{"id":2657,"date":"2017-11-13T18:42:12","date_gmt":"2017-11-13T21:42:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=2657"},"modified":"2019-06-05T22:09:37","modified_gmt":"2019-06-06T01:09:37","slug":"alguns-preconceitos-literarios-que-eu-tenho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2017\/11\/alguns-preconceitos-literarios-que-eu-tenho\/","title":{"rendered":"Alguns preconceitos liter\u00e1rios que eu tenho"},"content":{"rendered":"\n<p>Ningu\u00e9m est\u00e1 livre de ter seus preconceitos, feio \u00e9 t\u00ea-los e n\u00e3o entend\u00ea-los. Uma vez que a gente se v\u00ea no espelho e descobre o que \u00e9 verdade ou n\u00e3o, cabe-nos decidir se lutamos contra o preconceito ou se o adotamos como bandeira. Fiz este exame ao longo dos \u00faltimos anos e decidi que eu tenho alguns graves e deliciosos preconceitos, nem todos destinados \u00e0 supera\u00e7\u00e3o. Eis a lista.<\/p>\n\n\n\n<h2>Autor nacional com pseud\u00f4nimo estrangeiro.<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o estou falando, obviamente, de filhos de imigrantes, que de certa forma conquistam esse direito, mas mesmo assim, olhe l\u00e1&#8230; Falo de algu\u00e9m mais brasileiro que caf\u00e9 com leite que resolve assinar suas obras como Bryan Snow. Fica feio, cara. Fica feio. Al\u00e9m de, muitas vezes, esses autores grafarem errado prenome ou sobrenome, ainda passa recibo de colonizado porque geralmente quem toma a iniciativa de fazer isso tamb\u00e9m imita a literatura ianque de um jeito servil.<\/p>\n\n\n\n<p>Ah, mas Malba Tahan se chamava J\u00falio C\u00e9sar de Melo e Silva, etc. Realmente, esta exce\u00e7\u00e3o me desmente. Afinal, um bom autor como ele resolveu imitar os nomes e a cultura da pot\u00eancia hegem\u00f4nica da \u00e9poca, cujos filmes e m\u00fasica eram pressionados sobre n\u00f3s o tempo todo.<\/p>\n\n\n\n<h2>Livro grosso demais<\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright\"><img loading=\"lazy\" width=\"200\" height=\"300\" src=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/thick-200x300.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5549\" srcset=\"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/thick-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/thick-100x150.jpg 100w, https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/thick-426x640.jpg 426w, https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/thick.jpg 682w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Qualquer livro mais grosso que a B\u00edblia carece de muito tutano para se sustentar. N\u00e3o nasce um Dostoi\u00e9vski todo ano e eu nunca consegui ler aquele do Proust (me crucifiquem de cabe\u00e7a para baixo!). Certo que tamanho e qualidade n\u00e3o se relacionam, mas tem muita gente que acrescenta p\u00e1ginas achando que acrescenta algo a mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Parte do fetiche do tamanho se relaciona com o fetiche da quantidade: h\u00e1 gente que idolatra R. F. Luchetti e Ryoki Inoue porque escreveram centenas de livros, n\u00e3o porque realmente gostem ou valorizem seu trabalho.<\/p>\n\n\n\n<h2>Autores prol\u00edficos demais<\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright is-resized\"><a href=\"https:\/\/bienaldolivro.wordpress.com\/2017\/03\/05\/o-maior-escritor-de-livros-de-todos-os-tempos\/\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/bienaldolivro.files.wordpress.com\/2017\/03\/ryoki-humberto.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"275\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Admiro quem escreve muito &#8212; e eu mesmo escrevo que \u00e9 uma enormidade, &#8212; mas tenho minhas d\u00favidas se um autor que desova um romance cada quinze dias est\u00e1 realmente contribuindo alguma coisa de boa para a humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho para mim que um ritmo &#8220;industrial&#8221; de produ\u00e7\u00e3o prejudica a reflex\u00e3o do autor sobre a qualidade do texto e at\u00e9 mesmo sobre a qualidade dos temas e das tramas. Autores prol\u00edficos demais costumam recorrer a esquemas predeterminados, produzindo hist\u00f3rias que seguem padr\u00f5es previs\u00edveis. Cor\u00edn Tellado era uma dessas e o pr\u00f3prio Ryoki Inoue admite que tinha disso.