{"id":162,"date":"2012-03-18T10:00:00","date_gmt":"2012-03-18T13:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=162"},"modified":"2020-10-01T22:37:35","modified_gmt":"2020-10-02T01:37:35","slug":"coisas-do-bau-camel-em-cataguases-e-jose-geraldo-reporter-por-um-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2012\/03\/coisas-do-bau-camel-em-cataguases-e-jose-geraldo-reporter-por-um-dia\/","title":{"rendered":"Coisas do Ba\u00fa: Camel em Cataguases e \u201cJos\u00e9 Geraldo, Rep\u00f3rter por um Dia\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Este post foi escrito originalmente no s\u00e1bado, mas agendado para hoje, domingo, para n\u00e3o encavalar com o outro que j\u00e1 havia sido escrito ontem. Mas tive de escrev\u00ea-lo logo ap\u00f3s porque o assunto era urgente, n\u00e3o podia ficar para hora melhor, n\u00e3o havia hora melhor. Ontem, s\u00e1bado, assisti de novo uma pe\u00e7a perdida de meu passado: o dia em que entrevistei Andy Latimer.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos por partes. Andy Latimer, para quem entende de rock progressivo, \u00e9 um dos nomes mais queridos e importantes da hist\u00f3ria do g\u00eanero. Guitarrista, flautista, vocalista principal e \u00fanico membro permanente do grupo \u00abCamel\u00bb, ele \u00e9 uma lenda viva da m\u00fasica, embora n\u00e3o seja t\u00e3o famoso quanto outros que tiveram mais sucesso nas paradas. Andy Latimer esteve em turn\u00ea no Brasil no ano 2001 e uma das paradas da turn\u00ea foi em Cataguases. Sim, voc\u00ea leu certo. Cataguases recebeu um show de um dos maiores grupos de rock progressivo de todos os tempos, l\u00e1 no Cine Edgard. E eu entrevistei Andy Latimer. Se voc\u00ea consegue acreditar que o Camel esteve em Cataguases, talvez consiga crer que eu fiz mesmo a entrevista.<\/p>\n\n\n\n<p>A loucura foi responsabilidade de Rodrigo \u00abN\u00f4made\u00bb Rocha, empres\u00e1rio cataguasense, propriet\u00e1rio da Voltage, extinta loja de discos onde, por muito tempo, eu deixava meu d\u00edzimo (m\u00ednimo de 10% do sal\u00e1rio gasto comprando obras primas da m\u00fasica).&nbsp; Rodrigo descobriu que trazer artistas de rock progressivo renomados n\u00e3o era dif\u00edcil: al\u00e9m do cach\u00ea ser razoavelmente barato, eles em geral eram pessoas acess\u00edveis e dispostas a aventuras, como encarar horas de estrada para ir tocar em lugares obscuros no interior do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\"><figure class=\"alignleft\"><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-lc-zOZ-bQ50\/T2U1SqR7e2I\/AAAAAAAAAZ0\/Ssps3PSgTec\/s1600\/camel-folder.png\"><img src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-lc-zOZ-bQ50\/T2U1SqR7e2I\/AAAAAAAAAZ0\/Ssps3PSgTec\/s400\/camel-folder.png\" alt=\"\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Infelizmente pouca gente acreditou na \u00e9poca. Sei disso porque ajudei a divulgar o evento e quando eu come\u00e7ava a falar muita gente achava que eu estava brincando. Mas Latimer veio a Cataguases, hospedou-se no Bevile Hovel com a banda, andou a p\u00e9 pela rua desfilando seus famosos p\u00e9s tamanho 46 (motivo do apelido &#8220;Sasquatch&#8221;). E na noite de 22 de mar\u00e7o, \u00e0s 21h00, subiu no palco do Cine Edgard para mais de oitenta minutos de puro del\u00edrio musical na presen\u00e7a de uma plat\u00e9ia de cerca de 100 pessoas mais ou menos (que nem chegou a dar metade da lota\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>Acredito