{"id":2050,"date":"2014-12-02T23:52:33","date_gmt":"2014-12-03T02:52:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=2050"},"modified":"2017-08-13T00:18:24","modified_gmt":"2017-08-13T03:18:24","slug":"literatura-em-equipe-ou-a-morte-da-autoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2014\/12\/literatura-em-equipe-ou-a-morte-da-autoria\/","title":{"rendered":"Literatura em Equipe ou &#8220;A Morte da Autoria&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 algum tempo eu fui convidado pelo blog &#8220;Revolu\u00e7\u00e3o E-Book&#8221; a escrever uma s\u00e9rie de artigos sobre a minha opini\u00e3o sobre a referida Revolu\u00e7\u00e3o. O resultado foi uma s\u00e9rie de artigos chamada &#8220;[Carta Aberta ao Senhor Motorista do Tanque](http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2011\/10\/carta-aberta-ao-senhor-motorista-do-tanque-indice)&#8221;, na qual eu me coloquei na posi\u00e7\u00e3o do chin\u00eas que tentou impedir a coluna de tanques de avan\u00e7ar para a Pra\u00e7a da Paz Celestial, em 1989. Tal como ele, eu n\u00e3o tenho muita ideia do que estou fazendo, sei que n\u00e3o vai adiantar e provavelmente estou me ferrando. Apenas sei que os tanques n\u00e3o me parecem legais e n\u00e3o me agrada a ideia de apenas observar sua obra.<\/p>\n<p>Embora muita coisa tenha ocorrido nos \u00faltimos tr\u00eas anos, n\u00e3o retiro muitas v\u00edrgulas do que disse (algumas sempre se tira ou p\u00f5e na revis\u00e3o). Continuo acreditando que o tipo de revolu\u00e7\u00e3o representado pela migra\u00e7\u00e3o da literatura para a nuvem n\u00e3o \u00e9 apenas revolucion\u00e1rio, mas \u00e9 tamb\u00e9m possivelmente prejudicial ao que hoje chamamos de literatura. Pode ser que no futuro isto que assim chamamos n\u00e3o exista mais. E a outra coisa que existir\u00e1 em seguida ser\u00e1 t\u00e3o diferente que n\u00e3o se ter\u00e1 mais sequ\u00eancia do que se fazia antes. Algo como a diferen\u00e7a entre um ilustrador que usa um programa de pintura digital e um pintor renascentista com suas tintas e pinc\u00e9is.<\/p>\n<p>Uma das revolu\u00e7\u00f5es assim envolvidas \u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o da autoria. A ideia de &#8220;autor&#8221; como um indiv\u00edduo que cria uma obra liter\u00e1ria parece que entrar\u00e1 em extin\u00e7\u00e3o. O que no passado se fazia por exce\u00e7\u00e3o, tende a se tornar a regra.  Inicia-se a proletariza\u00e7\u00e3o da literatura, talvez \u00faltima das artes que resistia ao capitalismo. <\/p>\n<p>Antes de continuar, para benef\u00edcio de quem n\u00e3o tem conhecimentos sobre o processo de forma\u00e7\u00e3o da Sociedade Industrial e tamb\u00e9m de quem n\u00e3o leu ou n\u00e3o quer ler meu artigo anteriormente citado, devo explicar de que se trata tal proletariza\u00e7\u00e3o. E todas as cita\u00e7\u00f5es neste texto (salvo indica\u00e7\u00e3o divergente) foram extra\u00eddas no meu artigo acima citado.