{"id":155,"date":"2012-04-14T10:00:00","date_gmt":"2012-04-14T13:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=155"},"modified":"2017-11-02T14:08:59","modified_gmt":"2017-11-02T17:08:59","slug":"o-grito-da-tribo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2012\/04\/o-grito-da-tribo\/","title":{"rendered":"O Grito da Tribo"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<p>Um artigo de pol\u00eamica cultural\/pol\u00edtica, n\u00e3o datado, mas provavelmente escrito entre 1998 e 2000, encontrado em um velho caderno que ia a caminho do lixo. Devido ao contexto em que foi escrito, este texto n\u00e3o se dirige ao p\u00fablico amplo que a internet alcan\u00e7a, mas a um p\u00fablico muito mais estrito e regional, alcan\u00e7ado pela imprensa escrita do interior. Lembro-me vagamente de t\u00ea-lo preparado para ser lido em um encontro de escritores que se estava tentando organizar na \u00e9poca.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O centro-sul do Brasil nos \u00e9 apresentado como a regi\u00e3o irradiadora do desenvolvimento econ\u00f4mico e cultural do pa\u00eds, mas quando olhamos de perto verificamos n\u00e3o ser bem assim. O impulso econ\u00f4mico que daqui se espraia \u00e9 origin\u00e1rio de fora e n\u00e3o se volta para a edifica\u00e7\u00e3o da nacionalidade &#8212; mas para a produ\u00e7\u00e3o de excedentes que s\u00e3o absorvidos pelos mercados locais, arranjados de acordo com a estrutura\u00e7\u00e3o do capitalismo internacional, que busca, por sua vez, esmagar as variedades regionais e pol\u00edticas e impor a plana homogeneidade de uma aldeia global consumista, onde apenas sobrevive a arte como cad\u00e1veres das formas antigas de express\u00e3o.<sup id=\"fnref:1\"><a href=\"#fn:1\" rel=\"footnote\">1<\/a><\/sup> E a cultura genu\u00edna, que aqui havia, foi suplantada pelos maneirismos modernos e civilizados \u2014 que, de fato, nada s\u00e3o al\u00e9m de formas pasteurizadas das culturas de outros locais absorvidos antes pelo polvo capitalista.<\/p>\n<p>Prova disso \u00e9 o car\u00e1ter ex\u00f3tico que \u00e9 atribu\u00eddo por n\u00f3s, aqui da regi\u00e3o mais globalizada do pa\u00eds, \u00e0s sobreviv\u00eancias de folclore das regi\u00f5es menos amesquinhadas pela sedu\u00e7\u00e3o da \u00abmodernidade\u00bb uniformizante. Estamos mais \u00e0 vontade diante de fotos de antigas est\u00e1tuas neocl\u00e1ssicas do que diante da obra do Mestre Vitalino, entendemos melhor de porcelana chinesa do que de cer\u00e2mica marajoara, nos agrada mais a m\u00fasica da moda importada da Europa e da Am\u00e9rica do Norte do que as formas populares de can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Que foi feito de nossas festas? Algu\u00e9m aqui ainda se lembra de ter ouvido uma moda de viola, uma toada, um calango ou um desafio?\u00a0 Estas formas musicais pertencem \u00e0 rica tradi\u00e7\u00e3o de Minas Gerais, mas a maioria de n\u00f3s jamais pegou uma viola, nunca viu uma sanfona de oito baixos, sequer ouviu falar de uma rabeca (eu mesmo me incluo nos dois primeiros grupos). Ningu\u00e9m aqui saberia dizer o que \u00e9 uma \u00abtorda\u00bb, rar\u00edssimos ter\u00e3o tomado leite de on\u00e7a em uma festa junina ou comido batata assada. N\u00e3o faz parte da mem\u00f3ria coletiva de nenhum de n\u00f3s as melodias da Folia de Reis, da Festa do Divino ou de outras festas musicais de antigamente.<\/p>\n<p>Todas estas coisas que citei fazem parte de um mundo antigo, pisado e esquecido desde que a Redentora resolveu se intrometer nos rumos do s\u00e9culo XX e matar nossos projetos aut\u00f4nomos de futuro. A descaracteriza\u00e7\u00e3o da cultura popular, antes restrita aos centros de imigra\u00e7\u00e3o e ao Rio de Janeiro sempre cosmopolita, se enveredaram pelo interior, deixando atr\u00e1s de si uma terra arrasada, habitada por seguidores de novela e propriet\u00e1rios de radinhos de pilha sintonizados nas esta\u00e7\u00f5es cariocas ou paulistas.