{"id":488,"date":"2010-06-14T20:35:00","date_gmt":"2010-06-14T23:35:00","guid":{"rendered":"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/?p=488"},"modified":"2017-11-02T14:10:01","modified_gmt":"2017-11-02T17:10:01","slug":"formatar-paginas-com-a-medida-aurea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/2010\/06\/formatar-paginas-com-a-medida-aurea\/","title":{"rendered":"Formatar p\u00e1ginas com a medida \u00e1urea"},"content":{"rendered":"<p>A medida \u00e1urea \u00e9 uma propor\u00e7\u00e3o ideal entre duas grandezas, supostamente mais harm\u00f4nica ao olhar. Empregada ao longo dos mil\u00eanios na matem\u00e1tica e nas artes e encontrada na maioria das obras primas da humanidade. Podemos definir a &#8220;medida \u00e1urea&#8221; como uma rela\u00e7\u00e3o entre duas grandezas determinadas na qual a soma de ambas dividida pela maior \u00e9 igual \u00e0 maior dividida pela menor, ou, em nota\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica:<\/p>\n<p>( a + b ) \/ a = a \/ b<\/p>\n<p>O resultado desta divis\u00e3o \u00e9 sempre uma d\u00edzima peri\u00f3dica, mas a propor\u00e7\u00e3o resultante \u00e9 tida como mais &#8220;harm\u00f4nica&#8221; ao olhar, embora n\u00e3o se saiba exatamente porque. O fato \u00e9 que tal medida \u00e9 conhecida desde os tempos dos gregos e foi extensivamente empregada em muitas famosas obras arquitet\u00f4nicas.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode usar a medida \u00e1urea tamb\u00e9m para formatar livros. Na verdade esse tem sido o seu uso mais frequente nos \u00faltimos s\u00e9culos, desde os tempos dos manuscritos iluminados da Idade M\u00e9dia. O principal obst\u00e1culo \u00e9 que o tipo de papel a que estamos acostumados n\u00e3o se baseia na medida \u00e1urea, mas em divis\u00f5es exatas por dois: repare bem que uma folha de papel A5 corresponde ao tamanho de cada uma das metades de uma folha de papel A4 dobrado ao meio horizontalmente. Isto resulta em um formato muito diferente da medida \u00e1urea, mas ainda bastante harmonioso.<\/p>\n<p>Um exemplo de propor\u00e7\u00e3o \u00e1urea \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre os n\u00fameros 3 e 5, que \u00e9 muito usada em tamanhos de bandeiras, entre as quais a nossa. Divida 8 por 5 e 5 por tr\u00eas e obter\u00e1 o mesmo n\u00famero. Uma folha de papel &#8220;\u00e1urea&#8221; teria tamanhos proporcionais a 3 e 5, por exemplo. Tal medida \u00e9 muito diferente de um papel A4, por exemplo, que tem 210mm x 297mm. Observe que:<\/p>\n<p>( 210 + 297 ) \/ 297 = 1,707070<br \/>\n297 \/ 210 = 1,414285<\/p>\n<p>Temos portanto que uma folha de A4 n\u00e3o segue a medida \u00e1urea! O mesmo ocorre com o formato &#8220;carta&#8221;, padr\u00e3o nos EUA (medidas abaixo em polegadas):<\/p>\n<p>( 8,5 + 11 ) \/ 11 = 1,772727<br \/>\n11  \/ 8,5 = 1,294117<\/p>\n<p>Apesar dessa limita\u00e7\u00e3o, que nos impede de usar um formato puramente &#8220;\u00e1ureo&#8221;, ainda podemos formatar um livro segundo essas medidas, limitando-nos a outros aspectos que n\u00e3o o tamanho da folha de papel: a \u00e1rea de texto.<\/p>\n<p>Para criar um desenho de p\u00e1gina segundo a medida \u00e1urea, vamos utilizar uma folha de papel A4 e uma r\u00e9gua de pelo menos 30 cm (idealmente seria uma de 50 cm). Esta folha ser\u00e1 dobrada <b>exatamente <\/b>ao meio para produzir o que seria o equivalente a uma folha A5 (mais tarde voc\u00ea poder\u00e1 usar a mesma t\u00e9cnica em folhas de A4 ao colocar duas lado a lado). Observe na figura a seguir como \u00e9 feita a constru\u00e7\u00e3o das propor\u00e7\u00f5es para uma p\u00e1gina A5:<br \/>\n<img style=\"display: block; text-align: center\" alt=\"\" border=\"0\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/__v_THd9-gSU\/TBbgGzjm0CI\/AAAAAAAAAEY\/NmzsezEN0Ts\/s720\/golden.png\"\/><\/p>\n<p>Tendo dobrado a folha ao meio, ligamos os quatro cantos da p\u00e1gina usando  diagonais que se cruzam exatamente no centro desta. Este esquema foi constru\u00eddo da seguinte forma:<\/p>\n<ol>\n<li>Dobradura ao meio (linha pontilhada cinza);<\/li>\n<li>Diagonais da p\u00e1gina inteira (linhas vermelhas);<\/li>\n<li>Diagonais das metades (linha azul-marinho);<\/li>\n<li>Linha perpendicular (verde) cruzando o ponto de intersec\u00e7\u00e3o da diagonal da metade