<\/p>\n<p>Entende-se como tal a transi\u00e7\u00e3o da economia feudal para a economia capitalista atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o em massa de bens de consumo. Isto se deu retirando o controle da produ\u00e7\u00e3o dos artes\u00e3os (produ\u00e7\u00e3o de subsist\u00eancia) e manufatores (produ\u00e7\u00e3o em pequena escala) e transferindo-o para as f\u00e1bricas, onde os antigos artes\u00e3os e manufatores se transformaram em oper\u00e1rios. O processo envolve a aliena\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a perda do controle do trabalhador sobre o produto final (um oper\u00e1rio de ind\u00fastria n\u00e3o necessariamente sabe produzir, sozinho, o que ali se produz) e a proletariza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a desvaloriza\u00e7\u00e3o do trabalhador atrav\u00e9s da perda de sua individualidade. Por meio da aliena\u00e7\u00e3o o trabalhador se v\u00ea reduzido a operador de uma m\u00e1quina (donde &#8220;oper\u00e1rio&#8221;), da qual depende para produzir. Na pr\u00e1tica ele somente \u00e9 capaz de produzir enquanto no recinto da f\u00e1brica, onde est\u00e1 sob o controle do patr\u00e3o. Por meio da proletariza\u00e7\u00e3o o trabalhador se torna apenas uma pe\u00e7a descart\u00e1vel. Uma vez que a opera\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina n\u00e3o requer conhecimento especializado, ele tem menos valor que ela. A longo prazo este processo destr\u00f3i os saberes tradicionais (artesanato), cria produtos homogeneizados de baixo valor em compara\u00e7\u00e3o com a manufatura, e prolifera mis\u00e9ria, atrav\u00e9s do achatamento salarial. Este foi o modelo econ\u00f4mico vigente entre meados do s\u00e9culo XVIII e o in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Estas eram as f\u00e1bricas onde as greves por condi\u00e7\u00f5es humanas de trabalho eram reprimidas com a mesma viol\u00eancia do que nas rebeli\u00f5es em pres\u00eddios.<\/p>\n<p>> O que n\u00e3o se diz \u00e9 que o ambiente em que a t\u00e9cnica adquire poder sobre a sociedade \u00e9 o poder que os economicamente mais fortes exercem sobre a pr\u00f3pria sociedade. Hoje, a racionalidade t\u00e9cnica \u00e9 a racionalidade do pr\u00f3prio dom\u00ednio (Horkheimer-Adorno, 1947).<\/p>\n<p>Podemos resumir o conceito em uma frase: &#8220;a proletariza\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo atrav\u00e9s do qual o ser humano deixa de ser sujeito da economia e passa a ser um mero objeto.&#8221; <\/p>\n<p>> O mundo j\u00e1 foi um lugar mais sim\u00adples para os escri\u00adto\u00adres. A chance de ser publi\u00adcado era \u00ednfima, claro, mas o mundo era mais livre, pois cada um era dono do pr\u00f3\u00adprio caderno e da pr\u00f3\u00adpria m\u00e1quina de escre\u00adver.<\/p>\n<p>As facilidades de comunica\u00e7\u00e3o, o avan\u00e7o dos programas de edi\u00e7\u00e3o e os formatos digitais de conte\u00fado textual permitiram que se iniciasse, em algum momento, uma transi\u00e7\u00e3o semelhante na literatura. Agora tamb\u00e9m ela se &#8220;beneficia&#8221; da produ\u00e7\u00e3o em larga escala de obras homogeneizadas, que podem ser vendidas a baixo pre\u00e7o individual devido \u00e0 produ\u00e7\u00e3o em massa. Por um longo tempo existiu um mercado liter\u00e1rio de massas, e os escritores sempre estiveram felizes em usufruir dele, pois atrav\u00e9s de tal sistema os &#8220;eleitos&#8221; conseguem fama e muito dinheiro (embora nem sempre quando querem ou como queriam). Ocorre que, da mesma forma que n\u00e3o fazia sentido reunir em um galp\u00e3o quarenta sapateiros para que ali fabricassem suas pe\u00e7as, n\u00e3o faz sentido, economicamente, contratar centenas de autores para que cada um escreva a seu modo.<\/p>\n<p>> Era um mundo exclu\u00addente, que s\u00f3 fun\u00adci\u00ado\u00adnava para pou\u00adcos, mas nin\u00adgu\u00e9m acha a lote\u00adria injusta s\u00f3 por\u00adque os ven\u00adce\u00addo\u00adres s\u00e3o raros.