<\/p>\n<p>Houve um tempo em que as estradas do interior eram ocasionalmente pontuadas por cruzeiros de madeira. As pessoas sabiam o que comemorava cada um deles. Os antigos cemit\u00e9rios de escravos ainda existiam, e havia quem plantasse flores neles, ou os cercasse para que o gado ali n\u00e3o pastasse.<\/p>\n<p>Houve um tempo em que se podia organizar uma festa fincando doze bambus no ch\u00e3o e montando uma coberta com folhas de bananeira para proteger do sereno. Isso era uma &#8220;torda&#8221;, e debaixo dela o baile acontecia desde que houvesse um sanfoneiro, um barril de pinga, uma bacia de p\u00e3es recheados com molho de carne mo\u00edda e um garraf\u00e3o de vinho. N\u00e3o precisava de pol\u00edcia, nem de alvar\u00e1. Nem de convite e nem de roupa nova.<\/p>\n<p>Voc\u00eas podem estar surpresos com meu apego ao passado, achando que pare\u00e7o um fantasma desses dias antigos, embora seja t\u00e3o novo. Eu tive tempo de viver algumas destas coisas que estou mencionando, e pelo pouco que vi entendo que tenho motivos suficientes para a saudade. Ent\u00e3o eu n\u00e3o venho com regras para nenhuma vanguarda, venho com a hist\u00f3ria da minha vida e os maus h\u00e1bitos que os bons autores me ensinaram. Sonho repelir a coloniza\u00e7\u00e3o, pelo menos naquilo que ela mais me mata, e poder falar das coisas que sei e sinto.<\/p>\n<p>Grito por uma arte nacionalista. Cessemos de copiar servis os c\u00e2nones decadentes de uma Europa grisalha, que em breve ser\u00e1 senil.<sup id=\"fnref:2\"><a href=\"#fn:2\" rel=\"footnote\">2<\/a><\/sup> Nesses pa\u00edses a morte das ra\u00edzes pode nos parecer ter sido menos grave, porque o novo mundo que eles criaram ainda parece descender de suas antiguidades. \u00c9 entre n\u00f3s que o desenraizamento danifica mais, porque substitui o nosso por algo que \u00e9 alheio. Somos ainda felizes por termos dentro de nossas fronteiras<sup id=\"fnref:3\"><a href=\"#fn:3\" rel=\"footnote\">3<\/a><\/sup> cinco identidades regionais t\u00e3o fortes que nem mesmo o uso de uma l\u00edngua \u00fanica as nivela. Mas deixamos que prossiga a morte lenta dos dialetos e da saborosa pros\u00f3dia popular. \u00c9 um crime de lesa-p\u00e1tria compactuar com essa emascula\u00e7\u00e3o de nossa cultura, antes que d\u00ea frutos universais.<\/p>\n<p>Na inf\u00e2ncia, em verdade, porque uma cultura s\u00f3 amadurece no cultivo dos s\u00e9culos. A nossa data de menos de tr\u00eas, e j\u00e1 est\u00e1 em decad\u00eancia. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds onde muita coisa que ainda est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 em ru\u00edna, como mencionou Gilberto Gil em famoso verso.[^4] As obras de nosso folclore estavam ainda em fase de elabora\u00e7\u00e3o quando foram surpreendidas pela agress\u00e3o de um s\u00e9culo uniformizado e colonial, que as desprezou como se fossem primitivas, que as insultou de \u00abmesti\u00e7as\u00bb numa \u00e9poca racista em que este termo era uma ofensa. Nossos nativistas do passado apenas refletiram sobre a grandiosidade do que est\u00e1vamos pondo a perder para  produzir, a partir da s\u00edntese dos elementos abandonados, os \u00faltimos brilhos da moribunda cultura de talhe ocidental.<\/p>\n<p>O modernismo foi, sim, canto do cisne do Ocidente enquanto constru\u00e7\u00e3o ideal, ideol\u00f3gica e pol\u00edtica. Foi quando o racionalismo neocl\u00e1ssico perdeu a primazia: abriu-se caminho \u00e0 liberdade, \u00e0 expressividade, \u00e0 anarquia. O resultado \u00e9 mesmo decad\u00eancia. Que se manifesta no questionamento do objeto, da obra, da arte. Nossa arte t\u00e3o moderna n\u00e3o produz mais cl\u00e1ssicos. N\u00e3o procura admirar, mas apenas intrigar.