{"id":193,"date":"2011-11-13T19:45:00","date_gmt":"2011-11-13T22:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=193"},"modified":"2017-11-02T14:09:04","modified_gmt":"2017-11-02T17:09:04","slug":"retornado-do-felica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2011\/11\/retornado-do-felica\/","title":{"rendered":"Retornado do FELICA"},"content":{"rendered":"<p>Tal como <a href=\"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/2011\/11\/retornado-do-felica\/\">no ano passado<\/a>, compareci ao Festival Liter\u00e1rio de Cataguases. Este ano, al\u00e9m de tietar eu tamb\u00e9m tive a oportunidade de falar umas bobagens com um microfone na m\u00e3o enquanto algu\u00e9m filmava para p\u00f4r no <span class=\"removed_link\" title=\"http:\/\/www.cataguasesviva.com\/felica\">s\u00edtio oficial<\/span>. Ao meu lado estava Mikl\u00f3s Palluch, que tamb\u00e9m estreia no romance, como eu, mas &#8212; ao contr\u00e1rio deste mineiro interiorano &#8212; <em>padece<\/em> de muito mais cultura, experi\u00eancia de vida e contatos.<\/p>\n<p>Fiquei bastante feliz de ver que minha campanha de divulga\u00e7\u00e3o foi relativamente bem sucedida. Embora tenha atra\u00eddo apenas aproximadamente 3,5% das pessoas que eu efetivamente contactei, ela me ajudou a ter uma marca estranha: minha noite do Festival teve mais p\u00fablico que a de s\u00e1bado, que contou com gente de muito mais peso.<\/p>\n<p>Mas comecemos falando do que aconteceu primeiro, que \u00e9 sempre uma boa e l\u00f3gica maneira de come\u00e7ar \u2014 ainda que, literariamente falando, seja o \u00f3bvio.<\/p>\n<p>Mikl\u00f3s Palluch \u00e9 cineasta, esta \u00e9 a sua praia. Na literatura ele ainda \u00e9 estreante, mas estreia com muito mais tarimba de mundo do que eu, e por uma editora que certamente tem mais nome, a Ediouro. Seu romance \u00e9 mais ou menos do mesmo tamanho (em p\u00e1ginas que o meu), mas oh, quanta diferen\u00e7a em todo o resto.<\/p>\n<p>Estilos quase diametralmente opostos, objetivos idem. Ainda n\u00e3o fui longe na leitura, mas o que ele escreve me parece algo t\u00e3o realmente alheio, e fresco, que d\u00e1 at\u00e9 prazer continuar lendo. O velho h\u00fangaro escreve com uma secura, com uma sinceridade e com uma clareza que espantam.<\/p>\n<p>Quanto a mim, bem, voc\u00eas que me leem sabem que eu sou amante de elipses e met\u00e1foras, de jogos, torneios e ardis. Nem sempre consigo completar a cambalhota, \u00e0s vezes os malabares me caem da m\u00e3o, mas fico fazendo meu n\u00famero com gra\u00e7a e ousadia. Mikl\u00f3s n\u00e3o busca isso, a praia dele \u00e9 outra. Ou melhor, enquanto carioca (mesmo que adotivo) ele realmente sabe de praia. Eu sei de morros e de rios e de ventos e de lendas. Ele escreve claro como o sol do Rio, eu escrevo sombrio como as estradas estreitas e gretas e grotas dos lugarejos de Minas Gerais.<\/p>\n<p>Ver-nos trocar ideias deve ter sido interessante. Ele, descontra\u00eddo, senhor de si, algu\u00e9m que parece tanto ter nascido com um microfone na m\u00e3o que nem sequer o quis usar, preferiu brandi-lo, qual varinha de cond\u00e3o, para encantar os olhos da plateia. Eu, vestido &#8220;como um padre&#8221;, nas palavras de meu irm\u00e3o, me sentia pressionado a ser interessante, algo que normalmente n\u00e3o sou. Eu tinha ido l\u00e1 com medo de parecer did\u00e1tico ou soberbo. Mikl\u00f3s foi ambas as coisas, mas com uma simplicidade que deu inveja\u2026<\/p>\n<p>Falamos sobre um tema espinhoso, que o moderador \u2014 Enzo Menta \u2014 fez quest\u00e3o de ressaltar que tem at\u00e9 um lugar no C\u00f3digo Penal. Risos na plateia, senha para sermos descontra\u00eddos. Naquele momento me arrependi de minha cal\u00e7a social e de minha camisa impecavelmente abotoada. O que falamos n\u00e3o vou detalhar, porque amanh\u00e3 ou depois, quando me recuperar do des\u00e2nimo, eu vou postar minhas notas para o debate, acompanhadas de algumas observa\u00e7\u00f5es inspiradas no que o Mikl\u00f3s disse.