<\/p>\n<p>Marshall McLuhan, que eu nunca me canso de citar, criou o revolucion\u00e1rio conceito de que &#8220;o meio \u00e9 a mensagem&#8221;, ao perceber que o desenvolvimento de novas tecnologias n\u00e3o era mero ve\u00edculo para a informa\u00e7\u00e3o, mas conformava (ou deformava?) a mensagem em si. Uma pe\u00e7a de teatro pode ser filmada, mas logo temos o surgimento do filme cinematogr\u00e1fico, que n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que uma pe\u00e7a filmada. Em seguida surge a televis\u00e3o, e ela n\u00e3o \u00e9 apenas um filme transmitido eletromagneticamente. E a literatura de massas, ao empregar a tecnologia inform\u00e1tica, n\u00e3o \u00e9 apenas uma difus\u00e3o em larga escala do que os autores escrevem.<\/p>\n<p>> Por\u00e9m, quando os mar\u00adke\u00adt\u00f3\u00adlo\u00adgos do mer\u00adcado p\u00f5em a m\u00e3o em algo, eles pro\u00adcu\u00adram criar um pro\u00adduto a par\u00adtir de uma \u00ab com\u00admo\u00addity \u00bb. O \u00ab livro ele\u00adtr\u00f4\u00adnico \u00bb eti\u00adque\u00adtado como \u00ab e-\u200b\u200bbook \u00bb s\u00f3 traz de novo o velho anseio de man\u00adter sob con\u00adtrole o con\u00adte\u00fado que a inter\u00adnet, an\u00e1r\u00adquica por natu\u00adreza, ame\u00ada\u00ad\u00e7ava arre\u00adben\u00adtar. <\/p>\n<p>Surgem novas estruturas narrativas, somente poss\u00edveis por causa da tecnologia. A t\u00e9cnica e a est\u00e9tica s\u00e3o influenciadas pela cultura digital l\u00e1 fora, surgem novas formas de trabalho com o texto (copiar e colar, deletar erros) e novas rela\u00e7\u00f5es entre autores, revisores, editores, *ghost-writers* e outros.<\/p>\n<p>Estas novidades n\u00e3o apenas modificaram, e est\u00e3o modificando, a literatura, mas influenciam tamb\u00e9m a forma como os leitores a leem, a maneira como os escritores aspirantes pretendem escrever e se inserir, a divulga\u00e7\u00e3o e o foco que se d\u00e1 \u00e0s obras assim produzidas.<\/p>\n<p>Um desses conceitos \u00e9 a ideia de que o autor \u00e9 apenas um nome associado a um produto. Quantos livros famosos n\u00e3o foram escritos por autores ocultos (&#8220;ghost-writers&#8221;) que receberam dinheiro (sabe-se l\u00e1 quanto) para emprestarem sua capacidade a um autor mais conhecido. No Brasil temos o famoso caso do &#8220;Manual Pr\u00e1tico de Vampirismo&#8221;, que Toninho Buda escreveu para Paulo Coelho (que devia um livro \u00e0 editora). Este epis\u00f3dio se tornou conhecido por causa do calote de Coelho em Buda e pelo processo movido pelo segundo, que motivou que a obra fosse, por ordem de Coelho, suprimida de todos os cat\u00e1logos a ponto de n\u00e3o se poder mais ach\u00e1-la. <\/p>\n<p>Existe boatos de muitos outros casos. Nunca se saber\u00e1 se todas as obras deste autor ou daquele foram mesmo escritas por ele. Sou eu mesmo que estou digitando este texto ou ser\u00e1 que paguei a algu\u00e9m para escrever para mim? Que necessidade h\u00e1 de se fazer uma literatura autoral? No fundo, como Orwell predisse em &#8220;1984&#8221;, a fun\u00e7\u00e3o do texto \u00e9 apenas transmitir uma impress\u00e3o (vaga, obrigatoriamente) ou instilar um estado de esp\u00edrito (mas o vi\u00e9s capitalista que Orwell n\u00e3o predisse acrescenta uma segunda fun\u00e7\u00e3o: a de ser produto). Se a fun\u00e7\u00e3o da obra \u00e9 t\u00e3o limitada,  a ideia de orgulho sobre ela se torna obsoleta. E a dor da aliena\u00e7\u00e3o desaparece: voc\u00ea conhece algu\u00e9m que tenha orgulho de fabricar os melhores sapatos ou que ostente sua habilidade para costurar? No futuro o mesmo processo far\u00e1 com que ningu\u00e9m pense  em textos (palavras que sequer estar\u00e3o &#8220;no papel&#8221;) como objeto de algum tipo de orgulho ou satisfa\u00e7\u00e3o. A aliena\u00e7\u00e3o completa.