{"id":404,"date":"2010-10-02T12:10:00","date_gmt":"2010-10-02T15:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=404"},"modified":"2017-12-12T23:17:08","modified_gmt":"2017-12-13T02:17:08","slug":"traducao-uma-noite-em-malneant-c-a-smith","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2010\/10\/traducao-uma-noite-em-malneant-c-a-smith\/","title":{"rendered":"Uma Noite em Maln\u00e9ant"},"content":{"rendered":"<div class=\"epigraph\">Original de Clark Ashton-Smith.<br \/>\nTraduzido a partir da vers\u00e3o online em <a href=\"http:\/\/www.eldritchdark.com\">Eldritch Dark<\/a>.<\/div>\n<p>Minha peregrina\u00e7\u00e3o pela cidade de Maln\u00e9ant ocorreu durante um per\u00edodo de minha vida n\u00e3o menos obscuro e d\u00fabio que a cidade mesma e as regi\u00f5es nebulosas em que se localiza. N\u00e3o tenho recorda\u00e7\u00e3o precisa de sua situa\u00e7\u00e3o, nem posso lembrar exatamente quando e como cheguei a visit\u00e1-la. Mas eu tinha ouvido falar vagamente que tal lugar estava situado ao longo de meu caminho habitual, e quando eu cheguei \u00e0quele rio envolto em brumas que corre ao longo de suas muralhas, e quando ouvi al\u00e9m do rio o repicar f\u00fanebre de muitos sinos, logo conclu\u00ed que estava pr\u00f3ximo a Maln\u00e9ant. Ao chegar \u00e0 colossal e cinzenta ponte que cruza o rio, poderia ter continuado \u00e0 vontade rumo a outras estradas que conduzem a cidades ainda mais remotas, mas me pareceu que poderia entrar em Maln\u00e9ant como se fosse qualquer outro lugar. E foi desta forma que pus o p\u00e9 na ponte de arcos sombrios, sob a qual as \u00e1guas negras corriam em impreciso fluxo, dividiam-se nas rochas e se juntavam outra vez, em sil\u00eancio, como o Estige e o Aqueronte.<\/p>\n<p>Aquele per\u00edodo de minha vida, eu j\u00e1 disse, era obscuro e d\u00fabio, ainda mais, talvez, por causa de minha necessidade de esquecimento, minha persistente e \u00e0s vezes recompensada busca de oblitera\u00e7\u00e3o. E aquilo que eu tanto queria esquecer, mais que tudo, era a morte da donzela Mariel, e o fato de que fora eu mesmo que a assassinara, t\u00e3o certamente como se tivesse sido com as minhas pr\u00f3prias m\u00e3os. Porque ela me havia amado com um afeto mais profundo e puro e est\u00e1vel que o meu, mas meu temperamento inst\u00e1vel, minhas ocasi\u00f5es de cruel indiferen\u00e7a ou irritabilidade feroz, haviam partido seu calmo cora\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o foi desta forma que ela buscou o conforto de um lento veneno da alma, at\u00e9 finalmente ser posta a descansar nas trevas das criptas de seus ancestrais. Desde ent\u00e3o eu me tornei um vagabundo, perseguido e sempre torturado por um remorso impiedoso. Por anos e meses, dos quais n\u00e3o estou seguro, eu vaguei de cidade a cidade do Velho Mundo, pouco me importando onde dava, se apenas vinho ou outros agentes de estupor estivessem dispon\u00edveis\u2026 E ent\u00e3o eu cheguei, em algum momento de minha jornada indefinida, \u00e0s vizinhan\u00e7as l\u00fagubres de Maln\u00e9ant.<\/p>\n<p>O sol (se alguma vez brilhou naquela regi\u00e3o) estava oculto havia muito tempo, nem sabia quanto, em um c\u00e9u de vapores pl\u00fambeos, o dia estava feio e ins\u00edpido, para dizer o m\u00ednimo. Mas ent\u00e3o, pelo espessamento das sombras e das n\u00e9voas, eu sentia que a noite estava chegando, e os sinos que ouvia, embora pesados e sepulcrais em seu repicar, davam ao menos a promessa de seguran\u00e7a pela noite. Ent\u00e3o eu cruzei a longa ponte e entre o port\u00e3o tristemente escancarado com um apressar de meus passos mesmo sem alegria no esp\u00edrito.