<\/p>\n<p>Depois, enquanto autograf\u00e1vamos nossos livros para os presentes, ele veio at\u00e9 mim, fez quest\u00e3o de comprar <em>Praia do Sossego<\/em> e me pediu uma dedicat\u00f3ria. Imagino se ele sentiu algo em meu jeito ou minhas palavras que lhe sugeriu que devesse ler o que escrevo, ou se estava sendo apenas simp\u00e1tico, algo que, ao que me parece, ele n\u00e3o precisa querer ser. No dia seguinte nos reencontramos e trocamos mais umas palavras. Fiquei com a impress\u00e3o de que ele \u00e9 um sujeito que eu adoraria ter como vizinho. Ainda bem que o Rio de Janeiro \u00e9 &#8220;logo ali&#8221;.<sup id=\"fnref:1\"><a href=\"#fn:1\" rel=\"footnote\">1<\/a><\/sup><\/p>\n<p>O evento seguinte na sexta-feira foi uma mesa-redonda entre os poetas Chacal, Ondjaki e Marcelo Benini.<sup id=\"fnref:2\"><a href=\"#fn:2\" rel=\"footnote\">2<\/a><\/sup> O tema entre eles foi que comentassem sobre o aforisma de que &#8220;um poeta n\u00e3o se faz apenas com versos&#8221;. O conceito fora atribu\u00eddo pela organiza\u00e7\u00e3o do FELICA ao pr\u00f3prio Chacal, indiretamente concedendo-lhe uma primazia sobre os demais. Primazia que ele, humildemente, tratou de dissolver sacando da sacola as suas notas. Nelas ele leu, para certa surpresa da plateia e do pr\u00f3prio moderador do debate, que a frase era de Torquato Neto e aparecera na obra de Chacal atrav\u00e9s de uma cita\u00e7\u00e3o. Antigamente n\u00e3o havia hiperliga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Benini foi o mais comedido dos tr\u00eas, certamente surpreso pela erudi\u00e7\u00e3o demonstrada por Chacal. Para espanto de muita gente que o julga sem o conhecer (e acha que ele deve ser uma esp\u00e9cie de porra-louca vazio), o poeta carioca exibiu uma seguran\u00e7a, uma cultura, uma viv\u00eancia e uma autoridade dignas de um acad\u00eamico. Mostrando-se conhecedor de um amplo per\u00edodo da hist\u00f3ria liter\u00e1ria brasileira, o poeta acabou dando o tom de quase metade do debate, e ainda achou um modo de se defender de uma estocada que eu sem querer lhe dera em meu debate (oh, ousadia).<sup id=\"fnref:3\"><a href=\"#fn:3\" rel=\"footnote\">3<\/a><\/sup> Mas quem realmente roubou a cena foi Ondjaki. Muito mais articulado do que Chacal, com sua fala r\u00e1pida, com seu talento corporal e seu jeito de jovem rebelde, que tanto encantou uma aluna de Letras.<sup id=\"fnref:4\"><a href=\"#fn:4\" rel=\"footnote\">4<\/a><\/sup> Ondjaki, por\u00e9m, preferiu usar sua presen\u00e7a c\u00eanica para equilibrar o debate, introduzindo mais temas e evitando que a erudi\u00e7\u00e3o de Chacal monopolizasse as aten\u00e7\u00f5es. O pr\u00f3prio Chacal beneficiou-se disso, pois os temas variaram mais, permitindo que todos brilhassem. Particularmente brilhou o Benini, cujos versos breves e concentrados, de um livro escrito inteiramente sobre p\u00e1ssaros, ofereceu um grande frescor tem\u00e1tico.