{"id":458,"date":"2010-08-23T22:48:00","date_gmt":"2010-08-24T01:48:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=458"},"modified":"2017-11-02T14:09:26","modified_gmt":"2017-11-02T17:09:26","slug":"a-ultima-noite-do-velho-poeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2010\/08\/a-ultima-noite-do-velho-poeta\/","title":{"rendered":"A \u00daltima Noite do Velho Poeta"},"content":{"rendered":"<p>Vou andando sozinho pela escurid\u00e3o da noite. Volto para casa com os ouvidos amortecidos e com amargura na boca pela d\u00e9cima vez no m\u00eas numa noite morna de outubro ou novembro. Subitamente eu me dou conta de estar imerso num sil\u00eancio sibilante e imenso que apenas raros carros cortavam.<\/p>\n<p>Com passos duros e pernas doloridas, cruzo a Ponte Nova e subo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 pra\u00e7a, onde j\u00e1 quase n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m agora, salvo tr\u00eas fregueses de uma lanchonete comendo cachorros quentes e um b\u00eabado gritando palavr\u00f5es.<\/p>\n<p>Mais uma vez eu saio do caminho reto para passar perto da casa de Maria Alice. Mais uma vez a esperan\u00e7a de v\u00ea-la \u00e0 janela, mesmo sabendo que \u00e9 alta madrugada e que as janelas est\u00e3o fechadas. Evidentemente quando entro na Nogueira Neves constato as l\u00e2mpadas apagadas. Conforme esperava, mas mesmo assim alguma coisa morre comigo.<\/p>\n<p>Depois de estar parado \u00e0 esquina por alguns minutos remoendo velhos dramas e letras de can\u00e7\u00f5es do Roberto Carlos eu resolvo atravessar em dire\u00e7\u00e3o ao Meia Pataca.<\/p>\n<p>Noto que vem atr\u00e1s de mim a pat\u00e9tica figura maltrapilha que atrapalhava a paz dos filhinhos de papai junto \u00e0 ponte. Apresso o passo, pois o espantalho b\u00eabado que me segue n\u00e3o promete ser boa companhia. Sua roupa amarrotada mostra que esteve deitado em alguma cal\u00e7ada e seus olhos cavernosos devem estar vermelhos de sangue como os de um lobisomem.<a name=\"more\"><\/a><\/p>\n<p>Mas \u00e9 tarde para fugir e ele me grita:<\/p>\n<p>&#8212; Ei, voc\u00ea a\u00ed!<\/p>\n<p>Insisto em fingir que n\u00e3o o ou\u00e7o e ando mais.<\/p>\n<p>&#8212; Ei! Pare para ouvir a hist\u00f3ria do poeta! Insisto no sil\u00eancio e na pressa.<\/p>\n<p>&#8212; Ei, eu sei quem voc\u00ea \u00e9. Pare que eu estou precisando te contar umas coisas!<\/p>\n<p>Eu paro apenas o tempo bastante para responder:<\/p>\n<p>&#8212; Desculpe, S\u00e3o tr\u00eas da manh\u00e3! Quero dormir, outro dia.<\/p>\n<p>Ele xinga misturadamente e se apressa.<\/p>\n<p>&#8212; Meu jovem voc\u00ea ganha muito em me ouvir. Pare! E eu vou lhe contar uma hist\u00f3ria que vale a pena\u2026<\/p>\n<p>Diz o &#8220;pare&#8221; com tal determina\u00e7\u00e3o que eu paro. Incr\u00edvel minha disposi\u00e7\u00e3o a obedecer a ordens dadas seja por quem for\u2026 Desde que no tom de voz correto.<\/p>\n<p>De longe eu sinto o inconfund\u00edvel h\u00e1lito de cacha\u00e7a barata, cigarro e c\u00e1ries. O cheiro entranhado em suas roupas suadas e amarrotadas evoca antigos v\u00edcios e perfumes de prostitutas.<\/p>\n<p>Ele tira do bolso um inacredit\u00e1vel len\u00e7o e enxuga a testa. Depois pigarreia com como que para despertar do \u00e1lcool que lhe nubla a raz\u00e3o e me olha coma desola\u00e7\u00e3o de quem mal pode suportar a compaix\u00e3o que desperta.