\u00a0 Estranhamos essas obras, nos surpreendemos com esses enigmas, mas dificilmente os tomar\u00edamos como enfeite, como objeto de venera\u00e7\u00e3o, como s\u00edmbolos de identidade. S\u00e3o obras que contemplamos \u00e0 dist\u00e2ncia, \u00e0s vezes at\u00e9 com asco.<\/p>\n<p>Enquanto o Ocidente discute seu desmonte, n\u00f3s vamos substituindo o que t\u00ednhamos de nosso pelas telhas quebradas e restos de estuque roubados da demoli\u00e7\u00e3o deles. N\u00e3o sei se tudo j\u00e1 foi feito: apenas suspeito que a casa que se faz com restos sempre se parecer\u00e1 com restos.<\/p>\n<p>Infelizmente vivemos sob o signo da mediocridade. A obra do med\u00edocre procura, antes de tudo, justificar a si mesma. O objetivo do med\u00edocre \u00e9 o consenso: no consenso n\u00e3o h\u00e1 necessidade de criatividade, nem de maior capacidade. Os med\u00edocres podem ser inimigos pessoais, mas concordam em suas obras. Ao contr\u00e1rio dos grandes g\u00eanios, que \u00e0s vezes se insultavam por meio dos jornais falando das obras respectivas, mas frequentemente tomavam caf\u00e9s cordiais quando se encontravam.<\/p>\n<p>O med\u00edocre acredita no fim da Hist\u00f3ria, que tudo j\u00e1 foi dito e feito. Esta ideologia do fim do mundo interessa a quem suspeita que est\u00e1 morrendo. Depois de mim, que venha o dil\u00favio. &#8220;Morro com minha p\u00e1tria&#8221;, disse o ditador que, de fato, quase a levou a morte por um capricho seu. Morreu o ditador, a p\u00e1tria sobreviveu. A duras penas, mas sobreviveu. O p\u00f3s modernismo e seu consenso botam a m\u00e3o na boca da \u00c1frica, da Am\u00e9rica, da \u00c1sia, de Marte e de Plut\u00e3o, de onde quer que se suspeite que algu\u00e9m ainda pode ter uma ideia original: findou a Hist\u00f3ria, morreram as est\u00e9ticas, transfigurou-se a arte. Pendurem um urinol na parede do museu, amontoem cachorros mortos na Bienal, vendam borr\u00f5es de tinta por milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Sou, por\u00e9m, um idealista. Acredito que dentro do adormecimento em que vive o resto do Brasil que ainda n\u00e3o foi castrado pela globaliza\u00e7\u00e3o pode ainda existir o anseio pela novidade. E dali pode nascer uma nova nacionalidade, uma nova arte.<\/p>\n<p>Nacionalista esta, n\u00e3o por \u00f3dio ao alheio, mas por amor ao pr\u00f3prio. N\u00e3o por repelir o diferente, mas por difundir dissensos criativos. N\u00e3o por absolutamente p\u00f4r num pedestal nosso folclore, que muito tem de obscurantista e retr\u00f3grado, mas por oferecer-lhe espa\u00e7o para que se transforme seu produto em artefato.<\/p>\n<p>Esse folclore que ignoramos \u00e9 uma fonte de ind\u00edcios de futuro. Podemos inventar de nosso jeito, sonhar em nossa l\u00edngua, contar a nossa hist\u00f3ria, cunhar nossa moeda. Independ\u00eancia \u00e9 isso, \u00e9 algo que quase ningu\u00e9m conhece, porque quase ningu\u00e9m tem.<\/p>\n<p>Convido a todos voc\u00eas, descrentes da modernidade, ao loda\u00e7al desafiante da oportunidade. Fora do asfalto est\u00e9ril que s\u00f3 leva a lugares conhecidos. Entrem comigo nesse brejo perigoso, onde certamente algu\u00e9m vai se afogar. Vamos fundar ali uma outra tribo, uma que n\u00e3o fa\u00e7a pajelan\u00e7a para gringo ver. Tragam seus tambores, algu\u00e9m pelo amor de deus me arranje uma rabeca porque eu quero ouvir. Perdidos na insuport\u00e1vel solid\u00e3o do concreto, vamos imitar pios de p\u00e1ssaros e ler versos em dialeto. Vamor fugir de volta para a regi\u00e3o de nossa inf\u00e2ncia de onde a escola e a academia nos tiraram.<\/p>\n<p>Prometo que n\u00e3o sei como ser\u00e1 esse mundo novo que eu sonho ver erguido. Beleza \u00e9 isso, o imprevisto, o imposs\u00edvel. Mesmo as ru\u00ednas do Ocidente ser\u00e3o mais bonitas do que o seu futuro. Procuro profetas para um novo mundo. Venho de Masada, do Langue d&#8217;Oc, da Etr\u00faria, de Creta, da Irlanda e do Egito. Venho de Alc\u00e1cer-Quibir, de Canudos, de Cop\u00e1 e Macchu-Picchu. Venho de l\u00e1 e estou andando no rumo vago do sert\u00e3o.