{"id":2031,"date":"2014-12-04T12:57:43","date_gmt":"2014-12-04T15:57:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=2031"},"modified":"2017-08-13T00:17:42","modified_gmt":"2017-08-13T03:17:42","slug":"resenhas-indelicadas-devaneios-improvaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2014\/12\/resenhas-indelicadas-devaneios-improvaveis\/","title":{"rendered":"Resenhas Indelicadas: Devaneios Improv\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p>Este \u00e9 o t\u00edtulo de uma colet\u00e2nea que acaba de ser lan\u00e7ada pelo blog [Entre Contos](http:\/\/www.entrecontos.com), contendo 18 textos dos participantes dos primeiros seis desafios liter\u00e1rios por l\u00e1 promovidos. Aparentemente, o crit\u00e9rio de sele\u00e7\u00e3o se baseou na coloca\u00e7\u00e3o dos textos nos resultados finais de cada desafio, o que me parece uma decis\u00e3o acertada, se o objetivo do lan\u00e7amento \u00e9 o que penso ser: a divulga\u00e7\u00e3o do blog, dos desafios por ele promovidos e dos autores que deles participam. Sendo assim, a colet\u00e2nea \u00e9 um retrato muito fiel e apropriado dos desafios liter\u00e1rios Entre Contos que, por sua vez, s\u00e3o um microcosmo da nova literatura brasileira, especialmente em sua vertente fant\u00e1stica, e resenhar estes textos lan\u00e7a luz sobre os valores e ideologias impressos nesses jovens autores que come\u00e7am agora.<\/p>\n<p>A primeira coisa a se dizer sobre a antologia \u00e9 que, por se originar das vota\u00e7\u00f5es efetivamente ocorridas, ela traz uma peculiaridade que pode causar estranheza: os desafios Entre Contos s\u00e3o uma esp\u00e9cie de concurso informal no qual os votos s\u00e3o dados pelos pr\u00f3prios participantes. Esta pr\u00e1tica tem lados positivos e negativos, e tamb\u00e9m sua finalidade pr\u00e1tica, e n\u00e3o acho que seja v\u00e1lido criticar este sistema, entre tantos outros: apenas devemos ter em mente que cada sistema produz um tipo de resultado diferente e que, portanto, devemos considerar o sistema de escolha quando consideramos o que foi escolhido, s\u00f3 isso. J\u00e1 participei de uma concurso na internet em que os vencedores eram pelo n\u00famero de &#8220;likes&#8221; que o texto obtinha. Obviamente autores mais conhecidos, ou que n\u00e3o tinham vergonha de convocar um ex\u00e9rcito de amigos para lerem e deixarem seu &#8220;joinha&#8221; acabavam ganhando. O sistema do Entre Contos impede isso, visto que para votar \u00e9 preciso ser participante do desafio,[^*] o que certamente produz uma sele\u00e7\u00e3o mais justa do que aquela obtida atrav\u00e9s de &#8220;likes&#8221; vazios, que obviamente n\u00e3o significam que o texto foi lido e\/ou apreciado.<\/p>\n<p>Este sistema tem um &#8220;efeito colateral&#8221; muito interessante: a escolha acaba sendo resultado da opini\u00e3o de outros autores e a sele\u00e7\u00e3o acaba refletindo as opini\u00f5es dos autores a respeito do que seja qualidade, portanto, ao inv\u00e9s de refletir o gosto do p\u00fablico geral, a sele\u00e7\u00e3o permite avaliar, ainda que parcialmente, o gosto e a forma\u00e7\u00e3o daqueles que escrevem (e no caso votam). Acredito ser \u00f3bvio que autores e leitores costumam ter opini\u00f5es diversas a respeito da literatura. Normalmente a rela\u00e7\u00e3o entre o escritor e seu leitor \u00e9 assim\u00e9trica: quem escreve tem acesso a informa\u00e7\u00f5es e t\u00e9cnicas que faltam ao leitor, sendo que o \u00faltimo tenta interpretar, precariamente, as ideias e inten\u00e7\u00f5es de quem escreveu. Mas nos desafios Entre Contos esta assimetria se reduz: o julgamento dos pares, muitas vezes, traz a influ\u00eancia de aspectos compartilhados, como interesses, conhecimentos, relacionamentos etc. Assim, ao ter este livro em m\u00e3os o leitor dever\u00e1 considerar que esta \u00e9 primariamente uma sele\u00e7\u00e3o que reflete a mentalidade predominante entre os escritores participantes. Por esta raz\u00e3o os desafios  *s\u00e3o interessantes* de se observar. E eu ainda os observo, embora tenha deixado de participar.