direita com a diagonal inferior-esquerda\/superior-direita (opcionalmente voc\u00ea pode inverter e usar a diagonal id\u00eantica na outra metade da p\u00e1gina);<\/li>\n<li>Liga\u00e7\u00e3o entre a borda da p\u00e1gina, no ponto em que a linha verde a atinge, e a intersec\u00e7\u00e3o superior-esquerda\/inferior-direita, na p\u00e1gina oposta (linha azul-celeste);<\/li>\n<li>A margem superior da p\u00e1gina, paralela \u00e0 borda, dever\u00e1 cruzar a intersec\u00e7\u00e3o entre a linha azul-celeste e a diagonal da metade direita (azul-marinho), seguindo apenas at\u00e9 encontrar as diagonais da p\u00e1gina inteira (vermelhas);<\/li>\n<li>As margens externas s\u00e3o tra\u00e7adas entre o ponto em que a margem superior atinge (mas n\u00e3o ultrapassa) as diagonais de p\u00e1gina inteira (vermelhas) e seguem at\u00e9 tocarem as diagonais das respectivas metades (azul-marinho);<\/li>\n<li>A margem inferior \u00e9 tra\u00e7ada ligando os pontos em que as margens externas tocam as diagonais de cada metade;<\/li>\n<li>As margens internas s\u00e3o tra\u00e7adas perpendicularmente \u00e0 margem inferior, ligando-a aos pontos em que a margem superior cruza a diagonal de cada metade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Na ilustra\u00e7\u00e3o acima, as \u00e1reas sombreadas abaixo da margem inferior correspondem ao espa\u00e7o destinado a notas de rodap\u00e9.<\/p>\n<p>Voc\u00ea deve estar se perguntando porque as margens s\u00e3o t\u00e3o desproporcionais e a resposta disto \u00e9 muito simples: margens precisam ser desproporcionais. As margens externas precisam ser mais largas porque, em primeiro lugar, os livros costumam estragar nas bordas mais facilmente do que no miolo e, em segundo lugar, porque o leitor poder\u00e1 querer tomar notas \u00e0 margem. As margens inferiores, por sua vez, precisam ser largas o bastante para que o leitor possa segurar o livro sem que o polegar interfira na leitura. Desta forma, uma p\u00e1gina assim proporcionada resultar\u00e1 numa experi\u00eancia de leitura mais agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p>Agora que voc\u00ea j\u00e1 definiu um esquema de margens perfeitamente baseado na medida \u00e1urea, est\u00e1 na hora de escolher um tamanho de fonte que resulte em linhas de no m\u00e1ximo 67 caracteres e p\u00e1ginas com no m\u00e1ximo 33 linhas. Estas s\u00e3o as medidas ideais para que a p\u00e1gina n\u00e3o seja cansativa.<\/p>\n<p>O resultado desta empreitada ser\u00e1 um livro totalmente &#8220;alien\u00edgena&#8221; em rela\u00e7\u00e3o ao que se v\u00ea no Brasil, onde a pr\u00e1tica \u00e9 mais voltada para economizar papel do que para produzir uma <a href=\"http:\/\/letraseletricas.blog.br\/lit\/2011\/06\/medida-aurea-e-paginas-confortaveis\/\">leitura confort\u00e1vel<\/a>. Mas voc\u00ea logo perceber\u00e1 as vantagens de trabalhar diferente, e de acordo com princ\u00edpios milenarmente testados.<\/p>\n<p>At\u00e9 a pr\u00f3xima.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A medida \u00e1urea \u00e9 uma propor\u00e7\u00e3o ideal entre duas grandezas, supostamente mais harm\u00f4nica ao olhar. Empregada ao longo dos mil\u00eanios na matem\u00e1tica e nas artes e encontrada na maioria das obras primas da humanidade. Podemos definir a &#8220;medida \u00e1urea&#8221; como uma rela\u00e7\u00e3o entre duas grandezas determinadas na qual a soma de ambas dividida pela maior \u00e9 igual \u00e0 maior dividida pela menor, ou, em nota\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica: ( a + b ) \/ a = a \/ b O resultado desta divis\u00e3o \u00e9 sempre uma d\u00edzima [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[184],"tags":[6,116],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/488"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=488"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/488\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5336,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/488\/revisions\/5336"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=488"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=488"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.letraseletricas.blog.br\/lit\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=488"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}