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o deste processo \u00e9 o que explica que um autor aspirante confesse que se &#8220;tivesse dinheiro, tamb\u00e9m pagaria&#8221; para algu\u00e9m produzir para si o texto que ele imaginou, mas n\u00e3o teve tempo de realizar. Ou que acredite que &#8220;o que vale neste caso \u00e9 a ideia e n\u00e3o quem digita a ideia.&#8221; Leu a cita\u00e7\u00e3o de Horkheimer e Adorno l\u00e1 em cima? Consegue supor aonde isto nos leva? Leva-nos ao ponto em que os detentores de capital (&#8220;money&#8221;, grana, bufunfa) pagar\u00e3o a n\u00e3o-detentores para que utilizem suas habilidades e produzirem para si. Assim como o oper\u00e1rio de uma f\u00e1brica produz bens que s\u00e3o rotulados pela f\u00e1brica, e n\u00e3o por si, o escritor &#8220;pago&#8221; tampouco rotula o que escreve: esta prerrogativa \u00e9 detida por quem possui o poder econ\u00f4mico. O autor se tornou aqui um oper\u00e1rio, alienado de sua obra pois, caso tal sistema se implante plenamente, a publica\u00e7\u00e3o s\u00f3 estar\u00e1 ao alcance dos detentores do poder econ\u00f4mico. Afinal, voc\u00ea que aprendeu a costurar n\u00e3o pode sair por a\u00ed fazendo jeans e vendendo pura e simplesmente. H\u00e1 toda uma estrutura econ\u00f4mica que voc\u00ea tem que construir, e ela se baseia em ter dinheiro (capital inicial). Nesta literatura mercantilizada, quem n\u00e3o tiver dinheiro para pagar para ser publicado n\u00e3o o ser\u00e1. O autor &#8220;pago&#8221; n\u00e3o ter\u00e1 autonomia para se publicar, tal como o oper\u00e1rio da f\u00e1brica de sapatos nunca criar\u00e1 uma grife sua e exportar\u00e1 para a R\u00fassia.<\/p>\n<p>J\u00e1 s\u00e3o variados os ind\u00edcios de que uma parte significativa dos jovens de hoje j\u00e1 enxerga essa dicotomia autor e escritor, que espelha, ridiculamente, o antigo ideal grego que opunha os misteres intelectuais e o trabalho bra\u00e7al. &#8220;Esse cara \u00e9 um idealizador. Quem escreve pra ele \u00e9 escritor.&#8221; Para esses garotos de hoje, o m\u00e9rito est\u00e1 em ter &#8220;ideias&#8221; e n\u00e3o em realiz\u00e1-las, assim como para o eup\u00e1trida ateniense era ofensiva a ideia de ter que trabalhar para o pr\u00f3prio sustento. A separa\u00e7\u00e3o entre autoria e escrita, ao espelhar este antigo ideal grego e ao se basear numa analogia com o processo de aliena\u00e7\u00e3o ocorrido durante a Revolu\u00e7\u00e3o industrial, se torna, assim, uma justifica\u00e7\u00e3o da domina\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de uns sobre outros, aquilo que Marx chamou de &#8220;a explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem&#8221; e que \u00e9 a ess\u00eancia do capitalismo.