<\/p>\n<p>Feitas estas ressalvas, acredito que o leitor que aprecia a tem\u00e1tica fant\u00e1stica encontrar\u00e1 nesta colet\u00e2nea uma sele\u00e7\u00e3o de obras bastante variadas quanto ao estilo. Certamente haver\u00e1 contos para todos os gostos entre os dezoito, inclusive os h\u00e1 para o meu &#8212; ainda que eu considere que v\u00e1rios dos textos que figuraram nos primeiros lugares em alguns dos desafios foram propelidos por raz\u00f5es semelhantes \u00e0s que motivam as grandes vendagens de autores que eu n\u00e3o curto. Afinal os escritores, sendo um microcosmo da sociedade como um todo, n\u00e3o est\u00e3o livres da influ\u00eancia da cultura *pop* que tanto nos pressiona e nos atrai a pensar e sonhar com cenas e conven\u00e7\u00f5es que fazem parte de uma outra cultura. Mas esta \u00e9 uma briga velha que n\u00e3o vale a pena eu levantar aqui.<\/p>\n<p>O primeiro texto da colet\u00e2nea seria facilmente considerado o melhor se o crit\u00e9rio de qualidade fosse exclusivamente a maturidade estil\u00edstica, mas n\u00e3o se faz uma obra de qualidade apensa com &#8220;estilo&#8221;. Felipe Holloway, um autor que admiro bastante exatamente por sua capacidade de transformar qualquer banalidade em um texto delicioso de se ler, parece n\u00e3o ter chegado ao seu melhor em &#8220;Assim, Assim&#8221;. \u00c9 um conto que, apesar de todo o arsenal lingu\u00edstico e afetivo do autor, parece ir se desmilinguindo \u00e0 medida que o lemos. Isto pode ter ocorrido devido ao espa\u00e7o curto entre a escrita e a inscri\u00e7\u00e3o no desafio, e nem sempre \u00e9 poss\u00edvel voltar a um texto que j\u00e1 foi &#8220;solto&#8221; no mundo e mudar tudo o que desejamos mudar &#8212; este \u00e9 um problema que afeta muita fic\u00e7\u00e3o que publico aqui no blog, por exemplo.  De qualquer forma, se voc\u00ea aprecia autores que praticam a ironia e gostam de fazer o leitor sorrir por dentro, e tamb\u00e9m chorar por dentro, quando necess\u00e1rio, gostar\u00e1 da obra de Holloway, que procura seguir um estilo mais enraizado na literatura luso-brasileira do que os demais selecionados e tem certos pontos de contato com Machado de Assis e Lu\u00eds Fernando Ver\u00edssimo (e eu n\u00e3o vou acreditar se ele disser que nunca os leu).<\/p>\n<p>Outro texto que d\u00e1 o que pensar \u00e9 &#8220;L\u00e1grimas S\u00e3o V\u00e3s Sob a Chuva&#8221;, de Rubem Cabral. Este \u00e9 um autor cujo trabalho nem sempre aprecio pois ele, muitas vezes, me soa artificial, especialmente pela leveza com que ele ambienta suas hist\u00f3rias em qualquer lugar, sem valorizar a cor local (nesse sentido nossa diferen\u00e7a \u00e9 mais ideol\u00f3gica do que de qualidade). Por\u00e9m eu venho adquirindo certo gosto pelo que ele escreve porque essa leveza problem\u00e1tica vem diminuindo ou porque vem sendo posta de lado por outros elementos das tramas. Ou porque eu venho mudando ou porque ele vem amadurecendo seu estilo e isso nos tem aproximado. Este texto ainda n\u00e3o \u00e9 da sua fase mais recente, e que eu aprecio mais, por\u00e9m ele j\u00e1 incorpora a caracter\u00edstica central da obra de Cabral: a narrativa em camadas. Cabral \u00e9 bom nisso, fazer isso \u00e9 marca de qualidade e eu admito que procuro isso. Cada hist\u00f3ria sua tem, na verdade, duas narrativas superpostas que, quando se encontram, nos revelam o verdadeiro sentido da trama. N\u00e3o \u00e9 um simples &#8220;plot twist&#8221; engarrafado (\u00e0 la M. Night Shyamalan) porque, como disse, as narrativas v\u00e3o superpostas e quando voc\u00ea chega ao final est\u00e1 claro que tudo era previs\u00edvel desde o in\u00edcio, apenas voc\u00ea, leitor, n\u00e3o conseguiu prever. Algo parecido com as tramas precisas da Agatha Christie. Este talento que o Rubem tem ainda o levar\u00e1 bem longe na literatura.