{"id":1691,"date":"2014-07-08T22:50:43","date_gmt":"2014-07-09T01:50:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=1691"},"modified":"2017-11-02T14:08:11","modified_gmt":"2017-11-02T17:08:11","slug":"brasil-ano-zero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2014\/07\/brasil-ano-zero\/","title":{"rendered":"Brasil, Ano Zero"},"content":{"rendered":"<p>Normalmente n\u00e3o escrevo aqui sobre futebol, a n\u00e3o ser em fic\u00e7\u00e3o, como no recente conto \u201cGol de Placa, Gol de Pato\u201d, mas vou abrir uma exce\u00e7\u00e3o porque tudo hoje foi exce\u00e7\u00e3o. A derrota brasileira para a Alemanha foi um resultado sobrenatural, desses que acontecem uma vez a cada mil\u00eanio. T\u00e3o sobrenatural que nunca acontecer nada parecido. E poderia ter sido pior.<\/p>\n<p>Diante disso, e sendo cada brasileiro um entendido de futebol, resolvo dar meus pitacos, sem me meter, \u00e9 claro, a falar de t\u00e1tica ou de t\u00e9cnica, que disso entendo menos do que de f\u00edsica qu\u00e2ntica. Comecemos por situar o tamanho do vexame, porque a ficha ainda n\u00e3o caiu para a maioria dos brasileiros.<\/p>\n<p>Comecemos dizendo que foi o placar mais el\u00e1stico em uma semifinal de Copa do Mundo em todos os tempos. Antes disso s\u00f3 se vira goleada tamanha nas semis de 1930, quando Uruguai e Argentina derrotaram, respectivamente a Iugosl\u00e1via e os Estados Unidos por id\u00eanticos placares de 6&#215;1. No caso do jogo da Argentina ainda teve um agravante: para conseguirem tal placar os argentinos quebraram a perna do armador americano aos dez minutos do primeiro tempo e contaram com a covardia do \u00e1rbitro belga Langenus, que n\u00e3o expulsou o autor da falta. Foi tamb\u00e9m a maior quantidade de gols em uma partida de segunda fase, igualando Portugal x Cor\u00e9ia do Norte, em 1966, que terminou em ins\u00f3litos 5&#215;3. Foi a maior derrota da sele\u00e7\u00e3o brasileira em todos os tempos, superando os 6&#215;0 para o Uruguai no long\u00ednquo ano de 1920, \u00e9poca em que ainda se amarrava cachorro com lingui\u00e7a. Foi uma das maiores vit\u00f3rias da sele\u00e7\u00e3o alem\u00e3 e a segunda maior em copas do mundo (perde apenas para os 8&#215;0 que aplicaram na Ar\u00e1bia Saudita em 2002).<\/p>\n<p>Para voc\u00ea ter uma ideia do tamanho do bonde que nos atropelou, antes de tomar 7&#215;1 da Alemanha o Brasil havia perdido sempre por placares magros: 2&#215;1 para a Iugosl\u00e1via em 1930, 3&#215;1 para a Espanha em 1934, 2&#215;1 para a Hungria em 1938, 2&#215;1 para o Uruguai em 1950, 4&#215;2 para a Hungria em 1954, 3&#215;1 para a Hungria e novamente 3&#215;1 para Portugal em 1966, 2&#215;0 para a Holanda e 1&#215;0 para a Pol\u00f4nia em 1974, 3&#215;2 para a It\u00e1lia em 1982, 1&#215;0 para a Argentina em 1990, 3&#215;0 para a Fran\u00e7a (nossa maior derrota em copas at\u00e9 ent\u00e3o) em 1998, 1&#215;0 para a Fran\u00e7a em 2006 e 2&#215;1 para a Holanda em 2010.<\/p>\n<p>Os cinco gols tomados no primeiro tempo nos colocam no seleto clube das sele\u00e7\u00f5es que tomaram cinco gols no primeiro tempo em uma partida de Copa do Mundo. Ao nosso lado est\u00e3o os estelares escretes do Zaire e do Haiti, ambos na Copa de 1974, respectivamente para a Iugosl\u00e1via e a Pol\u00f4nia. Entramos nesse clube pela segunda vez porque j\u00e1 hav\u00edamos tomado os mesmos cinco gols da Pol\u00f4nia em 1938, mas daquela vez sa\u00edmos de campo com uma \u00e9pica vit\u00f3ria por 6&#215;5 (embora ajudada pela expuls\u00e3o de um polon\u00eas).