{"id":1509,"date":"2014-05-01T21:00:58","date_gmt":"2014-05-02T00:00:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=1509"},"modified":"2017-11-02T14:08:13","modified_gmt":"2017-11-02T17:08:13","slug":"vinda-do-verme-branco-7","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2014\/05\/vinda-do-verme-branco-7\/","title":{"rendered":"Tradu\u00e7\u00e3o: A Vinda do Verme Branco, 7 (C. A. Smith)"},"content":{"rendered":"<p>Evagh, aturdido, interrogou Dooni e foi respondido conforme o que perguntara. E \u00e0s vezes a voz de Ux Loddhan lhe respondia e \u00e0s vezes havia murm\u00farios inintelig\u00edveis que expressavam aqueles outros entre os fantasmas chorosos. Muito Evagh aprendeu sobre a origem e a ess\u00eancia do verme, e aprendeu o segredo de Yikilth e a maneira pela qual Yikilth flutuara dos abismos trans\u00e1rticos para viajar pelos mares da Terra. Sempre, ao ouvir, o seu horror aumentava, ainda que atos de magia negra e conjura\u00e7\u00f5es de dem\u00f4nios houvessem por muito tempo endurecido sua carne e sua alma, tornando-o insens\u00edvel a horrores incomuns. Mas sobre tudo o que ele aprendeu \u00e9 inadequado falar nesse momento.<\/p>\n<p>Por fim se fez sil\u00eancio no domo, pois o verme dormia profundamente e Evagh j\u00e1 n\u00e3o tinha o que perguntar ao fantasma de Dooni, e os que estavam presos com Dooni pareciam esperar e vigiar em uma paralisia de morte.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, sendo um homem de muita firmeza e resolu\u00e7\u00e3o, Evagh n\u00e3o demorou mais e retirou de sua bainha de marfim a espada de bronze curta, mas bem temperada, que ele sempre carregava junto ao cintur\u00e3o. Aproximando-se do div\u00e3 at\u00e9 bem perto ele mergulhou a l\u00e2mina na massa intumescida de Rlim Shaikorth. A l\u00e2mina entrou f\u00e1cil, com um movimento de retalhar e rasgar como se tivesse perfurado uma monstruosa bexiga, de forma que ela n\u00e3o se deteve nem mesmo na empunhadura, e todo o bra\u00e7o direito de Evagh foi puxado atr\u00e1s dela para dentro da ferida aberta.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o percebeu nenhum movimento ou inquieta\u00e7\u00e3o no verme, mas da ferida aberta esguichou uma torrente s\u00fabida de mat\u00e9ria negra e l\u00edquida, cada vez mais r\u00e1pido e com mais for\u00e7a, at\u00e9 que a espada foi arrancada do punho de Evagh como por um redemoinho. Muito mais quente que o sangue e fumegante de estranhos vapores e fuma\u00e7as, o l\u00edquido correu sobre a pele de seu bra\u00e7o e molhou suas roupas ao cair. O gele aos seus p\u00e9s logo ficou coberto, mas o fluido ainda jorrava como de uma inexaur\u00edvel fonte de podrid\u00e3o, e se espalhava por toda parte em po\u00e7as e correntes que se juntavam.<\/p>\n<p>Evagh teria fugido ent\u00e3o, mas o l\u00edquido preto, subindo e correndo, estava j\u00e1 nos seus tornozelos quando ele chegou ao topo da escada, e corria por ela abaixo como uma catarata rumo a uma caverna abissal. Mais e mais quente ele se tornava, fervendo e borbulhando, enquanto a corrente se fortalecia e o cercava e puxava como m\u00e3os malignas. Ele temeu seguir pelas escadas, mas n\u00e3o havia nenhum lugar no domo onde pudesse subir para refugiar-se. Ele se virou, lutando contra a for\u00e7a do l\u00edquido apenas para ficar de p\u00e9, e viu vagamente atrav\u00e9s dos vapores f\u00e9tidos a massa entronizada de Rlim Shaikorth. O rasgo se abrira prodigiosamente e uma torrente sa\u00eda dele como as \u00e1guas de uma barragem rompida, cuspida para a frente em torno do div\u00e3, e mesmo assim, como para provar ainda mais a natureza sobrenatural do verme, seu volume ainda n\u00e3o diminu\u00edra. E o l\u00edquido negro ainda vinha em uma enchente maligna e subia rodopiante em torno dos joelhos de Evagh, os vapores parecendo tomar a forma de uma mir\u00edade de formas fantasmag\u00f3ricas, que se contorciam obscuramente, se juntando e se separando ao passarem por ele. Ent\u00e3o, enquanto cambaleava e sentia n\u00e1useas no topo da escada, ele foi subjugado e atirado para a sua morte nos degraus de gelo.