<\/p>\n<p>A noite de sexta terminou com todos bebendo e se divertindo no bar D&#8217;\u00c2ngelo, mas eu n\u00e3o pude ir, devido ao sono das crian\u00e7as. Mesmo assim a noite foi rica, pela oportunidade de ouvir assuntos sobre os quais nunca se fala em uma cidade pequena e pelas amizades que fiz, ainda que algumas delas fiquem apenas na mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>No s\u00e1bado o audit\u00f3rio estava um pouco mais vazio do que na noite anterior, o que em parte se deveu a concorr\u00eancia de v\u00e1rios outros eventos que estavam acontecendo na cidade simultaneamente. Fica a dica para a organiza\u00e7\u00e3o do Festival, que no pr\u00f3ximo ano ele se realize antes, talvez em outubro ou setembro.<\/p>\n<p>Mesmo assim era um p\u00fablico qualificado, do tipo que ouve com aten\u00e7\u00e3o, faz boas perguntas e sabe respeitar as personalidades e as biografias que l\u00e1 estavam. \u00c0s vezes \u00e9 melhor falar para trinta pessoas interessantes do que para centenas que n\u00e3o fazem diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>A primeira mesa-redonda da noite foi com Elias Fajardo e Ana Paula Maia. Representantes de duas gera\u00e7\u00f5es diferentes, os dois tamb\u00e9m possuem estilos ant\u00edpodas. Elias \u00e9 algu\u00e9m que eu entendo melhor: cria do interior, dotado de uma prosa l\u00edrica, um falar cantado. Ana Paula \u00e9 urbana, el\u00e9trica, mas antropologicamente interessada no distante, no des\u00e9rtico, no confuso tecido das rela\u00e7\u00f5es humanas do Brasil profundo. Mas continua urbana, el\u00e9trica.<\/p>\n<p>Seus estilos percorreram caminhos muito diferentes. Ele foi jornalista, poeta, pintor, viajante, escritor. Ela foi baterista de uma banda punk, foi crian\u00e7a travessa, foi jovem rebelde. Ele sempre gostou de ler, mas esteve um temp\u00e3o afastado da escrita. Ela nunca gostou, mas um belo dia, quase que a contragosto, foi mordida pelo mosquito da literatura. Conseguiram fazer com que eu ficasse curioso para ler os seus livros, ambos conseguiram. O do Elias foi mais f\u00e1cil: ele estava l\u00e1 \u00e0 venda. Eu tive foi de ser r\u00e1pido, porque ele n\u00e3o ficou muito tempo depois que terminou de falar. Alguns minutos de distra\u00e7\u00e3o e ele teria ido embora sem que eu lhe pedisse o aut\u00f3grafo. O da Ana Paula eu vou ter que adquirir por outros meios, sem seu aut\u00f3grafo.<\/p>\n<p>A noite terminou com um debate menos parelho quanto ao tema. Bartolomeu Campos de Queir\u00f3s e Sabrina Abreu s\u00e3o muito mais diferentes do que quaisquer dos outros debatedores haviam sido. Eu e Mikl\u00f3s somos praticamente de planetas diferentes, mas estamos unidos por opini\u00f5es e conceitos pol\u00edticos que se tocam, embora nossas literaturas n\u00e3o se entendam muito. Os poetas da noite anterior haviam podido dar-se ao luxo de serem diferentes porque poeta \u00e9 mesmo um bicho estranho, o conjunto deles \u00e9 um maravilhoso rebanho de gatos e eles se aceitam e se somam quando se atritam com suas opini\u00f5es diferentes. Ana Paula e Elias, embora vindos de mundos quase incomunic\u00e1veis, aproximam-se pelo universo em que ambientam suas hist\u00f3rias e, acima de tudo, pela erudi\u00e7\u00e3o que um mostrou ter em rela\u00e7\u00e3o ao universo do outro.<\/p>\n<p>Nada disso pareceu funcionar muito bem em rela\u00e7\u00e3o a Bartolomeu e Sabrina. Talvez porque eles fossem, mesmo diferentes <em>demais<\/em>. Bartolomeu \u00e9 um idealista, um timoneiro da utopia. Sabrina \u00e9 uma jornalista. Ele tem um estilo de profeta, ela de analista. Ele fala de um mundo que, sendo idoso, n\u00e3o ver\u00e1. Ela fala de um mundo que viu de forma diferente daquela que a maioria enxerga. Ele tenta abra\u00e7ar a filosofia, ela tenta enquadrar um canto da realidade que lhe interessa.