<\/p>\n<p>O crep\u00fasculo havia atingido al\u00e9m das muralhas cinzentas, mas havia poucas luzes na cidade. Poucas pessoas estavam pelas ruas, e estas seguiam seu caminho com uma pressa solene, como se em algum compromisso perigoso que n\u00e3o admitisse nenhum atraso. As ruas eram estreitas, as casas muito altas, com balc\u00f5es que se projetavam e cortinas pesadamente cortinadas ou tolhidas de persianas. Tudo era muito silencioso, exceto pelos sinos, que repicavam recorrentemente, \u00e0s vezes d\u00e9beis e distantes, \u00e0s vezes com um clangor alto e despertador que parecia vir praticamente de cima. Enquanto eu penetrava atrav\u00e9s das sombras das mans\u00f5es obscuras, atrav\u00e9s das ruas das quais um certo crep\u00fasculo surgia para envolver-me, parecia que eu estava indo para mais e mais longe de minhas mem\u00f3rias a cada passo. Por esta raz\u00e3o eu n\u00e3o perguntei de imediato pelo caminho de uma taverna, mas me contentei em errar cada vez mais pelo labirinto de edif\u00edcios, que se tornava mais cinza e mais vago em meio \u00e0 escurid\u00e3o progressiva e o nevoeiro, como se dissolvendo-se em olvido.<\/p>\n<p>Eu acho que minha alma quase estaria em paz consigo, se n\u00e3o fosse o toque reiterado dos sinos, que eram como os que repicam pelo repouso dos mortos, e por isso me recordavam sempre aqueles que haviam tocado por Mariel. Mas sempre que eles pausavam, meus pensamentos escorregavam de volta \u00e0 calma indolente, \u00e0 seguran\u00e7a recuperada, \u00e0 vaguid\u00e3o circundante\u2026 Eu n\u00e3o tinha ideia do quanto penetrara em Maln\u00e9ant, nem por quanto tempo eu vagara entre suas casas que pareciam n\u00e3o poder ser habitadas por ningu\u00e9m a n\u00e3o ser os mortos em seu sono. Por fim, no entanto, eu percebi que estava muito cansado, e pensei em p\u00e3o e vinho e uma cama para a noite. Mas em nenhuma parte enquanto andara eu percebera o letreiro de qualquer hospedaria, e por isso tive de perguntar a um transeunte qualquer a dire\u00e7\u00e3o desejada.<\/p>\n<p>Como disse antes, eram poucos os que estavam fora. Naquele momento, quando me decidi a dirigir-me a um deles, parecia que n\u00e3o havia mais nenhum e que eu andava de rua em rua em uma f\u00fatil procura de uma viva alma.<\/p>\n<p>Finalmente encontrei duas mulheres, vestidas de cinzento t\u00e3o feio e frio como as dobras da n\u00e9voa, e totalmente veladas, que se apressavam com a mesma determina\u00e7\u00e3o f\u00fanebre que eu percebera em todos os outros habitantes daquela cidade. Criei coragem para aproximar-me delas, perguntando se poderiam direcionar-me a uma hospedaria. Quase sem pausar e sem mesmo voltar suas cabe\u00e7as, elas responderam: &#8220;N\u00e3o podemos dizer-lhe. Somos tecel\u00e3s de mortalhas e estivemos ocupadas fazendo uma para a donzela Mariel.