<\/p>\n<p>Naquele dia, no mar ao leste da m\u00e9dia Hiperb\u00f3rea, as tripula\u00e7\u00f5es de certas galeras mercantes contemplaram algo inaudito. Pois eis que, ao se dirigirem para o norte, retornando de distantes ilhas oce\u00e2nicas com um vento que ajudava o trabalho de seus remos, elas avistaram no fim da tarde um monstruoso iceberg cujos pin\u00e1culos e cumes pareciam mais altos que montanhas. O iceberg brilhava parcialmente com uma luz estranha, e de seu pin\u00e1culo mais alto jorrava uma torrente negra e todos os cimos e arcos de gelo abaixo estavam tomados de correntes, cascatas e cataratas do mesmo negrume, que fumegavam como \u00e1gua fervente ao se atirarem no mar, e o mar em torno do iceberg estava turvo e rajado em uma grande extens\u00e3o, como se lhe houvessem derramado o fluido escuro dos polvos.<\/p>\n<p>Os marinheiros tiveram medo de chegar mais perto. Em vez disso, espantados e maravilhados, suspenderam os remos e ficaram contemplando o iceberg. O vento diminuiu de forma que suas galeras ficaram \u00e0 vista dele durante todo o dia. Eles viram que o iceberg derretia rapidamente, se desfazendo como se um fogo desconhecido o consumisse, e o ar adquiriu um calor estranho, e a \u00e1gua em volta de seus navios ficou morna. Penhasco a penhasco o gelo foi escavado e devorado, e grandes por\u00e7\u00f5es ca\u00edram com um poderoso estrondo. O p\u00edncaro mais alto tamb\u00e9m desmoronou, mas o negrume ainda jorrava como de uma fonte profunda. Os marinheiros pensaram ver, em certos momentos, que casas flutuavam sobre alguns dos fragmentos desprendidos, mas disso n\u00e3o tiveram certeza por causa dos vapores crescentes. Ao p\u00f4r do sol o iceberg tinha sido reduzido \u00e0 massa de um bloco de gelo comum, mas inda seguia a fonte de negrume que o cobria, ele afundou entre as ondas, e a estranha luz se apagou por fim. Ent\u00e3o, como era noite sem lua, ele se perdeu da vis\u00e3o e uma tempestade assomou, soprando fortemente do sul, de forma que ao amanhecer o mar n\u00e3o tinha mais nenhum sinal.<\/p>\n<p>Sobre os assuntos relatados acima, muitas e variadas lendas surgiram em Mhu Thulan e todos os reinos extremos da Hiperb\u00f3rea e seus arquip\u00e9lagos, at\u00e9 mesmo a ilha sulina de Oszhtror. A verdade n\u00e3o est\u00e1 em nenhuma destas lendas, pois nenhum homem a conheceu at\u00e9 hoje. Somente eu, o feiticeiro Eibon, evocando por necromancia o espectro de Evagh, perdido entre as ondas, aprendi dele a verdadeira hist\u00f3ria do advento do verme. Eu a escrevi em meu livro omitindo o que \u00e9 necess\u00e1rio para poupar a sanidade dos fr\u00e1geis mortais. E os homens ler\u00e3o este registro, junto de muitas outras tradi\u00e7\u00f5es mais antigas, em dias futuros, muito depois da vinda e derretimento das grandes geleiras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Evagh, aturdido, interrogou Dooni e foi respondido conforme o que perguntara. E \u00e0s vezes a voz de Ux Loddhan lhe respondia e \u00e0s vezes havia murm\u00farios inintelig\u00edveis que expressavam aqueles outros entre os fantasmas chorosos. Muito Evagh aprendeu sobre a origem e a ess\u00eancia do verme, e aprendeu o segredo de Yikilth e a maneira pela qual Yikilth flutuara dos abismos trans\u00e1rticos para viajar pelos mares da Terra. 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