<\/p>\n<p>&#8220;O Quatrilho&#8221;, de Bia Machado, foi outro texto que me surpreendeu. Normalmente os textos da Bia n\u00e3o me enchem os olhos porque ela tem um toque muito sutil, muito feminino, para narrar, e eu me confesso um casca grossa para essas coisas. O que faz a obra da Bia ser interessante \u00e9 o fato de que ela conseguiu transformar a ideia bruta do poema de Drummond em uma hist\u00f3ria que tem p\u00e9 e cabe\u00e7a, o que o poema-piada drummondiano n\u00e3o tinha nem pretendeu ter. O que impede este texto de ser melhor (e explica porque o vencedor do desafio &#8220;Cemit\u00e9rios&#8221; foi o Holloway) \u00e9 que ele me parece um tanto &#8220;verde&#8221; &#8212; como costumam ser, ali\u00e1s, quase todas as obras publicadas nos desafios e tamb\u00e9m o fato de Holloway conseguir trabalhar melhor e mais gradualmente as emo\u00e7\u00f5es dos personagens.<\/p>\n<p>O organizador, Gustavo Ara\u00fajo, comparece com o conto &#8220;Reconstruindo Sarah Parker&#8221;, que foi, inclusive, vencedor de uma das edi\u00e7\u00f5es. Gustavo \u00e9 um escritor de m\u00e3o firme, cujas obras me deixam, \u00e0s vezes, a impress\u00e3o de que ele sabe o que quer e tamb\u00e9m sabe o fazer liter\u00e1rio melhor do que eu. Este texto, por\u00e9m, n\u00e3o foi um destes momentos. Pode ser meramente por uma quest\u00e3o ideol\u00f3gica,  j\u00e1 que eu abomino o exotismo gratuito (e quando digo &#8220;abomino&#8221; eu estou sendo eufem\u00edstico) e nada nesta hist\u00f3ria me pareceu exigir que fosse localizada em Londres e com personagens ingleses. Nada a n\u00e3o ser o desejo de ser traduzido e lido pelo p\u00fablico angl\u00f3fono (esta \u00e9 a obsess\u00e3o de boa parte dos autores brasileiros, que seguem a tradi\u00e7\u00e3o nacional de dar as costas \u00e0 Am\u00e9rica Latina e manter o olhar firme e fixo na Europa e na Am\u00e9rica do Norte). Quem n\u00e3o tenha essas restri\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas encontrar\u00e1 realmente um bom texto, embora um tanto vazio do que dizer, devido justamente \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o espa\u00e7otemporal e ao distanciamento da trama em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa realidade. Enfim, o defeito do texto n\u00e3o est\u00e1 necessariamente nele, mas no foco atrav\u00e9s do qual eu analiso, e quem quer que analise com os mesmos olhos ver\u00e1 problemas parecidos. Mas a maneira como eu vejo a quest\u00e3o \u00e9 claramente minorit\u00e1ria entre o p\u00fablico leitor.<\/p>\n<p>A mesma diverg\u00eancia ideol\u00f3gica que me fez repelir o texto do Gustavo afetou, na \u00e9poca,  a minha percep\u00e7\u00e3o do texto de Wilson Louren\u00e7o, que, apesar de v\u00e1rios v\u00edcios narrativos comuns a obras escritas de afogadilho, concebeu uma f\u00e1bula impressionante, &#8220;Heinzelm\u00e4nnchen&#8221;, que n\u00e3o s\u00f3 consegue transmitir um eficaz clima de suspense como ainda cria uma ra\u00e7a de seres sobrenaturais muito curiosa e interessante. Reler agora esta obra, com um pouco mais de boa vontade, me permitiu ver nela qualidades que eu n\u00e3o notara da primeira vez. \u00c9 realmente uma pena que o texto n\u00e3o tenha sido melhor elaborado quanto ao pulso narrativo (que \u00e9 frouxo em alguns momentos), especialmente no in\u00edcio, quando a a\u00e7\u00e3o demora a pegar, e no final, quando ela se desfecha com muita brusquid\u00e3o. O mais essencial deste texto \u00e9 a originalidade da ideia, que n\u00e3o foi trabalhada em todo o seu