<\/p>\n<p>Sorri. Mostrando-me diversos dentes podres, tortos ou ausentes. E se apresenta:<\/p>\n<p>&#8212; Conhe\u00e7a o poeta maldito dos regos e becos da cidade.<\/p>\n<p>O alcatr\u00e3o de uma vida de fumante lhe fazia respirar chiando e o peito cabeludo e avermelhado, exposto pela camisa aberta, subia e descia como um fole.<\/p>\n<p>&#8212; Eu te conhe\u00e7o?<\/p>\n<p>&#8212; Se n\u00e3o me conhece vai me conhecer. Muitos j\u00e1 me conheceram, at\u00e9 biblicamente falando. Sou um cara muito conhecido, ainda que a maioria tenha preferido esquecer.<\/p>\n<p>Ele acende mais um cigarro e o fuma soltando baforadas quase art\u00edsticas pelo ar. Observa enquanto se desfazem os an\u00e9is e mastiga umas palavras:<\/p>\n<p>&#8212; S\u00f3 que hoje eu sou um merda e n\u00e3o tenho ningu\u00e9m com quem conversar nessa porra de mundo. Agora eu n\u00e3o tenho mais ningu\u00e9m para foder a minha bunda, ningu\u00e9m para ler meus versos, ningu\u00e9m para chorar no meu enterro!<\/p>\n<p>&#8212; E onde que eu entro nessa hist\u00f3ria?<\/p>\n<p>&#8212; At\u00e9 que eu queria que voc\u00ea entrasse, entende? Mas eu fico satisfeito se voc\u00ea for testemunha.<\/p>\n<p>&#8212; Testemunha do qu\u00ea?<\/p>\n<p>&#8212; Cala a boca e escuta. Que eu vou te contar minha hist\u00f3ria. Desde o dia em que dei o cu pela primeira vez debaixo dum p\u00e9 de mam\u00e3o no fundo do quintal da escola.<\/p>\n<p>&#8212; S\u00f3 que eu n\u00e3o tenho nada a ver com isso. Se voc\u00ea \u00e9 poeta, por que n\u00e3o transforma isso em poesia?!<\/p>\n<p>&#8212; Sou um poeta moderno. Hoje poesia n\u00e3o se faz mais com versos, e sim com verbas. Para pagar a edi\u00e7\u00e3o, para o coquetel, para mandar os 150 exemplares \u00e0s 25 bibliotecas, aos 35 leitores e aos 70 s\u00e1bios. E dar o resto para 5 amigos e mais uns 15 bobos. N\u00e3o sobra tempo para falar da vida e de sentimentos. Ser poeta \u00e9 dif\u00edcil: n\u00e3o se pode ter sentimentos.<\/p>\n<p>&#8212; \u00c9 mesmo? Parece que os poetas de hoje em vez de fazerem versos enchem o saco dos amigos com suas hist\u00f3rias pornogr\u00e1ficas e sua ressaca?<\/p>\n<p>&#8212; As \u00fanicas novelas que me interessam s\u00e3o as da globo, porque s\u00e3o &#8220;fen\u00f4meno sociol\u00f3gico&#8221;. As outras s\u00e3o alienadas.<\/p>\n<p>&#8212; Ent\u00e3o inventa algo novo para fazer.<\/p>\n<p>&#8212; Hoje em dia os campos est\u00e3o restringindo as possibilidades, j\u00e1 fizeram tudo: s\u00f3 nos resta aplaudir e ler o c\u00e2non.<\/p>\n<p>&#8212; J\u00e1 me disseram uma vez que a \u00fanica sa\u00edda para a poesia \u00e9 entra no consult\u00f3rio do analista?<\/p>\n<p>&#8212; Ou entrar pelo cano. Poeta \u00e9 um sujeito teimoso que ainda n\u00e3o descobriu que \u00e9 rid\u00edculo. \u00c9 um riquinho com vontade de aparecer que se acha fil\u00f3sofo\u2026<\/p>\n<p>&#8212; Mas eu continuo n\u00e3o tendo nada a ver com isso. E francamente eu nem consigo entender a metade do que voc\u00ea diz.<\/p>\n<p>&#8212; Mas continuo te mandando calar a boca. Ou n\u00e3o quer saber o que fiz quando fugi de casa e fui pro Rio de Janeiro?<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o. Talvez at\u00e9 eu achasse engra\u00e7ado ler isso num livro. Mas a essa hora da madrugada\u2026? Eu quero mais \u00e9 ir para minha casa dormir em vez de ficar escutando um b\u00eabado.