{"id":1791,"date":"2014-08-16T00:11:36","date_gmt":"2014-08-16T03:11:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=1791"},"modified":"2017-08-13T00:33:09","modified_gmt":"2017-08-13T03:33:09","slug":"a-dama-pe-de-cabra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2014\/08\/a-dama-pe-de-cabra\/","title":{"rendered":"A Dama P\u00e9 de Cabra"},"content":{"rendered":"<p>> Conforme promessa antiga, eis minha primeira tentativa de transformar a antiga lenda portuguesa da Dama P\u00e9 de Cabra em um conto de terror ao gosto moderno. Preservei o tratamento em segunda pessoa para dar um ar medieval ao texto (que \u00e9, de fato, ambientado na Idade M\u00e9dia), e procurei evitar, ao m\u00e1ximo, toda moderniza\u00e7\u00e3o que violasse o esp\u00edrito do original. Sendo assim, as personagens do sexo feminino s\u00e3o deixadas em segundo plano a ponto de nem terem nome. Esta vers\u00e3o, por\u00e9m, expande a hist\u00f3ria original em v\u00e1rios pontos que ela abrevia em frases secas como &#8220;e assim foi&#8221;. Ainda \u00e9 uma vers\u00e3o bem grossa, mas poder\u00e1 servir de base para uma obra mais cuidada.<\/p>\n<p>Diego Lopes era um ca\u00e7ador dos melhores. Estava um dia com a sua guarda esperando a ca\u00e7a em um monte quando ouviu cantar uma voz forte de mulher, que parecia vir de um rochedo. Surpreso, e logo desinteressado do porco que tardava, deixou seus companheiros ao p\u00e9 do monte e o subiu. L\u00e1 encontrou uma mulher, de fato, muito formosa e bem vestida como uma senhora de mais alta nobreza. N\u00e3o lhe ocorreu que pudesse haver qualquer coisa errada nela, sozinha naquele lugar deserto, naqueles trajes e cantando t\u00e3o inocentemente. Apaixonou-se, em vez disso, e quando lhe dirigiu a palavra j\u00e1 foi com a voz tr\u00eamula de um galanteador.<\/p>\n<p>&mdash; Quem \u00e9s?<\/p>\n<p>&mdash; Sou uma dama da mais alta linhagem, temporariamente nestas terras.<\/p>\n<p>&mdash; Pois se \u00e9s uma dama de princ\u00edpios e linhagem, desejo casar-me contigo, se me aceitas. Sou o  senhor de toda a terra que tua vista alcan\u00e7a e tudo isto ser\u00e1 teu.<\/p>\n<p>&mdash; N\u00e3o me consta que esta terra perten\u00e7a \u00e0 algum homem, mas tu \u00e9s belo e forte. Caso-me contigo, sim, caso me prometas nunca santificar-te. N\u00e3o apenas n\u00e3o comungar\u00e1s, como n\u00e3o te persignar\u00e1s, n\u00e3o clamar\u00e1s a Deus ou aos santos. Esta \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o que imponho em troca de minha m\u00e3o.<\/p>\n<p>Diego Lopes concordou com o estranho pedido, e mulher, estendendo-lhe a m\u00e3o, declarou que estavam assim acertados e firmou-se em seu bra\u00e7o para se levantar da pedra em que estava sentada. Quando o fez, Diego Lopes percebeu, para seu espanto, que, apesar de toda a formosura de seu rosto e de quase todo o seu corpo, a mulher tinha p\u00e9s fendidos, como os de uma cabra, e manquitolava ao andar. <\/p>\n<p>Tal constata\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o lhe demoveu da determina\u00e7\u00e3o de com ela se casar. Considerou que era justamente por essa deformidade que muito homem a rejeitara antes, mas ele n\u00e3o era de recuar por t\u00e3o pouco. Em vez disso, deu-lhe o bra\u00e7o para que se apoiasse e ela o acompanhou at\u00e9 o castelo, para espanto de seus camaradas.