{"id":171,"date":"2012-02-20T11:34:00","date_gmt":"2012-02-20T14:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=171"},"modified":"2017-11-02T14:09:01","modified_gmt":"2017-11-02T17:09:01","slug":"gente-que-leio-felipe-holloway","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2012\/02\/gente-que-leio-felipe-holloway\/","title":{"rendered":"Gente que Leio: Felipe Holloway"},"content":{"rendered":"<p>Esta semana tive o prazer de ler <a href=\"http:\/\/estounumailhadeserta.blogspot.com\/2012\/02\/fim-de-turno\">o mais novo conto<\/a> deste jovem autor. Como de todas as outras vezes, me restou o queixo ca\u00eddo e uma profunda inveja. Inveja positiva, n\u00e3o essa inveja que tenta apagar o sol alheio que incomoda sua treva pessoal. Tive deixar-lhe um coment\u00e1rio, que aqui reproduzo.<\/p>\n<p>Felipe, eu n\u00e3o preciso repetir o que penso de sua obra. Voc\u00ea sabe muito bem que, em certos momentos, eu quase tenho vontade de lhe pedir um aut\u00f3grafo. Este conto foi um desses momentos.<\/p>\n<p>Um autor se torna grande quando consegue escrever uma grande obra sem ter uma &#8220;grande&#8221; hist\u00f3ria. Um autor pequeno vai procurar escrever, no m\u00ednimo, sobre o fim da civiliza\u00e7\u00e3o ou a destrui\u00e7\u00e3o at\u00e9 de um universo. Seus personagens precisar\u00e3o ser fisicamente gigantes para esconderem a pequenez de sua alma.<\/p>\n<p>Mas o grande autor n\u00e3o precisa de hist\u00f3rias &#8216;grandes&#8217; e nem de &#8216;grandes&#8217; hist\u00f3rias, ele engrandece as hist\u00f3rias que escolhe contar, mais ou menos como o m\u00fasico habilidoso que pega um tema popular e o transformar em uma sinfonia. N\u00e3o pense encontrar nada parecido com as Raps\u00f3dias H\u00fangaras de Liszt no folclore da Hungria, nem que os caipiras toquem rabeca e viola como em uma bachiana de Villa-Lobos.<\/p>\n<p>Esse seu texto \u00e9 absolutamente um exemplo da raz\u00e3o pela qual eu acho que voc\u00ea \u00e9, ou ainda ser\u00e1, um grande autor. N\u00e3o existe absolutamente NADA nele al\u00e9m de seu talento. Ningu\u00e9m morre, ningu\u00e9m nasce, nenhuma civiliza\u00e7\u00e3o desaparece, nenhum vampiro se transforma em lobisomem ou coisa parecida. Est\u00e1 o leitor apenas diante dos meandros de sua alma sofisticada e das hist\u00f3rias absolutamente banais, por\u00e9m universais, que voc\u00ea capta no dia a dia.<\/p>\n<p>Essa sua caracter\u00edstica tem algo de Machado de Assis. Sua fic\u00e7\u00e3o evoca fortemente o melhor da obra machadiana no aspecto do romanceamento do nada ou do quase-nada. Se voc\u00ea n\u00e3o prestar muita aten\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura de Dom Casmurro poder\u00e1 achar que \u00e9 apenas a biografia de um resmung\u00e3o que nada viveu. O mesmo se passa com esse seu conto, entre tantos outros: somente quem l\u00ea com talento (\u00e9 preciso um certo talento para ler) perceber\u00e1 as minuciosas mudan\u00e7as e trag\u00e9dias que ocorrem no fundo da alma dos dois personagens.<\/p>\n<p>A incompreens\u00e3o de seu protagonista tamb\u00e9m me evoca o Mersault, d&#8217;O Estrangeiro, que matou um desconhecido porque &#8220;o sol estava quente&#8221;. Este estranhamento do homem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria vida, e \u00e0 alheia. Todos os seus personagens s\u00e3o absolutamente tr\u00e1gicos, mas n\u00e3o precisam matar e nem matar-se para isso: o modo como vivem \u00e9 a pr\u00f3pria trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>Parab\u00e9ns por este conto, e confesso que j\u00e1 estou come\u00e7ando inconscientemente a me tornar seu imitador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta semana tive o prazer de ler o mais novo conto deste jovem autor. Como de todas as outras vezes, me restou o queixo ca\u00eddo e uma profunda inveja. Inveja positiva, n\u00e3o essa inveja que tenta apagar o sol alheio que incomoda sua treva pessoal. Tive deixar-lhe um coment\u00e1rio, que aqui reproduzo. Felipe, eu n\u00e3o preciso repetir o que penso de sua obra. Voc\u00ea sabe muito bem que, em certos momentos, eu quase tenho vontade de lhe pedir um aut\u00f3grafo. 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