<\/p>\n<p>&#8212; Eu quero falar de minhas primeiras taras, porque eu amava Cassandra Rios e Adelaide Carraro. Eu quero falar de orgias e da vinda do Messias.<\/p>\n<p>Nisso um casal passou por n\u00f3s de bra\u00e7os dados e vivendo tranquilamente o seu id\u00edlio. O poeta interrompeu a beatitude em que iam e lhes gritou ironicamente:<\/p>\n<p>&#8212; E a\u00ed, Messias, \u2018t\u00e1 lembrado de mim?<\/p>\n<p>Messias n\u00e3o respondeu.<\/p>\n<p>&#8212; Que \u00e9 isso, Messias, por que esta cara de quem me comeu e n\u00e3o gostou?<\/p>\n<p>Eu ri discretamente, n\u00e3o querendo estar na pele do Messias. Mas ele simplesmente fingiu que n\u00e3o ouvia nada e seguiu seu rumo levando pelo bra\u00e7o a namorada.<\/p>\n<p>&#8212; Eu lhe dizia &#8212; disse o Poeta &#8212; da dificuldade que era para um rapaz ver uma buceta pela frente em 1962\u2026<\/p>\n<p>N\u00e3o era isso que ele estava falando, mas eu n\u00e3o estava a fim de alongar o assunto e continuei escutando.<\/p>\n<p>&#8212; Para quem teve de fugir pelo pasto com os cachorros da pol\u00edcia no encal\u00e7o at\u00e9 que eu me sa\u00ed bem no Rio de Janeiro. E antes que voc\u00ea pergunte, eu tive que fugir daqui porque o pai do Messias n\u00e3o gostou de saber do que a gente fez\u2026<\/p>\n<p>Ent\u00e3o fez uma pausa, como se para puxar outro fio da meada em que a hist\u00f3ria havia se enredado e reentrou na mesma sucess\u00e3o de desencontros que fora a sua vida.<\/p>\n<p>&#8212; Em que l\u00edngua \u00e9 essa m\u00fasica que est\u00e3o tocando por a\u00ed? &#8212; perguntou enquanto apurava o ouvido.<\/p>\n<p>&#8212; Sei l\u00e1. Ingl\u00eas?<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o interessa. O que interessa \u00e9 que eu sou do tempo em que se podia oferecer uma m\u00fasica porque se sabia o que estava tocando. Voc\u00ea sabe o que essa da\u00ed diz?<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8212; &#8220;Don\u2019t want a short-dick man&#8221;<\/p>\n<p>&#8212; Continuo sem saber.<\/p>\n<p>&#8212; &#8220;N\u00e3o quero um homem de pau pequeno!&#8221;<\/p>\n<p>Eu ri sem achar gra\u00e7a nenhuma em minha ignor\u00e2ncia. Ent\u00e3o ele me consolou:<\/p>\n<p>&#8212; \u00c9 engra\u00e7ado, mas voc\u00ea j\u00e1 reparou que hoje em dia \u00e9 mais importante o caboclo saber ingl\u00eas que portugu\u00eas?<\/p>\n<p>&#8212; E \u00e9 o que parece, ou n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>&#8212; Isso porque ningu\u00e9m se preocupa em fazer o Brasil crescer. E eles ficam nos colonizando com esse lixo. E mais ainda. No meu tempo n\u00e3o era era risco de vida tocar de verdade o amor, embora isso fosse raro.<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o existia zona naquela \u00e9poca?<\/p>\n<p>&#8212; Eu nunca tive dinheiro para pagar uma vadia, por isso eu quis ser a vadia\u2026<\/p>\n<p>Outro riso constrangido:<\/p>\n<p>&#8212; E ent\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8212; Voc\u00ea gosta de rock?<\/p>\n<p>&#8212; Bastante.<\/p>\n<p>&#8212; Gosta de Pink Floyd?<\/p>\n<p>&#8212; \u00c9 meu favorito.<\/p>\n<p>&#8212; Vejamos se voc\u00ea entende do riscado.<\/p>\n<p>&#8212; Ah, de rock eu entendo.<\/p>\n<p>&#8212; Voc\u00ea j\u00e1 foi ouvir Pink Floyd num alto de morro \u00e0 noite, junto com um bando de doid\u00f5es, fazendo suruba, fumando maconha e ouvindo o &#8220;disco da vaca&#8221;?<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o!