<\/p>\n<p>Se a Alemanha n\u00e3o tivesse se compadecido da situa\u00e7\u00e3o lament\u00e1vel do bando verde-e-amarelo que estava em campo, poderia ter feito apenas mais tr\u00eas gols e transformado a nossa vergonha em algo incomensur\u00e1vel: dez gols fez a Hungria na frag\u00edlima equipe de El Salvador, que foi a Copa de 1982 com apenas dezessete jogadores porque n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de pagar transporte e hospedagem para os vinte e dois permitidos pela FIFA. Mas h\u00e1 uma diferen\u00e7a astron\u00f4mica entre a Hungria golear o modesto selecionado salvadorenho e a Alemanha golear o maior vencedor de Copas do Mundo.<\/p>\n<p>Em comum as grandes goleadas, por cinco ou mais gols de diferen\u00e7a em todos os mundiais t\u00eam uma caracter\u00edstica muito estranha: geralmente quem goleia \u00e9 uma equipe de segundo escal\u00e3o, raramente a equipe que vence o torneio. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o a esta regra est\u00e1 na copa de 1950, em que o Uruguai meteu 8&#215;0 na Bol\u00edvia. Observe o resto da lista: Iugosl\u00e1via 9&#215;0 Zaire e Pol\u00f4nia 7&#215;0 Haiti em 1974, Hungria 10&#215;1 El Salvador em 1982, Alemanha 8&#215;0 Ar\u00e1bia Saudita em 2002, URSS 6&#215;1 Camar\u00f5es em 1990, Hungria 9&#215;0 Coreia do Sul e Uruguai 7&#215;0 Esc\u00f3cia em 1954, Su\u00e9cia 8&#215;0 Cuba em 1938, Turquia 7&#215;0 Coreia do Sul em 1954, Portugal 7&#215;0 Coreia do Norte em 2010.<\/p>\n<p>Agora que situamos o tamanho do caminh\u00e3o que atropelou a canarinho, temos de lembrar que esta vit\u00f3ria n\u00e3o \u00e9, ao contr\u00e1rio do que dizem os \u201centendidos\u201d, o chamado \u201cfato isolado\u201d. As placas tect\u00f4nicas do mundo futebol\u00edstico est\u00e3o se movendo h\u00e1 muito tempo e v\u00e1rios tremores menores j\u00e1 haviam anunciado que alguma coisa acontecera ao futebol brasileiro. Em 2001 o Brasil perdera uma quarta-de-final de Copa Am\u00e9rica para a sele\u00e7\u00e3o de Honduras, por 2&#215;0, e em 2008, pelo mesmo placar, perdeu para a Venezuela, em amistoso realizado nos EUA. Mas a sele\u00e7\u00e3o demorou mais a exibir os sinais da decad\u00eancia do futebol nacional.<\/p>\n<p>O primeiro sinal preocupante foi a derrota do Internacional para o Mazembe, um time amador do Congo, no Interclubes de 2010. Ali ficou evidente que o n\u00edvel t\u00e9cnico e t\u00e1tico de nosso futebol de clubes n\u00e3o era significativamente mais alto que o de equipes africanas amadoras, o que permitia que uma equipe modesta, mas aguerrida e com alguns jogadores de qualidade, pudesse obter uma vit\u00f3ria f\u00e1cil. Mas o Internacional n\u00e3o era uma equipe badalada e por isso muita gente preferiu culpar o clube, e n\u00e3o o futebol nacional como um todo.