{"id":237,"date":"2011-08-26T20:36:00","date_gmt":"2011-08-26T23:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=237"},"modified":"2017-11-02T14:09:09","modified_gmt":"2017-11-02T17:09:09","slug":"sonhos-para-as-proximas-decadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2011\/08\/sonhos-para-as-proximas-decadas\/","title":{"rendered":"Sonhos Para as Pr\u00f3ximas D\u00e9cadas"},"content":{"rendered":"<p>Eduardo Galeano \u2014 jornalista, cartunista e escritor uruguaio \u2014 publicou uma s\u00e9rie de coisas que sonhava acontecessem no mundo ap\u00f3s a virada do s\u00e9culo. Considerando a natureza da prosa deste autor, o tipo de coisa que ele sonhava n\u00e3o \u00e9 inesperado; mas para muitos soar\u00e1 estranho, pois h\u00e1 os que pensam que este autor se limitou \u00e0s <em>Veias Abertas da Am\u00e9rica Latina<\/em>, obra que a esquerda toma como b\u00edblia e a direita renega como se fosse um grim\u00f3rio sat\u00e2nico. Por causa do peso deste livro (que tinha a inten\u00e7\u00e3o de realmente pesar) o resto da obra on\u00edrica de Galeano \u00e0s vezes passa despercebida, ao meu ver imerecidamente.<\/p>\n<p>No texto em quest\u00e3o, publicado ainda quando este s\u00e9culo era distante, o autor uruguaio tentou nos pintar um mundo onde os sinais estivessem trocados, e de uma forma estranha o texto nos deixa com a sensa\u00e7\u00e3o de que uma invers\u00e3o total de valores nos faria mais felizes. Da impossibilidade de tal feito ter lugar, surge-nos a d\u00favida filos\u00f3fica: afinal, somos felizes como somos?<\/p>\n<p><span class=\"removed_link\" title=\"http:\/\/www.tierramerica.net\/america\/autgaleano.shtml\">O texto original de Galeano pode ser conferido aqui.<\/span> De minha parte, resolvi fazer um aparte ao que ele escreveu, e adicionar alguns itens, remover outros, reescrever alguns, resultando no seguinte:<\/p>\n<p>No meu mundo ideal os autom\u00f3veis seriam atropelados pelas pessoas e teriam de refugiar-se, temerosos, nas ruas afogadas por cal\u00e7adas que cada vez se alargam mais. O ar seria polu\u00eddo apenas pelo perfume das \u00e1rvores e pelo cheiro das mo\u00e7as. As pessoas n\u00e3o seriam possu\u00eddas por seus bens, nem programadas por seus computadores, nem compradas pelos mercados nem observadas pela televis\u00e3o. Que, ali\u00e1s, seria t\u00e3o importante nas casas quanto o ferro de passar ou a lavadora de roupas. As pessoas n\u00e3o trabalhariam para ganhar o seu sustento, mas para sustentar os seus sonhos. N\u00e3o se prenderia nunca aos que recusassem servir \u00e0s For\u00e7as Armadas, mas aos que sonhassem servir. Prostitutos seriam apenas os que sentissem prazer na promiscuidade. Seria incompreens\u00edvel mencionar que certos conceitos seriam incompreens\u00edveis para certos povos. Loucos seriam chamados aqueles que negassem aos outros o direito de viver suas loucuras. Nenhuma pessoa teria cr\u00e9dito por dizer-se representante de Deus, a ponto de dizer aos outros o que fazer e o que n\u00e3o fazer. As pessoas sentiriam saudades apenas de coisas e seres que conheceram, e n\u00e3o de animais e seres extintos pela gan\u00e2ncia humana. A pol\u00edcia serviria para proteger ao povo, e n\u00e3o para proteger o governo do povo. E todos viver\u00edamos cada dia como se fosse simultaneamente o primeiro e \u00faltimo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eduardo Galeano \u2014 jornalista, cartunista e escritor uruguaio \u2014 publicou uma s\u00e9rie de coisas que sonhava acontecessem no mundo ap\u00f3s a virada do s\u00e9culo. Considerando a natureza da prosa deste autor, o tipo de coisa que ele sonhava n\u00e3o \u00e9 inesperado; mas para muitos soar\u00e1 estranho, pois h\u00e1 os que pensam que este autor se limitou \u00e0s Veias Abertas da Am\u00e9rica Latina, obra que a esquerda toma como b\u00edblia e a direita renega como se fosse um grim\u00f3rio sat\u00e2nico. 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