&#8221; Ent\u00e3o, ao ouvir tal nome, que de todos os nomes do mundo era o que eu menos esperava ou queria ouvir, um calafrio inexplic\u00e1vel invadiu meu cora\u00e7\u00e3o, e um terr\u00edvel des\u00e2nimo abateu-me, como se eu respirasse o h\u00e1lito da morte. Era realmente estranho que naquela cidade em penumbra, t\u00e3o distante no tempo e no espa\u00e7o de tudo que eu fugira para esquecer, uma mulher houvesse morrido recentemente e seu nome fosse Mariel. A coincid\u00eancia era t\u00e3o sinistra que um medo \u00edmpar das ruas por que andara nasceu subitamente em minha alma. O nome evocara, de forma mais irrevogavelmente fatal que o repicar dos sinos, tudo que eu desejara em v\u00e3o esquecer, as lembran\u00e7as que eram carv\u00f5es em brasa em meu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que prosseguia, com passos que haviam se tornado mais apressados, mais febris at\u00e9, que os da gente de Maln\u00e9ant, eu encontrei dois homens, que estavam da mesma forma vestidos da cabe\u00e7a aos p\u00e9s de cinzento, e perguntei-lhes o mesmo que perguntara \u00e0s tecel\u00e3s de mortalhas; &#8220;N\u00e3o podemos dizer-lhe,&#8221; eles responderam. &#8220;Somos fazedores de caix\u00f5es e estivemos ocupados fazendo um para a donzela Mariel.&#8221;<\/p>\n<p>Enquanto falavam, e se apressavam, os sinos tocaram de novo, daquela vez muito perto de mim, com um tom maior de nebulosa e sepulcral ame\u00e7a em seu repicar pesado. E tudo ao meu redor, as altas e nebulosas casas, as escuras e indefinidas ruas, as raras e espectrais figuras, tornou-se parte de uma confus\u00e3o indistinta de medo, preocupa\u00e7\u00e3o e pesadelo. Momento a momento, a coincid\u00eancia em que trope\u00e7ara aparecia mais bizarra ainda de se aceitar, e eu me sentia ent\u00e3o perturbado pela monstruosa e absurda ideia de que a Mariel que eu conhecera havia acabado de morrer, e que aquela fant\u00e1stica cidade estava, de alguma maneira incompreens\u00edvel, ligada \u00e0 sua morte. Mas isto, \u00e9 claro, minha raz\u00e3o rejeitava sumariamente, e eu repetia para mim mesmo: &#8220;A Mariel de que falam \u00e9 outra Mariel.&#8221; E me irritava al\u00e9m de toda medida que um pensamento t\u00e3o inadequado e rid\u00edculo continuasse retornando, mesmo que minha l\u00f3gica o houvesse repelido. N\u00e3o encontrei ningu\u00e9m mais a quem perguntar o caminho. Mas por fim, enquanto lutava com minha sombria perplexidade e as mem\u00f3rias flamejantes, eu me achei parado abaixo do letreiro de uma hospedaria, castigado pelo tempo, cujas letras tinham sido quase apagadas pelo tempo e pelo mofo. O edif\u00edcio era obviamente muito antigo, como todas as casas de Maln\u00e9ant, e seus andares superiores se perdiam no redemoinho da neblina, exceto por umas poucas e furtivas luzes que brilhavam na escurid\u00e3o que descia, e um vago e musgoso odor de antiguidade saiu para cumprimentar-me quando eu subi as escadarias e tentei abrir a pesada porta. Mas esta havia sido trancada ou bloqueada, ent\u00e3o eu comecei a bater com meus punhos para atrair a aten\u00e7\u00e3o de quem estivesse dentro. Ap\u00f3s muito tardar, a dor foi aberta, lentamente e a contragosto, e um indiv\u00edduo de apar\u00eancia cadav\u00e9rica apareceu, com uma grave express\u00e3o de desgosto ao ver-me.<\/p>\n<p>&#8220;O que deseja?&#8221; Ele inquiriu, com uma entona\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo brusca e solene.<\/p>\n<p>&#8220;Um quarto pela noite, e vinho.&#8221; Eu pedi.