{"id":2521,"date":"2015-01-25T17:14:13","date_gmt":"2015-01-25T20:14:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=2521"},"modified":"2017-11-02T14:08:07","modified_gmt":"2017-11-02T17:08:07","slug":"alguns-tipos-de-narradores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2015\/01\/alguns-tipos-de-narradores\/","title":{"rendered":"Alguns Tipos de Narradores"},"content":{"rendered":"<p>Este artigo \u00e9 uma an\u00e1lise dos tipos de narradores com que me deparo nas obras que leio nesta vida (a \u00fanica de que me lembro). N\u00e3o \u00e9 uma classifica\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e nem obedece aos crit\u00e9rios da teoria liter\u00e1ria, mas se serviu para mim, talvez sirva a voc\u00ea que me l\u00ea, na hora de tentar entender o livro que est\u00e1 lendo.<\/p>\n<ol>\n<li>Quanto \u00e0 pessoa narradora\n<ul>\n<li>Primeira pessoa &#8212; n\u00e3o necessariamente protagonista da hist\u00f3ria.<\/li>\n<li>Segunda pessoa &#8212; dirige-se ao leitor, quebrando a quarta parede, ou dialoga com outro personagem que nunca responde.<\/li>\n<li>Terceira pessoa &#8212; narra fatos acontecidos a outras pessoas.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li>Quanto ao envolvimento do narrador\n<ul>\n<li>Protagonista &#8212; narra fatos que aconteceram consigo, torna-se protagonista, ainda que a sua participa\u00e7\u00e3o na a\u00e7\u00e3o seja pequena. O autor costuma usar artif\u00edcios para evitar que o leitor perceba de antem\u00e3o que o narrador sobreviveu a todos os fatos, o que, em algumas situa\u00e7\u00f5es, pode ser prejudicial \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria.<\/li>\n<li>Testemunha &#8212; tipo de narra\u00e7\u00e3o em primeira pessoa, geralmente quebrando a quarta parede, no qual a hist\u00f3ria \u00e9 contada por algu\u00e9m que n\u00e3o o protagonista, mas que esteve em situa\u00e7\u00e3o privilegiada para acompanhar o protagonista, ou p\u00f4de obter dele a narrativa de sua hist\u00f3ria. Normalmente o narrador n\u00e3o tem acesso a todos os dados, e precisa preencher certos detalhes com suas dedu\u00e7\u00f5es ou com a sua imagina\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Onipresente &#8212; acompanha todas as facetas da a\u00e7\u00e3o, sem restri\u00e7\u00f5es de movimento.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li>Quanto ao car\u00e1ter do narrador\n<ul>\n<li>Confi\u00e1vel &#8212; tipo ideal (mas raro) de narrador, que narra os fatos sem hesitar e sem interpret\u00e1-los ostensivamente, mesmo quando expressa rea\u00e7\u00f5es e opini\u00f5es contr\u00e1rias aos fatos. Podemos supor que este narrador nos contou toda a hist\u00f3ria como realmente aconteceu.<\/li>\n<li>Seletivo &#8212; narradores sinceros que nos conta a hist\u00f3ria filtrada sob o seu ponto de vista, suprimindo informa\u00e7\u00f5es que nos chocariam ou oferecendo interpreta\u00e7\u00f5es que normalmente se confrontam com os fatos em si. Como se trata de um narrador sincero, ele n\u00e3o tenta ocultar estas contradi\u00e7\u00f5es, pois n\u00e3o as enxerga ou n\u00e3o as considera relevantes. Abundantes exemplos na literatura de horror. <\/li>\n<li>Inconfi\u00e1vel &#8212; o narrador tem mem\u00f3ria vacilante, \u00e0s vezes nos d\u00e1 detalhes, \u00e0s vezes n\u00e3o se lembra de informa\u00e7\u00f5es importantes. Al\u00e9m disso, est\u00e1 mais preocupado em nos impressionar com a hist\u00f3ria do que em nos cont\u00e1-la efetivamente. Ele pode ter a inten\u00e7\u00e3o de angariar nossa simpatia, n\u00e3o porque julgue seus atos deplor\u00e1veis, mas porque deseja aten\u00e7\u00e3o. Embora inconfi\u00e1vel, este narrador n\u00e3o \u00e9 desonesto, ou n\u00e3o nos passa esta impress\u00e3o, porque, apesar de suas vacila\u00e7\u00f5es influenciarem na narrativa, ele n\u00e3o parece esconder informa\u00e7\u00f5es deliberadamente.<\/li>\n<li>Manipulador &#8212; narrador que pode narrar com ou sem hesita\u00e7\u00e3o (conforme o trecho da obra) e seleciona cuidadosamente quais fatos narra e com que palavras nos narra, com o objetivo deliberado de nos fazer concordar com seus pontos de vista. O narrador manipulador, embora nem sempre detectado pelo leitor como tal, \u00e9 sempre desonesto.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<li>Quanto ao seu conhecimento\n<ul>\n<li>Onisciente &#8212; sabe tudo que for necess\u00e1rio para avan\u00e7ar a narrativa. Est\u00e1 em uma posi\u00e7\u00e3o de &#8220;deus&#8221; e sabe tudo. Est\u00e1 em todos os lugares onde a a\u00e7\u00e3o transcorra, l\u00ea as mentes dos personagens e n\u00e3o somente seus pensamentos, mas seus anseios mais profundos. Prev\u00ea o futuro e conhece do passado at\u00e9 mesmo aquilo que nenhum dos personagens sabe.<\/li>\n<li>Especialista &#8212; seus conhecimentos se limitam aos arredores da a\u00e7\u00e3o. Qualquer novo elemento introduzido na hist\u00f3ria aparece como se fosse um deus ex machina, porque o narrador s\u00f3 demonstra conhec\u00ea-lo a partir do momento em que surge.<\/li>\n<li>Ignorante ou Crian\u00e7a &#8212; tem dificuldades at\u00e9 mesmo para conhecer o ambiente em que a hist\u00f3ria se passa. Seja por se tratar de uma crian\u00e7a, um deficiente mental ou uma pessoa diante de uma situa\u00e7\u00e3o incompreens\u00edvel.<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo \u00e9 uma an\u00e1lise dos tipos de narradores com que me deparo nas obras que leio nesta vida (a \u00fanica de que me lembro). 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