<\/p>\n<p>Busquemos essa dire\u00e7\u00e3o, longe do mar corrupto e da montanha inculta. Gritemos a ambos os lados que o progresso \u00e9 s\u00f3 um lusco-fusco\u00a0 diante da longa idade da humanidade.<\/p>\n<p>Existe um perigo, no entanto. A proposta que fa\u00e7o \u00e9 tipicamente talhada para o gosto das elites pol\u00edticas, e surgir\u00e1 sempre a tenta\u00e7\u00e3o f\u00e1cil de render homenagens ao que j\u00e1 est\u00e1. Mas a pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 compromissada com estes objetivos, somente com lucros e poder. Verdadeiros artistas n\u00e3o podem compactuar, devem agredir. Esquecer a perspectiva de sal\u00e1rios gordos, soldo de mercen\u00e1rios. Sem ilus\u00f5es: se a pol\u00edtica se interessasse por cultura, nosso pa\u00eds estaria bem melhor do que est\u00e1.<\/p>\n<p>[^4] O famoso verso em quest\u00e3o est\u00e1 na can\u00e7\u00e3o \u00abHaiti\u00bb, e se refere a uma curta men\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00abru\u00ednas de uma escola em constru\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n<div class=\"footnotes\">\n<hr \/>\n<ol>\n<li id=\"fn:1\">\n<p>Este texto foi escrito bem antes que eu sequer tivesse acesso \u00e0 internet, de forma que eu ainda n\u00e3o tinha a compreens\u00e3o dos fen\u00f4menos culturais que ela acabaria por propiciar. No entanto, continuo acreditando que a frase \u00e9 verdadeira, porque aquilo que a internet produziu de novo \u00e9 apenas uma varia\u00e7\u00e3o esvaziada de formas art\u00edsticas preexistentes, com o agravante de que a evolu\u00e7\u00e3o das ferramentas eletr\u00f4nicas tornou-se muito mais f\u00e1cil o fazer art\u00edstico.&#160;<a href=\"#fnref:1\" rev=\"footnote\">&#8617;<\/a><\/p>\n<\/li>\n<li id=\"fn:2\">\n<p>Para quem estudou Hist\u00f3ria e n\u00e3o gastou o tempo fumando maconha no campus, j\u00e1 estava mais do que evidente em 1999 que a Europa tinha subido no telhado. O que ainda n\u00e3o est\u00e1 claro \u00e9 se a queda a matar\u00e1 ou servir\u00e1 de alerta para que reencontre o rumo.&#160;<a href=\"#fnref:2\" rev=\"footnote\">&#8617;<\/a><\/p>\n<\/li>\n<li id=\"fn:3\">\n<p>Neste trecho eu me referia ao estado de Minas Gerais, que possui cinco falares variantes regionais: o mineiro propriamente dito, no centro do estado, o mineiro-baiano, no norte, o triangulino, o sulista (estes dois influenciados, mas n\u00e3o exatamente da mesma forma, pelos falares paulistas) e o mineiro-fluminense da Zona da Mata.&#160;<a href=\"#fnref:3\" rev=\"footnote\">&#8617;<\/a><\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um artigo de pol\u00eamica cultural\/pol\u00edtica, n\u00e3o datado, mas provavelmente escrito entre 1998 e 2000, encontrado em um velho caderno que ia a caminho do lixo. Devido ao contexto em que foi escrito, este texto n\u00e3o se dirige ao p\u00fablico amplo que a internet alcan\u00e7a, mas a um p\u00fablico muito mais estrito e regional, alcan\u00e7ado pela imprensa escrita do interior. Lembro-me vagamente de t\u00ea-lo preparado para ser lido em um encontro de escritores que se estava tentando organizar na \u00e9poca. O centro-sul do Brasil nos \u00e9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[187],"tags":[67,77,40,97,41,101,76,57],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/155"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=155"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/155\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5281,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/155\/revisions\/5281"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=155"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=155"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=155"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}