{"id":250,"date":"2011-08-14T19:38:00","date_gmt":"2011-08-14T22:38:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=250"},"modified":"2017-11-02T14:09:09","modified_gmt":"2017-11-02T17:09:09","slug":"sobre-contos-e-contar-historias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2011\/08\/sobre-contos-e-contar-historias\/","title":{"rendered":"Sobre Contos e Contar Hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p>Escrever contos \u00e9 uma atividade das mais prazerosas, se bem que dif\u00edcil. Para mim especialmente, escrever hist\u00f3rias sempre foi \u2014 mais que um mero requinte \u2014  um objetivo que eu sentia essencial, um desafio de car\u00e1ter quase pessoal a que me propus desde que escrevi meu primeiro poema sobre a &#8220;Chuva&#8221; (1988, perdido).<\/p>\n<p>No entanto, foram necess\u00e1rios muitos anos at\u00e9 que minhas primeiras tentativas bem-sucedidas viessem \u00e0 luz. Esta demora deveu-se, em parte, \u00e0 minha convic\u00e7\u00e3o de que escrever hist\u00f3rias era extremamente dif\u00edcil e demandava muito tempo \u2014  coisa que absolutamente n\u00e3o tinha para gastar.<\/p>\n<p>Meus primeiros contos s\u00f3 foram escritos \u00e0 \u00e9poca da revista <strong>trem azul<\/strong>, em 1997, por insist\u00eancia de meu parceiro na edi\u00e7\u00e3o, Emerson Cardoso. Dos que escrevi naquela \u00e9poca, s\u00f3 sobreviveram ao meu perfeccionismo os que publiquei. Todos os demais eu desprezei ou submeti a tantas mudan\u00e7as que j\u00e1 n\u00e3o posso dizer que s\u00e3o os mesmos que escrevi naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, \u00e9 justamente essa coisa de querer estar sempre reescrevendo e melhorando cada coisa que escrevo a maior dificuldade ao meu progresso como autor de fic\u00e7\u00e3o: simplesmente n\u00e3o consigo deixar um texto na gaveta sabendo que n\u00e3o est\u00e1 bom. Acredito que minha rela\u00e7\u00e3o com meus textos seria menos severa se eu os publicasse: a publica\u00e7\u00e3o precoce eliminaria n\u00e3o s\u00f3 o excessivo pudor que tenho deles como tamb\u00e9m ajudaria a libertar-me deste tormento de querer torn\u00e1-los perfeitos.<\/p>\n<p>Em parte esta obsess\u00e3o sempre se referiu ao fato de eu ter tido a impress\u00e3o de que minhas primeiras narra\u00e7\u00f5es dependiam profundamente do trabalho do Emerson. Acontece que, embora eu goste do que ele escreve, vejo nele um car\u00e1ter antiquado e algo &#8220;palavroso&#8221;: ele n\u00e3o \u00e9 um narrador formado, ele n\u00e3o tem uma t\u00e9cnica definida, apenas talento. Al\u00e9m disso, eu n\u00e3o tive sobre minha fic\u00e7\u00e3o nenhuma influ\u00eancia decisivamente inspiradora como aconteceu com minha poesia, que cresceu sob os ausp\u00edcios de Renato Russo, Manuel Bandeira, Roger Waters e \u2014  mais tarde \u2014  Neil Peart. Influ\u00eancias contradit\u00f3rias, que definem o meu [parco] estilo.<\/p>\n<p>Foi preciso que eu lesse e evolu\u00edsse muito at\u00e9 que meu estilo se tornasse pr\u00f3prio. Mas, de certo modo, eu ainda acho que minha fic\u00e7\u00e3o \u00e9 um tanto primitiva. Tanto no mau sentido, de sua precariedade de inspira\u00e7\u00e3o e de execu\u00e7\u00e3o, como no bom, n\u00e3o ser mero pastiche de autores conhecidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrever contos \u00e9 uma atividade das mais prazerosas, se bem que dif\u00edcil. Para mim especialmente, escrever hist\u00f3rias sempre foi \u2014 mais que um mero requinte \u2014 um objetivo que eu sentia essencial, um desafio de car\u00e1ter quase pessoal a que me propus desde que escrevi meu primeiro poema sobre a &#8220;Chuva&#8221; (1988, perdido). No entanto, foram necess\u00e1rios muitos anos at\u00e9 que minhas primeiras tentativas bem-sucedidas viessem \u00e0 luz. 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