{"id":1900,"date":"2014-10-06T14:00:54","date_gmt":"2014-10-06T17:00:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=1900"},"modified":"2018-10-17T19:03:10","modified_gmt":"2018-10-17T22:03:10","slug":"sobre-plantar-no-asfalto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2014\/10\/sobre-plantar-no-asfalto\/","title":{"rendered":"Sobre Plantar no Asfalto"},"content":{"rendered":"<p>Tomei recentemente uma decis\u00e3o um tanto pol\u00eamica, que talvez tensione alguns relacionamentos virtuais meus. Trata-se de algo que j\u00e1 penso h\u00e1 algum tempo, mas sobre o qual s\u00f3 conversei com poucas pessoas. Decidi abandonar a partir de hoje uma boa parte de minha atua\u00e7\u00e3o na internet e nas redes sociais. Disto resultar\u00e1 eu participar menos em comunidades liter\u00e1rias e n\u00e3o mais entrar nos desafios liter\u00e1rios do blog <a href=\"http:\/\/www.entrecontos.com\">Entre Contos<\/a>.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o impensada e ela n\u00e3o \u00e9 motivada por nada que tenha acontecido nos \u00faltimos trinta dias, embora algumas coisas recentes tenham me ajudado a definir a minha decis\u00e3o. N\u00e3o se trata de nada al\u00e9m de uma mudan\u00e7a qualitativa e quantitativa de minha participa\u00e7\u00e3o online. Quero participar <strong>menos<\/strong> e tentar tirar mais proveito.<\/p>\n<h3>Prioridades, prioridades<\/h3>\n<p>Acho que o escritor (amador ou profissional) deve cuidar de escrever. Nos \u00faltimos dois anos, apesar de eu ter escrito bastante, n\u00e3o consegui concluir projeto algum. Meus romances est\u00e3o parados e a qualidade dos contos que produzi foi muito vari\u00e1vel. A oportunidade de rever minha produ\u00e7\u00e3o anterior a 2012, agora que estou negociando meu segundo livro com uma editora, me mostrou que, com raras exce\u00e7\u00f5es, meu ritmo de produ\u00e7\u00e3o era mais regular e produzia textos melhores entre 2010 e 2012. Quem l\u00ea o blog deve ter percebido isto, pois h\u00e1 mais textos <strong>sobre<\/strong> literatura do que textos <strong>de<\/strong> literatura.<\/p>\n<p>Est\u00e1 na hora, portanto, de priorizar o essencial.<\/p>\n<h3>S\u00edndrome de Estranho no Ninho<\/h3>\n<p>Percebi que tenho tentado um di\u00e1logo imposs\u00edvel com um p\u00fablico com o qual n\u00e3o me identifico, e que em troca n\u00e3o se identifica comigo. Veja, por exemplo, o caso dos desafios EntreContos. O p\u00fablico ali \u00e9 predominantemente de f\u00e3s de literatura fant\u00e1stica. Tem sido assim desde as origens dos desafios, na comunidade &#8220;Contos Fant\u00e1sticos&#8221;, no Orkut. Parte desse p\u00fablico me conhece desde os tempos da &#8220;Novos Escritores do Brasil&#8221; (lend\u00e1ria comunidade liter\u00e1ria) e sabem muito bem o que eu penso sobre o tipo de &#8220;literatura fant\u00e1stica&#8221; que se faz no Brasil. H\u00e1 pessoas ali que certamente s\u00e3o hostis a mim, e com raz\u00e3o: pois eu sou hostil \u00e0quilo que lhes parece sagrado.