potencial. Algumas de minhas discord\u00e2ncias deste texto s\u00e3o, obviamente, de ordem ideol\u00f3gica (a ambienta\u00e7\u00e3o for\u00e7ada em um pa\u00eds estrangeiro e o uso excessivo de barbarismos l\u00e9xicos), mas minha admira\u00e7\u00e3o pela imagina\u00e7\u00e3o de Wilson \u00e9 genu\u00edna e eu realmente espero que ele evolua como autor e tenha sucesso, pois ele mostrou que tem o &#8220;feeling&#8221; da coisa (e c\u00e1 estou a cometer barbarismos l\u00e9xicos tamb\u00e9m)&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;Fogo F\u00e1tuo&#8221;, de V\u00edtor de Toledo Stuani, pertence a um tipo de literatura que eu pessoalmente n\u00e3o gosto de ler porque sou um molenga. N\u00e3o me agrada a min\u00facia na descri\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e do crime e eu n\u00e3o leria um texto sobre esse assunto se eu mesmo n\u00e3o estivesse participando do desafio e n\u00e3o fosse obrigado a ler tudo. Mas mesmo n\u00e3o sendo aquilo que eu procuro ler, este conto precisa ser valorizado porque o autor mostrou muita habilidade narrativa, ocultando ao m\u00e1ximo do leitor o que realmente estava acontecendo. Contribui para esta qualidade ambienta\u00e7\u00e3o brasileira e a constru\u00e7\u00e3o muito cr\u00edvel da protagonista (nem tanto do antagonista, mas em um conto escrito dentro das limita\u00e7\u00f5es dos desafios nem sempre h\u00e1 espa\u00e7o para tanto).<\/p>\n<p>&#8220;Zorro&#8221;, de Juliano Gadelha, foi um texto que me marcou especialmente por causa das suas refer\u00eancias culturais, apesar do tema &#8220;Viagem no Tempo&#8221; n\u00e3o me agradar (para este desafio eu participei com um conto totalmente fora do tema). A afetividade da narrativa e o final surpreendente, embora harmonizado com a narrativa em geral, contribuem para o sucesso do efeito e voc\u00ea sai da leitura incensado por aquela gostosa sensa\u00e7\u00e3o de ter participado um pouco da hist\u00f3ria. \u00c9 um texto que eu li e me senti voltando ao meu bairro na inf\u00e2ncia, comprando p\u00e3o e balas na padaria da Avenida Jo\u00e3o Peixoto antes de ir para a escola.<\/p>\n<p>N\u00e3o me lembrava do estranho, e belo, conto &#8220;O Morto e Burum\u00e9&#8221;, de Leandro Barreiros, com sua riqueza descritiva, no qual ele constr\u00f3i um tipo peculiar de inferno. Se o li, na \u00e9poca ele n\u00e3o me marcou, mas eu sou outro agora, e outros s\u00e3o os meus gostos, e agora este texto me agradou muito. Dem\u00f4nios e defuntos s\u00e3o apresentados de uma forma direta, mas convincente, sem os floreios das obras do passado, mas sem a grossura de autores que n\u00e3o sabem diferenciar o narrador do pr\u00f3prio personagem. O texto cria um artefato interessante para explicar o mecanismo da sua trama, e o consegue fazer de forma convincente. A coer\u00eancia da explica\u00e7\u00e3o faz com que voc\u00ea entre na &#8220;suspens\u00e3o da descren\u00e7a&#8221; com grande facilidade. E isso \u00e9 sinal de qualidade.<\/p>\n<p>No quesito criatividade, o &#8220;Paradoxo do Adeus em Qubits&#8221;, de Ricardo Labuto Gondim, figura entre os primeiros por causa da forma desafiadora com que atacou o tema &#8220;viagem no tempo&#8221; a partir de uma perspectiva de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, mas com objetivos mais prosaicos. O texto resultante, recursivo e impactante, \u00e9 daqueles de dar n\u00f3 na cabe\u00e7a. Lembro-me vagamente de ter elogiado bastante este texto na \u00e9poca,  mas n\u00e3o sei se votei nele em primeiro lugar. O que sei \u00e9 que esse texto, com um pouco mais de trabalho de revis\u00e3o, n\u00e3o faria feio numa antologia como as da revista &#8220;Isaac Asimov&#8221;.