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o podemos acomod\u00e1-lo. Todos os quartos est\u00e3o ocupados pelas pessoas que vieram assistir \u00e0s ex\u00e9quias da donzela Mariel, e todo o vinho da casa foi requisitado para seu uso. Voc\u00ea ter\u00e1 de ir a outro lugar.&#8221;<\/p>\n<p>Ele fechou rapidamente a porta em meu rosto ao dizer as \u00faltimas palavras. E eu tive de retomar minha perambula\u00e7\u00e3o, e tudo o que me perturbara antes foi intensificado umas cem vezes. As n\u00e9voas cinzentas e as casas imprecisas estavam cheias da amea\u00e7a da lembran\u00e7a: eram como tumbas trai\u00e7oeiras das quais os cad\u00e1veres das horas mortas surgiam para assaltar-me com suas presas e garras venenosas. Eu maldisse a hora em que entrara em Maln\u00e9ant, porque me pareceu ent\u00e3o que ao faz\u00ea-lo eu apenas completara um c\u00edrculo fun\u00e9reo e sinistro no tempo, e retornara ao dia da morte de Mariel. E certamente todas as minhas lembran\u00e7as dela, de sua agonia final e de seu sepultamento, haviam assumido a vitalidade assustadora de fatos presentes. Mas meus pensamentos ainda mantinham, claro, que a Mariel que estava morta em algum lugar de Maln\u00e9ant, e por quem todos aqueles ritos de ex\u00e9quias estavam sendo cumpridos, n\u00e3o era a mesma donzela que eu amara, mas uma outra.<\/p>\n<p>Depois de percorrer ruas que ainda eram mais escuras e estreitas que todas por onde passara, encontrei uma segunda hospedaria, ostentando um letreiro similarmente batido pelo tempo, e em todos os aspectos muito parecida \u00e0 primeira. A porta estava bloqueada, e eu bati com for\u00e7a, e n\u00e3o me surpreendi de modo algum quando um segundo indiv\u00edduo, de rosto cadav\u00e9rico, me informou em solene e sepulcral entona\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o podemos acomod\u00e1-lo. Todos os quartos foram tomados por m\u00fasicos e carpideiras que atuar\u00e3o nas ex\u00e9quias da donzela Mariel, e todo o vinho foi reservado para seu uso.&#8221;<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eu comecei a temer a cidade ao meu redor com medo multiplicado: porque parecia que toda a ocupa\u00e7\u00e3o da gente de Maln\u00e9ant consistia em preparativos para o funeral da tal donzela Mariel. E come\u00e7ou a ser \u00f3bvio para mim que eu deveria perambular pelas ruas da cidade por toda a noite sem abrigo por causa dos mesmos preparativos.<\/p>\n<p>Subitamente, um cansa\u00e7o arrebatador se mesclou ao terror e \u00e0 perplexidade de meu pesadelo.<\/p>\n<p>N\u00e3o continuara por muito tempo minha peregrina\u00e7\u00e3o, depois de deixar a segunda hospedaria, quando os sinos repicaram mais uma vez. Pela primeira vez, pude identificar sua origem: eles estavam nas torres de uma grande catedral que pairava imediatamente acima de mim na neblina. Algumas pessoas estavam entrando na catedral, e uma curiosidade, que eu sabia ser ao mesmo tempo m\u00f3rbida e perigosa, me levou a segui-los. L\u00e1 eu senti de alguma forma que seria capaz de conhecer mais do mist\u00e9rio que me atormentava. Estava tudo em penumbra l\u00e1 dentro, e a luz de muitos pavios mal conseguia iluminar a vasta nave ou o altar. Uma missa estava sendo rezada por padres vestidos de negro, cujas faces n\u00e3o podia divisar claramente, seus cantos pareciam palavras em um sonho, das quais nada ouvia, e nada estava vis\u00edvel de forma definida no lugar, exceto um f\u00e9retro coberto de tecidos opulentos no qual jazia uma forma alva. Flores de v\u00e1rios matizes haviam sido salpicadas sobre o f\u00e9retro, sua fragr\u00e2ncia preenchia o ar com um langor sonolento, com um amortecimento que parecia drogar meu cora\u00e7\u00e3o e minha alma.