<\/p>\n<p>&#8212; Ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o entende nada de Pink Floyd.<\/p>\n<p>&#8212; E nem de poesia, pelo que voc\u00ea me falou.<\/p>\n<p>&#8212; \u00c9. Mas a diferen\u00e7a \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o faz a menor quest\u00e3o de entender de poesia\u2026<\/p>\n<p>&#8212; Ningu\u00e9m faz.<\/p>\n<p>&#8212; Mas devia. S\u00f3 com a poesia voc\u00ea pode combater a imbecilidade que h\u00e1 no mundo.<\/p>\n<p>&#8212; Mas voc\u00ea n\u00e3o me disse agora h\u00e1 pouco que a poesia no mundo de hoje virou uma coisa imbecil?<\/p>\n<p>&#8212; S\u00f3 que isso ainda n\u00e3o quer dizer que virou crime tentar fazer poesia direito\u2026<\/p>\n<p>&#8212; Como voc\u00ea faz?<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o. Eu n\u00e3o. Eu sou um idiota que sempre correu atr\u00e1s da opini\u00e3o alheia. Acho que at\u00e9 homossexual eu virei porque era chique ser bicha na cena liter\u00e1ria dos anos 70\u2026<\/p>\n<p>&#8212; Ah, nisso eu n\u00e3o acredito. Ningu\u00e9m d\u00e1 a bunda sem querer. Dizem que d\u00f3i demais para um cara fazer isso sem ser de prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>&#8212; Depois que voc\u00ea fica acostumado \u00e9 muito gostoso, pode ir por mim que \u00e9 bom!<\/p>\n<p>&#8212; \u2018T\u00f4 fora dessa!<\/p>\n<p>&#8212; E de tudo isso que eu vivi, n\u00e3o guardei nada a n\u00e3o ser o preju\u00edzo dos anos de vida que eu perdi sem ganhar dinheiro e sem virar herdeiro de fazenda. N\u00e3o, n\u00e3o achei nenhum amor eterno para esquentar a minha cama na velhice, n\u00e3o tive nenhum filho para me botar no asilo.<\/p>\n<p>Diante do meu sil\u00eancio ele continuou.<\/p>\n<p>&#8212; Todo mundo deixou sua marca em mim. As as putas me deram suas gonorreias, os farmac\u00eauticos, por sua vez, me encheram a bunda de Benzetacyl. Agora estou contando os \u00faltimos dias, com um enfisema que j\u00e1 \u00e9 meio caminho andado para um c\u00e2ncer. Cheirei coca\u00edna at\u00e9 perder o olfato, dei o cu at\u00e9 ficar com hemorroidas e agora eu me sinto um coc\u00f4 que cagaram neste cu-de-mundo.<\/p>\n<p>&#8212; E o que vai fazer para mudar isso?<\/p>\n<p>&#8212; Mudar? Que nada! Eu vou \u00e9 cumprir o meu destino! Chegou a minha Hora M\u00e1gica. Devo me juntar aos meus!<\/p>\n<p>E rapidamente, antes que eu possa tentar impedir, atinge a ponte de cimento sobre o Meia-Pataca. De p\u00e9 no corrim\u00e3o ele vocifera, como o Nero de Henryk Sienkiewicz:<\/p>\n<p>&#8212; Que grande artista o mundo vai perder.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o abre os bra\u00e7os compridos contra o luar, como um morcego pousado l\u00e1 e lentamente se deixa cair na lama rasa e fedorenta da margem.<\/p>\n<p>Das profundezas cheias de bosta e espuma industrial eu ainda o ou\u00e7o dizer, com voz rouca e raivosa:<\/p>\n<p>&#8212; Merda! Ponte errada!<\/p>\n<div>Escrito entre 2002 e 2003<\/div><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vou andando sozinho pela escurid\u00e3o da noite. Volto para casa com os ouvidos amortecidos e com amargura na boca pela d\u00e9cima vez no m\u00eas numa noite morna de outubro ou novembro. Subitamente eu me dou conta de estar imerso num sil\u00eancio sibilante e imenso que apenas raros carros cortavam. 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