<\/p>\n\n\n\n<p>Acontece que, se j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil fazer algo novo e bom em um mundo onde tanto j\u00e1 foi feito, imagina o qu\u00e3o dif\u00edcil \u00e9 se voc\u00ea abdicar da tentiva em prol do ritmo de produ\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<h2>Literatura er\u00f3tica<\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/tag\/carlos-zefiro\/\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.blogdothame.blog.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/carlos-zefiro.jpg\" alt=\"\" width=\"245\" height=\"320\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Para mim o espa\u00e7o do erotismo na literatura \u00e9 bem restrito. N\u00e3o penso isso por puritanismo, mas por verificar que a maioria dos que <em>escrevem sobre<\/em> parece n\u00e3o ter muita <em>pr\u00e1tica no assunto<\/em>. Para que a literatura er\u00f3tica seja interessante ela n\u00e3o pode se resumir a pornografia, \u00e9 preciso que tenha alguma sacada genu\u00edna, que mostra que o autor <em>esteve l\u00e1<\/em> e pescou um lado diferente, que pouca gente conhece.<\/p>\n\n\n\n<p>De outra forma, a literatura er\u00f3tica \u00e9 bo\u00e7al. Assim como n\u00e3o h\u00e1 literatura em se narrar exaustivamente os golpes desferidos por um bandido contra uma v\u00edtima, explicando os danos e as dores, tampouco h\u00e1 literatura em se narrar exaustivamente a penetra\u00e7\u00e3o e as fric\u00e7\u00f5es de dois amantes, explicando as sensa\u00e7\u00f5es e os sentimentos. Existe literatura apenas naquilo que seria mais interessante que um artigo da Wikip\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<h2>Escrita da internet<\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft is-resized\"><a href=\"http:\/\/professorwifi.blogspot.com.br\/2016\/04\/use-o-internetes-favor-da-sua-aula.html\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/3.bp.blogspot.com\/-V0PRtGsKc8E\/VwbVghe9w8I\/AAAAAAAABv0\/F2NKpQNDRQkSMaHDXFJ8z6h-7UvKu7lqQ\/s1600\/Gram%25C3%25A1tica-1.jpg\" alt=\"\" width=\"337\" height=\"260\"\/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>N\u00e3o me refiro a obras publicadas na internet, mas a obras escritas na linguagem tosca e despojada que se costuma usar nos bate-papos da internet, desde os velhos tempos das salas de bate-papo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta opini\u00e3o n\u00e3o deriva de mero purismo, mas do fato de que as pessoas que escrevem exclusivamente assim est\u00e3o imersas de tal maneira nos maneirismos do virtual que perderam o contato com os aspectos do real.<\/p>\n\n\n\n<p>Digo que \u00e9 um &#8220;preconceito&#8221; porque reflete a minha prefer\u00eancia de algu\u00e9m que foi educado para a leitura no tempo em que as obras precisavam ser desafiadoras e empregar t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<h2>Capas com gente pelada (ou quase)<\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright\"><img loading=\"lazy\" width=\"204\" height=\"300\" src=\"http:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/80f1037fe5c702c14429644cb29ff27b-204x300.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5552\" srcset=\"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/80f1037fe5c702c14429644cb29ff27b-204x300.jpg 204w, https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/80f1037fe5c702c14429644cb29ff27b-102x150.jpg 102w, https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/80f1037fe5c702c14429644cb29ff27b.jpg 420w\" sizes=\"(max-width: 204px) 100vw, 204px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Essa opini\u00e3o se relaciona com a ideia que tenho da literatura er\u00f3tica. Capas com peitos peludos ou pelados, mamilos, virilhas, n\u00e1degas e outros itens da anatomia humana me parecem apelativas. Eu n\u00e3o vou ler a sua hist\u00f3ria por causa de uma figura peituda na capa. Eu n\u00e3o espero encontrar nas suas p\u00e1ginas o que fica al\u00e9m da borda da calcinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse tipo de apelo funcionava antigamente, quando os rapazes recortavam propagandas de suti\u00e3 das revistas femininas e carregavam na carteira para se masturbarem no banheiro. Hoje em dia isso \u00e9 um clich\u00ea besta. E eu, mais besta que tudo, penso em ler um livro por causa do seu conte\u00fado, n\u00e3o para satisfazer uma punhetagem frustrada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ningu\u00e9m est\u00e1 livre de ter seus preconceitos, feio \u00e9 t\u00ea-los e n\u00e3o entend\u00ea-los. 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