{"id":1501,"date":"2014-04-17T21:27:28","date_gmt":"2014-04-18T00:27:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=1501"},"modified":"2017-11-02T14:08:13","modified_gmt":"2017-11-02T17:08:13","slug":"vinda-do-verme-branco-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2014\/04\/vinda-do-verme-branco-5\/","title":{"rendered":"Tradu\u00e7\u00e3o: A Vinda do Verme Branco, 5  (C. A. Smith)"},"content":{"rendered":"<p>O grande iceberg seguia sempre para o sul, levando seu inverno letal a terras onde o sol de ver\u00e3o passava alto. E Evagh mantinha-se em sil\u00eancio, seguindo de todas as formas o costume de Dooni e Ux Loddhan e dos outros. Em intervalos regulados pelo movimento das estrelas circumpolares os oito magos subiam \u00e0 alta c\u00e2mara em que habitava perpetuamente Rlim Shaikorth, meio enrolado em seu div\u00e3 de gelo. L\u00e1, em um ritual cujas cad\u00eancias correspondiam \u00e0 queda das l\u00e1grimas em forma de olhos que eram choradas pelo verme, e com genuflex\u00f5es cronometradas pelo abrir e fechar de sua boca, eles davam a Rlim Shaikorth a adora\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria. \u00c0s vezes o verme estava em sil\u00eancio, e \u00e0s vezes lhes falava, renovando vagamente as promessas que fizera. E Evagh soube dos outros que o verme se mantinha adormecido por um tempo a cada lua nova e que era s\u00f3 nessa \u00e9poca que as l\u00e1grimas sangu\u00edneas deixavam de cair e a boca se furtava a abrir e fechar alternadamente.<\/p>\n<p>Na terceira repeti\u00e7\u00e3o dos ritos de adora\u00e7\u00e3o eis que apenas sete dos magos foram \u00e0 torre. Evagh, contando seu n\u00famero, percebeu que o homem que faltava era um dos cinco estrangeiros. Depois ele perguntou sobre isso a Dooni e Ux Loddhan e gesticulou inquisitivamente aos quatro nortistas restantes, mas parecia que o destino do feiticeiro ausente era um mist\u00e9rio para todos. Nada sobre ele se ouviu ou se soube desde ent\u00e3o, e Evagh, pensando longa e cuidadosamente, ficou um pouco inquieto, pois durante a cerim\u00f4nia na c\u00e2mara da torre lhe parecera que o verme estava mais gordo e roli\u00e7o do que em qualqurer momento anterior.<\/p>\n<p>Cuidadosamente ele perguntou que tipo de nutri\u00e7\u00e3o era solicitada por Rlim Shaikorth. Sobre isso havia grande d\u00favida e disc\u00f3rdia, pois Ux Loddhan afirmava que o verme n\u00e3o se alimentava de nada menos raro que os cora\u00e7\u00f5es de ursos brancos do \u00c1rtico, enquanto Dooni jurava que o seu alimento correto era f\u00edgado de baleia. Mas, pelo que sabiam, o verme n\u00e3o comera durante sua viagem sobre Yikilth, e ambos asseveraram que os intervalos entre suas refei\u00e7\u00f5es eram mais longos que os de qualquer criatura terrestre, n\u00e3o se contando em horas ou dias, mas em anos inteiros.<\/p>\n<p>O iceberg ainda seguia seu curso, mais vasto e mais prodigioso sob o sol e outra vez, na hora apontada pelas estrelas, que era a v\u00e9spera de cada terceiro dia, os magos se reuniram na presen\u00e7a de Rlim Shaikorth. Para a perturba\u00e7\u00e3o de todos o seu n\u00famero era somente seis, sendo o mago perdido um outro dos estrangeiros. E o verme crescera ainda mais em tamanho, sendo o crescimento vis\u00edvel no intumescimento de todo o seu corpo, da cabe\u00e7a \u00e0 cauda.<\/p>\n<p>Vendo em tais circunst\u00e2ncias um mau aug\u00fario, os seis fizeram medrosas s\u00faplicas ao verme, em todas as suas l\u00ednguas, e lhe imploraram que lhes dissesse o destino de seus companheiros ausentes. E o verme respondeu, e a sua fala era intelig\u00edvel por Evagh, Ux Loddhan, Dooni e pelos tr\u00eas nortistas, cada um pensando que ele lhes falara em sua l\u00edngua nativa.<\/p>\n<p>\u2014\u00a0Este assunto \u00e9 um mist\u00e9rio a respeito do qual recebereis esclarecimento no momento certo. Saibam disso: os dois que desapareceram ainda est\u00e3o presentes e compartilhar\u00e3o, tal como v\u00f3s, do conhecimento ultramundano e do imp\u00e9rio que eu, Rlim Shaikorth, lhes prometi.