<\/p>\n<p>O segundo sinal foi a humilha\u00e7\u00e3o do Santos nas m\u00e3os do Barcelona, em 2010. Ali n\u00e3o houve d\u00favidas: o Santos era a sensa\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul, fora campe\u00e3o com facilidade e naquele ano impusera goleadas hist\u00f3ricas tanto na Copa do Brasil quanto no Brasileiro, como um famoso 10&#215;0 contra um time de Mato Grosso do Sul. Mas o Barcelona deu um passeio em campo, de tal forma que o Santos, de Neymar e Ganso, ficou parecendo um time de Mato Grosso do Sul. A humilha\u00e7\u00e3o foi pior quando o Santos, em 2013, excursionou pela Europa e voltou a enfrentar o Barcelona, ent\u00e3o j\u00e1 decadente: perdeu de 8&#215;0. Mas ainda assim era o Barcelona, uma equipe badalada do futebol europeu, e toda grande equipe pode ter um dia ruim. Depois, os oito a zero aconteceram quando o grande Santos j\u00e1 se desmontara.<\/p>\n<p>O terceiro sinal foi elimina\u00e7\u00e3o do Atl\u00e9tico Mineiro pelo Raja Casablanca, no Interclubes de 2013. Desta vez o campe\u00e3o da Am\u00e9rica caiu diante de uma modesta equipe marroquina, que s\u00f3 disputava o torneio como convidada, por ser o campe\u00e3o nacional do pa\u00eds sede.<\/p>\n<p>O que estes fatos deixaram evidente foi a indig\u00eancia t\u00e9cnica e t\u00e1tica de nosso futebol, j\u00e1 h\u00e1 mais de vinte anos. Os jogadores nos deixam cada vez mais cedo, nossos t\u00e9cnicos adotaram as t\u00e1ticas retranqueiras das pequenas equipes da Europa, e do futebol italiano de um modo geral. Na falta da t\u00e9cnica come\u00e7ou a glorifica\u00e7\u00e3o da \u201cra\u00e7a\u201d \u2014 que nada mais \u00e9 do que a intimida\u00e7\u00e3o f\u00edsica do advers\u00e1rio com o apoio de uma torcida grande e a coniv\u00eancia de uma arbitragem que tem horror a punir os grandes clubes contra os pequenos.<\/p>\n<p>Todos esses v\u00edcios s\u00e3o antigos, mas eles eram menos evidentes quando o nosso futebol conservava os seus astros. As equipes que tinham os bons jogadores conseguiam triunfar, isso lembrava a todos da import\u00e2ncia do talento. Mas quando os bons jogadores come\u00e7aram a voar cada vez mais cedo para a Europa, ficou confuso o cen\u00e1rio e o talento se perdeu de vista. Cada vez mais os times vencedores foram os times \u201coper\u00e1rios\u201d, que se baseavam na marca\u00e7\u00e3o (\u00e0s vezes desleal), na sorte e na arbitragem.<\/p>\n<p>Os t\u00e9cnicos mais bem-sucedidos do futebol brasileiro a partir de 1990 s\u00e3o os que seguem esta cartilha: Felip\u00e3o, Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho, Tite, Celso Roth, Paulo Autuori e \u00c9merson Le\u00e3o. Eles n\u00e3o ensinam habilidade e nem ensaiam jogadas, preferem aconselhar seus jogadores a cuspirem na cara dos advers\u00e1rios e quebrarem suas pernas. N\u00e3o \u00e9 surpresa que v\u00e1rios deles tenham sofrido humilhantes fracassos em suas carreiras internacionais. Felip\u00e3o fez algum sucesso com a sele\u00e7\u00e3o portuguesa, mas n\u00e3o se mostrou \u00e0 altura do desafio de dirigir uma equipe de primeira linha do futebol europeu, o Chelsea, exilou-se no Uzbequist\u00e3o, sabe-se l\u00e1 porque, acabou demitido (!) mesmo dirigindo o maior clube do pa\u00eds em um campeonato de terceira linha. De volta ao Brasil, afundou o Palmeiras pela segunda vez na s\u00e9rie B e quando, covardemente, demitiu-se, ganhou de presente a sele\u00e7\u00e3o brasileira, que fora recusada por Abel Braga e Muricy Ramalho. Vanderlei Luxemburgo teve uma oportunidade no Real Madrid e n\u00e3o a aproveitou. Celso Roth comandou a humilha\u00e7\u00e3o colorada diante do Mazembe.