<\/p>\n<p>Mas o que me fez ver claramente que o p\u00fablico dali n\u00e3o vai me aceitar foi um coment\u00e1rio, totalmente n\u00e3o relacionado, feito por uma amiga virtual. Ela me disse que, se eu quisesse atingir a um p\u00fablico urbano e <em>mainstream<\/em>, eu precisaria mudar um pouco o ritmo da minha narrativa e modificar a dic\u00e7\u00e3o de meu narrador, que ela considerou muito &#8220;interiorano&#8221; e &#8220;cl\u00e1ssico&#8221;. Quem me disse isso o fez com a melhor das inten\u00e7\u00f5es, sem perceber o quanto eu me senti atingido por esta descri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Olhando em retrospecto, subitamente o coment\u00e1rio pareceu carregado de raz\u00e3o. De fato as pessoas devem perceber o ritmo mais lento de minha narra\u00e7\u00e3o, devem sentir o peso de minhas leituras (que n\u00e3o incluem nenhum dos best-sellers dos \u00faltimos vinte anos, exceto a s\u00e9rie Harry Potter) e identificar n\u00e3o s\u00f3 um <em>outsider<\/em>, mas tamb\u00e9m a mim mesmo. Alguns amigos meus, como o Fl\u00e1vio Oliveira (que n\u00e3o vejo h\u00e1 algum tempo, tenho de ir visitar o camarada!), j\u00e1 me haviam dito que os meus textos s\u00e3o f\u00e1ceis de reconhecer pelo tipo de vocabul\u00e1rio e por algumas estruturas sint\u00e1ticas (em certa \u00e9poca eu andei usando muito, por exemplo, a express\u00e3o &#8220;a esmo&#8221;).<\/p>\n<p>Ocorre que estas caracter\u00edsticas se chocam com o tipo de texto esperado pelos leitores que predominam nos ambientes onde tenho exibido os meus textos. E nem estou aventando que em alguns casos essa percep\u00e7\u00e3o de que o texto \u00e9 meu resulte automaticamente em cr\u00edticas motivadas pela rejei\u00e7\u00e3o de minha pessoa.<\/p>\n<p>De fato, desde que a minha amiga fez o coment\u00e1rio, eu percebi claramente que estou, h\u00e1 um bom tempo, adotando uma estrat\u00e9gia muito equivocada para divulgar meu trabalho. E preciso mudar de estrat\u00e9gia, j\u00e1 que, a essa altura da vida, \u00e9 muito dif\u00edcil mudar o trabalho.<\/p>\n<h3>Trabalhos de S\u00edsifo<\/h3>\n<p>Outra frustra\u00e7\u00e3o \u00e9 a dos intermin\u00e1veis debates sobre nada ou coisa alguma. A recente morte do Orkut serviu para me lembrar que tudo isso s\u00e3o nuvens, que esse tempo gasto em redes sociais n\u00e3o deixa pegadas na hist\u00f3ria. Uma parte significativa da minha forma\u00e7\u00e3o enquanto autor se perdeu nessas redes e nunca ser\u00e1 recuperada. Se algum dia eu me tornar um autor famoso, ningu\u00e9m poder\u00e1 estudar minha &#8220;correspond\u00eancia&#8221; ou meus originais in\u00e9ditos.<\/p>\n<p>Por isso eu perdi muito do gosto pela vida liter\u00e1ria virtual e resolvi me recolher, <em>mesmo que me torne menos vis\u00edvel online<\/em>. Tenho duas meninas crescendo, tenho cursos a concluir, projetos  a sonhar, e tudo isso \u00e9 mais importante do que girar a manivela de debates que n\u00e3o v\u00e3o a lugar nenhum ou participa\u00e7\u00f5es em desafios que nunca vou ganhar.<\/p>\n<p>Sobre os desafios, \u00e9 n\u00edtido para mim que se tornam cada vez mais penosos, como o m\u00edtico trabalho. Nos primeiros concursos os textos eram poucos e pequenos, n\u00e3o havia grandes exig\u00eancias nem regras espec\u00edficas. Era relativamente f\u00e1cil ler uma d\u00fazia e meia de textos e votar em dois ou tr\u00eas. S\u00f3 que os abusos cometidos por certos participantes ensejaram a cria\u00e7\u00e3o de regras, cada vez mais complexas, o que foi tornando a participa\u00e7\u00e3o cada vez mais exigente em termos de dedica\u00e7\u00e3o. E eu quero em dedicar a outras coisas.<\/p>\n<p>O problema da participa\u00e7\u00e3o aberta \u00e9 cumprir a exig\u00eancia de leitura. O \u00faltimo desafio teve o glorioso n\u00famero de quarenta participa\u00e7\u00f5es, com teto de quatro mil palavras. Dei-me ao trabalho de copiar-colar todos os textos, inclu\u00eddo o meu, para contar suas palavras e estimar o tamanho em livro. Foram 72206 palavras. Em p\u00e1gina tamanho A5, com margem de um cent\u00edmetro e t\u00edtulos abrindo novas p\u00e1ginas \u00e0 direita, isso d\u00e1 226 p\u00e1ginas, o tamanho de um livro que &#8220;p\u00e1ra em p\u00e9 na estante&#8221;, como costumo dizer. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que os participantes penam para cumprir a quota de leitura.<\/p>\n<h3>A Hora de Parar de Jogar<\/h3>\n<p>Eu nunca acreditei na lisura de concursos liter\u00e1rios. N\u00e3o \u00e9 que eu duvide do car\u00e1ter de quem os organiza: eu duvido da <strong>possibilidade<\/strong> de haver justi\u00e7a na compara\u00e7\u00e3o entre obras diferentes, de autores d\u00edspares, com experi\u00eancias divergentes e objetivos v\u00e1rios.<\/p>\n<p>Concursos liter\u00e1rios comparam coisas que n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis de comparar, e geralmente se usa como r\u00e9gua o ideal de uma pessoa que nem sempre compartilha da hist\u00f3ria de vida e dos valores do autor. Mesmo assim, um concurso pode render lucro para quem participa. Um autor pode se tornar conhecido e chamar a aten\u00e7\u00e3o ao participar de tais concursos, mesmo perdendo.<\/p>\n<p>Participa-se pela divers\u00e3o e eventualmente se pode ganhar alguma coisa. Mais ou menos como a loteria. E tal como ela, depois de anos de insist\u00eancia voc\u00ea descobre que se tivesse economizado R$ 10 reais por sorteio durante seis anos voc\u00ea teria ajuntado R$ 7.000,00.<\/p>\n<p>Participaria se houvesse alguma vantagem clara. O que seria isso? Bem, haveria alguma, por exemplo, se a participa\u00e7\u00e3o atra\u00edsse visitas para os blogs dos autores, se o EntreContos fosse frequentado por editores em busca de talentos, ou se houvesse alguma perspectiva de afagar o ego com uma vit\u00f3ria, mesmo que inexpressiva.<\/p>\n<p>Mas a participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o potencializa visitas e a ideia rom\u00e2ntica de editores procurando talentos na internet j\u00e1 n\u00e3o existe nem na cabe\u00e7a de garotinhas de quinze anos. Restaria o consolo de um trof\u00e9u de palha, mas nem isso: j\u00e1 h\u00e1 algum tempo que eu percebi que n\u00e3o ganharia nem se publicasse como minha uma obra prima da literatura universal. Bem, na verdade eu j\u00e1 fiz isso, e perdi.<\/p>\n<p>A falta de visibilidade decorre do fato de o blog EntreContos n\u00e3o ter sido pensado com o objetivo de divulgar blogs alheios. Bem, isso n\u00e3o \u00e9 culpa dos seus donos, e eles nem precisavam se preocupar com isso. Mas \u00e9 um fato dado que participar dos desafios constr\u00f3i a audi\u00eancia do EntreContos sem trazer nada de volta aos participantes. Em alguns casos, essa falta de <em>feedback<\/em> decorre de escolhas deliberadas dos administradores do site. Por exemplo:<\/p>\n<ol>\n<li>At\u00e9 recentemente (e isso  parece que s\u00f3 mudou por uma sugest\u00e3o minha) os concursos terminavam e os textos participantes continuavam assinados pelos pseud\u00f4nimos dos participantes; somente os ganhadores eram repostados com os seus nomes reais.<\/li>\n<li>At\u00e9 hoje n\u00e3o se adotou a pr\u00e1tica (embora isso j\u00e1 tenha sido sugerido na p\u00e1gina do EntreContos no Facebook) de linkar para o blogue do participante sob o cabe\u00e7alho do seu texto. Se uma pessoa ler <a href=\"http:\/\/entrecontos.com\/2014\/07\/23\/beatrix-e-jeannelynne-gaspard-du-nord\/\">Beatrix e Jeannelynne<\/a> no EntreContos, n\u00e3o saber\u00e1 que \u00e9 o <a href=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2014\/08\/a-perdicao-do-homem-beatrix-e-jeannelynne\/\">mesmo texto<\/a> que publiquei aqui em agosto, depois do fim do desafio sobre Bruxas. Na verdade s\u00f3 saber\u00e1 porque eu fui l\u00e1 e comentei acrescentando o link. E isso n\u00e3o quer dizer nada, pois nunca vi o EntreContos entre as URL de refer\u00eancia do meu blog, neste ano inteiro em que tenho participado.