<\/p>\n<p>As mesmas flores haviam sido postas no f\u00e9retro de Mariel, e desta forma, por causa de seu perfume, eu fora, em seu funeral, abatido por um entorpecimento moment\u00e2neo dos sentidos. Vagamente eu percebi que algu\u00e9m me acotovelara. Com olhos ainda fixos no f\u00e9retro, eu perguntei:<\/p>\n<p>&#8220;Quem \u00e9 que jaz ali, por quem \u00e9 rezada esta missa e tocados estes sinos?&#8221;<\/p>\n<p>E uma voz lenta e sepulcral respondeu:<\/p>\n<p>&#8220;Eis a donzela Mariel, que ontem morreu e que ser\u00e1 amanh\u00e3 enterrada nas criptas de seus ancestrais. Se \u00e9 seu desejo, pode aproximar-se e mirar seu rosto.&#8221;<\/p>\n<p>Ent\u00e3o eu percorri o corredor da catedral, at\u00e9 junto do f\u00e9retro, cujos tecidos opulentos ca\u00edam at\u00e9 a lousa fria. E a face daquela que l\u00e1 jazia, com um sorriso tranquilo nos l\u00e1bios, com doces sombras sobre as p\u00e1lpebras fechadas, era a face da mesma Mariel que eu amara, e n\u00e3o de outra. As vagas do tempo congelaram seu fluxo, e tudo que era ou fora ou seria, tudo do mundo que existira al\u00e9m dela, tornou-se como sombras vacilantes, e da mesma forma que antes (passadas eras ou minutos) minha alma foi trancada no inferno de m\u00e1rmore do supremo luto e arrependimento. Eu n\u00e3o podia me mexer, eu n\u00e3o podia gritar nem chorar, porque minhas l\u00e1grimas se tornavam em gelo. E ent\u00e3o eu soube com certeza terr\u00edvel, que aquele \u00fanico evento, a morte da donzela Mariel, tinha sido arrancado de todos os outros acontecimentos, tinha sido separado da sequ\u00eancia do tempo e achado para si um cen\u00e1rio de penumbra e solenidade adequadas, ou talvez at\u00e9 constru\u00eddo em torno de si aquela enorme e labir\u00edntica urbe, para ali aguardar meu retorno em meio \u00e0s n\u00e9voas do esquecimento. Por fim, com um imenso esfor\u00e7o da vontade, eu retirei meus olhos dela, e deixei a catedral em passos apressados, apesar de tolhidos pelo chumbo de minhas pernas, para buscar uma sa\u00edda daquele labirinto horr\u00edvel de Maln\u00e9ant, para procurar o port\u00e3o por onde entrara. Mas isto n\u00e3o foi de forma alguma f\u00e1cil, devo ter vagado por horas pelos becos, opressivos e sem sa\u00edda como tumbas, e pelas tortuosas e convolutas vias, at\u00e9 que me achei em uma rua familiar e dela fui capaz de dirigir meus passos com alguma certeza. E um morma\u00e7o fraco brilhava atrav\u00e9s das nuvens de um dia amortecido e nublado que nascia al\u00e9m das n\u00e9voas quando eu cruzei a ponte e cheguei outra vez \u00e0 estrada que me levaria para longe daquela cidade infeliz.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o eu tenho vagado por muitos lugares. Mas nunca mais procurei revisitar aquele reino antigo de nevoeiro e de neblina, por medo de que chegar outra vez a Maln\u00e9ant e descobrir que sua gente ainda est\u00e1 ocupada com os preparativos para as ex\u00e9quias da donzela Mariel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Original de Clark Ashton-Smith. Traduzido a partir da vers\u00e3o online em Eldritch Dark. 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