<\/p>\n<p>O que isso nos mostra \u00e9 que os t\u00e9cnicos de futebol brasileiros pararam no tempo. Presos ao autoritarismo do regime militar, com suas decis\u00f5es monocr\u00e1ticas. Presos ao conservadorismo de suas t\u00e1ticas. O Brasil j\u00e1 provara o sabor das limita\u00e7\u00f5es de nossos t\u00e9cnicos ao sucumbir diante da Holanda em 1974. Mas n\u00e3o aprendeu nada do passeio dado pelo carrossel holand\u00eas naquela Copa do Mundo. Preferiu enxergar que a inova\u00e7\u00e3o laranja fora derrotada pelo pragmatismo alem\u00e3o. A vit\u00f3ria italiana contra o Brasil de 1982 ajudou a sepultar os lampejos de arte de nosso futebol: resolvemos imitar os nossos carrascos, que s\u00f3 jogavam daquele jeito porque n\u00e3o tinham a qualidade que n\u00f3s t\u00ednhamos. Naquela tarde, no Est\u00e1dio Sarri\u00e1, morreu o futebol arte e o Brasil come\u00e7ou uma longa descida at\u00e9 os 7&#215;1.<\/p>\n<p>Que diferen\u00e7a entre Felip\u00e3o, que n\u00e3o ouve ningu\u00e9m, e o Louis van Gaal, que n\u00e3o s\u00f3 tem dois auxiliares, com quem conversa o tempo todo sobre as melhores alternativas, como ainda faz reuni\u00f5es com o grupo de jogadores para trocar ideias sobre poss\u00edveis jogadas ensaiadas. Que diferen\u00e7a entre nossos t\u00e9cnicos e os belgas, como Marc Wilmots, que em vez de imporem aos jogadores posi\u00e7\u00f5es diferentes, implantam na sele\u00e7\u00e3o nacional o mesmo esquema dos principais clubes e convocam os jogadores conforme as suas posi\u00e7\u00f5es. Que diferen\u00e7a entre um Parreira, que joga o mesmo jogo da primeira \u00e0 \u00faltima partida, e os t\u00e9cnicos da Alemanha, da Holanda, da Costa Rica e da Fran\u00e7a, que mudam o esquema t\u00e1tico conforme o advers\u00e1rio, ou at\u00e9 conforme o momento do jogo. Algum t\u00e9cnico brasileiro teria a coragem de substituir o goleiro no minuto final da prorroga\u00e7\u00e3o como fez Van Gaal? Algum brasileiro teria coragem de recuar o centro avante para o meio de campo e colocar outro atacante, como fez Jorge Luis Pinto contra o Uruguai? Felip\u00e3o faria duas substitui\u00e7\u00f5es ofensivas em um jogo duro como Alemanha e Arg\u00e9lia?<\/p>\n<p>Acho que n\u00e3o. Nossos treinadores n\u00e3o gostam de varia\u00e7\u00f5es. E principalmente n\u00e3o gostam do di\u00e1logo. Gostam de impor sua vis\u00e3o, for\u00e7ando um atacante a jogar de lateral, o lateral a jogar de meia, o meia a jogar de volante, etc. Ouvir a equipe? Nunca! Nossos jogadores se acostumaram a tratar o t\u00e9cnico por \u201cprofessor\u201d. Cabe-lhes ouvir e aprender. Nunca falar.<\/p>\n<p>Esse tipo de craque adora a disciplina e odeia a individualidade. H\u00e1 n\u00e3o muito tempo a Argentina enfrentou esta praga e teve um treinador que deixou de convocar jogadores de cabelos compridos, entre eles os maiores craques argentinos da \u00e9poca, Redondo e Caniggia. Os resultados da Argentina posteriores a 1990 explicam se isso deu certo. Entre n\u00f3s a obsess\u00e3o foi matar a figura do craque dotado de personalidade e opini\u00e3o pr\u00f3pria. Rom\u00e1rio foi cortado de dois mundiais em que poderia ter sido decisivo (1998 e 2002), Ronaldinho Ga\u00facho foi vetado em 2010. Mat\u00e1-lo desde cedo, como fez Dunga ao se negar a levar Neymar para a Copa da \u00c1frica do Sul, mesmo que fosse para ser reserva. N\u00e3o existe lugar, na ordem autorit\u00e1ria, para que um moleque cres\u00e7a e apare\u00e7a. Se os nossos treinadores de hoje treinassem o Brasil da Era de Ouro, jamais Pel\u00e9 jogaria o mundial de 1958 e n\u00e3o ter\u00edamos o Rei do Futebol. Ronaldo foi \u00e0 Copa dos EUA e n\u00e3o botou o p\u00e9 no Gramado, gra\u00e7as \u00e0 tranqueira do Parreira. Neymar j\u00e1 poderia ter aprendido muita coisa de futebol jogando em 2010, como, por exemplo, talvez, pedir ao t\u00e9cnico para sair no fim do jogo, para se proteger da cabe\u00e7a quente de um zagueiro advers\u00e1rio.