<\/p>\n<p>Unidos sem as b\u00ean\u00e7\u00e3os da Santa Madre Igreja, para esc\u00e2ndalo do populacho, passaram a coabitar no castelo e viveram felizes por v\u00e1rios anos, durante os quais tiveram dois filhos, o primog\u00eanito, um menino que foi Dom I\u00f1igo Guerra, e uma menina que teve o mesmo nome de sua m\u00e3e. E Diego Lopes era muito ligado a seu filho, e o assentava ao seu lado direito durante as refei\u00e7\u00f5es. Sua mulher, por\u00e9m,  sentava-se do lado oposto da mesa, com a filha ao seu lado esquerdo.<\/p>\n<p>Um dia Diego Lopes foi aos montes e matou um porco muito grande, trouxe-o para casa e o preparou para si e os seus homens. Sua mulher veio ter com eles e estavam todos sentados em uma grande mesa, devorando o assado, quando algu\u00e9m atirou um osso ao ch\u00e3o, atraindo a aten\u00e7\u00e3o de dois c\u00e3es da casa que dormiam no borralho. Estes eram uma mansa podenga e um grande ca\u00e7ador alano, que se atiraram sobre o osso ao mesmo tempo, e a podenga, n\u00e3o querendo ceder, rosnou alto e de repente se atirou ao pesco\u00e7o do alano com tamanha decis\u00e3o que rompeu a garganta do alano com os dentes, com o que ele logo desfaleceu e morreu. E Dom Diego Lopes, vendo isto, achou que era algo admir\u00e1vel, um verdadeiro milagre, e persignou-se dizendo &#8220;Santa Maria, valha-me, que nunca se viu tal coisa!&#8221;<\/p>\n<p>T\u00e3o logo o fez a sua mulher se levantou da mesa, agarrou a filha e tentou agarrar tamb\u00e9m ao menino, mas Diego Lopes, pressentindo que algo mau estava por ocorrer, agarrou-se ao menino como \u00e0 pr\u00f3pria vida, com o que ela n\u00e3o o pode segurar. Ent\u00e3o ela retrocedeu e saltou pela janela com a filha e fugiu para as montanhas, para n\u00e3o mais ser vista.<\/p>\n<p>Depois de lamentar-se por um tempo, Diego Lopes resolveu esquecer suas m\u00e1goas fazendo mal aos mouros. Durante a batalha foi ferido e preso, e os mouros o levaram em ferros a Toledo, onde o exibiram como um trof\u00e9u, para grande desgosto dos crist\u00e3os.<\/p>\n<p>I\u00f1igo Guerra, a essa altura j\u00e1 um rapaz bem crescido, sofria muito a aus\u00eancia do pai e da m\u00e3e, e andava solit\u00e1rio pelas ameias do castelo. Um dia, caminhando entre os camponeses e servos, come\u00e7ou a perguntar-lhes, cheio de dor e l\u00e1grimas, se n\u00e3o havia entre eles nenhum homem de valor que pudesse buscar o seu pai, que estava humilhado nas m\u00e3os dos infi\u00e9is. Ningu\u00e9m se disp\u00f4s a tal hero\u00edsmo, e fizeram tro\u00e7a do menino perguntando-lhe por que n\u00e3o ia ter com a sua m\u00e3e nas montanhas, para que ela lhe dissesse o que fazer.<\/p>\n<p>O garoto levou o conselho a s\u00e9rio e partiu do pal\u00e1cio sozinho em seu cavalo e percorreu os montes durante dias sem nada achar, at\u00e9 que um dia, ao amanhecer, ouviu o som de uma forte voz de mulher que cantava uma cantiga em uma l\u00edngua estranha. I\u00f1igo seguiu a voz e achou a sua m\u00e3e e a sua irm\u00e3 sentadas em cima de um rochedo. Sua m\u00e3e o viu e o chamou dizendo: &#8220;Filho meu, I\u00f1igo Guerra, venha at\u00e9 mim que eu bem sei o que queres, queres saber como salvar teu pai das correntes dos mouros.