<\/p>\n<p>A ideia de que &#8220;autor \u00e9 quem cria e assina&#8221; contribui, portanto, para transformar a literatura em um atividade econ\u00f4mica qualquer, removendo dela todo aspecto art\u00edstico. Assim como j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 arte na confec\u00e7\u00e3o de roupas, nem na fabrica\u00e7\u00e3o de sapatos, nem na fundi\u00e7\u00e3o de ferramentas, n\u00e3o a haver\u00e1 na &#8220;fabrica\u00e7\u00e3o&#8221; de textos. E a individualidade do autor, esta dura conquista da modernidade, se dissolver\u00e1, substitu\u00edda pela individualidade de quem paga, assim como a f\u00e1brica leva o nome de quem a funda, n\u00e3o de quem nela trabalha.<\/p>\n<p>> O novo n\u00e3o \u00e9 sem\u00adpre bom. Cer\u00adtas coi\u00adsas hor\u00adr\u00ed\u00adveis que acon\u00adte\u00adce\u00adram no pas\u00adsado foram novi\u00addade quando apa\u00adre\u00adce\u00adram: o ami\u00adanto, a s\u00edfi\u00adlis, o comu\u00adnismo, a peste negra, os adi\u00adti\u00advos \u00e0 base de chumbo para a gaso\u00adlina. Pre\u00adci\u00adsa\u00admos ser cr\u00ed\u00adti\u00adcos em rela\u00ad\u00e7\u00e3o ao novo, tal\u00advez mais at\u00e9 do que em rela\u00ad\u00e7\u00e3o ao velho. Ser pro\u00adfeta do pas\u00adsado \u00e9 muito f\u00e1cil: esti\u00adcar um longo dedo para os erros de nos\u00adsos pais e av\u00f3s \u00e9 algo que n\u00e3o custa muita ousa\u00addia, pois os resul\u00adta\u00addos, mui\u00adtas vezes, s\u00e3o conhe\u00adci\u00addos. Dif\u00ed\u00adcil \u00e9 ser c\u00e9tico em rela\u00ad\u00e7\u00e3o ao canto da sereia do futuro. Todos temos a inge\u00adnui\u00addade de crer que o nosso futuro \u00e9 a reden\u00ad\u00e7\u00e3o de todos os nos\u00adsos pecados. Mas o futuro \u00e9 perigoso.<\/p>\n<p>Para os que n\u00e3o se ajustem a este sistema, existe a possibilidade de publica\u00e7\u00e3o independente, o que \u00e9, da parte do establishment, uma forma educada de dizer que &#8220;a porta da rua \u00e9 serventia da casa&#8221;, ou, como na letra do Rush: &#8220;conforme-se ou ser\u00e1 deixado de lado.&#8221;<\/p>\n<p>O grande problema do acr\u00e9scimo de tantas m\u00e3os ao processo de cria\u00e7\u00e3o \u00e9 que algumas destas vem com tesouras para cortar aquilo que n\u00e3o cabe nos limites do sistema. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 algum tempo eu fui convidado pelo blog &#8220;Revolu\u00e7\u00e3o E-Book&#8221; a escrever uma s\u00e9rie de artigos sobre a minha opini\u00e3o sobre a referida Revolu\u00e7\u00e3o. O resultado foi uma s\u00e9rie de artigos chamada &#8220;[Carta Aberta ao Senhor Motorista do Tanque](http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2011\/10\/carta-aberta-ao-senhor-motorista-do-tanque-indice)&#8221;, na qual eu me coloquei na posi\u00e7\u00e3o do chin\u00eas que tentou impedir a coluna de tanques de avan\u00e7ar para a Pra\u00e7a da Paz Celestial, em 1989. Tal como ele, eu n\u00e3o tenho muita ideia do que estou fazendo, sei que n\u00e3o vai adiantar e provavelmente estou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[181],"tags":[77,132,55,28,57,6,134],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2050"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2050"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2050\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4670,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2050\/revisions\/4670"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2050"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2050"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2050"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}