<\/p>\n<p>Obviamente fiquei fascinado pelo jeito quase papal com que Bartolomeu exp\u00f4s, com not\u00e1vel firmeza l\u00f3gica, as suas opini\u00f5es e suas proposi\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, identifiquei-me muito mais com Sabrina. Talvez porque ela, ao contr\u00e1rio dele, est\u00e1 mais pr\u00f3xima de mim (embora ele seja mineiro do interior e ela, da capital). Eu sou, como ela, um blogueiro, algu\u00e9m antenado no presente (embora, ao contr\u00e1rio dela, tenha medo). Al\u00e9m do mais, Sabrina conseguiu falar muito mais de si e de seu livro do que Bartolomeu.\u00a0 Sa\u00ed do debate sabendo os nomes de dois livros dela, de suas ideias, de seu estilo, de sua abordagem. Mas consegui n\u00e3o saber o que Bartolomeu escreveu na vida, embora ele obviamente seja uma sumidade em seja l\u00e1 o que for que fa\u00e7a.<\/p>\n<p>A noite de s\u00e1bado valeu tamb\u00e9m pela oportunidade de reencontrar alguns amigos de Cataguases com quem vinha tendo pouca chance de conversar. O William, por exemplo, agora que virou prefeito anda com a agenda cheia pacas. O mesmo posso dizer do Ivan, que se tornou secret\u00e1rio. Mas continuam sendo boas pessoas, velhos amigos de faculdade, gente que viveu ao meu lado uma \u00e9poca de que tenho saudades.<sup id=\"fnref:5\"><a href=\"#fn:5\" rel=\"footnote\">5<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Voltei do FELICA 2011 me sentindo feliz e realizado por ter vendido dez livros. \u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o estranha, e gratificante, receber dinheiro em troca das coisas que escrevo. A gente passa a vida inteira ouvindo amigos e parentes dizendo que o que fazemos n\u00e3o tem nenhum valor, e de repente aparecem pessoas pagando trinta e cinco reais. Senti-me bem com isso, especialmente porque ningu\u00e9m comprou o livro &#8220;para ajudar&#8221;, mas para conhecer.<sup id=\"fnref:6\"><a href=\"#fn:6\" rel=\"footnote\">6<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Pe\u00e7o desculpas \u00e0s demais atra\u00e7\u00f5es do FELICA que eu n\u00e3o comentei aqui. Infelizmente eu n\u00e3o pude estar presente todos os dias (que p\u00e9ssimo jornalista sou! \u2014 ainda bem que n\u00e3o sou!). Mesmo assim, cumpro o prazeroso dever de compartilhar minhas impress\u00f5es, inclusive para convidar a voc\u00ea, que l\u00e1 n\u00e3o esteve, a participar no pr\u00f3ximo ano. Cataguases \u00e9 uma estranha cidade de sessenta mil habitantes que, por uma anomalia da natureza, goza do privil\u00e9gio de ter uma hist\u00f3ria de movimento<b>s<\/b> liter\u00e1rio<b>s<\/b> e eventos culturais. Que precisam ser mais prestigiados. Cataguases \u00e9 impressionante.<\/p>\n<div class=\"footnotes\">\n<hr \/>\n<ol>\n<li id=\"fn:1\">\n<p>Reza uma lenda que n\u00f3s mineiros somos incapazes de conceber como distante algo que n\u00e3o esteja al\u00e9m do Oceano ou da Cordilheira. Isso \u00e9 apenas uma lenda, obviamente, pelo menos aqui na Zona da Mata. Se duvida, sugiro que venha fazer-nos uma visita para conhecer o povo de c\u00e1. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil achar, tanto Cataguases, a do FELICA, como Leopoldina, onde vivo, ficam pertinho de Juiz de Fora, uns 100 km a nordeste, mais ou menos.&#160;<a href=\"#fnref:1\" rev=\"footnote\">&#8617;<\/a><\/p>\n<\/li>\n<li id=\"fn:2\">\n<p>Perd\u00e3o, poeta, por ter grafado seu nome com &#8220;ll&#8221; na dedicat\u00f3ria. Eu, que tanto me incomodo quando me chamam de &#8220;Gouveia&#8221;, deveria ter tido um pouco mais de cuidado.