&#8221;<\/p>\n<p>Depois muito chorar e abra\u00e7\u00e1-las, I\u00f1igo lhes contou tamb\u00e9m da crueldade dos camp\u00f4nios. Sua m\u00e3e ent\u00e3o se levantou e chamou um cavalo que andava solto pelo monte, por seu nome o chamou, e ele se chamava Pardal. Quando o cavalo se aproximou da Dama, ela tirou de sua bolsa um freio que tinha consigo e lhe prendeu. Depois deu-o a I\u00f1igo dizendo:<\/p>\n<p>&mdash; Este ser\u00e1 teu companheiro mais fiel por toda a vida. Nunca perder\u00e1s uma batalha enquanto o cavalgares, e nenhuma arma advers\u00e1ria o ferir\u00e1 enquanto estiveres sobre ele. Mas para isso, nunca o selar\u00e1s e nunca lhe tirar\u00e1s o freio, nem mesmo para lhe dar de comer ou bebe, e nunca o ferrar\u00e1s.<\/p>\n<p>&mdash; Mas em que este cavalo me ajudar\u00e1 a buscar meu pai? Devo fazer guerra aos mouros?<\/p>\n<p>&mdash; N\u00e3o, filho meu, que n\u00e3o tens tal poder. N\u00e3o far\u00e1s mal aos mouros enquanto viveres. Mas este cavalo lhe ser\u00e1 fiel. Monte-o agora e ele o levar\u00e1 como o vento atrav\u00e9s das plan\u00edcies e montanhas, ele o conduzir\u00e1 a Toledo e o deixar\u00e1 diante da porta por onde achar\u00e1s o teu pai nesse momento. Ali descer\u00e1s e entrar\u00e1s e ver\u00e1s teu pai em uma pali\u00e7ada com outros prisioneiros, pronto a ser vendido como servo. Tu fingir\u00e1s interesse em compr\u00e1-lo e pedir\u00e1s para falar com ele, mas quando o tiveres pela m\u00e3o, correr\u00e1s at\u00e9 a porta onde o cavalo estar\u00e1 esperando e o montar\u00e1s logo, pondo seu pai diante de si. T\u00e3o logo o fizeres o cavalo retornar\u00e1 pelo mesmo caminho, t\u00e3o r\u00e1pido quanto foi, e ainda esta noite estar\u00e1s em casa com o teu pai.<\/p>\n<p>Ainda um pouco desconfiado, I\u00f1igo montou o cavalo em pelo. T\u00e3o logo o fez, o animal relinchou como um dem\u00f4nio e p\u00f4s-se a correr como uma besta sobrenatural. Por onde passava, o seu trotar e os seus relinchos causavam medo ao povo, por\u00e9m mal o viam passar, t\u00e3o r\u00e1pido ia. E assim foi que ainda antes que o sol passasse do pino ele j\u00e1 estava diante das muralhas de Toledo.<\/p>\n<p>O cavalo parou diante de um po\u00e7o e I\u00f1igo lhe deu \u00e1gua e feno, sem lhe tirar o freio, conforme o conselho de sua m\u00e3e. Depois, entrou na cidade por uma porta estreita que ficava logo em frente ao po\u00e7o, e para seu espanto ali encontrou seu pai, tal como sua m\u00e3e o dissera: dentro de um curral, como um animal \u00e0 venda. Ele parecia imensamente cansado e tinha uma barba de meses. Estava sujo, seminu e tinha as costas marcadas por chibatas. N\u00e3o parecia capaz de suportar uma corrida, mesmo que fosse por uns metros.<\/p>\n<p>Mas I\u00f1igo confiou no que lhe dissera sua m\u00e3e e o tomou pela m\u00e3o, retirando-o do curral diante dos olhos dos comerciantes mouros, que o interpelaram em sua algaravia. Somente ent\u00e3o o pai de I\u00f1igo o reconheceu. Um brilho atravessou os olhos de Diego Lopes, que disse:<\/p>\n<p>&mdash; Sinto-me agora como se as minhas for\u00e7as voltassem por um momento.<\/p>\n<p>&mdash; Ent\u00e3o usa esta for\u00e7a e corre como nunca, corre pela vida!<\/p>\n<p>Os dois desabalaram a correr e os mouros a gritar, mas n\u00e3o estavam armados com flechas, com o que n\u00e3o os abateram, apenas chamaram os guardas para perseguir os dois fugitivos. I\u00f1igo ent\u00e3o montou o cavalo com o seu pai e novamente o animal desabalou a correr, t\u00e3o r\u00e1pido como antes, relinchando hediondamente ao trotar os cascos pelos caminhos. E antes de anoitecer estavam de volta em casa, ao lado da lareira, para grande espanto dos servos e dos vil\u00f5es, que muito temeram por sua insol\u00eancia e foram prestar-lhes respeito.