<\/p>\n<p>Sem procurar uma ideia t\u00e3o arrojada, mas ainda assim criativa, Thais (Tata) Pereira escreveu seus &#8220;Homic\u00eddios Manchados de Rosa&#8221;, um texto que explora dos contos de fadas de uma maneira ir\u00f4nica. Certamente alguma influ\u00eancia de &#8220;Shrek&#8221; a inspirou, mas n\u00e3o podemos julg\u00e1-la: o filme \u00e9 realmente muito bom e a realiza\u00e7\u00e3o deste texto acrescenta alguma coisa. N\u00e3o pude deixar de notar um certo toque feminista na hist\u00f3ria, como se os homic\u00eddios em quest\u00e3o oferecessem algum tipo de liberta\u00e7\u00e3o (sim, a liberdade assusta no come\u00e7o). Esta n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria para se ler e esquecer, embora, mais uma vez, o ritmo intenso em que os desafios transcorrem tenham impedido um amadurecimento melhor. O tipo de narrativa que ela consegue encetar aqui \u00e9 claramente um rumo a se seguir e eu tor\u00e7o para que a Thata o esteja seguindo.<\/p>\n<p>Citei aqui somente os contos que me pareceram mais satisfat\u00f3rios. Os demais podem ser bons, mas n\u00e3o me atra\u00edram tanto quanto estes (por raz\u00f5es que podem ser meramente de gosto pessoal). Afinal, at\u00e9 quem come\u00e7a mal pode chegar a fazer um \u00f3timo trabalho &#8212; e quantos que n\u00e3o partem muito bem acabam ficando pelo caminho! Quem erra e persiste acaba acertando, e \u00e9 isto que eu desejo a todos os participantes da colet\u00e2nea, pois todos, com suas qualidades e defeitos, mostram potencial para ir al\u00e9m e que eles s\u00e3o hoje nada diz do que podem vir a ser amanh\u00e3. Que persistam, pois.<\/p>\n<p>A principal cr\u00edtica que o ebook merece \u00e9 no aspecto da formata\u00e7\u00e3o. H\u00e1 muitos erros de digita\u00e7\u00e3o (especialmente espa\u00e7os comidos) e inconsist\u00eancia nas divis\u00f5es dos textos que possuem seccionamento (h\u00e1 at\u00e9 um texto dividido por prosaicos asteriscos alinhados \u00e0 esquerda. A impress\u00e3o que passa \u00e9 a de ter sido rapidamente concebido e amarrado. Na maioria dos textos este defeito n\u00e3o chega a atrapalhar a leitura, mas \u00e9 um cuidado que o organizador, Gustavo Ara\u00fajo, deve ter futuramente, para melhorar a impress\u00e3o dos leitores. Afinal, colet\u00e2neas dotadas da qualidade liter\u00e1ria desta (que \u00e9, em si, muito superior a muita antologia de editora por a\u00ed) merecem ser vendidas e n\u00e3o deixadas para download. Para se tornar produto vend\u00e1vel, por\u00e9m, \u00e9 preciso aparar estas arestas. Espero que a essa altura as novas vers\u00f5es j\u00e1 tenham corrigido esses erros, que, claro, n\u00e3o afetam intrinsecamente a qualidade, apenas oferecem pequenas irrita\u00e7\u00f5es durante a leitura para algu\u00e9m que \u00e9 perfeccionista como eu.<\/p>\n<p>Gostaria de desejar sucesso a todos os autores participantes, inclusive aos que n\u00e3o citei, lembrando a estes que muitos outros textos de excelente qualidade n\u00e3o entraram na antologia porque n\u00e3o receberam, na \u00e9poca, votos suficientes. Ent\u00e3o, mais importante do que estar ou n\u00e3o na antologia, e ser citado ou n\u00e3o neste texto, \u00e9 continuar escrevendo e evoluindo, para merecer estar na pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>Parab\u00e9ns aos envolvidos.<\/p>\n<p>[^*]: Posteriormente se permitiu que n\u00e3o participantes votassem, desde que lessem e comentassem todos os contos, mas at\u00e9 o sexto desafio eu acredito que esta possibilidade ainda n\u00e3o existia, ou, se j\u00e1 existia, passou a existir somente no sexto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este \u00e9 o t\u00edtulo de uma colet\u00e2nea que acaba de ser lan\u00e7ada pelo blog [Entre Contos](http:\/\/www.entrecontos.com), contendo 18 textos dos participantes dos primeiros seis desafios liter\u00e1rios por l\u00e1 promovidos. 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