&#160;<a href=\"#fnref:2\" rev=\"footnote\">&#8617;<\/a><\/p>\n<\/li>\n<li id=\"fn:3\">\n<p>Como voc\u00eas ler\u00e3o ainda durante a semana, um dos &#8220;pontos altos&#8221; (ou ter\u00e1 sido baixo?) de minha interven\u00e7\u00e3o foi o momento em que eu disse que n\u00e3o devemos valorizar o paradigma da droga ou da embriaguez como ferramenta de aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimento ou de inspira\u00e7\u00e3o pelo autor pois todo viciado tende n\u00e3o apenas a negar o pr\u00f3prio v\u00edcio, mas tamb\u00e9m a encontrar justificativas n\u00e3o-hedonistas para o uso da subst\u00e2ncia. Acredito que a estocada a que me refiro foi no momento em que eu disse que, se todo b\u00eabado inventa desculpas e explica\u00e7\u00f5es para o pr\u00f3prio v\u00edcio, qu\u00e3o fascinantes e maravilhosas n\u00e3o devem ser as desculpas e explica\u00e7\u00f5es inventadas por um b\u00eabado que possui o talento com as palavras. Em suma, tachei as produ\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias &#8220;aditivadas&#8221; de &#8220;papo de b\u00eabado&#8221; sofistica. Oh, ousadia, que somente a ignor\u00e2ncia permite!&#160;<a href=\"#fnref:3\" rev=\"footnote\">&#8617;<\/a><\/p>\n<\/li>\n<li id=\"fn:4\">\n<p>De fato, encantou-a tanto que, nas tr\u00eas vezes em que tentou dizer o quanto gostava de obras suas, citou textos de outros autores &#8220;africanos&#8221;, o que acabou fazendo com que o poeta, no seu \u00fanico momento de\u00a0 aridez verbal, criticasse a postura arrogante com que as pessoas veem a \u00c1frica de fora, sem distinguir as culturas dos diversos pa\u00edses, com suas particularidades.&#160;<a href=\"#fnref:4\" rev=\"footnote\">&#8617;<\/a><\/p>\n<\/li>\n<li id=\"fn:5\">\n<p>Quando voltava da faculdade, com a matr\u00edcula orgulhosamente na m\u00e3o, encontrei um antigo professor do segundo grau, a quem contei do meu feito de ter passado em primeiro lugar no Vestibular. Ele, do alto da sabedoria que a vida d\u00e1 e depois toma, sentenciou-me algo que jamais esqueci: &#8220;Isso n\u00e3o \u00e9 importante, Geraldo. Importante \u00e9 que na faculdade voc\u00ea viver\u00e1 os dias mais felizes de sua vida. Voc\u00ea n\u00e3o ter\u00e1 saudades de um n\u00famero na lista, mas dos amigos e amores que vai viver nesses quatro anos. Viva-os bem.&#8221; Obviamente, quando se tem vinte anos, a gente acha que sabe tudo. N\u00e3o segui o conselho, mas ainda tenho saudades daqueles tempos, e daqueles amigos e amores.&#160;<a href=\"#fnref:5\" rev=\"footnote\">&#8617;<\/a><\/p>\n<\/li>\n<li id=\"fn:6\">\n<p>Se algu\u00e9m quiser &#8220;me ajudar&#8221;, deve fazer o favor de n\u00e3o comprar o livro. Eu n\u00e3o tenho muitos, apenas algumas dezenas, e preciso que eles cheguem exclusivamente \u00e0s m\u00e3os de quem esteja interessado em l\u00ea-lo.&#160;<a href=\"#fnref:6\" rev=\"footnote\">&#8617;<\/a><\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tal como no ano passado, compareci ao Festival Liter\u00e1rio de Cataguases. Este ano, al\u00e9m de tietar eu tamb\u00e9m tive a oportunidade de falar umas bobagens com um microfone na m\u00e3o enquanto algu\u00e9m filmava para p\u00f4r no s\u00edtio oficial. Ao meu lado estava Mikl\u00f3s Palluch, que tamb\u00e9m estreia no romance, como eu, mas &#8212; ao contr\u00e1rio deste mineiro interiorano &#8212; padece de muito mais cultura, experi\u00eancia de vida e contatos. Fiquei bastante feliz de ver que minha campanha de divulga\u00e7\u00e3o foi relativamente bem sucedida. 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