<\/p>\n<p>Com o tempo, um sistema que pune a personalidade engendra o conformismo. O conformismo n\u00e3o combina com a criatividade. O xerif\u00e3o da zaga se torna capit\u00e3o e bota ordem nos meninos insolentes. O militarismo velado se instala, e o time vira um quartel, que precisa ficar concentrado, mesmo que o tempo n\u00e3o seja usado para muita coisa \u00fatil. Que diferen\u00e7a para as sele\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias, que n\u00e3o se concentram mais! E est\u00e3o goleando a gente!<\/p>\n<p>A derrota n\u00e3o \u00e9 casual. Ela exp\u00f5e uma fratura profunda do nosso esporte, do futebol em particular. O futebol brasileiro est\u00e1 moribundo, v\u00edtima dos fatores elencados acima, e de outros como a puni\u00e7\u00e3o dos clubes por um sistema que privilegia a televis\u00e3o em detrimento da torcida. Clubes fracos n\u00e3o revelam nem retem bons jogadores. Clubes fracos perdem para o Mazembe e o Raja Casablanca. Clubes fracos n\u00e3o fortalecem a sele\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Agora \u00e9 hora de voltar \u00e0 prancheta. Diante da derrota inapel\u00e1vel n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m salvo. A CBF, por\u00e9m, j\u00e1 tratou de fazer sua elei\u00e7\u00e3o antes da cat\u00e1strofe. O que \u00e9 garantia de que, pelo menos de imediato, n\u00e3o se far\u00e1 nada para curar o verdadeiro problema. O Brasil ainda vai perder mais, e talvez perca de mais. Talvez s\u00f3 quando j\u00e1 n\u00e3o for poss\u00edvel extrair nada de nosso futebol ele ser\u00e1 abandonado pelos vampiros, e os bem-intencionados poder\u00e3o come\u00e7ar tudo de novo. Uma boa ideia \u00e9 organizar uma pelada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Normalmente n\u00e3o escrevo aqui sobre futebol, a n\u00e3o ser em fic\u00e7\u00e3o, como no recente conto \u201cGol de Placa, Gol de Pato\u201d, mas vou abrir uma exce\u00e7\u00e3o porque tudo hoje foi exce\u00e7\u00e3o. A derrota brasileira para a Alemanha foi um resultado sobrenatural, desses que acontecem uma vez a cada mil\u00eanio. T\u00e3o sobrenatural que nunca acontecer nada parecido. E poderia ter sido pior. Diante disso, e sendo cada brasileiro um entendido de futebol, resolvo dar meus pitacos, sem me meter, \u00e9 claro, a falar de t\u00e1tica ou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[46],"tags":[92,102],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1691"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1691"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1691\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4698,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1691\/revisions\/4698"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1691"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1691"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1691"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}