<\/li>\n<li>Pela din\u00e2mica do site, uma vez encerrado o desafio atual, os textos s\u00e3o deixados \u00e0s moscas, nunca mais sendo comentados por ningu\u00e9m. N\u00e3o tenho acesso \u00e0s estat\u00edsticas do EntreContos, mas minha percep\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que os textos dos desafios encerrados s\u00f3 atraem interesse residual, ru\u00eddo de fundo origin\u00e1rio das pesquisas do Google.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Tudo isso seria atenuado (mesmo que muito levemente) se houvesse alguma chance real de eu vir a ganhar, mas n\u00e3o h\u00e1. Admitamos que meu texto seja realmente ruim e eu n\u00e3o ganhe por isso: mesmo assim \u00e9 uma \u00f3tima raz\u00e3o para eu &#8220;passar de fase&#8221; e deixar o lugar para quem chega, pois estou tornando penosa a participa\u00e7\u00e3o dos outros com os meus textos.<\/p>\n<p>Enquanto isso devo mencionar que tamb\u00e9m me parece v\u00e3o o esfor\u00e7o de participa\u00e7\u00e3o em grupos liter\u00e1rios do Facebook e outras redes sociais. H\u00e1 tanto tempo eu n\u00e3o vejo um link de refer\u00eancia sa\u00eddo de uma rede social que eu at\u00e9 j\u00e1 me pergunto por que eu mesmo ainda estou nelas. H\u00e1 at\u00e9 estudos sugerindo que as redes sociais canibalizam a internet e est\u00e3o fazendo morrer os canais livres de difus\u00e3o de conte\u00fado.<\/p>\n<h3>Escrever para Escritores Sempre Ser\u00e1 Complicado<\/h3>\n<p>Escritores s\u00e3o criaturas chatas em rela\u00e7\u00e3o ao que seus semelhantes escrevem. S\u00e3o famosas as cr\u00edticas demolidoras (e equivocadas) feitas por grandes nomes da literatura a outros grandes nomes da literatura. Ocorre que o autor, ao criticar outro, n\u00e3o est\u00e1 apenas avaliando a qualidade do trabalho alheio, mas tamb\u00e9m defendendo o seu.  O criticado, por sua vez, dificilmente aceita o outro como um superior, e, na qualidade de seu igual, se sente desafiado a um duelo em vez de brindado com uma p\u00e9rola de sabedoria. \u00c9 natural que surjam rusgas e barracos quando um come\u00e7a a falar da obra do outro.<\/p>\n<p>Ainda mais que os jovens autores, do alto de sua inseguran\u00e7a, costumam confundir o valor da obra com seu valor pessoal, pois produzem a primeira para aumentar o segundo. Ser escritor, ou achar que \u00e9, n\u00e3o passa de uma maneira para se sentir especial, diferente. Por isso tantos deles orgulhosamente estampam como apelido ou sobrenome t\u00edtulos como &#8220;Escritor&#8221; ou &#8220;Poeta&#8221; em seus perfis das redes sociais.<\/p>\n<p>Da\u00ed voc\u00ea diz que um texto falhou e o autor se sente moralmente atingido, desafiado a justificar sua &#8220;falha&#8221; como se ela fosse um pecado. Fa\u00e7a a cr\u00edtica com um pouco menos de tato ou pouco mais incisiva e haver\u00e1 quem lhe tome as dores como se voc\u00ea tivesse cometido bullying ou invadido a Pol\u00f4nia.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o ganhar n\u00e3o \u00e9 nem por causa da falta de qualidade da minha prosa e nem porque os admins estejam me perseguindo (os djinns talvez estejam): o que eu digo n\u00e3o \u00e9 o que o p\u00fablico quer ouvir. Ou mudo de discurso, ou mudo de p\u00fablico. Resolvi tentar mudar o segundo porque j\u00e1 estou maduro demais para mudar o primeiro.