u00e1 no comecinho da madrugada, terminei de assistir, via YouTube, o filme &#8220;Stalker&#8221;, dirigido Andrei Tarkovsky, filmado em 1979, a partir de roteiro escrito pelo pr\u00f3prio diretor, baseado no romance &#8220;Piquenique na Estrada&#8221;, dos irm\u00e3os B\u00f3ris e Arc\u00e1dio Strugatsky, g\u00eanios da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sovi\u00e9tica. 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