<\/p>\n<p>Posteriormente, quando tinham j\u00e1 descido da torre, Evagh e os dois thulaskianos debateram a interpreta\u00e7\u00e3o desta resposta. Evagh insistia que o significado era sinistro, pois verdadeiramente os seus companheiros ausentes estavam presentes apenas na barriga do verme, mas os outros sustentaram que os dois haviam sofrido uma transforma\u00e7\u00e3o mais m\u00edstica e estariam elevados al\u00e9m da vis\u00e3o e da audi\u00e7\u00e3o humana. A partir de ent\u00e3o eles come\u00e7aram a se preparar, com ora\u00e7\u00f5es e austeridade, \u00e0 espera de uma apoteose sublime que lhes chegaria quando fosse sua hora. Mas Evagh ainda estava receoso, n\u00e3o confiava mais nos juramentos equ\u00edvocos do verme e a d\u00favida permanecia nele.<\/p>\n<p>Buscando esclarecer sua d\u00favida e talvez achar uma pista dos polarianos desaparecidos, ele procurou por todo o grande iceberg, em cujas ameias sua pr\u00f3pria casa e as dos outros magos estavam fincadas, tal como pequenas cabanas de pescadores no alto de rochedos oce\u00e2nicos. Nesta busca os outros n\u00e3o o acompanhariam, receosos de recair no desfavor do verme. De abismo a abismo em Yikilth ele circulou sem obst\u00e1culos, como se estivesse em um amplo planalto com picos e aclives e ele subiu perigosamente at\u00e9 as escarpas mais altas e desceu \u00e0s mais profundas gretas e cavernas onde o sol n\u00e3o chegava e n\u00e3o havia outra luz que do luzir estranho daquele gelo extraterreno. Incorporados nessas paredes, como conchas nas camadas de rochas mais profundas, ele viu habita\u00e7\u00f5es tais que o homem nunca constru\u00edra e naves que pertenceriam a outras eras ou mundos, mas em nenhum lugar ele pode detectar a presen\u00e7a de qualquer criatura viva, e nenhum esp\u00edrito ou sombra deu resposta \u00e0s evoca\u00e7\u00f5es necrom\u00e2nticas que ele pronunciou ocasionalmente enquanto percorria os abismos e c\u00e2maras.<\/p>\n<p>De forma que Evagh ainda estava apreensivo com a trai\u00e7\u00e3o do verme e resolveu permanecer em vig\u00edlia na noite precedente \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o seguinte dos ritos de adora\u00e7\u00e3o, e ao cair essa noite ele se assegurou de que todos os outros magos estavam em suas mans\u00f5es individuais, em n\u00famero de cinco. E tendo se asseverado disso, come\u00e7ou a vigiar sem distra\u00e7\u00e3o a entrada da torre de Rlim Shaikorth, que era claramente vis\u00edvel de sua pr\u00f3pria janela.<\/p>\n<p>Estranho e g\u00e9lido era o brilho do iceberg no escuro, pois uma luz como a de estrelas congeladas refulgia continuamente no gelo. Uma lua recentemente cheia se erguia ainda cedo dos mares orientais. Mas Evagh, mantendo vig\u00edlia em sua janela at\u00e9 a meia-noite, viu que nenhuma forma emergiu daquela torre alta, e nenhuma entrou l\u00e1. \u00c0 meia-noite lhe sobreveio uma s\u00fabita sonol\u00eancia, tal como a sentida por algu\u00e9m que bebeu um vinho opi\u00e1ceo, e ele n\u00e3o pode sustentar sua vig\u00edlia mais, recaindo em um sono profundo e ininterrupto pelo resto da noite.<\/p>\n<p>No dia seguinte havia apenas quatro magos reunidos no domo de gelo para render homenagem a Rlim Shaikorth. E Evagh percebeu que mais dois dos estrangeiros, homens de estatura e peso ainda mais escassos que os de seus companheiros, estavam faltando.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O grande iceberg seguia sempre para o sul, levando seu inverno letal a terras onde o sol de ver\u00e3o passava alto. E Evagh mantinha-se em sil\u00eancio, seguindo de todas as formas o costume de Dooni e Ux Loddhan e dos outros. Em intervalos regulados pelo movimento das estrelas circumpolares os oito magos subiam \u00e0 alta c\u00e2mara em que habitava perpetuamente Rlim Shaikorth, meio enrolado em seu div\u00e3 de gelo. 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