<\/p>\n<h3>Preciso parar de Brigar com quem Pode Querer Ler Minhas Obras<\/h3>\n<p>Al\u00e9m de gastar preciosas horas lendo textos de que n\u00e3o gosto para poder receber votos depreciativos de gente que tamb\u00e9m n\u00e3o gosta de meus textos, o resultado \u00e9 quase sempre eu ficar numa posi\u00e7\u00e3o recuada, que me parece s\u00f3 servir para valorizar os que ficam \u00e0 frente &#8212; e podem dizer &#8220;meu conto deixou para tr\u00e1s textos bons <em>assim<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, meus coment\u00e1rios sempre fazem algu\u00e9m ficar com raiva de mim &#8212; o que \u00e9 p\u00e9ssimo para as minhas perspectivas de carreira (se bem que eu j\u00e1 a queimei suficientemente em pol\u00eamicas anteriores). N\u00e3o estou ganhando nada, estou lustrando o trof\u00e9u alheio e ainda estou ganhando fama de ogro quando me excedo, quando me equivoco, ou quando simplesmente me interpretam mal. Meu medo \u00e9 que essas participa\u00e7\u00f5es, enquanto nada acrescentam ao meu curr\u00edculo, pois nunca ganharei, acabem denegrindo minha imagem de autor e prejudicando as possibilidades de eu fazer sucesso em outros g\u00eaneros. Pois m\u00e1 fama \u00e9 algo que se espalha.<\/p>\n<p>Meus coment\u00e1rios costumam ser mal recebidos porque abordam os textos de uma maneira que n\u00e3o \u00e9 mais &#8220;aceit\u00e1vel&#8221; hoje em dia: todo texto \u00e9 um produto, mesmo que o investimento seja s\u00f3 tempo. Apontar falhas \u00e9 depreciar algo a que se d\u00e1 valor. Depreciar desagrada, \u00e9 preciso ser morno para n\u00e3o queimar e nem resfriar ningu\u00e9m. Mas eu n\u00e3o sou morno. Sou frio ou quente, ou at\u00e9 morno, mas nunca sou uma coisa s\u00f3. Errando ou acertando, gosto de uns textos e n\u00e3o gosto de outros. E o meu lado &#8220;ogro&#8221; acaba me levando a entrar em roubadas absolutamente desnecess\u00e1rias, como me ver associado ao blog &#8220;<a href=\"http:\/\/litfanbr.blogspot.com\">Literatura Fant\u00e1stica Brasileira<\/a>&#8220;, onde costumam aparecer textos equivocados, mandando queimar livros e ef\u00edgies, ou explorando a orienta\u00e7\u00e3o sexual de desafetos. Afastar-me talvez ajude a apagar esse fogo.<\/p>\n<h3>Hora, Ent\u00e3o, de Picar a Mula<\/h3>\n<p>Esta n\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o de modo algum relacionada \u00e0s minhas amizades liter\u00e1rias. Continuo t\u00e3o amigo dos meus amigos quanto era antes e a minha aprecia\u00e7\u00e3o de seu trabalho n\u00e3o mudou um mil\u00edmetro. N\u00e3o me afasto deles, afasto-me de coisas que me faziam perder tempo.<\/p>\n<p>J\u00e1 passei de fase. Insistir em participar s\u00f3 serve para me retardar num lugar aonde n\u00e3o sou bem-vindo, e nunca fui. \u00c9 como o penetra da festa ser dos \u00faltimos a ir embora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tomei recentemente uma decis\u00e3o um tanto pol\u00eamica, que talvez tensione alguns relacionamentos virtuais meus. Trata-se de algo que j\u00e1 penso h\u00e1 algum tempo, mas sobre o qual s\u00f3 conversei com poucas pessoas. Decidi abandonar a partir de hoje uma boa parte de minha atua\u00e7\u00e3o na internet e nas redes sociais. Disto resultar\u00e1 eu participar menos em comunidades liter\u00e1rias e n\u00e3o mais entrar nos desafios liter\u00e1rios do blog Entre Contos. 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