<\/p>\n<p>Diego Lopes ainda viveu alguns anos, mas as feridas de sua pris\u00e3o nunca sararam de todo. Com o tempo, foi definhando at\u00e9 n\u00e3o poder suportar mais e morreu em sua cama, antes dos cinquenta anos de idade. Com a morte do pai, I\u00f1igo, que j\u00e1 se tornara um cavaleiro famoso sobre a sela de Pardal, herdou as terras e a lideran\u00e7a do pai, e eis que vieram os senhores da terra pedir-lhe que os levasse a fazer mal aos mouros. Tal fez I\u00f1igo, que se afastara de sua m\u00e3e durante o tempo em que estivera ao lado do pai enfermo e se esquecera da advert\u00eancia dela sobre a guerra.<\/p>\n<p>Nas primeiras batalhas, apesar de Pardal andar ind\u00f3cil, os crist\u00e3os venceram e causaram grande mal ao reino dos mouros, tomando para si grandes extens\u00f5es de terra. E I\u00f1igo Guerra se fez famoso entre o povo.<\/p>\n<p>Uma noite, estavam a comer um porco em torno de uma fogueira quando um dos cavaleiros disse a I\u00f1igo que era muita crueldade dele nunca tirar o freio do animal, nem ferrar-lhe &mdash; e que seria por isso que o cavalo andava t\u00e3o arisco. I\u00f1igo n\u00e3o lhe podia dizer a raz\u00e3o de nunca tirar o freio de Pardal, pois receava que os crist\u00e3os o rejeitassem por seu acordo com a sua m\u00e3e P\u00e9 de Cabra.  Estavam a discutir isto quando um outro cavaleiro os interrompeu, dizendo:<\/p>\n<p>&mdash; Basta de conversa, todos v\u00f3s. Se teu escudeiro n\u00e3o sabe tratar a um animal t\u00e3o belo, tratei eu de ceder-lhe os servi\u00e7os de Vasco Nunes, meu melhor servi\u00e7al. <\/p>\n<p>Neste momento ouviram-se gritos na cavalari\u00e7a e I\u00f1igo e se levantou como um raio e correu para l\u00e1, junto ao rio. L\u00e1 estava o Pardal, solto e sem freios. Vasco Nunes jazia aos seus p\u00e9s, pisoteado, e o animal, cujas ventas avermelhavam com uma respira\u00e7\u00e3o que resfolegava infernalmente, coiceava como se quisesse fazer saltar de suas costas algo que o incomodava. E eis que ele tinha uma sela ainda mal atada, e uma cocheira de feno diante de si.<\/p>\n<p>Em v\u00e3o tentou I\u00f1igo subjugar seu animal. Quando apenas se aproximou dele, Pardal o contemplou com olhos flamejantes e saiu trotando pelas campinas e montes,  como um vento sobrenatural. Os demais cavaleiros ficaram muito medrosos com isso, e se afastaram de I\u00f1igo por temerem que o dem\u00f4nio estivesse com ele.<\/p>\n<p>No dia seguinte foram ter com os mouros, e I\u00f1igo cavalgou uma montaria emprestada a contragosto por outro cavaleiro. Quando os dois ex\u00e9rcitos se encontraram os mouros cobriram o c\u00e9u de flechas e os crist\u00e3os se protegeram sob suas coura\u00e7as. Mas uma flecha encontrou uma greta entre as chapas de a\u00e7o da armadura de I\u00f1igo Lopes, sobre seu ombro esquerdo, e penetrou certeiramente por ela, alcan\u00e7ando o seu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>> Conforme promessa antiga, eis minha primeira tentativa de transformar a antiga lenda portuguesa da Dama P\u00e9 de Cabra em um conto de terror ao gosto moderno. Preservei o tratamento em segunda pessoa para dar um ar medieval ao texto (que \u00e9, de fato, ambientado na Idade M\u00e9dia), e procurei evitar, ao m\u00e1ximo, toda moderniza\u00e7\u00e3o que violasse o esp\u00edrito do original. Sendo assim, as personagens do sexo feminino s\u00e3o deixadas em segundo plano a ponto de nem terem nome. 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