que se Rodrigo morresse sem ter feito mais nada na vida ele j\u00e1 teria deixado algo para ser lembrado: levar o Camel a Cataguases foi uma realiza\u00e7\u00e3o estupenda. Feita na base do puro amor \u00e0 m\u00fasica, sem pensar em ganhar dinheiro, na base do amadorismo mesmo. Isso \u00e9 algo que deve dar orgulho. Eu, por exemplo, tenho orgulho de minha pequena parte desempenhada: fiz o cartaz, o f\u00f4lder (cuja frente, contendo um aut\u00f3grafo de Latimer, ilustra esta postagem) e fiz uma entrevista com Latimer, que tenho agora transcrita em DVD a partir do surrado VHS que guardei por onze anos na gaveta \u2014 e que um dia vou postar no YouTube.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que a entrevista ficou uma porcaria. Eu n\u00e3o tenho boa dic\u00e7\u00e3o (nem em portugu\u00eas, quanto mais em ingl\u00eas), n\u00e3o sou rep\u00f3rter, n\u00e3o tinha nenhum roteiro pr\u00e9vio e jamais aparecera na televis\u00e3o. Ent\u00e3o, de repente, eis que me aparece uma equipe da TV Minas que ia fazer uma reportagem sobre o evento. Eles tinham vindo sem int\u00e9rprete e precisavam de algu\u00e9m para fazer o programa. Algu\u00e9m me indicou como um \u00abcarinha que manja muito de ingl\u00eas\u00bb e eu, num acesso desses de insanidade que tenho de vez em quando, topei a parada. N\u00e3o havia roteiro, havia quinze minutos para o fim da passagem de som. Rabisquei algumas perguntas em um peda\u00e7o de papel qualquer, com sugest\u00f5es de pessoas que estavam por perto, passei o pente no cabelo mal e mal e me sentei ao lado de Andy para a entrevista, tentando parecer natural, tentando ignorar a luz forte dos refletores e a presen\u00e7a inc\u00f4moda daquela luzinha vermelha da c\u00e2mera, que indicava que estavam me gravando.<\/p>\n\n\n\n<p>Andy percebeu o amadorismo da situa\u00e7\u00e3o e deve ter se perguntado onde, diabos, estava com a cabe\u00e7a quando topara aquele show, mas mesmo assim concedeu-nos vinte e cinco minutos, respondendo a perguntas que j\u00e1 devia ter respondido cem vezes ou mais em toda a vida. Mas algumas pessoas me disseram que eu fui bem, apesar de gaguejar v\u00e1rias vezes e ter congelado por dez segundos em certo momento. Fui bem porque resisti a tietar e consegui interagir com Andy, mudando as perguntas de acordo com o contexto das respostas. No fim, apertei a m\u00e3o de meu \u00eddolo e fui pedir aut\u00f3grafos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 uma das hist\u00f3rias que levo pela vida toda, como demonstra\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca de que temos de estar preparados para as oportunidades que aparecem, sem medo da luzinha vermelha acesa, sem medo de parecer rid\u00edculo como o meu cabelo despenteado.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela noite o Camel tocou com:<\/p>\n\n\n\n<ul><li><b>Andy Latimer:<\/b> guitarra, vocais, flauta<\/li><li><b>Colin Bass:<\/b> contrabaixo, vocais<\/li><li><b>Guy LeBlanc:<\/b> teclados<\/li><li><b>Dennis Cl\u00e9ment:<\/b> bateria<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tenho o <i>set list<\/i>, mas sei que o bis foi &#8220;Lady Fantasy&#8221; (v\u00eddeo compartilhado abaixo, com muito medo do ECAD).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este post foi escrito originalmente no s\u00e1bado, mas agendado para hoje, domingo, para n\u00e3o encavalar com o outro que j\u00e1 havia sido escrito ontem. 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